ÍNDIA – OCIDENTALIZAR OU SUCUMBIR

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Fora com o antigo purdah!
Retirai-vos o quanto antes das cozinhas.
Largai as panelas nas prateleiras.
Arrancai a venda dos olhos e olhai o mundo novo.
Deixai que vossos maridos, filhos e irmãos cozinhem para vós.
Muito trabalho nos cumpre fazer para tornar a Índia uma nação.
(Artigo de um seguidor de Gandhi, defendendo as mulheres indianas)

Por mais que alguns povos tentem conservar a pureza de sua cultura, Ocidente e Oriente cada vez mais se aproximam. Os abismos, antes insuperáveis, são agora facilmente contornados pelo desenvolvimento tecnológico, com maior ênfase para a internet. Como nos é de conhecimento, o invasor, sempre mais forte, acaba por se fazer assimilado com mais força, embora não se isente de receber lições do invadido. E neste caso, o Ocidente vem se impondo com maior veemência ao Oriente.

No século XIX, a Índia estava reduzida à pobreza, ainda apegada à revolução dos teares, hesitante quanto à industrialização que se processava no mundo chamado “civilizado”.mMas, tal relutância foi enfraquecendo e o país trilhando os caminhos da modernidade econômica. Hoje, compete no mercado externo com o Ocidente. E o faz com a supremacia de quem tem mão de obra barata e abundante. As mulheres lideram em número o trabalho nas indústrias, enquanto cresce a porcentagem de crianças, abaixo dos 14 anos, nos mais diversos serviços.

A Índia dos pobres vê com tristeza que os patrões indianos apenas substituíram os patrões ingleses (antes de o país ser libertado). A exploração aos concidadãos possui um viés bem mais dramático de que aquela imposta pelos europeus. Dói na própria carne. Trata-se de irmão explorado por irmão.

O sistema de casta só pode persistir numa sociedade agrícola, estagnada e inculta. Ele coloca barreiras nos caminhos que levam ao progresso, pois decepa a esperança e o estímulo, que induzem o crescimento de uma nação. Portanto, ao mudar as suas bases econômicas, a sociedade indiana também está afetando as suas instituições sociais e os seus costumes (cultura). A duração extraordinária das castas passa a ser uma mera questão de tempo, após iniciada a revolução tecnológica. Alguns pensaram que isso se daria com a chamada Revolução Industrial.  Mas as castas se mantiveram firmes. Agora já podemos ver o prenúncio de seu desmantelamento, pois tecnologia e superstições jamais conviveram bem.

Hoje, em muitas indústrias indianas, homens e mulheres já trabalham lado a lado, sem levar em conta a discriminação de castas. Os partidos políticos já tratam de angariar simpatia em todos os patamares da pirâmide social indiana. As fábricas ocidentais, principalmente as estadunidenses, estão aportando com ferocidade em solo indiano, em busca de mão de obra barata para os seus produtos. O governo indiano sabe, por sua vez, que o contingente de trabalhadores precisa ser cada vez mais especializado, para segurar tais investimentos no país. Por isso, as escolas começam, ainda que lentamente, a se abrir para todos, indiferentemente de castas. De modo que a abolição de todas as distinções de castas pela Constituição indiana, que até então não conseguiu resultado, passa agora a ser uma esperança consistente. Quem sabe agora nasça uma nova classe de homens, deixando as superstições apenas nos livros da História da Índia, apesar da luta dos brâmanes para manter o “status quo”?

O sistema de castas gerou inúmeros males para o país. Dentre eles, a multiplicação, de geração em geração, do número de párias (intocáveis ou dalits), ameaçando o próprio sistema, pois aos párias juntaram-se os escravizados de guerras ou pelas dívidas, os filhos nascidos da união de brâmanes com sudras (corresponde ao antigo filho ilegítimo no nosso país e que hoje inexiste) e os expulsos da religião hinduísta. E, como a pobreza quando é grande em demasia gera filhos, já que nada tem a ganhar ou perder, esse tem sido o maior legado dos párias para seu país: filhos e mais filhos.

O macho hindu vê-se num dilema, enquanto constata a invasão da tecnologia na Índia. Quer ganhar tudo o que pode, mas sem abrir mãos dos seus “direitos”. O que é impossível. Sempre que ganhamos algo de um lado, perdemos do outro. É a balança que dirá qual lado pesa mais, para que a decisão seja tomada. E pelo que ora vemos, na Índia está pesando o lado da ocidentalização. Se assim for, logo é possível ter:

  • a emancipação da mulher;
  • o aumento da idade no casamento infantil (com rigor);
  • a opção de escolha do companheiro;
  • o fim ao constrangimento e crueldade impostos às viúvas.

Revistas, jornais e internet já discutem as questões diárias das mulheres. O controle de concepção já está sendo incentivado sem restrições. Na maioria das províncias, as mulheres votam e assumem cargos públicos. Cada vez mais elas frequentam as universidades. Assim está a caminhar a Índia, embora muito trabalho ainda tenha que ser feito e muitas mentalidades a serem mudadas.

A Índia continua sendo um país de fortes e intrigantes contrastes. É uma terra do futuro, embora muitas partes dela ainda nem chegaram ao presente. É um país de pessoas incalculavelmente ricas e de pessoas desesperadamente pobres. É um país, onde se trabalha com arados de madeira, mas que também possui bomba atômica. Resta-nos torcer para que este país fantástico em muitos aspectos e tenebroso em outros, passe a respeitar os direitos humanos e se torne uma grande nação.

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SÓ OS HOMENS USAVAM A FACA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O ato de comer e o de dormir são de suma importância para o homem, pois a comida é o combustível para o funcionamento do corpo e o sono desliga, parcialmente, o sistema, para descansar as conexões nervosas, como se estivesse em “stand-by”. Mas hoje, vamos nos ater ao ato de comer, tão prazeroso, mas nocivo quando não usado com equilíbrio, tanto é que a indigestão, até a metade do século XVIII, era um problema gravíssimo. Hoje é a obesidade que vem fazendo inúmeras vítimas.

Desde a Antiguidade, os preceitos médicos tinham muita preocupação com a alimentação, uma vez que existiam pouquíssimas opções de tratamento. A saúde do paciente era monitorada pelo que comia e bebia, principalmente. Podemos ver a veracidade de tal afirmação nos receituários gregos, chineses e árabes de antigamente.

No Brasil colonial, eram comuns duas formas de comer, cuja variação dava-se de acordo com o bolso do faminto: à mesa, usando talheres, ou no chão, fazendo uso das mãos para apanhar o alimento. O que não significa que em casas abastadas, muitos senhores também não comessem com os cotovelos varando a mesa e o prato seguro pelos joelhos.

D. João VI, dono de um apetite insaciável, ao chegar ao Brasil com a sua corte, trouxe certa polidez ao ato, embora não tenha sido uma figura digna de dar aulas de boas maneiras, uma vez que gostava de comer com as mãos e armazenar comida nos bolsos, até mesmo pedaços de frango.

A maneira como se come, o que se come, onde e com que frequência, diz muito sobre cada um de nós. E podemos ver tal verdade no comportamento de nosso D. João, que era um homem cheio de medos, depressivo, tímido, indeciso, vestia-se mal e usava a terceira pessoa para referir a si mesmo, exatamente como faz o nosso Pelé. Assim o imperador dirigia-se a seus subalternos:

– Sua majestade quer dormir!

Segundo as más línguas, o ato de comer era a válvula de escape do soberano português, inconformado por ter deixado Portuagal, que chegava a comer seis frangos durante o dia, com as mãos. Mas sua mãe, D. Maria, muito refinada, tratou de passar a sua cultura para o rol dos endinheirados, à época. Até hoje, ainda há neste país, muita gente pobre comendo com as mãos, assim como faz a maioria dos indianos.

Aos nossos costumes e hábitos, herdados dos indígenas e negros, foram agregados os da Europa: massas italianas, queijos do reino, azeitonas em latas, champanhes e vinhos, assim como muitas especiarias exóticas, deixando a culinária tupiniquim mais e mais refinada. E, com isso, a mesa passou a conquistar um lugar de destaque na vida social.

Houve um tempo em nossa história, em que a faca era usada apenas pelos homens, enquanto mulheres e crianças manejavam os dedos das mãos, com maestria, na captura e no destrinchar dos alimentos. Os próprios dedos serviam de garfo para homens e mulheres. Sem falar que uma pessoa podia se servir do prato vizinho com as mãos.

Um fato interessante era que, ao ser convidado para um jantar, cada conviva devia levar a sua própria faca. Fico me perguntando se, ao término da refeição, essa era enrolada num pano e colocada no bolso, ou se a anfitriã, após a limpeza da cozinha e vasilhames pelas criadas, viesse até a sala, com uma cesta de facas, perguntando:

– De quem é esta? E esta? E mais esta?

Houve um tempo em que as regras de etiqueta evoluíram para um nossense total, a ponto de, muitas vezes, as pessoas renunciarem ao convite feito, por não saber lidar com tanta parafernália. Eram diversos talheres, pratos e copos usados para isso e aquilo. Ainda hoje, tais exibicionismos são vistos em refeições glamourosas, onde as aparências têm muito mais a ver, do que o sabor dos alimentos, num troca-troca de pratos, talheres de copos, capaz de deixar qualquer um enlouquecido, com medo de cometer uma gafe.

As grandes transformações da vida moderna vêm deixando tudo mais prático. O “self-service” e o chamado jantar americano são lugares comuns nos dias de hoje, pois “nos tempos de murici é cada um por si”, sem ficar dando trabalho aos outros, e se passando por aluno dos “refinados” colégios franceses.

Nota: Imagem copiada de http://etiquetaeumpoucomais.spaceblog.com.br

Fontes de pesquisa:
1- Gastronomia é História / Maria de Lourdes Barreto Carneiro/ Cristina Couto
2- 1808 / Laurentino Gomes

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UKIYO-E – ESTAMPAS JAPONESAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

guarda-chuva12Ukiyo-e “Imagens do Mundo Flutuante” é um estilo de estampas japonesas, que também era usado para ilustrar livros. Tais estampas foram concebidas por Iwasa Matabei, no início do século XVII. Eram vendidas a preço baixo, atendendo ao gosto das pessoas de classe social, formada a partir do século VII, quando cidades foram construídas ao pé dos castelos, sendo povoadas, principalmente, por comerciantes e artesãos responsáveis por fornecer produtos aos senhores e guerreiros de Edo (nome da cidade de Tóquio, entre os anos de 1180 e 1868).

Essas estampas são gravadas sobre dois blocos de madeira, sendo depois impressas sobre folhas de papel de diferentes formatos. Mas essas técnicas variaram de acordo com o passar dos anos:

1- Eram unicamente pintadas em cor preta.
2 – Passaram a receber um realce vermelho.
3 – Eram realçadas com a cor laranja.
4 – Eram pintadas com tintas espessas e brilhantes.
5 – Eram pintadas em vermelho e verde.
6 – Eram coloridas com várias cores.
7 – Eram usados tons arroxeados.
8 – Eram usados tons índigos, etc.

Os temas mais comuns, vistos nas estampas ukiyo-e são os retratos (inteiros ou bustos) de lindas mulheres ou artesãs (que muitas vezes eram usadas como manequins para quimonos), de atores do teatro Kabuki (dentro ou fora do palco) e de lutadores de Sumô. Contudo, alguns artistas também produziram paisagens, como é o caso do pintor Hiroshige, cenas de vida rural ou urbana. No século XVIII, alguns artistas introduziram representações de pássaros, insetos e flores. No início do século XIX, outra mudança foi introduzida: retratos de estrangeiros, tanto ambientados no Japão, quanto num lugar fictício. Existem também as estampas denominadas “paródicas”, que retratam antigos temas literários, em que são transpostos fatos e personagens de uma determinada época. E, no final do século XIX e início do século XX, apareceram as estampas de guerra, no mar e na terra. Assim, os temas que eram limitados no início do ukiuo-e, passaram a conviver com todos os temas, a partir do século XIX.

As estampas de ukiyo-e eram, muitas vezes, acompanhadas de um poema ou de um título. Nela constava a assinatura do artista ou de vários selos vermelhos ou pretos, relativos ao artista e ao editor. A censura à arte também se fazia presente. Por isso, as estampas ostentavam o selo da censura oficial, aprovando sua liberação. Posteriormente, vieram os selos de colecionadores ou comerciantes.

Houve uma época em que as estampas ukiyo-e tornaram-se uma verdadeira febre na Europa, dando origem a um movimento artístico denominado “japonismo”. Elas eram conhecidas desde 1872, mas foi através do desenhista francês Félix Bracquemont e de Théodore Duret que se tornaram propagadas nos círculos artísticos europeus. O “japonismo” foi responsável por influenciar inúmeros pintores em toda a Europa, tais como Van Gogh, Mary Cassat, Claude Monet, Toulouse-Lautrec, Degas, entre outros.

O mais interessante é que no próprio Japão, o gênero ukiyo-e não era muito valorizado pelas classes aristocráticas. Mas, com a busca incessante das estampas pelas galerias de arte e comerciantes europeus, houve uma nova postura do país de origem, de modo que seu estudo traduziu numa grande influência na pintura japonesa.

Apesar dos séculos de sua criação, a arte do ukiyo-e continua viva. Inúmeros artistas vêm renovando o gênero, produzindo estampas modernas, mas, usando a mesma técnica de impressão. Dentre os mais célebres artistas do gênero estão: Kiyonaga, Moronobu, Utamaro, Hokusai, Hiroshige, Ichô, Eisen, Sharaku, etc.

Dedicatória:
Esta página do blog é dedicada a um dos japoneses mais incríveis que encontrei em minha vida, Pedro Matsunaga, meu amado padrinho, que partiu para os braços do Criador, deixando uma grande saudade em meu coração.

Nota: estampa que acompanha o texto estão representadas duas figuras que se divertem num barco.

Ficha técnica
Artista: Chôbunsai Eishi ou Osoda Eishi (1756-1829)
Dimensão: 36,8 x 7,5 cm
Data: c. 1825-1830

Fontes de pesquisa
O Japão / Editora Globo
Ukiyo-e / Instituto Moreira Salles

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Picasso – A DANÇA

Autoria de Lu Dias Carvalhopicasso123456790

A composição A Dança, também conhecida como As Três Dançarinas, é uma das famosas pinturas surrealistas do pintor espanhol Pablo Picasso. Possivelmente a mais famosa. À época, o pintor passava por uma série crise conjugal com a sua esposa russa Olga Koklova. Nesta composição e em algumas outras, ele parece se vingar das mulheres, deformando-lhes a anatomia.

A longilínea figura rosa central, com seus longos braços abertos, lembra a crucificação de Cristo. Ao fundo, à direita, observa-se o perfil de um homem, parecido com um ícone primitivo, próximo a uma silhueta marrom. O personagem da esquerda apresenta um rosto horrendo, com a cabeça quase tocando a parede.

Ficha técnica
Ano: 1925
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 215 x 142 cm
Localização: The Tate Gallery, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
Picasso/ Coleção Folha
Picasso/ Abril Coleções

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O CUMPRIMENTO REVELA QUEM SOMOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Escrevi teu belo nome
Na palma da minha mão,
Passou um pássaro e disse:
– Escreve em teu coração.

Certamente todos nós teríamos dificuldade em identificar as partes mais importantes de nosso corpo, pois cada uma delas cumpre uma importante função. Mas sem dúvida alguma, as mãos estão entre as mais bem colocadas no pódio, haja vista o número de expressões com a palavra “mão” (mãos de fada, mão de ferro, meter a mão, deixar de mão…). Como são trabalhadoras as danadinhas, que nem mesmo durante o sono  descansam, ora segurando a cabeça, ora revirando o travesseiro ou puxando o cobertor.

Neste exato momento, olhe para suas mãos e imagine quanto serviço elas já lhe prestaram: no reconhecimento das coisas, no tato com o corpo, no manuseio das ferramentas de trabalho, no ato do amor, no cuidado com a prole, em suma, na manutenção de sua vida. Será que você tem sido grato a elas suficientemente? Estão bem tratadas, ou as coitadinhas andam muito descuidadas, precisando de maior atenção? Que tal passar um creminho bem cheiroso nessas musas, como forma de agradecimento?

As mãos são o principal utensílio nas artes e nos ofícios. E, por isso, não nos surpreende que tenham sido elas as grandes responsáveis pela evolução da humanidade. Até mesmo o cérebro reconhece isso, pois tem com elas mais conexões do que com qualquer outra parte do corpo. É por isso que o nosso estudo sobre a linguagem corporal começa com elas, as magníficas obreiras, interpretando o modo como nos são apresentadas.

A pessoa sincera e honesta, geralmente expõe a totalidade ou parte da palma da mão para o interlocutor, quando está exprimindo seus sentimentos (Eu não sou responsável por isso!/ Eu estou falando a verdade!). Por sua vez, a criança, quando está mentindo ou ocultando alguma coisa, esconde geralmente as palmas das mãos atrás das costas. E os bolsos funcionam como um bom esconderijo para as mãos, quando se trata de um marido ou namorado mentiroso. Já a mulher procura se desviar do assunto, falando de várias coisas ao mesmo tempo ou se mostrando muito ocupada, sem parar de mexer com as mãos.

Dentre as partes de nosso corpo que emitem sinais, a palma da mão está entre as mais poderosas, quer transmitindo ordens ou comandos, ou num aperto de mãos. Principais gestos de comando:

  • mão espalmada para cima – demonstra uma atitude não ameaçadora em que a pessoa encontra-se submissa, desarmada; (Diga-me o que eu posso fazer?)
  • mão espalmada para baixo – demonstra autoridade, ordenança; (Sem conversas, vá saindo!)
  • mão fechada com o dedo indicador apontado – demonstra ameaça, superioridade,     agressividade, e induz sentimentos negativos na outra pessoa. (Nunca mais me fale sobre tal assunto.)

O aperto de mão faz parte do passado remoto da humanidade, quando elementos das tribos primitivas estendiam os braços com as mãos espalmadas, no intuito de demonstrar que não carregavam armas. Por sua vez, os antigos romanos, para se defenderem contra a possibilidade de um punhal escondido na manga da camisa, criaram o aperto de mão no antebraço, como cumprimento.

Existem sete irritantes apertos de mão:

  • O peixe-morto – a mão apertada é fria e pegajosa, com sensação de frouxidão e flacidez – indicador de fraqueza de caráter.
  • O torno – o iniciador estende o braço com a mão espalmada para o chão e dá um forte puxão para baixo, seguido de dois ou três outros solavancos de retorno – indica desejo de dominar e assumir o controle da relação.
  • O quebra ossos – parecido com o torno, tritura os ossos do outro. Se for com uma mulher que está usando anéis pode ferir seus dedos – indica uma personalidade agressiva.
  • O aperto com as pontas dos dedos – pode indicar a vontade de manter distância ou exprimir, também, um sentimento de inferioridade. A pessoa mal toca as mãos do outro.
  • O cumprimento com o braço esticado – tende a ser usados por tipos agressivos, com o objetivo de colocar a outra pessoa fora de seu espaço pessoal, pois não quer nenhum contato físico.
  • O arranca-soquete – a mão é agarrada à força e puxada com um solavanco para perto do iniciante – pode demonstrar insegurança ou necessidade de controlar o outro.
  • A alavanca de bomba – o iniciante pega a mão do outro, e começa a bombeá-la, sacudindo-a em rápidos movimentos verticais – até sete subidas e descidas são aceitáveis.

Não sei se alguns dos leitores já passaram pelo constrangimento de levar a mão, numa roda de pessoas, para cumprimentar alguém, e a coitadinha ficar solitária no ar, porque o desatento está cumprimentando outrem, totalmente fora da rota, ou seja, mais distante, sem se ater a uma determinada ordem.

Duro mesmo é quando duas pessoas ficam indecisas quanto a pegar ou não na mão uma da outra. Uma leva a mão que volta humilhada por não ter encontrado a outra. Então o outro resolve levar a sua, e a situação se inverte. Haja constrangimento. Mas, contudo e apesar de tudo, benditas” sejam nossas mãos!

Um meu amigo está me cobrando o aperto de mão entre um casal, quando um dos dois roça a palma da mão do outro com o dedo médio. Segundo a explicação popular, trata-se de um convite ao sexo.

Fonte de pesquisa:
Desvendando o Segredo da Linguagem Corporal/ Allan e Barbara Pease

Nota: A Vidente – de Caravaggio

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ÍNDIA – MULHERES E OS TEMPOS DE KALYUGA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Nas grandes cidades indianas já é visível o avanço das mulheres na corrida por empregos. Mas não nos esqueçamos de que estamos nos referindo às mulheres com bom nível de escolaridade, pertencentes às castas ricas. As outras continuam na obscuridade que traz a ignorância. Acerca das mulheres na Índia, podemos dizer que:

  •   o país possui o maior número de mulheres pobres em todo o mundo;
  •  a imensa maioria das mulheres indianas possui funções ligadas ao trabalho doméstico  e agrícola de baixa remuneração;
  •  ainda hoje, menos da metade das garotas indianas chega à escola secundária (Ensino Médio);
  •  o sati, os crimes cometidos por causa dos dotes, ou a prática de matar mulheres que não podem pagar o dote aguardado pelo noivo, embora considerados ilegais perante as leis do país, ainda ocorrem;
  •  o número de abortos de fetos de meninas em todo o país, vem crescendo, até mesmo nas famílias que possuem uma boa renda;
  •  o projeto que determina que 1/3 das cadeiras legislativas devam ser preenchidas por mulheres, ainda não foi votado (pelo menos até 2008), em nível parlamentar, embora em alguns Estados indianos já venha acontecendo seu cumprimento;- mulheres como Naina Lal Kidwai (diretora executiva do banco europeu HSBC),  Kiran Mazumdar Shaw (presidente e diretora executiva da maior empresa biofarmacêutica do país, a Biocon Ltd.), Indra Nooyi (a quarta executiva mais poderosa do mundo), Kalpana Chawla (primeira mulher nascida na Índia a voar para o espaço, integrante da população do ônibus espacial Columbia que explodiu) e Mira Nair (escritora e produtora de cinema: Salaam Bomhay, Mississippi Masal, Casamento Indiano e Nome de Família) vem derrubando no país, o estereótipo de que as mulheres  “não devem ficar arrastando o sári pelo chão do mercado, mas ficar em casa cuidando da família. Não nos esqueçamos de que tratamos aqui de mulheres indianas de prestígio, criadas em ambientes ricos, tendo, na maioria das vezes, estudado no exterior.

Tempos de Kalyuga corresponde às nossas conhecidas expressões: “fins dos tempos/ tempos ruins/ tempos das trevas/ tempos da destruição/ fim do mundo”. Abaixo um pequeno texto sobre o que acontecerá nos tempos de Kalyuga, segundo a crença hindu, que é bem parecido com o Apocalipse. Observem o grau de preconceito em relação às mulheres e às castas baixas:

Hinduísmo (extratos dos Purânas):

Matam-se os fetos e os heróis.
Os serviçais querem assumir papéis intelectuais, os intelectuais, o dos serviçais.
Os ladrões tornam-se reis e os reis, ladrões.
As mulheres virtuosas são raras.
A promiscuidade propaga-se.
A estabilidade e o equilíbrio das castas e das idades da vida desaparecem.
A terra não produz quase nada em certos lugares e muito em outros.
Os poderosos apropriam-se do bem público e deixam de proteger o povo.
Ninguém viverá mais a duração normal da vida, que é de cem anos.
Os ritos perecerão nas mãos de homens sem virtudes.
Pessoas praticando ritos transviados espalhar-se-ão por toda parte.
Pessoas não qualificadas estudarão os textos sagrados e tornar-se-ão supostos peritos.
Os homens matar-se-ão uns aos outros e matarão também as crianças, as mulheres e as vacas.
Os sábios serão condenados à morte.
Os homens concentrarão os seus interesses na aquisição, mesmo que seja desonesta, da riqueza.
A riqueza substituirá vantajosamente a nobreza de origem, a virtude, o mérito.

Quando os ritos ensinados pelos textos tradicionais e as instituições estabelecidas pela lei estiverem prestes a desaparecer e estiver próximo o termo da idade obscura, uma parte do ser divino existente pela sua própria natureza espiritual segundo o caráter de Brahman, que é o princípio e o fim… descerá sobre a terra…

Sobre a terra, restabelecerá a justiça: e as mentes dos que estiverem vivos no fim da idade obscura despertarão e adquirirão uma transparência cristalina.

Os homens assim transformados sob a influência desta época especial constituirão quase uma semente de seres humanos e darão o nascimento a uma raça que seguirá as leis da idade primordial (krita yuga).

Nota: Imagem copiada de http://www.mylot.com

Fontes de pesquisa:
Microtendências/ Mark J.Penn
Blog Borboletas ao Luar

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