Arquivos da categoria: Vida Saudável

Temas diversos sobre saúde

ARROZ + FEIJÃO = UM CASÓRIO PERFEITO

Autoria do Dr. Telmo Diniz

Todo mundo sabe que arroz e feijão são a combinação mais tradicional da culinária brasileira. É uma combinação certamente saborosa e boa para a saúde. Quais os nutrientes que esta combinação possui? Como se deu este casamento culinário através dos séculos? É disso que vamos tratar neste texto.

Esta tradição teve início no século XVIII. As lavouras de arroz, que já ocupavam quilômetros de terras na Bahia, começaram a prosperar a partir de 1745, e o feijão, conhecido como “carne de pobre”, na época, era misturado à farinha de mandioca ou de milho para alimentar os escravos. Até esta época, os dois grãos não se misturavam. Segundo historiadores, foi por volta de 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Brasil que os dois ficaram mais próximos. Isso porque o arroz foi incluído na alimentação dos soldados por determinação do rei D. João VI (possivelmente para dar mais energia a eles). Como soldados e escravos estavam sempre juntos, em algum momento a combinação foi feita e, para alegria dos brasileiros, se mantém até hoje.

O arroz e o feijão são importantes porque fornecem aminoácidos essenciais necessários à nossa saúde. Os aminoácidos são moléculas que formam as proteínas e são chamados de essenciais porque não são produzidos pelo corpo e, por isso, precisam ser conseguidos através da alimentação. A combinação do arroz e o feijão completam-se, pois, juntos, garantem que nosso corpo obtenha todos os aminoácidos essenciais para nosso organismo.

O arroz, por exemplo, constitui uma relevante fonte de energia (carboidrato) e ainda possui fosfato, ferro, cálcio e vitaminas B1 e B2. Caso seja feito o consumo do arroz integral, são fornecidas também as fibras, essenciais para o funcionamento adequado do intestino e a prevenção de algumas doenças, como câncer colorretal, obesidade e diabetes. Não podemos esquecer de que o arroz apresenta quantidade baixa de sódio e taxas mínimas de gordura. O feijão, por sua vez, fornece também importantes nutrientes, tais como o ferro, fósforo, magnésio, manganês e vitaminas do complexo B. Ele ainda é rico em fibras e tem função antioxidante. Vale destacar também que o feijão apresenta pouco teor de sódio e gordura. O Ministério da Saúde sugere o seguinte consumo: uma parte de feijão para duas de arroz.

Bom, parece que consumir arroz com feijão é bem saudável, mas eles têm que ser consumidos juntos. Também é bom ressaltar que é melhor trocar o arroz branco pelo integral e, sempre que possível, escolher o feijão preto – mais rico em nutrientes. Apesar do arroz e feijão juntos serem bastante nutritivos, o prato carece de vitaminas A e C. Uma boa sugestão é adicionar ao prato um tomate ou pimentão (o que trará cerca de 10% a 20% do valor diário recomendado de vitamina C), bem como espinafre e cenouras (ricos tanto em vitaminas C e A). O ideal é a associação do arroz com feijão e uma combinação de legumes e vegetais variados.

O SABOROSO QUEIJO MINAS

Autoria do Dr. Telmo Diniz

O queijo é uma paixão que está disseminada em vários países mundo afora e a aceitação da iguaria em Minas Gerais é fato mais que consumado. O queijo não é só um alimento saboroso e que agrada o paladar de todos, mas também é especialmente saudável. Pesquisas recentes já o apontam como protetor cardiocirculatório.

Entende-se por queijo, de forma genérica e resumida, o produto fresco ou maturado que se obtém por separação parcial do soro do leite. Todos os queijos apresentam em sua composição vários elementos, incluindo água, proteínas, gorduras, sal, lactose, sais minerais e vitaminas. À medida que o queijo vai envelhecendo ou curando, há uma diminuição do teor de água contida no produto.

Apesar da variação na composição dos queijos, do tipo de leite utilizado como matéria-prima e do processo aplicado à sua fabricação, os queijos, de maneira geral, destacam-se por possuir vários benefícios nutricionais à saúde humana. Primeiramente, o alto teor de cálcio, que é um mineral fundamental para formação e manutenção dos dentes e ossos, além de diversas outras funções no organismo.

Assim como os iogurtes, alguns queijos podem beneficiar o desenvolvimento de bactérias benéficas ao intestino, além de ajudar a prevenir o desenvolvimento de bactérias maléficas – conhecido efeito probiótico. Também tem o efeito de fortalecer o sistema imunológico. De igual forma, apresenta quantidades razoáveis de vitaminas A, D, E, B e os minerais zinco, iodo, selênio, potássio e fósforo. As quantidades desses elementos dependem do teor de gordura e de água em cada um dos queijos.

Um novo estudo publicado no “European Journal of Nutrition” corrobora o que outras pesquisas estão chegando à conclusão. Ele sugere que comer um pouquinho de queijo todo dia nos deixa menos propensos a desenvolver doenças cardíacas ou ter um acidente vascular cerebral. Para saber como o consumo de queijo em longo prazo afeta o risco de doenças cardiovasculares, pesquisadores da China e da Holanda combinaram e analisaram dados de 15 outros estudos observacionais com mais de 200 mil pessoas.

Os pesquisadores descobriram que, no geral, as pessoas que consumiam mais queijo tinham um risco 14% menor de desenvolver doença cardíaca coronária e 10% menos chances de ter um acidente vascular cerebral do que aqueles que raramente ou nunca comiam queijo. As pessoas que tiveram menores riscos de doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais consumiam, em média, cerca de 40 g por dia.

O queijo contém ácido linoleico, um ácido graxo insaturado que aumenta a quantidade de colesterol HDL, considerado “bom”, e diminui os níveis de LDL, o colesterol “ruim”. Também há evidências de que o queijo como substituto do leite tem efeito protetor cardíaco.

Como o estudo não analisou diferentes tipos de queijo, os pesquisadores acreditam que são necessárias mais pesquisas para identificar quais são os mais benéficos. Será que o nosso queijo mineiro está entre eles? Bom, espero e torço para que sim! Minas Gerais não tem só trem bom. Trem broa, trem feijão tropeiro, trem queijo e pão de queijo.

CONHECENDO A DOENÇA DIVERTICULAR

Autoria do Dr. Telmo Diniz

A doença diverticular é mais prevalente e tem uma maior incidência em pessoas de mais idade, ou seja, está estimada em 33% nas pessoas acima de 45 anos, 50% em indivíduos com mais de 70 anos, podendo atingir 80% da população da chamada quarta idade – com mais de 80 anos. Cerca de 20% destes vão evoluir para os quadros de diverticulite, complicação mais grave que deve ser prontamente diagnosticada e tratada, dada aos episódios de maior mortalidade na população. No texto de hoje, vamos ver que dá para conviver bem com o problema e quais as formas de minimizá-lo.

Divertículo é uma saliência ou uma reentrância na parede do intestino, notadamente no intestino grosso. Em outras palavras, são vários “saquinhos” no intestino representando uma fragilidade naquele local – de onde advém o nome diverticulose. No divertículo, podem penetrar e ficar retidas pequenas quantidades de restos alimentares, o que pode ocasionar sua inflamação e ou infecção. Se este divertículo inflamado se romper, ocorre evolução para um quadro de peritonite, podendo culminar com óbito por infecção generalizada. Dada à gravidade do quadro, é importante percebermos quais são os sintomas para evitar uma evolução para cenários mais dramáticos.

Para o leitor ter uma ideia de quem está predisposto a ter doença diverticular, vamos às dicas:

  • pessoas de mais idade, por perda da elasticidade da musculatura intestinal, são as mais predispostas;
  • pessoas que se alimentam com poucas fibras e com baixa hidratação podem seguir para o mesmo caminho;
  • os indivíduos com predisposição genética a apresentar esta fragilidade da parede intestinal.

Como já citado, a doença diverticular cursa de forma assintomática na maioria dos casos, sendo diagnosticada em um achado de exame, como ocorre nas colonoscopias. Porém, cerca de 20% da população com este problema podem ter sintomas relacionados à diverticulite como: dor abdominal abaixo do umbigo, notadamente do lado esquerdo; constipação ou diarreia, sangue nas fezes, febre, náuseas, vômitos, etc.

Se não houver sinais de gravidade, o tratamento inicial pode ser feito no domicílio com dieta leve e líquida associada à prescrição de analgésicos e antibióticos. Em geral, em 72 horas, 80% dos casos evoluem para sua resolução. Se a resposta não for satisfatória, o tratamento deverá ocorrer no hospital sob a supervisão médica direta. Para finalizar, as recomendações gerais para as pessoas com doença diverticular são:

  • incluir alimentos com alto teor de fibras na sua dieta habitual (frutas, vegetais, cereais integrais e grãos são importantes para o processo digestivo saudável);
  • não ingerir sementes de difícil digestão (como por exemplo, a semente do gergelim);
  • beber pelo menos 2 litros de líquidos por dia para facilitar a formação do bolo fecal;
  • não tomar laxantes por conta própria;
  • fazer atividades físicas, o que melhora enormemente o trânsito intestinal.

Nota: imagem copiada de [Foco] Magazine

FÍGADO GORDUROSO E CARDO-MARIANO

Autoria do Dr. Telmo Diniz

        

Nosso fígado possui, normalmente, pequenas quantidades de gordura, cerca de 10% do seu peso total. Quando o percentual de gordura excede esse valor, estamos diante de um fígado que está acumulando gordura, ou seja, diante de um fígado gorduroso. O objetivo deste artigo é de falar sobre a prevenção desta patologia, dado que a mesma cursa de forma assintomática na maioria dos casos.

Quanto maior e mais prolongado for o acúmulo de gordura no fígado, maiores são os riscos de lesão hepática. Quando há gordura em excesso e por muito tempo, as células do fígado podem sofrer danos, ficando inflamadas. Este quadro é chamado de esteato-hepatite ou hepatite gordurosa. A esteato-hepatite é um quadro bem mais preocupante que a esteatose, já que cerca de 20% dos pacientes evoluem para cirrose hepática e eventualmente para o câncer de fígado.

A obesidade, o diabetes, a má nutrição, a perda brusca de peso, a gravidez, cirurgias diversas e o sedentarismo são fatores de risco para o aparecimento da esteatose hepática gordurosa não alcoólica. Há evidências de que a síndrome metabólica, caracterizada por pressão alta, resistência à insulina, níveis elevados de colesterol e triglicérides, associada à obesidade abdominal está diretamente ligada ao excesso de células gordurosas no fígado. Nos quadros leves de esteatose hepática, a doença é assintomática. Os sintomas aparecem quando surgem as complicações da doença. Num primeiro momento, as queixas são dor, cansaço, fraqueza, perda de apetite e aumento do fígado. Nos estágios mais avançados, a doença evolui para falência do órgão com complicações metabólicas e neurológicas.

O tratamento se baseia em um estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos. Deve-se controlar o colesterol, o diabetes e, se possível, trocar medicamentos que possam estar colaborando para a piora da esteatose. Por isso, consulte seu médico para uma avaliação mais aprofundada. Medicamentos como metformina (em pacientes não diabéticos) e as vitamina C e E apresentam resultados controversos e ainda não há uma indicação formal para o seu uso. Restringir o consumo dos carboidratos refinados e de alimentos gordurosos também é de bom tom. Os bebedores contumazes e diários devem passar a reduzir ou suspender o consumo de bebidas alcoólicas e “dar um tempo para o fígado”.

Alguns alimentos específicos ajudam na redução da gordura do fígado. A alcachofra, o rabanete, a beterraba, o limão e o gengibre são alimentos benéficos no combate à esteatose hepática. O destaque fica por conta de uma planta de nome cardo mariano, cujas folhas secas podem, sob infusão, serem consumidas em chás três vezes ao dia. Esta planta contém uma substância ativa conhecida por silimarina, que sabidamente ajuda na redução da gordura do fígado e na desintoxicação deste órgão, pois reduz a inflamação. Já existe no mercado suplementos à base de silimarina para pessoas com diagnóstico deste problema. Entretanto, não pratique a automedicação, tire a dúvida antes com seu médico.

REDUÇÃO OU PERDA DO PALADAR

Autoria do Dr. Telmo Diniz

A redução ou a perda do paladar é uma condição muito comum na terceira idade e é tecnicamente chamada de ageusia. Com aumento exponencial da população idosa, este problema passou a ser uma queixa cada vez mais presente nos nossos dias e, por isso mesmo, é de suma importância que seja detectado e revertido, pois está envolvido com alto risco de perda ponderal de massa muscular e, inclusive, de desnutrição.

A literatura médica aponta uma relação direta entre o avanço da idade e a redução da percepção gustativa, especialmente quando se trata do gosto salgado. Daí vermos a preferência dos idosos pelo sabor doce. A idade compromete a identificação de alguns sabores e o problema fica mais acentuado para o salgado e o amargo. Isso faz com que o idoso aumente o consumo de alimentos mais temperados, em uma tentativa de recuperar os sabores, ou passe a consumir mais alimentos doces, o que pode evoluir ou piorar os quadros de diabetes. O declínio da acuidade gustativa ocorre, em geral, a partir dos 70 anos, quando diminui o número de receptores gustativos existentes na superfície da língua. A condição pode, muitas vezes, ser a porta de entrada para agravar doenças crônicas como a hipertensão arterial (pelo aumento do sal na comida) ou diabetes (pelo aumento da ingestão de doces).

Existem sinais indicativos de que o idoso está tendo uma perda do paladar: redução progressiva de peso, perda do apetite sem um motivo aparente, episódios de infecções de repetição associada a imunidade baixa e desinteresse por alimentos que antes eram prazerosos. Os distúrbios do paladar raramente constituem uma ameaça à vida e, portanto, eles devem receber a atenção clínica devida. Além da idade mais avançada, existem outros fatores que podem causar a ageusia: boca seca, o tabagismo intenso (especialmente fumar cachimbo), a radioterapia da cabeça e do pescoço e os efeitos colaterais de drogas como a vincristina (um medicamento anticâncer) ou de alguns antidepressivos (como os da classe dos tricíclicos).

O tratamento, inicialmente, visa a detecção de potenciais fatores causais, substituindo medicações ou suspendendo a droga em questão. De igual forma, fatores como refluxo gastroesofagiano, doenças das glândulas salivares, gengivites e outras doenças da boca devem ser tratadas como o objetivo de corrigir a ageusia. Em vários casos, suplementos à base de zinco podem ajudar bastante na melhora do paladar. Esse mineral é um elemento essencial em várias reações no organismo e está envolvido em diversas vias metabólicas, uma vez que é requerido para a atividade de mais de 200 reações químicas, entre elas para a percepção do paladar e secreção da saliva. Assim, a administração de zinco contribui para aumento da secreção de saliva e consequente melhora dos distúrbios do paladar.

Dúvidas? Converse com seu médico. Corroborando o que disse um autor desconhecido: “entre os odores e cores, prefiro o paladar…” – porque comer é bom demais!

A IMPORTÂNCIA DE SE TER UM HOBBY

Autoria do Dr. Telmo Diniz

Passatempo ou hobby é a denominação dada a uma determinada atividade de entretenimento que o indivíduo desenvolve sozinho ou juntamente com outras pessoas. É importante entender que o passatempo não pode ser um jogo, uma diversão que envolve regras predeterminadas. Você, caro leitor, tem algum passatempo? A prática de um hobby pode ajudar na sua saúde física e mental.

Passar algumas horas numa atividade leve e que traz relaxamento contribui para o seu equilíbrio físico e também para o controle das emoções. Um hobby praticado com regularidade, ou seja, pelo menos uma vez por semana, é um ótimo antídoto contra o estresse. Os efeitos positivos chegam a surpreender até alguns especialistas. Em recente pesquisa da Academia Americana de Neurologia, os cientistas descobriram que as pessoas capazes de se manterem relaxadas (através de um hobby) têm 50% menos chances de desenvolver demência em comparação às pessoas com tendência a se estressar.

Parte da classe médica concorda que ter um hobby aumenta a qualidade de vida. É um fator que equilibra e ajuda a preservar a saúde física e emocional. A redução do estresse através de algum hobby melhora a condição cardiocirculatória das pessoas. Praticar um hobby pode ajudar a desenvolver as habilidades e os talentos naturais, bem como ajuda a se desconectar das rotinas diárias. De igual forma, é um excelente antídoto contra a depressão e os ataques de ansiedade. Pode também aumentar o poder da criatividade e da capacidade de ficar mais disciplinado, bem como amplia a vida social, aumentando a motivação e a energia para enfrentar os problemas do dia a dia e, de quebra, aumenta nossa autoestima.

A vida moderna demanda muito e facilmente nos leva a esquecer de nós mesmos. Por isso, vale a pena levar em consideração alguns pontos para fazer do hobby uma forma de praticar algo de positivo para nós mesmos. Inicie procurando algo ousado. Se você gosta de tocar guitarra, vá em frente. Você estará fazendo algo por que gosta e não para ter algum retorno financeiro. Procure explorar passatempos em que você não tenha tanta habilidade, entretanto, é importante que goste da escolha. Quando tomar a decisão, vá e faça. Não procrastine nunca. Não deixe para depois. Não deixe que suas obrigações, pressões familiares ou tarefas atrasadas lhe impeçam de praticar o seu hobby favorito. É um momento tão ou mais importante que o das obrigações. É um momento para você. Pense nisso!

A prática de um hobby sempre se reflete em uma melhora no trabalho, na família e no desempenho social. Você pode definir um ponto de ruptura com tudo o que significa rotina. Por isso, não faz sentido ficar aguardando que seu parceiro ou a sua parceira, seus colegas de trabalho ou sua família tomem a iniciativa na hora de praticar seu hobby. É um espaço escolhido por você, de exploração e de liberdade. O passatempo escolhido também não pode depender de dinheiro. Deve ser algo alcançável, em que você possa efetivamente fazer e praticar.

Ainda não tem um hobby? Escolha um e faça o teste. Comprove por si todos os benefícios que um passatempo pode proporcionar.

Nota: imagem copiada de Writing