Arquivos da categoria: Escultura

Apresentação de esculturas (entalhe na madeira, modelagem no barro, cinzelagem da pedra, fundição do metal, etc) dos tempos antigos.

VÊNUS BANHANDO-SE

Autoria de LuDiasBH

A escultura de mármore denominada Vênus Banhando-se ou Afrodite de Doidalses é uma cópia romana de um original helenístico segundo Doidalses, um escultor de Bitínia, que viveu no século III a.C.. Alguns estudiosos modernos, no entanto, não estão certos da existência de tal artista, atribuindo a obra a um escultor anônimo.

Segundo estudos, o original perdido era feito em bronze, sendo visto em Roma na época de Plínio, que em seus escritos relata sua presença no pórtico de Otávia. Muitas cópias romanas encontradas são tidas como derivadas de Vênus Agachada, diferindo muito umas das outras, o que impede de se ter certeza de como era o original.

Vênus (ou Afrodite), a deusa do amor, é representada de cócoras, durante seu banho. Há também a interpretação de que a deusa recatada esteja a proteger-se na presença de um observador, com seus braços suavemente dobrados em torno do próprio corpo. Ela vira a cabeça delicadamente para sua direita, inclinando-a para baixo, tapa os seios com o braço direito e sua genitália com a mão esquerda. Seus cabelos, maravilhosamente esculpidos, têm a forma de um coque no alto da cabeça.

Ficha técnica
Segundo um original do século III a.C.
Altura: 82 cm
Localização: Museus do Vaticano, Roma, Itália

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

VITÓRIA DE SAMOTRÁCIA

Autoria de LuDiasBH

          

A estátua, feita em mármore branco de Paros, intitulada Vitória de Samotrácia ou Nice de Samotrácia, representa a deusa grega Nice (Nike, em grego), ou seja, a deusa da Vitória. Trata-se de uma das obras-primas do mundo Antigo. Foi encontrada na ilha grega de Samotrácia, situada no norte do mar Egeu, ilha essa que se tornou famosa após a descoberta da escultura em pedaços, em 1863. Charles Champoiseau, arqueólogo amador francês, foi o responsável por sua descoberta, tendo a enviado para seu país no mesmo ano. Algum tempo depois foi encontrada a proa da embarcação e o pedestal, esculpidos a partir de mármore cinza e branco das pedreiras de Lartos, na ilha de Rodes, formando um maravilhoso contraste com a estátua branca.

Crê-se que a escultura da deusa alada era mostrada de pé na proa de uma embarcação, com o vento marinho a soprar-lhe as roupas. A obra foi depositada num nicho de pedra, cavado em uma colina,  e que também podia conter uma piscina com água, onde o navio poderia flutuar. Seria vista do lado esquerdo da frente, uma vez que esse é bem mais trabalhado do que o direito. Esta escultura grega, cuja forma e movimento têm impressionado críticos de arte e artistas de todos os tempos, embora seja de estrutura maciça, deixa patente a maestria do escultor pela naturalidade nela presente.

A vestimenta da deusa Nice, colada a seu corpo, mostra um fantástico drapeado, que parece feito sob a ação da água salgada e do vento marinho, enquanto ela desliza suavemente. Sua túnica, descendo até seus pés, adere-se a seu corpo, enquanto seu manto desce, escorregando-se de seus ombros, aderindo-se às suas pernas e esvoaçando na parte de trás. Um cinto é visível abaixo dos seios, enquanto outro está escondido sob as dobras do tecido nos quadris, com o objetivo de encurtar a saia. O tratamento dado à sua vestimenta está relacionado aos conhecidos “panos molhados”, que aqui revelam seu corpo através da transparência.

Os braços e a cabeça da escultura jamais foram encontrados, embora outros fragmentos tenham sido achados, como a mão direita, sem dedos, a ponta do dedo anelar e o polegar, que se encontram numa caixa de vidro no Louvre. Seus dois pés, esculpidos separadamente, também não foram encontrados, sendo sua posição recriada. O pé direito apresentava-se saindo do convés, enquanto o direito ainda se encontrava no ar, o que pressupõe que a deusa estivesse descendo da embarcação.

A Vitória Alada de Samotrácia encontra-se hoje na Escadaria Daru do Museu do Louvre, em Paris, sendo uma das mais importantes atrações do museu. Está de pé em um baixo pedestal,  sobre uma base em forma de proa de um navio. Como acontece com obras da Antiguidade, é muito difícil precisar sua criação. A escultura é tida como pertencente ao período helenístico e uma obra-prima dessa época. Presume-se que tenha sido esculpida como um ex-voto oferecido pelo povo de Rodes, com o objetivo de homenagear a deusa Nice e celebrar uma vitória naval. Trata-se de um ícone cultural. Passou por um profundo restauro em 2013 e 2014.

Ficha técnica
Ano: c. de 220/190 a.C.
Altura de toda a peça: 5,57 m
Altura da estátua: 2,75 m
Base: 2, 01 m
Pedestal: 36 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.louvre.fr/en/oeuvre-notices/winged-victory-samothrace
http://musee.louvre.fr/oal/victoiredesamothrace/victoiredesamothrace_acc_en.html

VÊNUS DE MILO

Autoria de LuDiasBH

               

A estátua de Vênus (Afrodite), deus da beleza e do amor, foi encontrada, em 1820, na Ilha de Milo, uma ilha vulcânica situada no arquipélago das Cíclades, no Mar Egeu, na Grécia. Por isso, acabou recebendo o nome de Vênus de Milo. Foi criada em mármore pariano e está ligada à arte helenística, segundo afirmação de alguns estudiosos. A beleza vista nesta estátua da Grécia Antiga mostra a delicadeza com que o artista trabalhou a formosura feminina. Ele usou o conceito de três dimensões arredondas, e não a conhecida figura de quatro lados. Não se sabe como a estátua perdeu os braços e o pé esquerdo, tampouco se conhece algo sobre sua autoria, datação e representação, pois pode ser também Amphitrite, deusa do mar, que era venerada na ilha de Milo, a representada.

Esta obra-prima foi adquirida pela França, um ano depois de encontrada, e exposta no Museu Louvre, em Paris. Sua fama é tamanha, que tem sido divulgada nos mais diferentes meios de circulação (estampas, filmes, literatura, souvenires, etc.) e copiada ao longo dos anos, tornando-se um ícone popular. É sem dúvida uma das estátuas antigas mais famosas em todo o mundo. É composta quase que exclusivamente por dois grandes blocos de mármore, sendo que inúmeras partes menores (busto, pernas, braço e pé esquerdo) foram trabalhadas em separado, e depois agregadas ao corpo da estátua com estacas. Presume-se que o mármore pode ter sido pintado com um conjunto de várias cores, agora desbotadas.

A Vênus de Milo, cuja face esboça um leve sorriso, mostra-se ereta e despida até o quadril. Seus seios são pequenos e firmes. Traz a perna esquerda levemente levantada e jogada para frente.  Encontra-se um pouco inclinada para sua direita, jogando todo o seu peso na perna do mesmo lado, mostrando uma pequena curvatura no tronco. Um manto drapeado oculta seus membros inferiores, e deixa à vista parte das nádegas, onde sua veste é toscamente trabalhada, sendo seu acabamento mais primoroso na parte frontal, uma vez que as estátuas eram colocadas em nichos. Orifícios de fixação em seu corpo levam a crer que usava joias de metal (braçadeira, brincos e tiara). Seus cabelos longos e anelados, divididos ao meio, estão juntados num coque, enquanto algumas madeixas descem-lhe pelo pescoço e costas.

Ficha técnica
Ano: 2ª metade do séc. II a.C.
Altura: 204 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.louvre.fr/en/oeuvre-notices/aphrodite-known-venus-de-milo

ESCRIBA SENTADO

Autoria de LuDiasBH

                   

Esta famosa estátua, rigidamente frontal, representando um homem sentado, possivelmente um escriba, foi criada por um escultor, que deve ter pertencido à IV ou V Dinastia Egípcia, tendo sido esculpida em pedra calcária pintada. Foi descoberta durante uma escavação na cidade de Sacara, nome de um sítio arqueológico egípcio, situado próximo à cidade do Cairo, pelo arqueólogo francês Auguste Mariette, em 1850. É provável que o nome do modelado tenha sido inscrito na base da estátua, que deveria ser maior, e que agora só apresenta um semicirculo.

A obra intitulada Escriba Sentado é tida como uma das obras-primas da arte egípcia em razão do realismo que dela advém, sobretudo de seus grandes olhos escuros, que se mostram atentos e alertas, e parecem mirar o observador. Neles foram incrustradas pedras semipreciosas finamente trabalhadas. Encontram-se presos com dois grampos de cobre, cada um. As sobrancelhas foram feitas com tinta orgânica escura. Os mamilos são feitos de madeira. Chamam a atenção suas formas esculturais, extremamente geométricas e menos trabalhadas, que contrastam com seu rosto, mãos, dedos e unhas, maravilhosamente modelados. São vistos, de seus quatro lados, parte do bloco no qual foi esculpida.

A figura assume uma postura elegante, trazendo as pernas cruzadas, com a direita na frente da esquerda. Veste um kilt branco, ou seja, uma espécie de saiote levemente transpassado, que vai da cintura até próximo aos joelhos, possibilitando ao escriba nele assentar seu instrumento de trabalho. No colo traz um pergaminho de papiro com uma parte desenrolada, onde repousa a mão direita, como se estivesse trabalhando, pois esta era a posição usada pelos escribas, enquanto segura a parte em forma de rolo com a esquerda, firmando-a com o polegar. É de supor-se que haveria um pincel na sua mão direita, tendo sido perdido com o tempo.

Ficha técnica
Ano: durante a IV ou V Dinastia
Altura: 53,7 cm
Largura: 44 cm
Profundidade: 35 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.louvre.fr/en/oeuvre-notices/seated-scribe

Belmiro de Almeida – MANEQUINHO

Autoria de LuDiasBH

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[…] foi em casa de um amigo que observei a sua filhinha ensaiando os primeiros passos na alameda do jardim e notei uma coisa curiosa na proporção das crianças, nessa idade; têm o tronco muito maior do que as pernas, o que não se verificava na formosa menina. Assim, pensei no “Mannekin Pis”de Bruxelas e comecei a modelar o meu Manequinho, servindo-me do modelo da menina. (Belmiro de Almeida)

Esta é uma escultura do pintor, caricaturista, escultor, professor e jornalista mineiro Belmiro de Almeida. Foi esculpida pelo artista em 1906,  e os cariocas deram-na o nome de Manequinho,  pela semelhança com o “Manneken Pis” da Bélgica, portanto, nada a ver com o diminutivo do nome próprio Manoel (Manequinho, Maneco) .

Após transformar-se em símbolo do clube carioca Botafogo de Futebol e Regatas, na década de 1950, na cidade do Rio de Janeiro, esta escultura tornou-se muito famosa, passando a vestir a camisa do referido time toda vez que ele se torna campeão. Encontra-se hoje em frente à sede do Botafogo. Mas a obra original de Belmiro de Almeida foi roubada em 1990, porém, Amadeu Zani, usando o molde original de Belmiro, fez uma nova estátua em sua fundição para a alegria de todos, principalmente dos botafoguenses.

A obra de Belmiro de Almeida, portanto, não é uma reprodução do famoso e amado “Manneken Pis” (o menino que urina) existente na cidade de Bruxelas, na Bélgica, como imaginam muitas pessoas. Algumas diferenças podem ser notadas:

  • o Manequinho nacional possui cerca de um metro de altura, enquanto “Manneken Pis” belga tem cerca de 20 centímetros;
  • o nosso menininho é bem proporcional em seu formato, enquato o garotinho belga sustenta uma grande cabeça, em relação ao pequenino corpo;
  • o garotinho brasileiro não precisa da ajuda das mãos para direcionar seu potente jato, enquanto o belga usa a mãozinha esquerda para segurar o seu “piupiu”;
  • o Manequinho possui uma postura ereta, enquanto o “Manneken Pis” inclina seu tronco para trás;
  • o rosto e os cabelos dos dois menininhos também são diferentes.

Contudo, ambos possuem algo em comum:

  • já foram roubados (sendo que o belga foi reencontrado e o brasileiro não);
  • são vestidos pelo povo;
  • e são muito amados.

Sobre o fato de o Manequinho ter se transformado no símbolo do clube do Botafogo, assim explica o site “Mundo Botafogo”:

Com a conquista do Campeonato Carioca de 1957, a estátua do menino apareceu vestida com a camisa do Botafogo (dizem que por obra de Didi, que pagava uma promessa feita). A partir daí tornou-se um símbolo da torcida alvinegra. Acabou furtado, em 1990, não se sabe se por afronta aos botafoguenses, ou simples vandalismo. Uma nova estátua foi fundida, graças ao fundidor Zani e, em seguida, recolocada no Mourisco.

A prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, em 2002, acabou tombando a estátua, que virou patrimônio da cidade.

Ficha técnica
Título: Manequinho
Ano: 1911
Técnica: escultura em bronze
Dimensões: 105 x 45 x 22
Doação: Associação dos Amigos da Pinacoteca do Estado, Parque da Luz, Rio de Janeiro, Brasil

Fontes de pesquisa
A arte brasileira em 25 quadros/ Rafael Cardoso
http://mundobotafogo.blogspot.com.br/2011/04/historia-do-manequinho-i.html
http://www.amabotafogo.org.br/historia/manequinho.asp

LAOCOONTE E SEUS FILHOS

Autoria de LuDiasBH

Laoc
A estátua de mármore conhecida como Laocoonte ou Laocoonte e Seus Filhos Atacados por Serpentes ou ainda O Grupo de Laocoonte, feita em mármore, foi encontrada durante uma escavação casual em Roma, em 1506, permanecendo em exposição no Vaticano. É considerada como uma das mais belas obras da escultura helenística, sendo vista como “o ícone prototípico da agonia humana” na arte ocidental, uma vez que, ao contrário dos martírios apresentados na arte cristã, esse não possui redenção ou qualquer outra forma de recompensa.

A dor lancinante dos três personagens, postados no degrau de um altar, é representada através da expressão dos rostos e da tensão física dos corpos, na tentativa de libertarem-se da constrição das duas serpentes, o que deixa em realce a musculatura, sobretudo a do pai e a do filho mais velho. A estátua, embora seja tida em excelente condição, por se tratar de uma obra escavada, tem várias partes incompletas, e ainda sugere, após análises, que tenha sido remodelada em tempos antigos. Desde a sua descoberta, ela já passou por várias restaurações.

Ao ser encontrada, a escultura estava sem o braço direito de Laocoonte, sem parte da mão de um dos garotos e o braço direito do outro, assim como várias partes das duas serpentes. O garoto mais velho, à direita, também havia sido desunido das outras duas figuras. Para resolver o problema das partes ausentes da escultura, vários escultores, artistas da época em que ela foi encontrada, discutiram como essas deveriam ter sido. Michelangelo, depois de profundo estudo, concluiu que os braços direitos deveriam ter sido dobrados para trás, sobre o ombro, enquanto outros artistas sugeriram que deveriam ter sido estendidos para frente, como num gesto heroico. Contudo, na década de 1980, chegou-se à conclusão de que a estátua deveria ser apresentada como fora encontrada, tendo, portanto, as partes restauradas de braços e mãos sido retiradas.

Ao observarmos a estátua de Laocoonte e Seus Filhos podemos notar que os dois garotos foram feitos numa escala bem pequena, se comparada à do pai, possivelmente com o intuito de destacar mais Laocoonte, figura central da obra, dando-lhe um impacto maior. Ao serem envolvidos pelas duas serpentes, que une os três personagens, esses mostram o semblante carregado de dor, medo e agonia. O garoto da esquerda já se encontra em agonia, picado por uma das serpentes, enquanto o da direita tenta desenrodilhar a serpente de sua perna esquerda, e olha para o pai como se implorasse ajuda e, ao mesmo tempo, sentisse que ele não poderia socorrê-lo. O tronco musculoso e avolumado de Laocoonte deixa visível a sua árdua luta para afastar a cabeça da serpente, já com a boca aberta, de seu quadril esquerdo.

Chama a atenção no conjunto da obra, esculpida num único bloco, a beleza das dobras das duas serpentes, enrodilhadas nos três personagens. Segundo relata o historiador Plínio, o Velho, em sua “História Natural” e, que preferia esta escultura a qualquer outra ou até mesmo pintura, este trabalho foi feito por três grandes artistas da época: Agesandro, Polidoro e Athenodoros, todos nascidos em Rodes, sendo que a estátua encontrava-se no palácio do imperador Tito. Presume que ela é parte de uma iconografia maior.

Segundo o mito, que se relaciona com a Guerra de Troia, o sacerdote troiano Laocoonte, que era filho de Príamo e sacerdote de Apolo, casou-se contra a vontade do deus e teve dois filhos denominados Antífenes e Timbreu. Apolo ficou mais irritado ainda quando Laocoonte arremessou sua lança contra o Cavalo de Troia. E, por isso, vingou-se enviando duas serpentes marinhas para matar os filhos de seu sacerdote, mas esse, ao tentar salvá-los, acabou sendo picado e morto. Existem outras versões para esta lenda.

Curiosidades

• Presume-se que o grupo Laocoonte tenha sido encomendado pelo imperador Tito, na primeira metade do primeiro século d.C., tendo sido executada pelos escultores de Rodes, após um original de bronze feito no século 2 a.C.

• O braço direito de Laocoonte foi descoberto por Ludwig Pollak, em 1905. Ele consegui provar que esse pertencia à figura. O braço encontrado foi adicionado à estátua durante sua última restauração, em 1957-1960.

Ficha técnica
Ano: Séculos II e I a.C.
Altura: 242 cm (da restauração Montorsoli)

Fontes de pesquisa
Para entender a arte/ Maria Carla Prette
http://ancientrome.ru/art/artworken/img.htm?id=1372
https://en.wikipedia.org/wiki/Laocoön_and_His_Sons