Picasso – AS MENINAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

picasso123456790abc

Dentre as obras do passado, muito admiradas pelo pintor espanhol Pablo Picasso, estavam As Mulheres de Argel, de Delacroix; As Meninas, de Velázquez e O Café da Manhã Campestre, de Manet. O artista fez muitas releituras das mesmas.

Picasso fez 58 versões, ou 44 conforme alguns, da pintura As Meninas, todas em óleo. Esta é a primeira e a mais completa delas. Nesta versão, o artista mantém todos os elementos do quadro de Velázquez, em tons de cinza.

À esquerda, está presente uma enorme figura de Velázquez, diante de seu cavalete, como se Picasso quisesse mostrar que ele era a figura principal da tela. As demais versões foram pintadas em cores vivas, com a predominância do vermelho, verde e amarelo.

Ficha técnica
Ano: 1957
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 194 x 260
Localização: Museu Picasso, Barcelona, Espanha

Fontes de pesquisa
Picasso/ Coleção Folha
Picasso/ Abril Coleções

Views: 71

A TARTARUGA GIGANTE DE GALÁPAGOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

sebast.

O maior requisito de um artista é a sensibilidade, terreno fértil que lhe permite captar aquilo que permanece alheio às outras pessoas. É dessa sensibilidade à flor da pele que Sebastião Salgado fala-nos, ao contar como conseguiu fotografar uma tartaruga gigante, pesando cerca de 200 quilos.

Estava o artista na ilha Isabela, em Galápagos, no Equador, quando se viu diante de uma gigantesca tartaruga. E, como fotógrafo, imediatamente lhe veio a vontade de registrar esse encontro. Mas sempre que se aproximava da musa, ela se afastava, ainda que lentamente, mas o suficiente para não lhe proporcionar um bom clique, pois o artista é sempre perfeccionista.

O fotógrafo intuiu, então, que estava lhe faltando a maneira certa de aproximação. Lembrou-se do respeito e carinho que dedica às pessoas que fotografa, sem nunca se mostrar incógnito, mas se apresentando e interagindo com elas, de modo a formar um elo de empatia. Por que não fazer o mesmo com aquele animal à sua frente, de modo a ganhar sua confiança?

Sebastião Salgado fez-se então tartaruga. Abaixou-se e se pôs a caminhar próximo dela, com as palmas das mãos e os joelhos no chão. A tartaruga, sentindo-se segura, como se tivesse um igual ao lado, não mais se retraiu. Ao contrário, quando o artista movimentou-se para trás, ela caminhou em sua direção, como se dissesse que estava pronta para ser fotografada. Mais uma vez ele recuou, e mais uma vez ela veio em sua direção, permitindo que ele a analisasse calmamente. Após sentir que o artista respeitava-a, assim como prezava seu território, a musa Chelonoidis nigra deixou-se fotografar, sem nenhum chilique de estrelismo.

Curiosidades:
As tartarugas-gigantes-de-Galápagos são as maiores da espécie, existentes nos dias de hoje, podendo chegar a 400 quilos. Antes que o homem descobrisse as Ilhas de Galápagos, no século XVI, cerca de 15 subespécies de tartarugas gigantes habitavam ali. Atualmente, existem apenas 10. Como não poderia deixar de ser, o grande responsável pelo desaparecimento das 5 subespécies é o homem.

Os marinheiros de navios caçadores de baleias e pescadores, quando aportavam naquelas ilhas, faziam das tartarugas estoques de comida. Levavam-nas vivas, uma vez que esses animais podem sobreviver sem comida e água por um longo tempo. Como as fêmeas eram menores do que os machos e podiam ser encontradas mais facilmente junto às costas, no período de desova, elas eram as primeiras a serem levadas, tornando o mal ainda maior, por acabar com as maiores responsáveis pela procriação.

Na tentativa de preservar a espécie, em 1950, foram introduzidas cabras nas Ilhas de Galápagos, para que servissem de alimentos aos marinheiros. Mas o dano foi maior ainda, pois as cabras, que faziam uso do mesmo tipo de alimento usado pelas tartarugas (são herbívoras e se alimentam de ervas, frutas, líquens, folhas e cactos), não apenas acabaram com a vegetação, como levaram a erosão ao solo. Também os ratos, que ali aportavam, vindos nas embarcações dos marinheiros, comiam seus ovos, fazendo decair consideravelmente a taxa de nascimentos. O número de indivíduos, calculado em 250 mil na descoberta das ilhas, chegou a 3 mil na década de 1970.

Fonte de pesquisa:
Sebastião Salgado, da minha terra à Terra/ Editora Paralela
http://www.tartarugas.avph.com.br

Views: 41

SINAL FECHADO

Autoria de Lu Dias Carvalho

luciana1

O V Festival da TV Record, ocorrido em 1969, teve como primeira colocada a canção Sinal Fechado, defendida pelo próprio compositor Paulinho da Viola.

A música traz um diálogo entre duas pessoas, paradas num sinal fechado, em seus respectivos carros, e, que não conseguem concluir o diálogo, feito de frases dispersas.

Embora os censores da ditadura não tivessem percebido, tratava-se de uma canção de forte conotação política, refletindo a mordaça da comunicação naqueles tempos de ditadura, com muitos artistas brasileiros vivendo no exterior e a sensação de medo presente nas conversas.

Paulinho da Viola ficou tão emocionado ao vencer o V Festival da TV Record que não teve condições nem de dar entrevistas, à época.

Tem sido comum muitas pessoas creditarem a Chico Buarque a canção Sinal Fechado, porque o cantor e compositor, em 1974, gravou um disco e deu a ele o nome da música de Paulinho da Viola: Sinal Fechado.

Abaixo a letra e o vídeo da canção:

Sinal Fechado
Autor: Paulinho da Viola
Intérprete: Paulinho da Viola

– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro… E
você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranquilo… Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos… Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é… Quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas…
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone! Eu preciso beber alguma coisa, rapidamente…
– Pra semana…
– O sinal…
– Eu procuro você…
– Vai abrir, vai abrir…
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço…
– Por favor, não esqueça, não esqueça…
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!

https://www.youtube.com/watch?v=w9JWuQPeaW0/

Fontes de pesquisa
A era dos festivais/ Zuza Homem de Mello
Uma noite em 67/ Renato Terra e Ricardo Calil
Música Popular Brasileira Hoje/ Publifolha

Views: 9

Picasso – O MOINHO DA GALETTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

picasso123456790abcd

O moinho da Galette, situado no bairro boêmio de Montmartre, em Paris, foi imortalizado por vários pintores que moraram no local, ou o frequentaram, como Renoir e Toulouse-Lautrec. Pablo Picasso, que também morou no bairro de Montmartre, fez a sua bela homenagem ao lugar, ao pintar O Moinho da Galette, mostrando os seus festivos frequentadores.

Na composição, a cena acontece à noite. Os lampiões estão acesos. Picasso dividiu os participantes em três grupos:

1. À esquerda, três mulheres estão em torno de uma mesa. Uma delas está de frente para o observador, enquanto as outras duas trocam confidências.
2. Grupo formado pelas pessoas, que se encontram no meio do salão, incluindo os três homens de cartola à esquerda.
3. O grupo é formado por duas figuras usando roupas escuras, na margem direita da tela.

Os traços do rosto dos figurantes não são perceptíveis. O mais visível deles é o da figura presente no primeiro grupo, que fixa o observador.

Ficha técnica
Ano: 1900
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 88,2 x 115 cm
Localização: Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, EUA

Fontes de pesquisa
Picasso/ Coleção Folha
Picasso/ Abril Coleções

Views: 4

COMO O VÍRUS EBOLA SE ESPALHA

Autoria do Dr. Telmo Dinizpedra1

A África Ocidental enfrenta o maior surto do vírus ebola já registrado desde a descoberta da doença, em 1976. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se da maior epidemia de febre hemorrágica em termos de pessoas afetadas, número de mortos e extensão geográfica. O surto atual começou na República da Guiné, em março deste ano, e se espalhou para os países vizinhos, Serra Leoa e Libéria. E no Brasil, será possível que o vírus possa chegar até aqui?

Nos países africanos, é tradição lavar o corpo de uma pessoa que falece. E isto aumenta de forma significante a exposição, pois a transmissão se dá pelos fluidos corpóreos. O membro da família, que lavou o corpo, pode também preparar a refeição para a celebração do funeral, piorando a situação ainda mais. Se a pessoa morrer em uma tenda médica, o corpo normalmente será queimado e, logo após, enterrado. Isso traz uma enorme agonia para as famílias, o que faz com que eles escondam a doença das entidades de ajuda médica internacional. Portanto, cultura, tradição e falta de recursos locais têm influência determinante na disseminação da doença.

Para um melhor entendimento do leitor, a transmissão ocorre pelo contato de sangue, secreções e outros fluidos corporais dos doentes, não pelo ar. Inclusive por secreções das roupas da pessoa infectada. Por esse motivo, quem corre mais risco de contaminação são os familiares e os profissionais de saúde. Quando a pessoa é infectada, o vírus pode ficar no organismo de dois a 21 dias, até o início dos sintomas.

A possibilidade da chegada do vírus ebola ao Brasil é considerada baixa pelo Ministério da Saúde. Especialistas brasileiros defendem que um dos motivos é que a gravidade dos sintomas dificulta a locomoção de doentes e o contato com muitas pessoas. Os sinais da doença são perceptíveis e o paciente fica extremamente debilitado, pois a doença começa a se manifestar com febre, fraqueza, dores musculares, de cabeça e de garganta. Em seguida, vêm vômitos, diarreias, feridas na pele, problemas hepáticos e hemorragia interna e externa. É um quadro clínico extremamente visível, o que, teoricamente, impediria uma pessoa de viajar ou, de outra forma, logo seria detectada pelas autoridades médicas do país.

Quando uma pessoa é infectada pelo vírus ebola, em até dez dias ela morre ou o organismo começa a combater o vírus. É como uma gripe. Não tem remédio para matá-lo. É nosso sistema imunológico que reage e mata o vírus. A diferença é que o vírus do ebola é muito mais agressivo que o da gripe. Pacientes graves recebem cuidados intensivos, que incluem reidratação oral e intravenosa. Eles devem ser isolados e receber a visita apenas de profissionais de saúde. Até agora não há nenhuma confirmação do ebola no país. Apenas algumas especulações não confirmadas. Seguindo as informações do MS, nada de pânico! Entretanto, no mundo globalizado em que vivemos, todo cuidado é pouco.

Nota: Imagem copiada de www.topmidianews.com.br

Views: 26

ÍNDIA – MISERABILIDADE X ESPIRITUALIDADE

Autoria de Lu Dias Carvalho

miesind

Alguns escritores, sem nunca ter colocado os pés no subcontinente indiano, apregoam em verso e prosa que ali está o lugar espiritualmente mais rico do mundo. E alegam que essa espiritualidade existe como forma de contrabalançar a sua extrema pobreza material. Como se a espiritualidade fosse o produto principal da miséria. Sem mesmo se darem conta de que a privação material absoluta destrava os projéteis da superstição, do fatalismo, do servilismo e dos engodos da mente. Separam matéria e espírito (ou mente, para alguns) em compartimentos blindados, como se o êxito de um não dependesse do sucesso do outro. Como se a matéria não fosse responsável por suprir o espírito. E vice-versa.

Mesmo que se adote a visão de que a matéria é irrelevante e transitória, em absoluto ela pode faltar ao espírito na sua passagem terrena. Nunca conheci ninguém que fosse só espírito ou só matéria, mesmo quando vive como poeira, relegado ao descaso absoluto, ou supostamente santo. Ainda que se confirme que o espírito é duradouro, perpétuo, mesmo assim ele necessita da matéria para ganhar vida, enquanto faz sua passagem pelo planeta Terra. É uma capa que deve ser bem protegida e da qual o espírito não pode se desgarrar, sob o perigo de trazer para si as maldições que o acompanharão em outra dimensão, se houver.

Imagino que, se há um Ser Absoluto, Ele deve ser muito sábio. E jamais poderá colocar na mesma balança um espírito que teve um corpo material bem nutrido, e outro que carregou um esqueleto miseravelmente raquítico, durante sua passagem terrena.  Eles terão balanças diferentes para serem pesados. Não diz o livro dos cristãos que “A quem muito foi dado, mais lhe será cobrado?”

Não sei como se pode exigir espiritualidade onde grassa a miséria. Se assim fosse, o planeta estaria protegido por um halo de espiritualização, se juntados quase 2/3 dos seus pobres e miseráveis. Teríamos a redoma da espiritualidade em quase a totalidade do campo de força da Terra. O poderio atômico que ameaça a desintegração da Terra jamais deixaria um gosto amargo em nossa boca. Nem mesmo o lixo espacial e os meteoros, que gravitam sobre nossas cabeças, seriam páreo para a maioria dessa humanidade tão espiritualizada (?). A prevalecer o raciocínio desses profetas de ar condicionado, ou dos miseráveis nus que acocoram pelo mundo, chegaremos à conclusão de que a extinção dos dinossauros foi resultante da falta de espiritualidade.

Tanto uma vultosa riqueza espiritual ou uma esmagadora pobreza são maléficas ao homem, pois nenhuma deixa perceber as misérias humanas, nas suas mais diferentes vestimentas. Sem o equilíbrio, tudo desanda. Melhor seria se à riqueza espiritual complementasse a material, e vice-versa. Não é à toa que muitos ascetas acabam loucos varridos, e um número alarmante de ricos tomba sob o no vazio da futilidade e do excesso.

Três grandes sábios da Antiguidade: Aristóteles, Buda e Confúcio reconhecem em seus ensinamentos que o extremismo é a execração à harmonia, quer em nós quer nos outros. Fecho a minha elocução com um belo pensamento de Confúcio, que penso resumir tudo aquilo que pretendi dizer:

“Ir além é tão errado, como ficar aquém.”

Nota: Imagem copiada de http://dicasterapeuticas.blogspot.com.br

Views: 10