Picasso – GAROTA NO ESPELHO

Autoria de Lu Dias Carvalhopicasso123456790a

A composição Garota no Espelho, também conhecida como Mulher em Frente ao Espelho, tem como modelo Marie-Thérèse Walter, uma das amantes de Picasso. A obra mostra um grafismo vigoroso, bem parecido com o de Matisse, artista com o qual Picasso sempre competiu.

A pintura apresenta duas imagens, embora a vista no espelho devesse ser o reflexo da modelo, isso não acontece. Trata-se de duas figuras aparentemente diferentes. Marie Thérèse mostra-se mais clara e absorta, enquanto seu reflexo é mais escuro.

A modelo encontra-se de pé, em frente ao espelho, com os braços esticados, como se o abraçasse. O seu olhar dirige-se ao observador, como se pedisse a sua anuência sobre sua beleza. Sua sensualidade é expressa através de círculos e sinuosidades envolvendo seu corpo. O fundo da composição é feito com pontos e losangos, com cores contrastantes.

Ficha técnica
Ano: 1932
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 162,3 x 130,2 cm
Localização: The Museum of Art, Nova York, EUA

Fontes de pesquisa
Picasso/ Coleção Folha
Picasso/ Abril Coleções

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ÍNDIA – HIJRAS: HOMENS OU MULHERES?

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Embora saibamos muito pouco sobre os hijras aqui no Ocidente, a definição encontrada é de que não são homens e nem mulheres, mas, sim, um terceiro sexo. Dentre os vários  rituais pelos quais passam está a castração. Muitos hijras só se consideram “verdadeiros” após tal cerimônia, que é um ritual proibido e protegido pelo grupo por um complexo código de silêncio. Portanto, para se tornar um hijra é preciso remover o pênis e os testículos, para que se pareça o máximo possível com uma mulher, mas sem a reconstrução da vagina, como acontece com os transexuais.

Os hijras existem na Índia há séculos e podem ser considerados tanto indivíduos pertencentes a uma casta quanto a um culto. Bahuchara é a deusa venerada por eles. Alguns deles são homens impotentes que, para fugirem da vergonha social por não procriarem, função exigida pela sociedade hindu, oferecem sua genitália a essa deusa. No hinduísmo existem deuses hermafroditas e até mesmo aqueles deuses que exigem dos seus seguidores a prática de um comportamento sexualmente controvertido, como a deusa Bahuchara Mata, que exige de seus sequazes (todos homens) o uso de roupas femininas, a castração e o celibato.

Os hijras moram em comunidades pequenas, principalmente no norte do país. Andam em pequenos grupos chefiados normalmente pelo mais velho. Usam vestimentas femininas e maquiagem excessiva, assim como nomes femininos. Eles são tidos como transgêneros e interssexuais. Do ponto de vista da medicina ocidental, eles são considerados transexuais masculinos. Nutrem desejo sexual por homens e não por mulheres. E são, ao mesmo tempo, temidos e cortejados com a sua presença em casamentos e nascimentos, aonde chegam sem precisar ser convidados, pois tanto podem levar bênçãos como azar, segundo a crença, dependendo do modo como sentem que foram recebidos.

Os hijras chegam às festas, onde ficam pouco tempo, sempre acompanhados de muita música.  Dançam e abençoam as pessoas presentes no local. Em troca, exigem um pagamento em prendas ou dinheiro. Segundo a superstição hindu, a praga de um hijra é muito potente e pode trazer infelicidade por muitos anos. Por isso, atitudes agressivas contra os castrados são consideradas de mau augúrio pela maioria dos indianos que, supersticiosa, acredita piamente que a desvirilização traz grandes poderes e que, quem atrapalhar o ritual dos protegidos da deusa Bahuchara será vitimado pelo azar. E ainda, se os pais do recém-nascido ou dos recém-casados não pagarem as bênçãos dos hijras, pragas cairão sobre os bebês ou casal. Atualmente, eles passaram a dançar em festas escolares e despedidas de solteiro.

Se voltarmos a um tempo não muito distante, encontraremos os eunucos, castrados ainda na infância e elevados à categoria de responsáveis pelos haréns. Eram escolhidos para tal tarefa, porque, imaginavam os príncipes e sultões, jamais poderiam seduzir uma de suas escolhidas.

Segundo estudos, nem sempre a cultura indiana foi discriminatória em relação às diferenças sexuais. A própria mitologia desse país está cheia de lendas sobre mudança de sexo:

  • deusas que se transformavam em homens;
  • deuses que se transformavam em mulheres;
  • deuses com atributos, ao mesmo tempo, femininos e masculinos, como a andrógina Shiva.

Os indianos, contudo, não possuem a mesma aceitação para com os homossexuais e lésbicas. A impotência masculina, analisada sob o prisma da procriação, é mais vergonhosa para os hindus de que a homossexualidade. Tanto é que muitos pais, ao perceberem traços de feminilidade nos filhos, ou alguma anomalia genital, entregam-nos para as casas de hirjas, onde crescerão e aprenderão a ser um deles, destino que acreditam estar reservado pelo karma aos efeminados.

Um dos mais importantes testes para a adesão à comunidade hijra no século passado era a prova de impotência. Os hijras em potencial eram postos para dormir ao lado de uma prostituta por um determinado número de dias, para que fossem estudadas as suas reações.

Os hijras casam-se com homens preferencialmente e referem-se a eles como seus maridos. A prostituição dos transgêneros existe há muito tempo, mas não como atualmente. Antes, eles vendiam o sexo nos templos, com finalidade religiosa. Hoje, são incentivados por seus gurus hijras a se prostituírem, em função do dinheiro.

O mais importante evento do calendário dos hijras é o Festival do Koovakan, em que exercem livremente seu poder de expressão. O Koovakan reúne diferentes tipos de pessoas: hijras, homossexuais, bissexuais, heterossexuais, travestis, casais com seus filhos, solteiros, namorados, etc.

Apesar de toda a diversidade de pensamentos vistos no hinduísmo, o discurso e a prática no país ainda são bastante contraditórios, com muitos resquícios da ocupação britânica. Mesmo assim, a religião hinduísta é uma das mais condescendentes com o público LGBL.

Nota: Imagem copiada http://jessicademoniaca.blogspot.com.br

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Picasso – VIDA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A tristeze serve para a meditação e a dor é o fundo da existência. (Pablo Picasso)

A composição Vida do pintor espanhol Pablo Picasso faz parte de sua “fase azul”, relacionada com o seu estado de tristeza, após perder seu amigo Carlos Casagemas, que se suicidou em razão de um amor não correspondido. Também aumentou o comportamento depressivo do artista uma visita feita à prisão de Saint-Lazare, onde se deparou com prostitutas enfermas e abandonadas.

O quadro Vida apresenta um casal jovem, com a mulher completamente nua, apoiada docemente em seu companheiro, que veste apenas uma tanga. Seu olhar tímido está direcionado para o chão e o de seu companheiro para a direita. De frente para o casal, está uma mulher de perfil, toda vestida, tendo apenas os pés, pescoço e cabeça descobertos. Ela envolve um bebê, que se encontra dormindo, e tem apenas a cabeça a descoberto, em seus braços. As figuras são magras e alongadas. A ambientação da obra é indeterminada. O pavimento é esverdeado e o fundo é feito em vários tons de azul

A mulher com o bebê encara o casal com um semblante sério. E este, por sua vez, desvia o olhar. O rapaz traz o dedo da mão esquerda suspenso, como se participasse de uma conversa. Entre as três personagens estão dois quadros. O superior mostra um casal nu, sentado e abraçado, num trágico desespero. O inferior apresenta uma mulher, assentada, com a cabeça recostada nos joelhos, também aparentando uma profunda tristeza. A cor azul domina toda a composição, numa melancólica monocromia.

Picasso traz à baila o amor, a morte e as relações entre os sexos opostos, possivelmente, motivada pela morte do amigo, em razão de um relacionamento amoroso que não dera certo. Esta pintura possivelmente representa uma alegoria, ainda não desvendada.

Observação: embora Picasso pensasse em dar ao jovem nu suas próprias feições, acabou optando pelas do amigo, que havia se suicidado, Carlos Casagemas.

Ficha técnica
Ano: 1903
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 197 x 127,3 cm
Localização: The Cleveland Museum of Art, Cleveland, EUA

Fontes de pesquisa
Picasso/ Coleção Folha
Picasso/ Abril Coleções
Arte Moderna/ Taschen

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CANTIGA POR LUCIANA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O IV FIC (Festival Internacional da Canção) foi realizado pela TV Globo, em 1969. No IV FIC, a Globo tentou sanar vários problemas, inclusive o do som horroroso do Maracanãzinho. Houve também a desistência, na última hora, de 10 atrações internacionais. Havia boatos de que os artistas brasileiros, exilados no exterior, estavam boicotando o Festival, aludindo ao clima de terror imposto pela ditadura no Brasil.

Nas duas eliminatórias para classificar as 20 finalistas, as nota foram substituídas apenas por “Sim” ou “Não”. Somente na final houve notas, entre 1 e 10, qualificando as 10 canções primeiras colocadas. Ao contrário dos outros festivais, as músicas não mais traziam mensagens políticas. Wilson Simonal, muito prestigiado à época e um excelente comunicador, foi convidado para presidir o júri. Ele daria o voto de minerva, caso houvesse algum empate.

A primeira fase eliminatória contou com 21 concorrentes. As mais cotadas foram: Madrugada, Carnaval e Chuva (Martinho da Vila), Visão Geral (César Costa Filho, Rui Mauriti e Ronaldo M. de Souza) Cantiga por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós) e Juliana (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar). Na segunda fase destacaram-se Serra Acima (Sílvio da Silva Júnior e Aldir Blanc), Ave Maria dos Retirantes (Alcivando Luiz e Carlos Coqueiro), Charles Anjo 45 (Jorge Ben), tida como precursora do rap, gênero que só surgiria muito tempo depois, Beijo Sideral (Marcos e Paulo Sérgio Valle) e O Mercador de Serpente (Egberto Gismont).

O resultado da final foi muito bem recebido pela plateia. Cantiga por Luciana (Eduardo Souto e Paulino Tapajós), defendida por Evinha, foi a vitoriosa, e também ganhou o primeiro lugar na final internacional. As premiadas nacionalmente foram:

1º – Cantiga por Luciana
2º – Juliana
3º – Charles Anjo 45
4º – Gotham City

Pode-se dizer que essa foi a noite de Wilson Simonal, que realizou um show fantástico, antes de ser apresentado o resultado do júri, acompanhado por 20 mil vozes. Abaixo, a letra e o link com a canção:

Cantiga para Luciana
Autoria: Eduardo Souto e Paulinho Tapajós
Intérprete: Evinha

Manhã no peito de um cantor
Cansado de esperar só
Foi tanto tempo que nem sei
Das tardes tão vazias por onde andei
Luciana, Luciana
Sorriso de menina dos olhos de mar
Luciana, Luciana
Abrace essa cantiga por onde passar
Lara lá
Nasceu na paz de um beija-flor
Em verso em voz de amor
Já desponta aos olhos da manhã
Pedaços de uma vida
Que abriu-se em flor
Luciana Luciana
Sorriso de menina dos olhos de mar
Luciana Luciana
Abrace essa cantiga por onde passar
Lara lá

https://www.youtube.com/watch?v=PKNO92o4nKo/

Fontes de pesquisa
A era dos festivais/ Zuza Homem de Mello
Uma noite em 67/ Renato Terra e Ricardo Calil
Música Popular Brasileira Hoje/ Publifolha

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ÍNDIA – CREMAÇÃO DE UM DIGNITÁRIO

Autoria de LuDiasBH

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No caso da minha morte, ou da minha mulher Sonia em acidente, dentro ou fora da Índia, nossos corpos devem ser repatriados a Delhi e queimados juntos, segundo o ritual hindu, em um lugar a céu aberto. Sob nenhuma circunstância nossos corpos serão queimados em um crematório elétrico. Segundo nosso costume, nosso filho Rahul deverá acender a pira… É meu desejo que nossas cinzas sejam jogadas no Ganges, em Allahabade, onde foram jogadas as cinzas dos meus antepassados. (Instrução deixada por Rajiv)

A política é sempre a mesma em qualquer lugar do mundo: o poder não respeita sentimentos. E foi assim que Rajiv, que jamais tivera ambição pelo poder político, deixou de ser piloto da Indian Airlines, para substituir sua mãe, Indira Gandhi. E, durante uma visita que fazia pelo país, quando focava um de seus temas prediletos, a separação completa entre religião e política, que Rajiv recebeu uma guirlanda de madeira de sândalo em seu pescoço, colocada por Dhanu, durante um comício. Ela fingiu ajoelhar-se, para lhe tocar os pés numa saudação, quando puxou uma corda, que ativou o detonador. Junto com Rajiv morreram 17 pessoas. Dhanu carregava junto a seu corpo uma bateria de nove volts, um detonador e seis granadas envolvidas em um material explosivo plástico.

Segundo a tradição hindu, o filho mais velho é o responsável por acender a pira funerária do pai, responsabilidade que coube a Rahul. Antes de o corpo de Rajiv ser  cremado, houve o ritual purificador da alma:

  • Rahul traz nas mãos uma jarra de água sagrada do Ganges. Descalço, dá três voltas em torno da pira, enquanto vai espargindo gotas daquela água sobre seu pai.
  • Depois, ajoelha-se diante dos restos mortais de Rajiv e chora por dentro.
  • Membros da família dirigem-se à pira, onde colocam, com muito cuidado e acerto,     troncos de madeira de sândalo e contas de rosário sobre o corpo.
  • A esposa Sonia usando um sári branco imaculado, marca das viúvas, deposita sobre o corpo do marido, à altura do coração, uma oferenda que é feita de cânfora,      cardamomo, cravo e açúcar, com a finalidade de ajudar a erradicar as imperfeições da alma, segundo a crença hinduísta. Logo a seguir, toca os pés do marido, em sinal de veneração, ajunta suas mãos à altura do peito e inclina-se, pela última vez diante de Rajiv, retirando-se depois.

Não faz parte do costume hindu que a viúva participe da cerimônia de cremação, principalmente se for de outra religião (Sonia era católica). Os sacerdotes negam-se a lhe dar tal permissão. Contudo, ela não se deixa vencer pelos preconceitos e pelos costumes retrógrados. Permanece perto da pira funerária durante toda a cerimônia, sem desmaiar ou mostrar qualquer tipo de fraqueza.

  • Rahul, com uma tocha acesa na mão, dá três voltas em torno da pira, antes de  depositá-la entre os troncos de madeira e sândalo.
  • Cabe a ele, como filho mais velho, ajudar a alma de seu pai a se libertar do envoltório terreno e alcançar o céu.
  • Milhares e milhares de pessoas cantam cânticos védicos.
  • Tendo às mãos um pau de bambu de três metros, Rahul dá um golpe na cabeça de seu pai, cuja simbologia representa a subida da alma ao céu, à espera de sua próxima reencarnação.
  • Ouve-se um estouro seco. É a cabeça que estoura sob o efeito da pressão do calor.     Após tal som, o ritual acaba, pois a alma do falecido já se encontra livre.
  • As pessoas jogam pétalas de flores às chamas.
  • As mãos de Rajiv ficam expostas e mostram os dedos pretos, que se mexem como se fizessem a sua última despedida.
  • As cinzas de Rajiv são jogadas no Ganges, tendo o mesmo destino que as de seu bisavô Motilal, as do avô Nehuru e as de seu irmão Sanjay.

Filho mais novo de Indira Gandhi, a quem sucedeu no governo indiano após seu assassinato por seus guarda-costas sikhs, Rajiv, por sua vez, tal como a mãe, foi assassinado, só que por extremistas tamils, durante a campanha eleitoral de 1991.

Nota: Imagem copiada de http://pt.electionsmeter.com

Fonte de pesquisa:
O Sári Vermelho/ Javier Moro

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PALAVRAS MAL DITAS E BEM DITAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Muitos estudiosos são unânimes em afirmar que o homem se tornou Homem, na essência de seu significado, depois de manejar os sons emitidos, transformando-os em palavras. Penso eu que as palavras devam ter começado pelo convite amoroso entre dois animais apaixonados, já cansados de tanto fazerem gestos. Palavras e gestos continuam se complementando, socorrendo-se mutuamente. Ambos são carne com unha.

A palavra tornou-se sagrada nas fórmulas mágicas, nos mistérios das crenças de todos os tempos e consagrou-se, quando o Verbo se fez Carne. Ela encanta e seduz desde que nasceu. Mas tal dama também possui os seus ardis. Domina todos os passos da humanidade, levando o mundo à paz ou à guerra, unindo ou separando as pessoas. Alguns há que a manejam com uma maestria hipócrita, com fins definidos dentro do que há de mais ignóbil. Na política, por exemplo, mais que em qualquer outro campo, a malandragem oratória faz carreira. Goethe dizia que a palavra foi concedida ao homem para que ele pudesse ocultar melhor os seus pensamentos. Usando o popular: mascarasse algumas de suas verdades.

Verdade seja dita: dominamos muito mais o nosso silêncio e muito menos nossas palavras. Não é à toa que em boca fechada não entra mosca. Pois, segundo o provérbio, quanto mais contidos formos no falar, menos corremos o risco do mal-entendido na incapacidade de compreender nosso ouvinte ou na manipulação da representação de nossos pensamentos. Existem pessoas que são mestras na arte de manipular as palavras, tirando-as do contexto em que foram ditas.

Montaigne lembrava que as palavras pertencem metade a quem fala e metade a quem ouve. Logo, não temos poder sobre o entendimento das mesmas, em relação a quem nos ouve, quer por imperícia nossa ou do receptor. Resta-nos pedir aos céus a sua benevolência de modo a não sermos mal compreendidos. Pois uma palavrinha mal dita já nos leva ao purgatório, tornando-nos malditos. E, como sempre me aconselhava minha mãe, é preferível pensar e não falar, do que falar sem pensar.

Para que as palavras sejam usadas com sabedoria e não sejam uma arma apontada contra nós, nada como refletir sobre um antigo provérbio persa, que diz:

A palavra que tens dentro de ti é tua escrava, mas aquela que escapa de ti, de ti se assenhora.

Nota: Imagem copiada de g1.globo.com

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