A inspiração do artista para a composição de O Grande Masturbador nasceu ao observar, em Paris, uma litografia do final do século XIX, onde uma mulher aspirava o cheiro de um lírio. E, como o próprio pintor não conseguia atingir o clímax sexual com outra pessoa, tendo que se valer da masturbação, como ele próprio dizia, tal visão foi o bastante para que sua mente complexa desse vida a esta composição, onde ele expõe suas atitudes conflitantes em relação ao ato sexual.
O artista, cuja personalidade era narcisista e exibicionista, ao pintar esta obra, expunha a público sua vida particular, ou seja, suas patologias. Para muitos especialistas em Dalí, a obra acima trata-se de um autorretrato, onde ele se mostra como “o grande masturbador”, assim como o conflituoso relacionamento que travava com a figura feminina.
Na composição, um enorme rosto petrificado de perfil apoia-se no solo, através de um gigantesco nariz fálico. Os olhos com imensos cílios estão semicerrados, lembrando o sonho. O cabelo está repartido ao meio. Um anzol pinça o couro cabeludo, arqueando-o. O masturbador não possui boca. Em seu lugar está um gafanhoto cheio de formigas, que estão sempre relacionadas com o medo e o putrefato.
Da cabeça do masturbador eleva-se uma mulher de perfil, nua e de cabelos revoltos, possivelmente Gala. À sua frente encontra-se uma estátua com os genitais bem delineados, debaixo de uma bermuda colante, o que leva o observador a presumir que a mulher esteja prestes a realizar um coito bucal. Ela traz consigo um lírio, símbolo da pureza, embora o pistilo tenha uma forma fálica. Pode querer dizer que o pintor considerava a masturbação, tão condenada à época, como a forma mais pura, que ele tinha para chegar ao ápice do gozo sexual.
Encontram-se na obra elementos que amedrontavam o pintor: formigas, leões e gafanhotos. A tela também lembra a infância de Dalí, ao mostrar elementos de seu medo infantil, como conchas e plumas coloridas, assim como a afigura diminuta de um menino acompanhado de seu pai.
A cabeça do masturbador é também um peixe preso no anzol. O gafanhoto e o peixe são bissexuais. O objeto depurado no anzol também tem conotação fálica. Abaixo da cabeça, um homem abraça uma rocha, que possui a forma de uma mulher. Talvez essa figura petrificada represente a impossibilidade de uma mulher levá-lo ao orgasmo.
O gafanhoto está ligado à infância do pintor, que tinha pavor do inseto. Na tela, a sua posição lembra o louva-a-deus, que tem a cabeça cortada pela fêmea, após o coito. A cabeça do leão, semelhante à da Medusa, com uma língua fálica e vermelha de fora, simboliza o desejo sexual mais selvagem. E um pequeno homem vai se afastando da sombra do nariz em direção ao horizonte. Sobre a cabeça do masturbador pedras, uma rolha e uma concha do mar equilibram-se em meio ao delírio da tela. Seu grande rosto está presente em outras obras do pintor.
Uma das declarações de Dalí era a de que nem mesmo ele entendia o que pintava, pois gostava de confundir e provocar. Portanto, podem ser muitas outras as explicações para cada elemento de suas obras ou coisa nenhuma.
Ficha técnica
Ano: 1929
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 110 x 150 cm
Localização: Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha
Fontes de pesquisa
Dalí/ Coleção Folha
Dalí/ Abril Coleções
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