O DESTRUTIVO PODER DA AUTOSSABOTAGEM

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Celina Hohmann

vida1

Quando machucamos qualquer parte do nosso corpo, a dor é percebida imediatamente, mas quando machucamos nossa vida, podemos levar a vida toda para nos darmos conta do quanto nos ferimos. Somos o animal mais complexo que existe. Nunca vivi a vida de outro animal, o que me impõe a condição de não me comparar a qualquer um deles, então, finco a estaca em minha condição humana.

Sou chegada à psicologia para defender-me dos meus achaques. Vou de Freud e suas estranhas justificativas – ou serão estudos, teorias? – a Eric Berne (gosto mais desse) e sua discussão acerca da Análise Transacional, pois sempre me deu o alento de que nascemos OK/OK, então, podemos tudo. E se podemos e não estamos OK, devemos buscar a “okeidade”. Meio maluco, mas com uma boa lógica! Afinal, segundo Berne, nascemos vencedores… Bem, o que desejo realmente é comentar como a autossabotagem atinge-nos, e, como sou vítima dessa coisa chata e feiosa!

Num belo dia, que na verdade nem era tão belo, pois buscava informação sobre um medicamento, deparei-me com um blog e cai de boca no abençoado Virusdaarte.net. Li, reli, adorei, e lá fui eu tecer comentários. E gostaram! E também gostei que houvessem gostado! Escrevi depois mais algumas coisas. Sinceras, explodindo em sentimentos e foram postadas. Amei! De alguma forma, o remédio, que era outro, acabou sendo a escrita. E nessa toada eu me descobri capaz de escrever outra vez. E, melhor, com elogios! Perguntem-me se não saí correndo? Claro que sim! Afinal, ali estava a escapatória. Escrever me colocava em outra dimensão, agradava, ocupava meu tempo e mente, ambos meio aparvalhados.

Havia os instantes de muita dor por não conseguir escrever nada, e a cabeça fervilhante de temas bons, coerentes, necessários, e eu travando, quase apagando. Era o meu boicote! Vi-me dentro de algumas possibilidades do escapismo da verdade. Na Análise Transacional há a abordagem acerca de como nos defendemos usando desculpas, tais como: “Ah! Se não fosse você…”, para justificar que nosso erro não é culpa nossa, mas do outro, entre tantas outras comparações ou metáforas. Admito, com pesar, que ainda caminho pelo triste atalho de deixar de fazer algo, que faço com boa ou relativa facilidade e gosto, para mais uma vez fugir pela lateral. Sei não ser a única, e o quanto isso nos incapacita, tolhe-nos, e impede-nos de seguir.

A droga do boicote próprio! A maldita autossabotagem! Um pedacinho do inferno interior que não dói, mas incapacita. Nossa bengala, como se ela fosse a mostra de que não podemos andar rápidos. Pode? Pode! E tanto pode que fiquei no lugar. Estarrecida, como se mais um passo fosse o passo para o precipício… Não seria, com certeza!

Na autossabotagem, o poder maior é não fazer aquilo que nos dá prazer, que nos eleva de alguma forma. Um desafio à lógica de que ser feliz é um direito, é possível e obrigatório. Afinal, não nascemos para a sofreguidão! Mas, como tudo tem começo, meio e fim, eis-me aqui, escrevendo! Obviamente meio enrolada, na busca das palavras perfeitas, que existem, mas que não voam para meu teclado. Meio que me desafiando a não seguir… Hoje eu sigo. Azar o da paralisação, do temor, do arrepio em expor pensamentos. Hoje eu vou nem que doa. Doendo, a gente toma uma providência, pois a dor deixa-nos alertas, ao contrário desse confuso jeito maluco de ser, que não dói, mas que destrói. Talvez nem destrua totalmente, mas, convenhamos, faz um estrago danado.

Um dia inteiro sem o direito a fazer o que se sabe, ou o que se gosta é um dia perdido. Cada instante que perdemos subtrai de nossas vidas as possibilidades, as chances de chegar mais próximos da nossa paz interior, da nossa realização, do encontro com o que chamamos bem-estar, felicidade… O mais complicado é ter consciência dessa incapacidade de lutar contra algo que nos incomoda e, ainda assim, cruzar os braços, literalmente, e deixar a banda passar. Me pego assustada. Sorrateiramente tento me desvencilhar dessa estupidez e vou tentar seguir. Sei que consigo, mas, Jesus! Como é difícil!

Quantos de nós não nos vemos assim? Onde nasceu essa capacidade tola e frustrante em nos sabotarmos? Tento encontrar o motivo, que, sei, existe, mas ainda não o exterminei, talvez por não tê-lo descoberto em tempo hábil. Talvez porque com o motivo que desconheço a nível consciente, mas que sei , existe, só não sei onde se iniciou, eu me descubra medrosa, e descobrir-se medroso é como assinar um atestado de covardia. Ninguém quer ser julgado covarde. Eu, como os demais, também não quero! O que sei, é que chegou a hora de dar corda no velho relógio que resistiu ao tempo e às modernidades, e fazê-lo trabalhar. Não sou eu quem vai parar, ou o tempo me devora!

Como o relógio, já tiquetaqueando os segundos, sigo no firme propósito de, a partir deste instante, não mais parar, exceto, claro que sempre haverá exceção. Vamos lutar! Se todos nascemos OK/OK… Vencedores! Então, deixemos para trás o medo, e vamos fazer o que nos faz bem, faz-nos sentir que somos capazes e verdadeiramente felizes. Ser feliz é se descobrir ou se (re)descobrir superior ao monstro! Meu monstro mais temível é a autossabotagem, então, xô, suma! Agora sou eu no comando! Sou humana, então, sou maior que o medo, maior que tudo. Posso, logo, consigo, sim! Por quanto tempo? Não sei, mas por ora, venci o primeiro bloqueio.

Uma certeza: se nós não nos ajudarmos, ninguém o fará por nós. Ao menos nesse aspecto. O nosso medo, a nossa insegurança são fantasmas nossos! Ninguém teve culpa se os deixamos crescer e fazer ninho. Cabia a nós tê-los postos em fuga. Se não o fizemos ontem, que seja hoje!

Nota: imagem copiada de www.psicologavera.com.br

11 comentários sobre “O DESTRUTIVO PODER DA AUTOSSABOTAGEM

    1. Celina Telma Hohmann

      Matê,
      não havia visto seu comentário ontem. Por favor, perdoa, vai? Também acho que a Lu é rápida, ágil e escreve coisas deliciosas! Procurei, não imitá-la, pois isso será impossível, mas chamou-me a atenção a forma como conseguimos rir das nossas nem sempre agradáveis surpresas.

      Um abraço enorme e obrigada por dedicar seu tempo lendo o que escrevemos! O bom seria se, ao escrever, conseguíssemos, efetivamente ajudar, mas tentamos. Eu, particularmente, jogo minhas pedrinhas no teclado e mando ver!

      Responder
      1. LuDiasBH Autor do post

        Miss Cely

        É com muito orgulho que também me identifico muito com o seu modo de escrever. É isso mesmo, nós ironizamos a vida, quaisquer que sejam os presentes recebidos. O que vier, a gente traça… risos.

        Beijos,

        Lu

        Responder
  1. Fernando Souza

    Celina

    Isso acontece muito comigo. Às vezes acho que é preguiça e noutras vezes penso que é doença, uma espécie de fadiga crônica. É uma coisa muito chata, que parece que nos amordaça e não nos deixa caminhar. Gostei muito do seu texto.
    Abraços.

    Responder
    1. Celina Telma Hohmann

      Fernando

      É comum julgarmos ser uma preguiça, aquela preguiça em não querer explicar a vida, ou algo parecido. Em verdade, a fadiga crônica é companheira, e julgamos ser normal estar assim. Não, não é normal! É mesmo uma coisa chata, amordaça, não deixa caminhar, seguir a vida e procurar seguir em frente. Me descobri vivenciando a autossabotagem e percebi o quanto isso me fere. E sei, não sou a única. Mas me fiz de valente e resolvi enfrentar a fera. Claro que podem haver recaídas, novos boicotes, mas ao percebermos que estamos vitimizados por um problema que se instalou e que não é só preguiça, aí é hora de nos darmos o colo que precisamos e correr atrás da melhor forma de nos libertarmos desse poder, que julgo, uma jaula que nos tolhe, tira-nos os movimentos e em grande parte nos põe uma nova culpa, que somada às que já carregamos, mesmo que não tenhamos culpa alguma, torna-se, ao nosso julgamento, algo pequeno, mas não, não é pequeno! É um sinal de que precisamos buscar, lá na raiz, os “bichinhos” que estragam nossa árvore toda. Os “bichinhos” estão fazendo seu estrago. Se não o vemos, podemos julgá-los inexistentes, mas ao buscá-los, encontraremos bem mais do que poderíamos imaginar.

      Bom que você gostou do texto. De alguma forma, foi a libertação naquele instante, quando o propósito foi, realmente, mandar esse mal às favas. Cuide-se! Descubra o quanto é possível vencer todo e qualquer problema e aí, descobrirá como é bom a libertação, mesmo que venha em parcelas.

      Um grande abraço e o desejo mais que sincero de que vença essa mordaça!

      Responder
    1. Celina Telma Hohmann

      Você sempre gentil, menino! Pois é, resolvi dar um basta na danadinha da autossabotagem e fui tentando descrevê-la. Como citei, ainda dou uns passeios por e com ela, mas já está na mira perfeita para levar o chute necessário!

      Abração e até breve!

      Responder
  2. LuDiasBH Autor do post

    Celina

    Mais uma vez você nos brinda com um texto de excelência. Além de nos fazer rir com as suas tiradas geniais, ainda nos leva a fazer uma radiografia de nosso comportamento atual. E, se com isso nós nos preocupamos, logicamente iremos atrás das mudanças, pois o que todos anseiam é por uma vida de qualidade.

    Quero humildemente confessar que, muitas vezes, assumo uma postura de boicote, postergando tudo para um depois sem tempo definido. E quanto mais sou a beneficiada, maior é a autossabotagem. Enquanto me esmero no cuidado com o outro, relego-me a um tempo indefinido. Contudo, isso me faz mal, pois passo a vivenciar uma situação ruim de dever não cumprido.

    Não resta dúvida de que muitos de nós nos vemos assim. E aqueles, que não se encontram nesse patamar, não dão a mínima para nada, ou não são lá muito imbuídos de responsabilidade. Não gostaria de me encontrar entre eles, preferindo o dissabor da cobrança que me faço. Sempre nutri uma grande admiração pelas pessoas determinadas, que levam avante seus projetos de vida, mesmo que chova ou faça sol, se se importarem com esta “particulazinha” que ora acabo de usar (se). O que ela tem de pequena, expande-se assustadoramente em força, é o abre-alas da autossabotagem. E “um dia inteiro sem o direito a fazer o que se sabe, ou o que se gosta é um dia perdido.”. Não resta a menor dúvida!

    Peço-lhe permissão para fechar meu comentário com o último parágrafo de seu texto:

    “Uma certeza: se nós não nos ajudarmos, ninguém o fará por nós. Ao menos nesse aspecto. O nosso medo, a nossa insegurança são fantasmas nossos! Ninguém teve culpa se os deixamos crescer e fazer ninho. Cabia a nós tê-los postos em fuga. Se não o fizemos ontem, que seja hoje!”

    Meu abraço, Miss Celi!

    Lu

    Responder
    1. Celina Telma Hohmann

      Lu, linda!

      Assumir que nos sabotamos é complicado. Na verdade, nem sempre percebemos que fazemos isso, mas como é comum!

      Como você, também me fascinam as pessoas determinadas, que, mesmo que chova ou faça sol, levam avante seus projetos de vida. Há até uma inveja, aquela inveja que é o querer o que não temos, não nos pertence. Na realidade temos, sim, mas a autossabotagem, se presente, nos faz reagir de forma contrária. Podemos fazer, mas não fazemos. Temos que ir, mas não vamos. Não ganhamos nada com isso, exceto, a cobrança que vem dolorida dentro de nós. Um bom sinal, pois aí nos damos conta de que o caminho está errado. Não há que recuar, mas que seguir. Uma consciência de que algo não está bem, mas cadê a rápida coragem de embrenhar-se mata adentro e rasgar os impedimentos? E, estranho, são impedimentos que surgem do nada, aparentemente, mas não é assim. Há mais por trás, muito mais. Ninguém consegue ser pleno, se não se dá direitos que lhe pertencem. E ser ou estar feliz é um direito nosso! Então, como explicar de forma justificável esse entrave que é o não conseguir fazer, mesmo sabendo-se capaz? Atribuo ao medo. O medo de ser feliz.

      Deixar algo que nos faz bem para depois, como um embrulho que pode ser aberto no outro dia, é deixar a vida escoar. Quem garante que o amanhã nos espera, ou, de forma mais simplista, ninguém roubará nosso embrulho? Ninguém! Esse é um poder que não nos pertence. Na via contrária, a certeza de que se nós não nos ajudarmos, ninguém o fará por nós!

      Usei o tema como desabafo.E não é um desabafo fútil. Sei que há pessoas extremamente capazes, lindas, com um potencial enorme que se deixam abater pela autossabotagem. Na maioria das vezes são os melhores que passam por isso. Não me coloco entre os melhores, mas me pego percebendo que me dou rasteiras sozinha, e depois, com joelhos ralados e mãos esfoladas, tenho que rolar no pó para reerguer-me. Mas, pera, aí, a coisa tem jeito!

      Sua percepção de que o “boicote” vem, exatamente quando estamos prestes a sermos contempladas pelo benefício, que tanto bem nos faz, é totalmente verdadeira. Nós nos deixamos sabotar, como se escapando do prêmio que pode vir em que forma for. Normalmente nós nos paralisamos quando o nosso presente, aquele que tanto esperamos se aproxima. Um desrespeito à nossa condição de credores de benefícios! Mas que fiquemos alertas. Para todo mal há um remédio. No começo, doses em conta-gotas,depois, aumentamos a dosagem lentamente, ou sofreremos o efeito nefasto da temida impregnação.

      Gostei do Miss Celi, risos! De repente, como fez a “escritora maldita” Cassandra Rios, uso o pseudônimo. Ela, por motivos óbvios na fase em que escrevia o que julgavam um horror, eu, pela simpatia ao Miss Celi. Podre de chique!

      Um grande abraço, guerreira! Não fosse você e sua coragem, por vezes sabotada (humana, né?) eu estaria só querendo e não fazendo. Fiz! Upa!

      Responder
      1. LuDiasBH Autor do post

        Miss Celi

        Eu o acho charmoso e fácil de escrever… risos. Portanto, peço-lhe permissão para usá-lo.
        É engraçado, o fato de eu achar que as pessoas possuem determinados nomes! O Alfredo (nosso colaborador) para mim é Alf (acho mais carinhoso), o Edward (colaborador) é Ed, o Professor Pierre (colaborador) é PP… risos.

        Abraços,

        Lu

        Abraços,

        Lu

        Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *