Toulouse-Lautrec – MOULIN ROUGE – A GULOSA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Toulouse-Lautrec é considerado pela crítica um dos maiores gênios da litografia a cores. Junto a Jules Chèret, ele revolucionou essa arte com a concisão de sua linguagem, o layout, abrindo caminho para a nascente comunicação de massa. (Maria Cristina Maiocchi)

Dois anos após a sua inauguração, o Moulin Rouge passou por uma espécie de paralisação comercial, necessitando ser revigorada para voltar ao sucesso de antes. Foi então que Charles Ziedler convidou Toulouse-Lautrec para ajudá-lo a reerguer seus negócios, ficando responsável por fazer os cartazes, que viriam a ser estampados nos muros de Paris.

A vedete Louise Weber, apelidada de “La Goulue” (A Gulosa) é a personagem principal do cartaz de Toulouse-Lautrec, transformando-se em um símbolo do famoso Moulin Rouge pelo artista. Ela se encontra no centro da composição, usando uma saia branca e um corpete vermelho de bolas brancas.

O famoso Valentin, o Desossado, comerciante de vinhos, e excelente dançarino, encontra-se em primeiro plano, de perfil, quase como uma sombra, com a mão esquerda muito grande.  Toulouse-Lautrec coloca em destaque as duas principais estrelas do Moulin Rouge. No alto do cartaz, o nome do local está repetido três vezes, já sendo usada, portanto, uma técnica de propaganda de massa.

Inúmeras silhuetas dos animados frequentadores são vistas ao fundo, onde estão presentes tanto homens como mulheres, destacando-se os chapéus. Toulouse-Lautrec estava com 26 anos quando criou este cartaz.

Ficha técnica
Ano: 1891
Técnica: óleo sobre cartão
Dimensões: 85,5 x 45 cm
Localização: Museu d`Orsay, Paris, França

Fontes de pesquisa
Toulouse-Lautrec/ Abril Coleções
www.montmartre-paris-france.com

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Toulouse-Lautrec – EMBAIXADORES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O artista francês Toulouse-Lautrec deixou sua família aristocrática para viver em meio à boemia do bairro de Montmartre, onde morou com outros artistas famosos de sua época, ali vivendo mais de 20 anos de sua curta vida, reproduzindo o dia a dia do lugar, através de pinturas e, principalmente da litografia. Seus cartazes anunciavam inaugurações, espetáculos, etc. Era naquele local, frequentado por artistas, filósofos, poetas e mulheres de prazer, que ele buscava inspiração para seu trabalho, sendo considerado “a alma de Montmartre”.

Aristide Bruant , representado no cartaz acima, era frasista e cantor em Montmartre, muito conhecido, principalmente pela maneira insultuosa de se dirigir ao público e por suas cançonetas bem apimentadas, para não dizer obscenas. Seu cabaré Mirliton tinha como slogan: “O público daqui gosta de ser insultado.”.

No cartaz de Toulouse-Lautrec, Aristide Bruant ocupa quase todo o espaço com sua silhueta, enquanto atrás, num fundo escuro, desponta uma silhueta negra, que se parece com um policial. Bruant é facilmente identificado pelo chapéu preto de aba larga e pela echarpe vermelha em volta do pescoço, cujas pontas caem na frente e nas costas do cantor. Ele  foi um grande amigo e apoiador de Toulouse-Lautrec.

Ficha técnica
Ano: 1892
Técnica: litografia
Dimensões: 141,2 x 98,4 cm
Localização: Museu Toulouse-Lautrec, Albi, França

Fontes de pesquisa:
Toulouse-Lautrec/ Abril Coleções
www.montmartre-paris-france.com

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Toulouse-Lautrec – DIVÃ JAPONÊS

Autoria de Lu Dias Carvalholautrec1234

Divã Japonês era o nome de um café-concerto, inaugurado em 1883, em Paris, França, e decorado com um estilo que lembrava o Japão, com painéis de seda pintados, móveis laqueados, bambus e lanternas, sendo um dos lugares mais frequentados pelos boêmios da cidade. Quando a cantora Yvette Guilber foi se exibir naquele local, no auge de sua fama, o empresário da casa, Édouard Fourcade, encarregou Toulouse-Lautrec de fazer o cartaz que propagandeava sua apresentação.

Toulouse-Lautrec deu relevância à figura de Ivette Guilbert no palco, destacando sua marca registrada, que eram as luvas pretas, e o seu corpo delgado, mas cortou sua cabeça no cartaz.

Assistindo ao show, em primeiro plano, está a personagem Jane Avril, estrela de teatro e amiga do artista, toda de negro, com seus cabelos ruivos sob um vistoso chapéu. Ao seu lado, à direita, encontra-se Édouard Dujardin.

Também estão presentes no cartaz, o maestro e sua orquestra, representada pelos instrumentos.

Curiosidades

  • Caricatura – representação de uma pessoa, em que as feições são distorcidas ou exageradas, resultando em um efeito cômico.
  • Deigner – gráfico – profissional que cria desenhos para a indústria gráfica ou têxtil.
  • Litografia – técnica de gravura, que utiliza a pedra litográfica como matriz. Como se baseia no princípio da incompatibilidade entre água e óleo, nessa técnica de gravura não existe o relevo. Amplamente utilizada na indústria gráfica, da litografia originou-se o “off-set”.

Ficha técnica
Ano: 1893
Técnica: litografia
Dimensões: 80 x 60 cm
Localização: Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA

Fontes de pesquisa
Toulouse-Lautrec / Abril Coleções
www.montmartre-paris-france.com
http://literatura.moderna.com.br

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Toulouse-Lautrec – NO MOULIN ROUGE: A DANÇA…

Autoria de Lu Dias Carvalho lautrec1

O Moulin Rouge, assim como o Moulin da Galette, ficava no bairro parisiense de Montmartre, sendo o segundo frequentado por pessoas bem populares, como costureiras e operários. Mas, apesar de luxuoso, o Moulin Rouge possuía uma clientela bem diversificada: empregados de grandes lojas, burgueses, artistas, intelectuais e aristocratas. O cancã, tipo de dança, cujo ritmo era bastante animado, no qual as dançarinas lançavam as pernas ao alto, enquanto levantavam suas saias rendadas, mostrando as pernas, era parte rotineira da noite, atraindo turistas de várias partes do mundo.

Esta composição de Toulouse-Lautrec, cujo título é enorme: No Moulin Rouge: Dança – Valentin, o Desossado, Ensaia as Novas Candidatas, representa um ensaio no local.

Valetin, o Desossado, apelido dado em razão de sua magreza, muito famoso à época, ensaia com a voluptuosa Goulue, a Gulosa. Elegantemente vestido, com sua cartola na cabeça, ele dança com uma das mais prestigiadas dançarinas do pincel de Toulouse-Lautrec. Ela pode ser reconhecida através de seu coque e pelo seu jeito provocativo de dançar.

O salão é grande e luxuoso, enfeitado com muitas tapeçarias coloridas. Lampiões descem do alto do teto, iluminando os presentes. O chão, impecavelmente encerado, mostra a sombra dos dançarinos.

O pintor coloca à direita, em segundo plano, em meio a amigos, a figura de seu pai. Em primeiro plano, duas elegantes mulheres acompanham a dança, enquanto um homem atravessa o salão, já quase com o rosto coberto.

Ficha técnica
Ano: 1890
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 115,6 x 149,9 cm
Localização: Filadelfia Museum of Art, Filadélfia, EUA

Fontes de pesquisa
Toulouse-Lautrec/ Abril Coleções
www.montmartre-paris-france.com

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Mestres da Pintura – TOULOUSE-LAUTREC

Autoria de Lu Dias Carvalho lautrec

Ninguém mais do que Lautrec entendeu que a multidão tem uma alma completamente diferente da soma das almas individuais que a compõem. Sob esse aspecto, as grandes obras de Lautrec são singularmente representativas e sintéticas. (E. Schaub-Koch)

Escolhe pessoas notoriamente vulgares: salões de bailes com decorações miseráveis, corpos de mulheres cansadas ou sem nenhuma graciosidade – não para mostrar-lhes a feiura, mas para descobrir-lhes o frescor que outro olho qualquer não perceberia. Em resumo, Lautrec mostra o contrário daquilo que representa. E é exatamente essa procura pela pureza, essa sua necessidade do absoluto que o levam a buscar uma inspiração cada vez mais distante da sociedade aristocrática e culta, na qual ele nasceu. (Geneviève Dortu)

Henri-Mari-Raimond de Toulouse-Lautrec (1864-1901) foi o primeiro filho do conde Alphonse de Toulouse-Lautrec e da condessa Adèle Tapié de Celeyran, primos em primeiro grau, família abastada e ilustre, nascido na cidade de Albi, no sudoeste francês. Henri cresceu num ambiente requintado. Desde pequeno gostava de desenhar, trazendo os primeiros indícios do que se tornaria no futuro. Quando tinha nove anos de idade, sua família mudou-se para Paris, onde foi matriculado numa das mais importantes instituições europeias.

Henri, em razão de sua saúde frágil, portador de uma doença que afetava o desenvolvimento de seus ossos, era obrigado a parar os estudos, inúmeras vezes, em busca de regiões com um clima melhor, o que o levou a deixar a escola e estudar com professores particulares, sem jamais abrir mão de seus toscos desenhos. Aos 13 anos de idade, caiu de uma cadeira, quebrando o fêmur esquerdo. Aproveitou o período de convalescença para pintar, pois o osso demorou a restaura-se. Cerca de um ano depois, um novo tombo levou-o a quebrar o fêmur direito. Henri não teve um crescimento normal. Só viria a alcançar a altura de 1,52 cm, mesmo quando adulto, embora seu tronco e cabeça apresentassem proporções normais, o que o levou a usar uma bengala durante toda a sua vida.

Aos 15 anos de idade,  já era possível ver que em Toulouse-Lautrec já se encontrava um futuro artista. Passou a receber a influência do pintor surdo-mudo, amigo de sua família, René Princeteau, seu primeiro mestre, sendo depois encaminhado a Léon Bonnat, famoso artista acadêmico, que abominou o desenho do garoto. Ensinou-o a pintar com mais sobriedade e delicadeza. Quando resolveu fechar seu ateliê, Henri passou a estudar com Fernand Cormon, que era aberto às novas tendências da arte, dando mais liberdade a seus alunos. Ali permaneceu cerca de 4 anos, ambiente em que travou muitas amizades. Apesar dos problemas físicos, o jovem era uma pessoa alegre e espirituosa, não se deixando abater facilmente.

O jovem Lautrec gostava de curtir a vida com seus amigos, indo a festas e bailes em Montmartre, observando as pessoas que ali iam, depois de retirarem a máscara da hipocrisia moralista, misturando-se às prostitutas e aos diversos tipos marginais, que frequentavam o lugar.  Aos 18 anos de idade, passou a morar no bairro de Montmartre, deixando a vida luxuosa e farta que levava, para trás, ambientando-se com facilidade à boemia local. Tornou-se frequentador contumaz do Moulin de la Gallete, retratando seus frequentadores e, posteriormente, do Moulin Rouge, casa luxuosa de espetáculos, inaugurada em 1889, onde se reuniam pessoas das mais diferentes classes.

Lautrec passou a sentir-se insatisfeito com os ensinamentos acadêmicos e a arte oficial. Embora admirasse os artistas do impressionismo, sentia que era preciso descobrir seu próprio caminho. Aos 22 anos de idade, ficou conhecendo o pintor Van Gogh, tornando-se amigos, apesar da diferença de idade (o pintor holandês era 10 anos mais velho) e de temperamentos, recebendo dele algumas influências. Ambos eram apaixonados pelas gravuras japonesas. Suas primeiras obras foram assinadas com o pseudônimo de Trechau, obrigado pelo pai, que sentia vergonha de sua profissão e modo de vida.

Toulouse-Lautrec estava com 26 anos de idade, quando foi convidado para criar o novo cartaz do Moulin Rouge. Inspirou-se na gordinha garçonete e dançarina Louise Weber, conhecida como La Goulue (A Gulosa). Daí para frente, o pintor passou a preferir a luz artificial e intimista dos ambientes fechados, que revela com facilidade o semblante humano, mostrando o drama interior de cada um.

Apesar de vir de uma família importante, Lautrec passou a detestar a vida burguesa, com suas pompas e preconceitos. Adorava os bordeis, onde retratava prostitutas, das quais se tornava amigo, o teatro e o circo. Passou a ser convidado para desenhar o programa de inúmeros espetáculos do mundo teatral, onde se tornou figura conhecida e amada. Publicou um álbum de litografias, e  tornou-se alcoólatra, perdendo aos poucos a firmeza de seu traço.

Aos 34 anos de idade, Toulouse-Lautrec já se mostrava velho e debilitado. O álcool e o ópio criaram nele a mania de perseguição. Já não tinha mais comprometimento com seu trabalho, passando tempos sem pintar, e vivendo na boemia.  Aos 35 anos, a sífilis e uma crise de delirium tremens agravaram seu estado de saúde. Sua mãe, vendo seu estado, internou-o num sanatório para desintoxicação. O pai recusou-se a tirá-lo do lugar. Ao conseguir deixar a clínica, depois de 57 dias, Lautrec passou a ficar em liberdade vigiada. Acompanhado de um parente distante, viajou para a Normandia, Havre e Bordéus. Ao ver Dolly, uma dançarina de um bar, sentiu vontade de voltar a pintar, fazendo novos trabalhos.

O pintor e litógrafo Toulouse-Lautrec morreu aos 37 anos, nos braços de sua querida mãe, incompreendido e criticado pelos moralistas da época, que se valeram de sua deficiência física para criticar sua arte, como escreveu o periódico Lyon Républician: “… ser bizarro e deformado que vê tudo através de suas deficiências físicas…”. Ele não formou família, mas teve inúmeras amantes entre suas modelos.

A memória de Lautrec somente foi reabilitada 21 anos depois de sua morte,  quando sua arte recebeu o devido respeito, após a abertura do museu Toulouse-Lautrec, em 1922, na cidade de Albi,  onde nasceu. A obra do artista, exercida apenas durante 20 anos, corresponde a 737 telas, 275 aquarelas, 369 litografias (incluindo cartazes) e cerca de 5.000 desenhos.

Curiosidade:
Seu papel é interpretado por John Leguizamo no filme Moulin Rouge.

Fontes de pesquisa:
Toulouse-Lautrec/ Abril Coleções
www.montmartre-paris-france.com

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Manet – OLÍMPIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Manet tem um grande talento, um talento que resistirá. Mas ele é frágil. Pareceu desolado e atordoado pelo choque. O que me impressiona é a alegria de todos os idiotas que acreditam que ele foi vencido. (Baudelaire)

Basta ser diferente dos outros, pensar com a própria cabeça, para se tornar um monstro. Você é acusado de ignorar a sua arte, fugir do senso comum, precisamente porque a ciência de seus olhos, o impulso de seu temperamento, levam-no a efeitos especiais. É só não seguir o córrego largo da mediocridade que os tolos apedrejam-no, tratando-o como um louco. (Émile Zola)

Nenhuma obra de arte causou tanto furor ao ser apresentada no Salão de Paris em 1865 como a Olímpia de Manet, numa reinterpretação de Vênus de Urbino do mestre Ticiano, em que a modelo é claramente vista como uma meretriz parisiense, embora adote uma pose semelhante à de Vênus no quadro citado. Seria Olímpia uma prostitua ou uma Vênus de sua época? O que choca a sociedade moralista e hipócrita é a falta de idealização do pintor, ao retratar a personagem nua, pois a Vênus moderna mostra-se dentro de um quarto de bordel.

Olímpia encontra-se num ambiente pequeno e contemporâneo, ao contrário da idealizada Vênus de Urbino (texto presente no nosso blogue) , deitada sobre um xale de seda decorado com flores em suas margens. Ela pousa o braço direito sobre uma almofada branca e traz a cabeça levantada, olhando para o observador desdenhosamente. O painel rosado e as cortinas escuras impedem de ver o que há por trás, obrigando o observador a direcionar seu olhar  para a mulher nua e sua cama desarrumada. Pode-se imaginar que algum cliente esteja à espera dos prazeres oferecidos pela Vênus mundana de Manet.

Críticos e público sentiram-se ofendidos com a tela do pintor. Ele foi julgado impiedosamente por sua irreverência, ao mostrar uma mortal comum e não uma ninfa clássica ou uma figura divina nua. Manet pagou um alto preço por confrontar a hipocrisia da época. A pintura também não agradou às mulheres presentes no Salão de Paris de 1865 que a consideraram imoral e uma afronta à sociedade. E pior, a composição não seguia os cânones do Salão, sendo vista apenas como a apresentação de uma mulher despida.

Não significa que a tela de Manet fosse incomum à época. Nada disso! Composições mostrando ninfas e deusas antigas nuas permeavam as exposições do Salão de Paris, sendo vistas com grande admiração pelos críticos e público. Contudo, Olímpia fugia à regra, pois era moderna, real e não trazia a beleza clássica tão inacessível e admirada por críticos e público de então. Seu corpo não era escultórico como as anteriormente mostradas e nem tinha as formas arredondadas idealizadas pelas convenções da época. Até o tom de sua pele foi criticado.

A única veste usada por Olímpia é uma fita preta em volta do pescoço em forma de laço com uma pedra no meio, o que torna sua nudez ainda mais aparente. Ostenta um penteado da época, arrematado por uma enorme orquídea rosa, símbolo de sexualidade. Traz brincos de pedras nas orelhas, uma pulseira no braço direito e chinelos de fio de seda nos pés que atestam a sua condição de prostituta elegante. O chinelo caído do pé direito, embora seja um mero detalhe no quadro, simbolizava a perda da inocência, segundo a simbologia convencional da época, atiçando ainda mais as críticas à obra.

A mão esquerda cobrindo a genitália também não agradou à crítica e ao público, pois, embora esta posição fosse comum nas composições clássicas, onde o gesto era visto como um símbolo do recato, na obra de Manet o olhar direto e franco de Olímpia não traduz retraimento ou decoro, mas indica desafio, indiferença. Sua figura expele luminosidade e sua pele branca sobressai diante do fundo escuro que também ressalta o rosa pálido do vestido da criada negra, usando um lenço avermelhado e brincos pendentes da mesma cor.

A criada, de pé, à esquerda de Olímpia, aguarda o momento preciso para lhe entregar um buquê de flores embrulhado em papel de seda. Possivelmente trata-se de um mimo de algum admirador que aguarda seus favores, segundo a interpretação da crítica. Em relação à escrava negra que se apresenta totalmente vestida, o que acentua ainda mais a nudez da patroa, discute-se ainda, nos meios acadêmicos, como sendo ela a personagem principal da composição.

Olímpia mostra-se indiferente à presença da mulher, sendo o distanciamento físico entre as duas personagens visto como um sinal da distância afetiva entre ambas. E o buquê de flores, símbolo clássico da sexualidade feminina naquele tempo, enfatiza a carga erótica da cena, como queriam alguns. A colcha (ou xale) de seda sobre o divã também é adornada com flores. Pode ser que o pintor, que lutava para romper com o convencional, não pensou em nada do que foi apregoado pelos críticos. Mas quem pode refrear a maldade presente na imaginação humana?

Enquanto Ticiano apresenta na sua composição um cãozinho dormindo,  Manet coloca um gatinho preto aos pés de Olímpia, que se transforma no principal motivo de chacotas, aparecendo nas caricaturas que zombam do pintor. Manet, porém, transforma o bichinho num talismã, apresentando-o em inúmeras telas. O artista foi apelidado sarcasticamente de “o pintor dos gatos”. Alguns críticos acham que a  presença do bichinho, fonte de superstição, “pode” indicar que a cena era vista como tabu. O que pode ser imaginado mas não provado.

Para compor sua tela Olímpia, Manet inspirou-se em duas obras conhecidas: a Vênus de Urbino, obra de Ticiano (Ticiano – A VÊNUS DE URBINO), e a Maja Desnuda (Goya – A MAJA NUA), obra do pintor Goya. Ele levou dois anos para pintar sua tela e tinha o seu trabalho em alto preço, por isso, ficou arrasado com as críticas feitas a ela, tanto é que a tela permaneceu em seu ateliê até sua morte.

O impressionista Claude Monet foi responsável em 1890 por comandar uma campanha para que a tela Olímpia fosse comprada e doada para coleções públicas. Após 17 anos de luta a composição ganhou um lugar no Louvre, ao lado do quadro Grande Odalisca de Ingres.

Curiosidades

  • Victorine-Louise Meurent, modelo favorita de Manet, é a mesma modelo de Almoço na Relva ( Manet – O ALMOÇO NA RELVA ), tela do pintor que também foi alvo de críticas, na qual ela também se apresenta nua. Foi justamente seu olhar penetrante e firme que chocou o público, achando que se tratava de uma prostituta despudorada e fria.
  • Victorine também era pintora e muitas de suas obras foram mostradas no Salão.

Ficha técnica
Ano: 1863
Técnica: óleo em tela
Dimensões: 130,5 x 190 cm
Localização: Museu d`Orsay, Paris, França

Fontes de pesquisa
Manet/ Abril Coleções
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Grandes pinturas/ Publifolha
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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