Van Gogh – CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE SUA VIDA

Autoria de Lu Dias Carvalho van

No trabalho artístico, Van Gogh tinha plena lucidez e pode controlar seus conflitos, sublimando-os até. O que ele não conseguia, mesmo, era viver. Talvez concorresse para isso sua doença com sérios acessos de depressão. Também na época não era fácil, sobretudo para alguém tão intrinsecamente alheio aos padrões de valores sociais que se definiriam no século 19. (Fayga Ostrower)

A obra de Vincent van Gogh, executada num curto período de 5 anos, rejeitada em sua época, atinge hoje preços estratosféricos no mercado de arte, num desses reveses da vida. A triste história do artista holandês já se fez presente na sua primeira escolha – ser evangelizador de uma igreja que não mostrava muita aceitação por ele. Mas, como sentia que não tinha o manejo fácil das palavras, começou a desenhar, coisa que fazia muito bem, e depois a pintar. Antes disso, trabalhou por algum tempo nas minas de carvão da Bélgica, numa situação desumana.

Atrás de seu tipo taciturno e desajeitado, quase que desconhecido em seu tempo, Van Gogh escondia uma doçura e uma generosidade ímpares, talvez só percebidas por seu adorado irmão Theo que tanto trabalhou por seu reconhecimento como artista, ainda que fruto algum fosse colhido no seu tempo, mas que se tornaria um celeiro no futuro. Suas linhas abruptas, traços curtos e vigorosos com sequências repetitivas, que se adensam, mostram a alta tensão emotiva em que vivia o pintor. Embora toda a sua atividade artística não ultrapasse  uma década, ainda assim contabiliza mais de 800 quadros, o que demonstra como sua mente era frenética.

Muitas vezes nós nos perguntamos o porquê de o sofrimento desabar pesadamente sobre alguém, sem lhe proporcionar um grama de alegria. Assim foi a vida de Van Gogh, uma tragédia artística e humana sem tréguas. Serão a sensibilidade e a criatividade o fermento do sofrimento? Por que sofrer com a indiferença da chamada vida civilizada? Não teria sido mais fácil ignorá-la? Nada disso foi possível a Van Gogh que sentia uma grande necessidade de contato humano e sobretudo de encontrar a si mesmo, de modo a dar sentido à sua vida. Nutria uma desesperada necessidade afetiva de se dar aos outros e de ser amado. Mas todas as suas buscas amorosas foram infrutíferas.

Van Gogh entregava-se por inteiro a tudo que fazia, de forma que a força de sua compulsão criadora não era capaz de conter-se dentro de moldes preestabelecidos. Ao contrário, vergava-se à sua vontade. Dentro dele, como em Noite Estrelada, tudo era movimento e agitação. É possível sentir esse turbilhão que não se acalmava nunca, através de seus traços desinquietos e exasperados, acompanhando as marcas deixadas por seus pinceis e espátulas.

No início de sua carreira Van Gogh escolheu os pobres e os desvalidos para pintar, como uma forma de protesto contra a indiferença de uma sociedade injusta, na qual sentia uma grande dificuldade de se inserir. Não conseguia aceitar que a existência fosse daquele jeito. Foi jogando essa emoção no seu trabalho que alcançou um estilo pessoal inconfundível e admirável. A falta de sentido que a vida representou para o artista, está presente em toda a sua obra,  assim como sua solidão, seus medos e necessidade de afeto.

Ele jamais se preocupou em encontrar a beleza, pois buscava apenas a verdade. Por isso, nunca sentiu necessidade de apagar as marcas deixadas por sua espátula ou a necessidade de misturar cores primárias. A tinta brotava virgem dos tubos para suas telas que jamais retocava. Tinha dificuldade em retomar uma obra já iniciada, pois estava sempre em busca do novo. Expressar seus sentimentos, ainda que doídos, era tudo o que queria. Isso fazia com que sua pintura  diferisse tanto das demais de seu tempo, a ponto de ser tido como o precursor do Expressionismo europeu, conforme atesta o pintor Pablo Picasso: Quando mais ninguém soube como continuar, Van Gogh descobriu uma ampla estrada para o futuro. Mas essa descoberta custou a vida do próprio pintor. No desespero para encontrar uma explicação para sua própria vida, Van Gogh acabou se autodestruindo, tomando o suicídio, aos 37 anos, como caminho final, enquanto deixava uma estrada para o futuro.

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Raízes da MPB – WALDIR AZEVEDO

Autoria de Lu Dias Carvalho waldir

 Eu nunca pensei que pudesse sustentar minha família com um pedacinho de madeira e quatro arames esticados. Chego a pensar que é muita ousadia mesmo. (Waldir Azevedo)

No segundo semestre de 1949, Brasileirinho fez sua escalada rumo ao sucesso, de tal modo que um visitante, que chegasse ao Rio em dezembro daquele ano e fosse ouvir rádio, achava que só havia uma emissora, pois todas tocavam o disco de Waldir. (Henrique Cazes – músico, produtor, arranjador e escritor)

O instrumentista e compositor Waldir Azevedo nasceu na cidade do Rio de Janeiro/RJ, em 1923, filho de Walter, um funcionário da Light, e de Benedita Azevedo

O pequeno Waldir foi matriculado num colégio eclesiástico, pois era sonho de seus pais que ele viesse a se tornar padre, escolha pela qual o menino não tinha nenhuma vocação, já que seu sonho era ser aviador. Mas ao completar 10 anos de idade, em 1933, o garoto passou a demonstrar interesse pela música. Gostava de ouvir uma flautinha de lata tocada por seu vizinho Marreco. E não tardou a comprá-la após venda de uns passarinhos. Gostava de tocar Trem Blindado, composição de João de Barro (Braguinha).

Naquela época eram muito comuns os saraus, e foi num desses, na casa de um vizinho, que Waldir caiu de amores pelo bandolim. O bandolinista deixou que o garoto experimentasse o instrumento, observando que tinha jeito para tocar o instrumento. Ao tomar conhecimento do feito, sua mãe fez-lhe uma proposta: “Se você aprender a tocar o Fado da Severa, eu te dou um bandolim.”. O garoto deu conta do desafio e a promessa foi paga. E, quanto ao sonho de ser aviador, esse caiu por terra quando se constatou no exame médico, que tinha uma deficiência cardíaca. Assim, antes mesmo de se tornar maior de idade, passou a trabalhar com o pai na Light. Como era apontador, não tinha horários fixos, aproveitando o tempo livre para lidar com música.

Waldir era um garoto curioso. Nutria interesse por vários instrumentos de corda: bandolim, violão, banjo e violão tenor. Chegou a fazer parte do grupo vocal e instrumental Águias de Prata, que chegou a gravar um disco na RCA Victor. Mas foi aos 20 anos de idade que ele passou a tocar cavaquinho, com o qual faria uma revolução na música. Ao executar o choro Cambucá, do saxofonista Pascoal de Barros, ganhou o programa Calouros OK, na rádio Guanabara. Com o sucesso advindo do concurso, ele passou a ser convidado para fazer substituições em regionais que tocavam na rádio Mayrink Veiga.

Waldir casou-se com uma moça a quem foi apresentado – Olinda Barbosa, indo morar nos fundos da casa de seus pais, Walter e Benedita. Nessa época, trabalhou como recepcionista numa oficina que consertava autos. Uma voltinha com o automóvel já era suficiente para que ele detectasse o problema mecânico, com seu ouvido excepcional. O casal teve duas filhas, Miriam e Marli.

Waldir foi chamado para um teste na Rádio Clube do Brasil, após a saída do conjunto dirigido pelo famoso flautista Benedito Lacerda. Dilermando Reis foi responsável por organizar um novo conjunto, pagando bem melhor do que a Light, onde trabalhava. Acabou sendo aprovado e, como Dilermando começava a ficar conhecido como solista de violão, fazendo apresentações fora da cidade do Rio de Janeiro, era Waldir Azevedo quem o substituía. Com isso, foi cada vez mais se aperfeiçoando, chegando mesmo a acompanhar grandes cantores.

O tema de Brasileirinho nasceu quando um garotinho seu sobrinho, pediu ao tio Waldir que tocasse no seu cavaquinho de brinquedo, que continha apenas uma corda. O tema foi posteriormente desenvolvido pelo violonista Jorge Santos, seu amigo e companheiro de regional. Tratava-se de um choro ligeiro, que começava a se propagar através do rádio. Enquanto isso, Jacob do Bandolim deixou a Continental e foi para a RCA Victor. Waldir foi convidado para assumir o lugar.

Waldir Azevedo estreou na Continental, com Carioquinha no lado A e Brasileirinho no lado B. O sucesso de Brasileirinho foi retumbante, sendo o samba tocado em todas as emissoras. E o compositor ganhou tanto dinheiro que sua esposa Olinda achou que ele tivesse assaltado um banco. A vida financeira da família melhorou consideravelmente.

Depois de criar boas músicas, mas nenhuma que superasse Brasileirinho, Waldir criou o baião Delicado, cujos primeiros compassos identificariam o cavaquinho para sempre. Delicado ultrapassou as fronteiras nacionais, indo da Argentina para os Estados Unidos, sendo gravado até pela orquestra de Percy Faith. Uma versão foi feita por Aloysio Oliveira, cantada por Carmen Miranda, e usada no desenho animado do personagem Patolino. Com o sucesso, as músicas famosas de Waldir Azevedo ganharam letra de Miguel Lima, que por sua vez foram cantadas por Ademilde Fonseca.

O choro Pedacinho do Céu foi composto por Waldir em homenagem às duas filhas. E novamente o compositor viu uma música sua ultrapassar as fronteiras nacionais. Em Buenos Aires, os fãs chegaram a rasgar suas vestes na porta da rádio. Sua vida transformou-se em muito trabalho, sucesso e viagens pelos mais diferentes lugares, tocando cada vez melhor. Até quando esteve na cidade do Cairo, encontrou uma caixinha de música que tocava uma de suas composições, Delicado.

Mas, como a vida é feita de contradições, altos e baixos, as duas filhas de Waldir Azevedo viram-se envolvidas num acidente automobilístico, vindo Miriam, a mais velha, a falecer. O compositor caiu numa profunda depressão, sem nenhum interesse por nada, inclusive pela música. Ficou assim por um período de 3 anos. Começou então a ler e escrever músicas, na tentativa de melhorar sua saúde mental. Quando conseguiu retornar às suas atividades, gravou o LP Delicado.

Em 1971, Waldir Azevedo e Olinda mudaram-se para Brasília, acompanhando o marido da filha que fora transferido. Ali, travou contato com o grupo do choro, do qual fazia parte Francisco de Assis. Ficou muito amigo do violonista Hamilton Costa, que viria a se tornar seu parceiro. Mas em Brasília, morando no Lago Sul, sofreu um acidente. Foi consertar o cortador de grama, cuja lâmina arrancou a ponta de seu dedo anular esquerdo. O pedaço do dedo foi reimplantado e acabou recuperando-se totalmente. Fez o choro Minhas Mãos, Meu Cavaquinho, em agradecimento à sua recuperação.

É lamentável o fato de que Jacob do Bandolim, por inveja, pelo fato de Waldir Azevedo ter vendido mais discos e ter alcançado sucesso no exterior, tenha desmerecido o colega compositor e instrumentista, referindo-se a ele como “o outro”, entre outros títulos grosseiros, até o final de sua vida.

Waldir Azevedo morreu em 1980, aos 57 anos de idade, em razão da ruptura de um aneurisma abdominal.

Nota:
Clique nos links abaixo para ouvir Brasileirinho e Delicado:
http://www.youtube.com/watch?v=Si5y0QGSjTY
http://www.youtube.com/watch?v=7pKF7vTk73M

Fonte de pesquisa:
Raízes da Música Popular Brasileira/ Coleção Folha de São Paulo

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Van Gogh – NOITE ESTRELADA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Com frequência penso que a noite é mais viva e mais rica em cores do que durante o dia. Eu confesso não saber a razão, mas olhar as estrelas sempre me faz sonhar. Saio noite afora para pintar estrelas. (Van Gogh) (Van Gogh)

Neste quadro, quase síntese cósmica de toda uma busca humana e pictórica de Van Gogh, é como se astros, mundo, terra e céu girassem numa trepidante atmosfera, sob cuja proteção pintou um povoado que, a julgar por seu campanário, recorda mais os de sua meninice na Holanda do que as aldeias provençais. (Laura García Sánchez)

A noite esteve muito presente nas telas de Van Gogh, nos seus últimos anos de vida, como se ele buscasse algo além das estrelas. Anteriormente a esta tela fantástica, o artista pintou Terraço de Café na Praça do Fórum e também Noite Estrelada sobre o Ródano (ambos presentes no blog), tendo a noite como tema. O pintor tinha uma maneira peculiar de retratar a noite. Para superar o escuro, usava várias velas acesas na aba de seu chapéu, enquanto pintava, apesar do perigo de queimar-se.

Quando produziu Noite Estrelada, Van Gogh encontrava-se no sanatório, por vontade própria, há quase um mês. Durante um ano permaneceu no local, existindo contínuas oscilações em sua saúde.  Apesar de muitas vezes aparentar tranquilidade e ternura em suas cartas ao irmão Theo, o artista convivia com profundas crises de depressão.  A tela em ora em estudo é o resultado do agravamento de seu estado mental desequilibrado. O pintor estava à época com 37 anos de idade.

Van Gogh, ao optar por ficar num sanatório, ganhou regalias que não eram dispensadas aos outros companheiros do lugar. Era-lhe permitido deixar o lugar para pintar sempre que quisesse,. A princípio contentou-se com o ambiente em volta do sanatório, depois foi ganhando coragem e  aventurando-se por lugares mais distantes. Gostava de observar o mundo do lado de fora, assim como a forma grotesca da vegetação e das rochas, de modo que as representava distorcidas e desfiguradas, tal e qual elas se mostravam. No entanto, o quadro intitulado Noite Estrelada foi pintado recorrendo à memória e à imaginação, antes de ganhar confiança e superar o distanciamento entre o mundo exterior e o sanatório.

Esta tela, segundo analistas da obra de Van Gogh, demonstra uma energia nunca vista em outra obra do pintor e possivelmente em toda a história da pintura. Karl Jaspers, filósofo e psiquiatra alemão, no seu estudo sobre Van Gogh, assim analisa: Os objetos, como coisas individuais, desaparecem para se converter em redemoinhos.

A olharmos para a tela Noite Estrelada, temos a sensação de que o pintor observava tudo de um ponto no alto, mas ele já não quer dizer nada, no sentido de perpetuar o que vê. É levado apenas a exprimir o que sente, ou o que se passa em sua alma conturbada. Seu incandescente e sinuoso cipreste parece querer atingir o céu, enquanto a lua explode-se em esplendor. À direita está um agrupamento de oliveiras, formando uma densa nuvem. As estrelas também ganham a posição de sóis. A cidadezinha parece insignificante lá embaixo, com um pouco de luz aqui e acolá. Apesar de frágil, só o pináculo da torre da igreja parece desafiar o céu. As aspirais de luz traduzem toda a energia do quadro, como se quisessem abraçar ou expulsar tudo que delas se aproximam.

Noite Estrelada é uma das mais belas visões já criadas do céu noturno. A estrutura da pintura é dinâmica, ondulada. O céu parece em movimento e a lua e as estrelas espalham seu brilho em forte amarelo. Se olharmos a pintura com intensidade, somos levados a sentir os movimentos que dela emanam, pois tudo ali parece ganhar vida. Alguns estudiosos veem nesses traços luminosos a representação da nossa Via Láctea.

Van Gogh entregava-se por inteiro a tudo que fazia, de forma que a força de sua compulsão criadora não era capaz de conter-se dentro de moldes preestabelecidos. Ao contrário, vergava-se à sua vontade. Dentro dele, como em Noite Estrelada, tudo era movimento e agitação. É possível sentir esse turbilhão que não se acalmava nunca, através de seus traços desinquietos e exasperados, acompanhando as marcas deixadas por seus pinceis e espátulas, apesar do tempo que nos separa dele.

Ficha técnica:
Data: 1889
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 73 x 92 cm
Localização: Metropolitan Museum of Modern Art, Nova York, Estados Unidos

Fontes de pesquisa:
Mestres da Pintura/ Editora Abril
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
Van Gogh/ Editora Taschen
Van Gogh/ Girassol
Para Entender a Arte/ Maria Carla Prette

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O LANÇADOR DE DISCOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O Lançador de Disco, também conhecido como Discóbolo, trata-se de uma das esculturas mais importantes da história da arte e remonta a cerca de 450 a.C., tendo sido criada por Míron (480 a.C a 449 a.C.) que viveu a maior parte de seu tempo em Atenas e que tinha predileção por representar atletas. O artista preferia o bronze ao mármore, pois o primeiro era maleável, o que lhe permitia dar às suas obras posições mais dinâmicas, detalhes mais realistas, além de serem mais fáceis de serem transportadas. Míron retratou o atleta no momento em que esse se encontrava imóvel, concentrando-se para o arremesso do disco. Seu corpo retraído mostra a sua anatomia perfeita.

O atleta tem o braço direito para trás, com a mão segurando o disco. Ele joga todo o seu peso sobre o pé direito. Seu corpo nu permite ver todos os seus músculos flexionados. Apesar de delicado, há força e vigor no seu corpo. Sua cabeça está voltada para o disco. Seu rosto não demonstra preocupação ou força, como se tratasse de um movimento habitual. É possível notar a harmonia dos músculos bem proporcionados.

O Discóbolo de Míron não se encontra mais na sua versão original, pois a obra acabou se perdendo no tempo. Ainda bem que restaram algumas cópias romanas da escultura, geralmente em mármore, embora tragam pequenas diferenças entre si, o que torna difícil saber com exatidão como era de fato a obra original. É uma das estátuas mais conhecidas da arte grega e a estátua mais famosa de um desportista em ação.

A primeira cópia do Discóbolo foi encontrada em 1781 em Roma. Foi tomada por grande interesse por parte dos neoclássicos dos séculos XVIII e XIX que a viram como a representação perfeita do movimento corporal. Muitas cópias têm sido usadas por estudantes de escultura, pintura e desenho, além de ter se transformado num ícone da cultura corporal. É importante saber que a posição da escultura não corresponde ao movimento real que o atleta faz ao lançar o disco. O artista tudo pode na sua representação.

Dados técnicos
Cópia romana do original em bronze 1,55m de altura
Localização: Munique, Alemanha

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Raízes da MPB – ASSIS VALENTE

Autoria de Lu Dias Carvalho papagaio12

Assis Valente fez todos os sambas, na forma como na essência, dentro da norma carioca – ritmo, na estrutura e na linguagem. São quase sempre crônicas da vida no Rio, o quadro de costumes flagrando invariavelmente o ângulo mais interessante, de preferência com a acentuação do toque lúdico. Nas marchinhas carnavalescas, equilibrou irreverência e malícia, se é que se pode falar de equilíbrio a propósito de categorias tão picantes. (Moacyr Andrade – jornalista, escritor e crítico de música popular)

O compositor, protético e desenhista José de Assis Valente nasceu na cidade de Salvador/BA, em 1911, tendo como pai o descendente de portugueses, José Assis Valente e, como mãe, a negra Maria Esteves Valente. A primeira fase da vida de Assis Valente é bem obscura. Não há clareza nos acontecimentos. Nem mesmo o local de nascimento é confiável. Parece que ele foi morar com os “padrinhos”, dos quais se desligou, indo trabalhar num hospital. Também estudou desenho e escultura, além de concluir um curso de prótese dentária, em que foi excelente profissional. Como desenhista ganhou um prêmio importante que lhe foi entregue pelo governador da Bahia, à época.

Assis Valente deve ter vindo para a cidade do Rio de Janeiro, possivelmente, em 1927. Ali, ele trabalhou como desenhista nas famosas revistas Fon-Fon, O Cruzeiro e na Shimmy. Também trabalhou como protético. Heitor dos Prazeres, pintor e sambista, aproximou-o do meio musical. Uma de suas composições mais conhecidas é Boas Festas, tendo se inspirado, para compô-la, numa gravura em que uma menininha, com os sapatos sobre a cama, aguarda o presente de Papai Noel. A canção foi gravada por Carlos Galhardo, obtendo um retumbante sucesso.

Anoiteceu/ O sino gemeu/ A gente ficou/ Feliz a rezar/Papai Noel/ Vê se você tem/ A felicidade/ Pra você me dar…

Ao completar 21 anos, Assis Valente já estava sendo gravado por Aracy Cortes, rainha do teatro de revista. Ela gravou a música Tem Francisca no Morro, uma crítica ao excesso de estrangeirismos e modismos. Sua segunda intérprete foi Carmen Miranda, por quem nutria uma grande paixão. Foi uma longa parceria, entre compositor e intérprete, até que a diva partiu para a terra do Tio Sam.

Camisa Listrada, E o Mundo Não Se Acabou, e Uva de Caminhão são três das pérolas de Assis Valente interpretadas por Carmen Miranda. O samba Recenseamento foi a última composição do músico gravada por ela, ao voltar dos Estados Unidos. Infelizmente, Carmen se recusou a gravar Brasil Pandeiro, um dos sambas mais populares do autor, inclusive, gravado por inúmeros cantores da atualidade, como Morais Moreira, Pepeu, Baby Consuelo, etc… Para o fato de Carmen ter se recusado a gravar um samba de um compositor que a idolatrava, Abel Cardoso Júnior explica:

“Penso que Carmen não gravou Brasil Pandeiro porque a letra a exaltava e ela, por modéstia ou receio de parecer cabotina a recusou”.

Ruy Castro, biógrafo da cantora, tem a mesma opinião. O samba foi então gravado pelo famoso conjunto musical Anjos do Inferno. Ele lançou também muitas músicas com o conjunto Bando da Lua, dentre elas está o samba Mangueira, em parceria com Zequinha Reis, que é até hoje cantado pela Escola.

Assis Valente, cujo comportamento alternava entre a euforia e a tristeza, e que talvez fosse hoje incluído na categoria de bipolar, resolveu que iria parar de compor, dedicando-se apenas à profissão de protético. Protestos contra tal decisão chegaram de toda parte. Até o jovem Fernando Sabino, em Belo Horizonte, posicionou-se a favor do talento do compositor. Não se sabe se a decisão de Assis Valente era sincera ou se apenas era uma jogada de marketing.  O fato é que ele se desculpou, dizendo que passava por um momento de descontrole, e que iria prosseguir compondo. E, para o bem da música popular brasileira, continuou criando várias pérolas.

Assis Valente casou-se com a datilógrafa Nadyle da Silva Santos que era 15 anos mais nova que o noivo. A situação financeira, sempre mal administrada, levou-o a morar na casa dos pais da mulher. Ali nasceu a filha Nara Nadyle. De tanta alegria, ele pediu que tatuassem o nome da filha no corpo. Mas, três meses depois, Assis Valente abandonou a mulher e a filha, alugando um quarto só para si.

Dizem que quando Assis Valente oferecia suas canções a outras cantoras, elas passaram a recusar, ressentidas com o privilégio que o compositor dava a Carmen Miranda. Mesmo assim, seu samba Fez Bobagem foi gravado por Aracy de Almeida, e Camélia Alves gravou a batucada Quem Dorme no Ponto É Chofer. Também continuou sendo gravado pelos conjuntos vocais, dentre eles Quatro Ases e Um Coringa. Na parceria feita com o conjunto Quatro Ases, lançou mais de uma dezena de títulos. O samba exaltação Onde Canta o Sabiá, em parceria com o compositor e cineasta José Carlos Burle, foi um dos grandes sucessos. E depois veio Boneca de Pano, canção gravada depois pelo cantor colombiano, Carlos Ramirez, num triste “portunhol”. A cantora Marlene, em 1956, gravou um LP com músicas do compositor, com interpretações fantásticas. Última homenagem.

Assis Valente recolheu-se definitivamente da vida, em março de 1958, aos 53 anos, deixando 154 composições gravadas. Seu corpo foi encontrado na Praia do Russel. Envenenou-se com formicida e guaraná. Não foi a primeira vez que tentou se matar, pois, também se atirou do Corcovado, sem grandes traumas. Certa vez, ele chegou a confidenciar a seu amigo embaixador, Paschoal Carlos Magno, a quem chamou num momento de extremo desespero:

(…) Eu vivo obsedado pela morte. Um dia me mato.

Nota
Cliquem no link abaixo para ouvirem Brasil Pandeiro
http://www.youtube.com/watch?v=iTXWpdkAp6Y

Fonte de pesquisa:
Raízes da Música Popular Brasileira/ Coleção Folha de São Paulo

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Van Gogh – TERRAÇO DO CAFÉ À NOITE

Autoria de Lu Dias Carvalho Shiva1

               (Faça o curso gratuito de História da Arte, acessando: ÍNDICE – HISTÓRIA DA ARTE)

Aqui está um quadro noturno, sem ter usado tinta preta, somente azuis, violetas e verdes maravilhosos. (Van Gogh)

Com frequência penso que a noite é mais rica e viva em cores do que o dia. (Van Gogh)

A composição intitulada Terraço do Café à Noite é uma obra de Van Gogh. Retrata a Praça do Fórum em Arles. Trata-se de uma cena noturna pintada no local. O artista tinha fascinação pelas noites provençais, cheias de estrelas, como podemos ver em suas telas Terraço do Café na Praça do Fórum (O Terraço do Café na Place du Forum, Arles, à Noite) e em Noite Estrelada sobre o Ródano.

O céu encontra-se todo pintado de azul e não de preto, salpicado de estrelas de diversos tamanhos, embora seja noite. As pinceladas deixadas pelo pintor estão bem visíveis, pois a superfície não é alisada, sendo possível acompanhar o rastro do pincel. Várias pessoas estão assentadas em frente ao café. O garçom está vestido de branco em meio aos clientes. Algumas mesas e cadeiras encontram-se vazias na entrada do café. Outras estão espalhadas pela rua à espera dos fregueses.

Alguns transeuntes conversam parados na rua. Um cavalo, que parece puxar uma carruagem, surge no centro da composição em direção ao café. Tanto as pessoas que se encontram na rua, quanto o cavalo recebem o reflexo amarelado da lâmpada a gás dependurada no café.

Van Gogh usou a perspectiva na metade inferior do quadro, atraindo o olhar do observador em direção ao café. A composição apresenta duas fontes de luz: a natural – vinda das estrelas – e a artificial – vinda do café. Essas fontes se fundem, trazendo à obra uma luminosidade toda especial.

O café – em especial o toldo – apresenta inúmeros tons de amarelo que contrastam maravilhosamente com os diversos tons de azul. O verde também marca sua presença na tela. O vermelho está presente em pequena quantidade. Como o próprio artista registrou, embora se tratasse da noite, não existe a presença do preto.

Dados técnicos:
Data: 1888
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 81 x 65,5 cm
Localização: Kröller – Müller Otterlo, Holanda

Fonte de pesquisa
Tudo Sobre Arte/Editora Sextante
Van Gogh/Coleção Folha do Estado de São Paulo
Van Gogh/Abril Cultural

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