Picasso – A BEBEDORA DE ABSINTO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O absinto, bebida alcoólica muito amarga, preparada com as folhas da planta de igual nome, era muito consumida, principalmente pelas pessoas mais pobres, antigamente, por ser barata, causando dependência e provocando uma epidemia social. Antes de Picasso apresentar a sua composição Bebedora de Absinto, os pintores Edgar Degas e Toulouse-Lautrec já haviam feito composições similares, já estudadas aqui no blog. Em todas elas existe uma mulher solitária acompanhada de um copo de absinto.

Em sua pintura intitulada A Bebedora de Absinto, Picasso apresenta uma mulher que se mostra isolada e sem esperanças, diante de uma garrafa vazia e de uma taça de absinto dentro de um pires. Em sua dolorosa solidão, ela abraça o próprio corpo encolhido, como se não achasse espaço no mundo que a rodeia. O local diminuto em que se encontra, aumenta ainda mais a sensação de abandono e opressão.

A mulher está imersa em si mesma, num estado de profundo desamparo e isolamento, com a cabeça afundada nos ombros e escorada pela mão direita que abarca grande parte do rosto. O vestido azul-marinho de mangas comprimidas aumenta ainda mais a sensação de sufocamento e tristeza da mulher que se mostra envelhecida e sem rumo. O cabelo negro está enrolado num coque. À direita da personagem vê-se parte de um espelho oval na parede, refletindo imagens indeterminadas. Na parte superior direita da pintura, o pintor fez a sua assinatura. Esta obra faz parte de sua “fase azul”.

Ficha técnica
Ano: 1901
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 73 x 54 cm
Localização: Hermitage, São Petersburgo, Rússia

Fontes de pesquisa
Picasso/ Abril Coleções
Picasso/ Coleção Folha

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Teste – ALBRECHT DÜRER

Autoria de Lu Dias Carvalhodorothy1

O pintor alemão Albrecht Dürer, embora fosse um homem muito religioso, que pendia para o misticismo, era dono de uma curiosidade ilimitada. Procurava compreender a aparência de todas as coisas perceptíveis através dos sentidos. Estava sempre em busca do novo. Era filho de um renomado mestre ourives que veio da Hungria, instalando-se na cidade alemã de Nuremberg. A profissão do pai foi muito importante para que Dürer se enveredasse pelo caminho da arte, pois naquela época, os ourives encontravam-se entre os mais importantes artesãos. Seus estúdios serviam de encontro para intelectuais e endinheirados.

1- A obra acima se trata de um de uma pintura de Albrecht Dürer, pintada em 1506, que traz uma cena:

a) bíblica.
b) islâmica.
c) budista.
d) hinduísta.

2- O nome da obra de Dürer é:

a) Jesus Entre os Doutores.
b) A Lamentação de Cristo.
c) Retábulo do Rosário.
d) Os Quatro Apóstolos.

3- Este afresco foi pintando no século:
a) 14
b) 15
c) 16
d) 17

4- Esse século está situado na Idade:

a) Antiga.
b) Média.
c) Moderna.
d) Contemporânea.

5- Os sábios apresentados por Dürer possuem uma atitude:

a) bondosa.
b) hostil.
c) acolhedora.
d) intransigente.

6- À esquerda, na composição, um dos homens traz um texto colado à sua boina, tal costume significa que se trata de um fariseu, portanto ele é:

a) presidente do conselho dos doutos.
b) membro de uma rigorosa seita judaica.
c) membro da Igreja Ortodoxa do Oriente.
d) um dos apóstolos de Cristo.

7- É possível notar um papel escrito saindo de um dos livros. Trata-se:

a) do nome do livro sagrado.
b) do ano em que se dá a reunião.
c) de um marcador de passagens.
d) do ano da obra e assinatura do pintor.

8- O homem que se apresenta à esquerda, na composição, é uma referência ao pintor:

a) Caravaggio.
b) Bosch.
c) Goya.
d) Bellini.

9- Esta cena também foi pintada por:

a) Giotto e José de Ribera.
b) Botticelli e Caravaggio.
c) Bosch e Goya.
d) Monet e Dalí.

10- Albrecht Dürer é tido como um dos maiores artistas do Renascimento:

a) do norte da Europa.
b) da Inglaterra.
c) do sul da Ásia.
d) do leste da Oceania.

Obs.: Conheça esta obra do artista:
Dürer – JESUS ENTRE OS DOUTORES

Gabarito
1a / 2a/ 3c / 4c/ 5b/ 6b/ 7d/ 8d/ 9a/ 10a

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ÍNDIA – COMO VIVE UM BRÂMANE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O homem que nasce alto torna-se baixo pelas suas baixas associações, mas o que nasce baixo não se torna alto, por meio de altas associações. (Código de Manu)

Um brâmane ensina os Vedas. Um brâmane se sacrifica por outros e recebe deveres da alma. Comum a todas as castas é a reverência para com os deuses e brâmanes. (Vishnusmriti, 2-1.17)

Os brâmanes sempre gozaram das delícias do poder que só foi um pouco enfraquecido, quando o budismo sacudiu a Índia. Mas esses sacerdotes, com a tenacidade que lhes é peculiar, deram uma volta por cima e reconquistaram o domínio, ainda na dinastia dos Guptas. A partir do século II da nossa era, os registros já mostram grandes doações, principalmente em terras, feitas às castas dos brâmanes. Segundo alguns historiadores, a maioria das escrituras era fraudulenta. E, como não podia deixar de ser, as terras dos brâmanes eram isentas de taxas, mas só até a chegada dos ingleses.

Os britânicos não levaram em conta o Código de Manu, que advertia o rei de que “nunca deverá taxar um brâmane, mesmo quando todas as outras fontes de renda estejam esgotadas, pois um brâmane irado pode imediatamente destruir o rei e todo o seu exército, apenas com a recitação das maldições dos textos místicos.” Está aí o motivo de tanta riqueza e tanto ouro. Além disso, os espertinhos instituíram que “o mais importante elemento em todos os sacrifícios aos deuses era a taxa paga ao sacerdote ministrante; e a mais alta demonstração de piedade era uma gratificação engrossando essa taxa”. Mas a mina do rei Midas não ficava apenas nisso para a casta bramânica. Ela ia muito, mas muito além. Estava presente nos milagres e nas superstições, pois o brâmane podia tudo e contava com a crença do povo:

  • tornar fecunda uma mulher estéril;
  • conduzir negócios por meio de oráculos;
  • levar os homens de loucura “simulada” a confessar ao povo, que estava assim, por castigo, por serem pouco generosos com os sacerdotes (brâmanes);
  • tirar o mau augúrio que levava à doença, ao sonho desagradável, ao mau negócio.

O poder bramânico, muito espertamente, era assentado no monopólio do conhecimento. Cai muito bem para eles o provérbio de que “em terra de cegos, quem tem um olho só é rei”. Os brâmanes eram os reformadores e guardiães de todas as tradições hinduístas. E, polivalentes, eram educadores das crianças, compositores, editores e tudo o mais.

A lei bramânica rezava que, se um sudra (a quarta casta em posição) ouvisse a leitura das escrituras hinduístas, deveria receber, como castigo, chumbo em fusão no ouvido. E se recitasse qualquer coisa dos livros divinos, tinha a língua cortada. Se das escrituras guardasse qualquer coisa na memória, era cortado em dois. O bramanismo era apenas para os iluminados. Tudo era feito para que as castas baixas não tivessem acesso ao conhecimento, pois esse lhes daria poder, questionamento e revolta. Ou seja, quanto mais inculto fosse o povo, maior seria o domínio sobre ele.

Um brâmane estava, por direito divino, sobreposto a todas as criaturas. Devia ser mantido através de doações públicas e privadas. E, que ninguém tivesse a petulância de dizer que era por “caridade”, pois se tratava de uma obrigação “sagrada”. A hospitalidade a um brâmane constituía um alto dever religioso. E, se era mal recebido, retirava-se levando todo o mérito das boas obras do hospedeiro. Todo o poder era mantido através da chantagem e do medo.

Os brâmanes Nambudri exerciam o “jus primae noctis” sobre todas as noivas de seu território, até tempos recentes. Ou seja, eles se ofereciam para curar a esterilidade das mulheres que passavam uma noite no templo em companhia deles.

Se um brâmane cometia um crime, jamais podia ser morto. O rei exilava-o, mas sem lhe retirar a propriedade. Quem “tentasse” bater num brâmane ganhava o castigo de sofrer cem anos no inferno. E, se o desafortunado chegasse a bater, o castigo passava para mil anos. Os seguidores do hinduísmo acreditavam piamente em tais lorotas.

Se um sudra abusasse da mulher de um brâmane, tinha a propriedade confiscada, e pior, ainda tinha os órgãos sexuais cortados. O sudra que matava outro sudra obtinha o perdão através da doação de dez vacas aos brâmanes, é claro. E, se um  sudra matava um vaicia (pertencente à 3ª casta) tinha que dar cem vacas. Mas, se o sujeito matava um brâmane, estava ferrado e fulminado, porque somente o homicídio de um brâmane era considerado como tal.

Deveres de um brâmane:

  • banhar todos os dias e tomar mais um banho, se o barbeiro pertencer a outra casta;
  • purificar com esterco de vaca o sítio onde vai dormir;
  • nas necessidades fisiológicas precisa seguir um ritual higiênico, usando, nesse sagrado rito, a mão esquerda, ao lavar as partes pudendas com água.

Se um estrangeiro usasse papel higiênico, a casa era considerada conspurcada. O brâmane usualmente lavava mãos, pés e dentes antes da refeição. Comia com os dedos e só usava duas vezes os mesmos pratos e talheres. Ao terminar a refeição, lavava sete vezes a boca. A escova de dente (um fragmento de madeira) era sempre nova. Mascava folhas de bétel (um tipo de planta indiana) para branquear os dentes. Usava o ópio espaçadamente, pois tinha que se abster do fumo e do álcool.

O fato de pertencerem à casta mais alta tornou a posição social dos brâmanes especial, mas a intromissão desses em todos os assuntos do país vem provocando sérias divergências na sociedade indiana. Já na metade do século XX, um grupo de racionalistas insurgiu-se contra o excesso de poderes de tal casta, considerando seus rituais totalmente desnecessários. O sucesso do movimento contribuiu para que algumas mudanças acabassem se processando, principalmente nos estados indianos do sul. Na Índia hinduísta, nenhuma decisão é tomada sem primeiro consultar o sacerdote (pandit), que sempre aproveita dos casamentos e negócios para tirar mais dinheiro das família.

Nota: personagem “pandit” (José Maia) da novela Caminhos das Índias.

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NOSSO PLANETA TERRA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Se o aumento da temperatura que prevejo, de 6 a 8 graus centígrados, se produzir, a civilização poderá ser ameaçada: teremos uma extinção em massa de espécies e a agricultura se tornará impossível em boa parte da superfície do planeta. O alimento será insuficiente, haverá migrações de populações inteiras, conflitos, a humanidade se concentrará ao redor das regiões polares… (James Lovelock, cientista britânico)

O Protocolo de Kyoto é como os acordos de Munique que vivi na minha juventude. O mundo inteiro percebe o perigo que se aproxima e os políticos pronunciam belas frases e fazem de conta que estão fazendo alguma coisa. (James Lovelock)

A vegetação são os pelos da Terra; os rios, as veias que necessitam estar sempre desentupidas e limpas; o mar, o pulmão por onde exerce a expiração: vazante e quando maré cheia: inspiração. Os mangues e pântanos, geradores de milhões de seres. (…) Ela é um lindo ser vivo colorido e extremamente generoso que, com apenas uma sementinha, dá-nos de graça um monte de alimentos que nem damos conta de comer sozinhos. Só temos de agradecer sempre a sua beleza e bondade! (Lilana Lima)

O homem possui pouco conhecimento sobre a história de seu planeta, como se a vida aqui fosse “ad eternum”, ou como se pensasse em relação às gerações que estão por vir, que o problema é delas. Pesquisei fatos curiosos sobre a nossa amada Terra:

  • Em 20000 a.C. toda a humanidade vivia num continente maciço. As temperaturas eram muito baixas, havendo uma grande extensão de geleiras, por toda parte do planeta.
  • Os oceanos tinham níveis baixíssimos de água. E se existisse a cidade do Rio de Janeiro naquela época, a grande maioria de seus habitantes não conheceria o mar, tamanha seria a distância.
  • A partir de 15000  a.C., os verões e outonos começaram a ser mais quentes, ainda que de forma gradativa.
  • Entre 12000  a.C. a 9000  a.C., o degelo deu uma grande guinada, fazendo subir o nível dos mares.
  • No ano de 8000 a.C. a elevação dos mares tinha subido até 140 metros, transformando aquele continente maciço num mosaico. Sendo o continente australiano o mais alterado, pois, por ser o mais plano, perdeu 1/7 de suas terras secas. Segundo o historiador Geoffrey Blainey (de Uma Breve História do Mundo), esse acontecimento foi o mais extraordinário na história humana, nos últimos 100 mil anos, mais do que a ida do homem à Lua, ou o somatório de todos os eventos do século XX. Em função da grande transformação que se deu e em relação à explosão populacional, pois o clima se tornou ameno, favorecendo enormemente a agricultura.

Até o final do século XX ainda predominou a ideia de que a Floresta Amazônica continuava, praticamente virgem, diante de tantas mudanças ocorridas no planeta, por ser densa e impenetrável. Infelizmente, essa crença não demorou a ser desmistificada. Vemos que o Pulmão do Mundo, aceleradamente, vai sendo destruído em seus alvéolos, entra governo e sai governo. Sendo seus dois maiores problemas as queimadas e os desmatamentos, o que coloca o nosso país no patamar do 16º poluidor do mundo e o 4º em relação à devastação ambiental.

É público e notório que a temperatura da Terra está subindo e o homem é o maior responsável, em razão da velocidade com que a atividade humana vem atuando nessa mudança. O acúmulo dos gases começou no século XVIII com o advento da Revolução Industrial.

Imaginemos a temperatura do planeta subindo 4 graus até 2100.  Pesquisas mostram que a vida humana em sociedade, só é possível até 45º. Basta que voltemos no tempo e vejamos o que aconteceu com a Terra (pesquisas mostram que em 650 000 anos foram identificados, pelo menos, 4 períodos de aquecimento de nosso planeta) .

Se nada for feito, possivelmente, as futuras gerações terão não mais mosaicos, mas um quebra-cabeça de ínfimas partes compondo as terras secas do planeta, num cenário catastrófico.

 Nota: Citações e imagem copiadas da revista Oásis

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Picasso – FIGURAS NA PRAIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Nove anos após o casamento com Olga, Picasso conheceu Marie-Thérèse Walter, que tinha apenas 17 anos. Apaixonou-se pela garota, tomando-a como amante, enquanto seguia casado com a bailarina russa. Quando estava ao lado dela na praia, o artista criou esse erótico delírio geométrico, que mais se parece com uma escultura, em razão do sombreado.

Esta composição de Picasso retrata a sua paixão enlouquecida pela ninfeta e amante Marie-Thérèse. Trata-se de uma cena impregnada de erotismo. As duas figuras agarram-se sofregamente, e beijam-se, como se uma quisesse devorar a outra, num ardoroso entrelaçamento. O fundo da pintura retrata a praia. O ocre e o amarelo, cores quentes, prevalecem sobre o azul, que traduz o mar.

Um corpo lança-se sobre o outro, desordenadamente, como predadores, numa absoluta entrega de corpos. As bocas ávidas mostram-se insaciáveis, e as línguas pontiagudas buscam caminhos. A figura da direita, representando a mulher, traz os olhos fechados, enquanto a da esquerda, representando o homem, carrega-os abertos.

A pintura é um mix de agressão e submissão, elementos presentes no ato sexual. Aqui, o homem, com seu braço dominador e nariz fálico, encontra-se por cima e a mulher, com seus seios irregulares, está por baixo.

Ficha técnica
Ano: 1931
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 130 x 195 cm
Localização: Museu Picasso, Paris, França

Fonte de pesquisa
Picasso/ Coleção Folha

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A ETIQUETA NA IDADE MÉDIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Segundo Steven Pinker, autor de Os Anjos Bons da Nossa Natureza, na Idade Média as pessoas eram muito grosseiras, como comprovam os conselhos encontrados nos livros de etiqueta da época. Através de tais juízos é possível deduzir como era a conduta daquela gente. Se a advertência, por exemplo, exorta: “Não se alivie diante das senhoras, ou na frente de portas ou janelas de casas e becos.”, significa que isso era um comportamento comum, daí a necessidade da admoestação. Segundo Pinker, em 1530, Desiderius Erasmus escreveu um manual de etiqueta chamado A Civilidade Pueril que se transformou em um best seller na Europa durante dois séculos. Abaixo alguns conselhos encontrados no manual:

1. Não suje as escadas, corredores, armários ou tapeçarias de urina ou outras imundícies.
2. Não se alivie diante de senhoras, ou na frente de portas ou janelas de casas em becos.
3. Não deslize para frente e para trás na cadeira como se estivesse tentando eliminar gases.
4. Não toque em suas partes pudendas sob as roupas com as mãos nuas.
5. Não cumprimente alguém enquanto a pessoa está urinando ou defecando.
6. Não faça barulho quando eliminar gases.
7. Não abra as roupas diante de outras pessoas em preparação para defecar, e não as feche depois.
8. Quando dividir uma cama com alguém em uma hospedaria, não se deite tão perto que possa tocar a pessoa nem ponha suas pernas entre as dela.
9. Se deparar com alguma coisa repugnante no lençol, não a mostre para seu companheiro, nem levante a coisa fétida para que o outro cheire dizendo “Gostaria de saber quanto isso fede”.
10. Não assue o nariz na toalha de mesa, nem nos dedos, manga ou chapéu.
11. Nã ofereça seu lenço usado a outra pessoa.
12. Não carregue o lenço na boca.
13. Também não fica bem, depois de assuar o nariz, abrir o lenço e contemplá-lo como se pérola e rubis pudessem ter saído de sua cabeça.
14. Não cuspa na bacia quando estiver lavando as mãos.
15. Não cuspa tão longe que seja preciso procurar a saliva para pisar nela.
16. Vire-se ao cuspir para que a saliva não caia em alguém.
17. Se algo purulento cair no chão, deve ser pisado para que não provoque náusea em alguém.
18. Se notar saliva no casaco de alguém, não é polido anunciar.
19. Não seja o primeiro a tirar a comida do prato.
20. Não se atire à comida como um porco, roncando e estalando os lábios.
21. Não vire a travessa para deixar o maior pedaço de carne perto de você.
22. Não devore a comida como se estivesse prestes a ser levado para a prisão, nem encha tanto a boca a ponto de suas bochechas incharem como foles, nem abra tanto os lábios que eles produzam ruídos porcinos.
23. Não mergulhe os dedos no molho da travessa.
24. Não pegue comida da travessa com a colher que pôs na boca.
25. Não roa um osso e depois o devolva à travessa.
26. Não limpe talheres na toalha de mesa.
27. Não ponha de volta no prato o que esteve em sua boca.
28. Não ofereça a ninguém um alimento que você já mordeu.
29. Não lamba os lábios engordurados, limpe-os no pão ou enxugue-os no casaco.
30. Não se incline para beber na tigela de sopa.
31. Não cuspa ossos, caroços, cascas de ovo ou de fruta nas mãos, nem os jogue no chão.
32. Não meta o dedo no nariz enquanto come.
33. Não beba no prato; use a colher.
34. Não sugue ruidosamente o que está na colher.
35. Não afrouxe o cinto à mesa.
36. Não limpe com os dedos um prato sujo.
37. Não mexa o molho com os dedos.
38. Não leve a carne ao nariz para cheirá-la.
39. Não beba café no pires.
40. Não limpe os dentes com a faca.
41. Não segure a faca o tempo todo enquanto come, apenas quando precisar dela.
42. Não use a ponta da faca para pôr comida na boca.
43. Não corte o pão; parta-o com as mãos.
44. Quando passar uma faca a alguém, ofereça o cabo e deixe a ponta virada para você.
45. Não agarre a faca com a mão inteira como se fosse um pedaço de pau; segure-a nos dedos.
46. Não use a faca para apontar para alguém.

Naquela época, segundo Pinker, os manuais de conduta exortavam as pessoas a não serem grosseiras, a respeitar a sensibilidade dos outros, sem quase nenhuma preocupação com a higiene ou saúde, pois os conhecimentos sobre micróbios só apareceram no século XIX. Contudo, o nojo, de certa forma, foi responsável para que houvesse uma defesa, ainda que inconsciente, contra a contaminação. Na Europa medieval também não havia muita discrição quanto à atividade sexual. As pessoas não se constrangiam em ficar nuas em público e, no ato do coito, mantinham apenas uma privacidade superficial. As prostituas ofertavam seus serviços livremente, os homens conversavam com os filhos sobre seus feitos sexuais, etc.

Fonte de pesquisa:
Os Anjos Bons da Nossa Natureza/ Steven Parker
Editora Companhia das Letras

Nota: obra A luta entre o carnaval e a Quaresma, de Pieter Bruegel, O Velho

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