Arquivo da categoria: Crônicas

Abrangem os mais diversos assuntos.

LINGUAGEM E PENSAMENTO

Autoria de Lu Dias Carvalho

jorna

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. (Evangelho de São João)

A linguagem é sem dúvida o maior avanço da história da humanidade. Foi ela que impulsionou o homem a chegar até o domínio da mais alta tecnologia que abunda em nosso tempo. Sem ela, transitaríamos apenas no universo dos objetos e das sensações físicas, sem deles abstrairmos qualquer coisa de diferente, acorrentados à realidade existencial do palpável. O cérebro, encerrado no seu universo concretista, nada conceberia sobre qualidades. Possivelmente não haveria nem o bem e tampouco o mal, pois são frutos de valores morais e éticos que requerem premissas. Nossos olhos seriam meramente câmeras fotográficas do cotidiano material. Mas o Verbo ganhou luz para abrilhantar e aprimorar a mente humana. E assim tem sido através dos tempos.

A ciência ainda não conseguiu precisar quando se originou a linguagem, embora seja esta uma das questões mais buscadas pelo homem, levando em conta a importância que ela possui na existência do indivíduo, inserindo-o no mundo e fazendo com que nele possa interagir, influenciando e sendo influenciado. O verbo é a matéria-prima do pensamento, instrumento de trabalho de suma necessidade para a espécie humana, numa relação de causa e efeito. De modo que o produto final é assaz dependente da qualidade da ferramenta usada. Podemos ver isso através da história da humanidade. Não foram poucas as vezes em que as palavras mudaram radicalmente o curso da História de um povo, sendo muito mais eficazes do que as armas bélicas.

Cada palavra carrega sua história através do tempo. Algumas sofrem mudanças profundas, outras permanecem intactas, e outras tantas são tão complexas e inexplicáveis quanto a alma humana. Através da palavra escrita nós podemos nos mergulhar no longínquo passado e sorver a sabedoria de ilustres homens e mulheres que pela Terra passaram, pois ela se estende além da vida humana. Podemos, portanto, rever o passado, entrar no âmago do presente e nos prepararmos para o futuro.

As palavras são pontos de crochê que formam teias – a linguagem, e permeiam a vida. Alguns as tecem com habilidade, sabendo quão toscos e frágeis podem ser os pontos, se o tecelão não manejar a linha de seus pensamentos com o devido cuidado. Outros são aprisionados na própria estrutura de sua teia, por não terem cuidado ao manejar o tear. As palavras concebem vida, mas também a retiram. Por isso, o encadeamento tem que ser bem feito, quer na estrutura quer no conceito. Palavras e sentenças devem ser alicerçadas pela humildade, pelo bom senso e pela sabedoria. Se o predicado é tudo aquilo que se afirma sobre o sujeito, logo, as palavras quando ditas por nós, expressam o que somos, pois, segundo alguns, nós somos aquilo que pensamos, e, logicamente “o que falamos”.

A concatenação das palavras é o retrato fiel da mente humana, por mais que esta se orne de diferentes máscaras. A mente descortina toda a sua realidade ao exprimir suas emoções e ao expor sua razão através da linguagem. E, se às vezes não se mostra clara, basta apenas que se leia nas entrelinhas e lá estará a sua identidade pessoal, o seu espírito despido de astúcia e engodo. E a proposição torna-se irremediavelmente falsa, pois não resiste a uma análise mais apurada, pois linguagem e pensamento são como irmãos siameses. Continente e conteúdo. A linguagem é o instrumento que a mente usa para dar vida a seu conteúdo.

Nota: Imagem copiada de http://decom.cesnors.ufsm.br

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NOSSA TEVÊ DE CADA DIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

lixo

A produção e a programação das emissoras de rádio e de televisão atenderão aos seguintes princípios: 1- preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; 2- respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família. (Constituição Federal do Brasil)

Ignorância (sf.): 1- Estado da mente que não se formula qualquer juízo acerca de um objeto. 2- Falta de instrução ou de saber. 3- Carência de conhecimento devido. 4- Falta de educação. (Dicionário)

É preciso ter paciência à beça, ou incapacidade de julgar, para assistir à maioria dos programas brasileiros da televisão aberta, que trata o espectador como se ele fosse um soronga, um molongó e paspalhão. E eu fico cá pensando com os meus botões, como é que um país, que possui tanta gente preparada e comprometida com o crescimento cultural de seu povo, pode deixar no comando dos programas televisivos certos indivíduos que só sabem vomitar asneiras, sem compromisso nenhum com a qualidade do que fazem, tendo apenas o lucro fácil como objetivo. Criaturas de mentes tacanhas. Quão estúpidos são tais sujeitos! Que nonsense!

É esse festival de imbecilidades, esse lixo fedorento que a maioria dos brasileiros é obrigada a receber em sua casa. O leitor menos perspicaz poderá argumentar que basta usar o controle remoto. Mas não é tão fácil assim, principalmente em se tratando de um país onde o acesso ao lazer é caríssimo, assim como à TV paga e aos livros, se comparados ao valor do salário mínimo vigente. Sem falar que, na maioria das vezes, selecionar outro canal não muda em nada o panorama da nulidade. Resta, portanto, aos assalariados, uma única opção: chafurdar num mar de imundícies. E, com o tempo, essas pessoas passam a achar que tudo aquilo é normal e que no mundo tudo é mesmo assim. As crianças vão crescendo sem capacidade de escolhas e sem espírito crítico, enquanto os adultos tornam-se pessoas apáticas, indiferentes, sem discernimento, descomprometidas consigo e com o mundo que as rodeia.

Onde está o Judiciário, órgão responsável por fazer cumprir os princípios da Constituição Federal de nosso país? Onde estão os baluartes dos direitos humanos que deveriam primar por proteger as pessoas mais humildes, que nunca são levadas em conta, restando-lhes conviver e até achar normal a sujidade que é despejada em seus lares? Onde estão os políticos, os críticos, os educadores e as cabeças pensantes deste país, que não se levantam contra a péssima qualidade dos programas da tevê aberta? Será que não o fazem porque o sapato não lhes aperta o pé, ou seja, não precisam se tornar vassalos da mídia televisiva, tendo mil e uma opções para dela fugir, como o diabo corre da cruz?

O mais engraçado é que, quando alguns gatos pingados levantam-se contra a futilidade e a frivolidade desse ou daquele programa, os “defensores” da democracia, sempre de plantão, vêm com a perpétua ladainha acerca da liberdade de expressão, esquecendo-se de que alguns programas e apresentadores, que estão na tevê há um bom número de anos, também funcionam como castradores da liberdade de expressão, não cedendo o lugar a outros mais criativos e inteligentes,  impondo ao povo o lixo que lhes outorga muita bufunfa. Não resta ao povo nem mesmo os “brioches”.

O fato lastimável e desconcertante é que os donos dos canais de tevê não possuem nenhum compromisso com as gentes de seu país. São condecorados por isso e aquilo, sem que a ética lhes seja cobrada em tempo algum. Buscam apenas audiência, não lhes importando a qualidade do produto que colocam no mercado. Quem pode citar quais são os bons programas dedicados à cultura e à educação de nosso povo?

Nota: imagem copiada de thevictorpensieve.blogspot.com

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VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Eu sempre achei estapafúrdia a pergunta: Você sabe com quem está falando? Confesso, contudo, que nunca havia encontrado uma resposta à altura, até me deparar com uma palestra de Mário Sérgio Cortella, educador e filósofo, que me fez dar boas gargalhadas. Não é que o moço coloca o arrogante no seu devido lugar. O tufoso fica com cara de pamonha, sem saber onde enfiar sua prepotência. E haja pintalegrete neste país de meu Deus.

A resposta do filósofo Cortella tem como base a posição de cada ser humano dentro do Universo, ou possíveis Universos, como pensam algumas correntes da Ciência. Ele leva o enchouriçado a caminhar através do tempo, desde o Big Bang até sua existência momentânea numa bosta de rolinha chamada Terra, portanto, só restando ao topetudo e insolente indagador botar sua viola no saco e virar éter.

Peço o leitor que acompanhe a linha de pensamento do educador, até tropeçar na arrogância do pretensioso:

  1. O Universo surgiu, provavelmente, cerca de 15 milhões de anos atrás, depois de uma grande explosão, o “Big Bang”, e continua se expandindo até hoje.
  2. As Estrelas agrupam-se formando as Galáxias, calculadas em cerca de 200 bilhões.
  3. Uma dessas Galáxias é a Via Láctea, com cerca de 100 bilhões de Estrelas, onde se situa o planeta Terra.
  4. Uma dessas Estrelas da Via Láctea é o Sol. Em volta dele giram 8 Planetas sem luz própria. O terceiro deles, a partir do Sol, é a Terra.
  5. A Ciência calcula que existam 30 milhões de espécies diferentes vivendo aqui, mas até agora só classificou cerca de 3 milhões.
  6. Uma dessas espécies é a nossa, o Homo Sapiens.
  7. Existem mais de 7 bilhões de indivíduos na Terra.
  8. Um deles é você.

Quem, portanto, é você?

É um indivíduo entre outros 7 bilhões de seres humanos, que compõem uma única espécie entre outras 3 milhões já classificadas, que vivem num Planeta que gira em torno da Estrela Sol, que é uma Estrelinha entre outras 100 bilhões de Estrelas, compondo uma única Galáxia, entre outras 200 bilhões de Galáxias num dos Universos possíveis.

Cortella ironiza a importância do homem:

Por isso que agora, todas às vezes que alguém chega até mim e me pergunta “Você sabe com quem está falando?” eu respondo: “Você tem tempo? Senta aqui que vou tentar explicar com quem estou falando!”

Vejam o vídeo:
Você sabe com quem está falando?

Livros publicados por Mário Sérgio Cortella: (Editora Vozes)

  1. Pensar Bem Nos Faz Bem! – Filosofia, Religião, Ciência, Educação – Vol. 1 e 2
  2. Qual É a Tua Obra ? – Inquietações Propositivas Sobre Ética , Liderança e Gestão
  3. Não Se Desespere! – Provocações Filosóficas
  4. Não Nascemos Prontos! Provocações Filosóficas
  5. Trilogia Provocações Filosóficas
  6. Vivemos Mais! – Vivemos Bem? – Por Uma Vida Plena

Nota: imagem copiada de blogs.jovempan.uol.com.br 

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MULHER À PROCURA DE MARAJÁ

Autoria de Lu Dias Carvalho mara

O mundo virtual é mesmo uma caixinha de surpresas. Pense você, meu caro leitor, numa coisa qualquer e lá estará ela, vivinha na web. Dias atrás, uma minha amiga, mestra em encontrar coisas bizarras na rede, repassou-me o endereço de um vídeo no youtub, ensinando fazer um xampu excepcional para queda, fortalecimento e crescimento dos cabelos. No prazo de uma semana, a “vítima” estaria com os cabelos do tamanho dos de Sansão, mais fortes do que os músculos de Hércules e mais belos do que aqueles das modelos de xampu, vistos na televisão, mas que a gente jamais verá na vida real. E mais, acabaria com a sina dos carecas. Imagine qual era o ingrediente mágico dessa criação extraordinária, que revolucionaria o mundo das madeixas humanas? Pó de crina de cavalo. Enquanto isso, os coitadinhos dos equinos ficariam “descrinados”.

O leitor mais apressado deverá estar se perguntando o que xampu de crina de cavalo tem a ver com o título do texto. Nada, é verdade, mas quero apenas mostrar o quão estranhos são algumas informações que recebemos por e-mail, e como o planeta virou realmente uma aldeia global. Um amigo meu, sem jamais ter ido ao país do Tio Sam, ou ter lido o Financial Times, um dos grandes jornais sobre economia daquele país, tomou conhecimento de um e-mail, enviado ao jornal por uma mulher que queria encontrar um “marido rico”, e a resposta sem precedentes do editor do Financial Times. Se tudo isso é verdade ou não, não vem ao caso, pois isso é tarefa de detetive ou de fofoqueiro de plantão. Resta-nos, meu caro leitor, rir da burrice humana, incluindo aí a nossa, por acreditar em coisas como essas. Vamos aos fatos:

1-      Email da dita cuja, desesperada por encontrar quem lhe pague as contas e lhe dê uma vida de rainha:

 Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe, no mínimo, meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste jornal? Ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso, e que possa me dar algumas dicas? Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não vão me fazer morar em Central Park West.

Conheço uma mulher (da minha aula de ioga) que se casou com um banqueiro e vive em Tribeca. E ela não é tão bonita quanto eu, nem tão inteligente. Então, o que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correta? Como eu chego ao nível dela?

2-      Resposta do editor do jornal, por não ter nada para fazer naquele dia, ou para “zoar” a dita cuja:

Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação. Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou tomando o seu tempo à toa.

Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: visto da perspectiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que você procura), o que você oferece é simplesmente um negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas: você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro.

Mas há um problema. Com toda certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia quem sabe acabar, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará aumentando. Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. E você não somente sofre depreciação, mas sofre uma depreciação progressiva e acelerada. Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando você se comparar com uma foto de hoje, verá que não é mais a mesma.

Isto é, hoje você está em ‘alta’, na época ideal de ser vendida, mas não de ser comprada. Usando o linguajar de Wall Street, quem a tiver hoje deve mantê-la como ‘trading position‘ (posição para comercializar) e não como ‘buy and hold‘ (compre e retenha), que é para o que você se oferece.

Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um ‘buy and hold‘) com você não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim! Assim, em termos sociais, um negócio razoável a se cogitar é namorar. Cogitar… Mas, já cogitando, e para certificar-me do quão ’articulada, com classe e maravilhosamente linda’ seja você, eu, na condição de provável futuro locatário dessa ‘máquina’, quero tão somente o que é de praxe: fazer um ‘test drive’ antes de fechar o negócio… Podemos marcar?

Supondo que o meu leitor fosse ele, o editor do jornal, marcaria mesmo um “test drive” com a dama à cata de luxo e riqueza? E, supondo que você, minha amada leitora, fosse a criatura esperançosa em arranjar um multimilionário, toparia marcar o encontro? A propósito, caso você encontre o marajá da foto, não se esqueça de lhe repassar meu endereço, incluindo o da conta bancária.

Nota: imagem do texto copiada de http://gabineted.blogspot.com.br

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AS VELHAS PREGAÇÕES RELIGIOSAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Apesar da veemência das religiões em revitalizar o pecado, as velhas admoestações religiosas encontram-se exauridas, nulas de significação. O mundo anda cansado do velho mantra da moralidade em detrimento da Ciência, da generosidade e do amor ao próximo, o que vem colocando o tão temido “pecado” de outrora fora de moda. Pois, quem vive no século XXI, tem dificuldade em absorver sua noção, tal e qual colocam as religiões a fim de amedrontar seus adeptos. Ficou démodé! Há uma espécie de cinismo, uma vez que a prática e a palavra não coabitam no mesmo plano, pois os templos, em sua grande maioria, são hoje lugares onde coabitam a perversidade, a mentira, a perseguição e o desamor no seu nível mais elevado, uma vez que palavra e ação vivem em total discordância.

Não se faz necessário abraçar religião alguma para ser uma pessoa de bom caráter, comprometida com o planeta e a vida que nele habita. Hoje, mais do que nunca, a vida exige comunhão com o planeta como um todo, racionalidade, responsabilidade, compaixão, generosidade e humanidade. Somente através das lentes da razão é que os homens poderão enxergar com clareza que o nosso planeta está morrendo em razão do descaso para com a vida que nele habita. Talvez ainda possa compreender os limites entre mantê-lo vivo ou perecer junto, mas isso as religiões não colocam em seus púlpitos. Da vida terrena de seus fiéis só lhes interessa a parte monetária.

 Não são os momentos passados numa igreja, mesquita ou templo ouvindo sermões, ou participando de rituais desprovidos de significação, sem nenhuma ligação com a vida em seu caráter mais profundo, que vão melhorar a humanidade, levá-la a um estágio de grandeza moral. Jamais. É precioso o contato com o humano e com todas as formas de vida que nos cercam nesta nossa curta passagem pela Terra. É, sobretudo, o respeito pelos animais, nossos irmãos de viagem, e por tudo que ornamenta esta nossa grande casa chamada Terra: florestas, rios, mares, céus, ar…

O maior de todos os males reside na natureza humana, pois bem e mal são inerentes a ela. Por isso, somos humanos e não deuses. Mas não podemos crer, como as velhas pregações religiosas querem nos fazer acreditar, que o homem maligno tem chifres, dedução que nos afetaria enormemente, pois só daríamos conta da maldade humana depois que essa concluísse a sua ardilosa destruição. A raça humana, no seu antropocentrismo, tende cada vez mais a se desligar do planeta, como um todo. E, em consequência, torna-se mais e mais enfastiada e violenta na tentativa de preencher o vazio que devora suas vísceras. Ao desconhecer a Ciência, ela só regride.

As pregações religiosas continuam arcaicas e desprovidas de racionalidade, num mundo em que a tecnologia impera. O diabo ainda é o mote da ultrapassada retórica, que não conduz a lugar nenhum, senão a um medo abstrato que em nada ajuda a humanidade em seu crescimento. Quando as religiões buscam mudanças através do terror, elas voltam à Idade Medieval, uma vez que as transformações perenes são fruto do amor, da compreensão e sobretudo da razão. É preciso abordar com ênfase o comportamento humano, pois é no homem que duelam o bem e o mal. O resto é discurso vazio, ensaiado para angariar adeptos e dinheiro. Devemos ter a certeza de que existem muitos Hitlers em potencial, espalhados pelo mundo, sem chifres ou olhos de fogo, até mesmo com rosto de anjo.

A crise espiritual vem provocando a material, com a ausência de solidariedade, respeito, justiça e amor para com o próprio homem e para com o planeta como um todo. Portanto, a Terra encontra-se duplamente em crise, beirando o caos. A nossa capacidade infinita de criatividade e  de imaginação, centrada apenas na abstração originadas das crenças é um poder perigoso que precisa encontrar freios, pois é no mundo concreto que a maldade toma forma. E a contenção de tal dique cabe a cada um de nós em particular. É bom que não nos esqueçamos de que estamos todos no mesmo barco. E que toda mudança só poderá vir de dentro para fora. Quem vive em paz consigo mesmo, respeitando as demais formas de vida e zelando por sua grande morada, a Terra é, sem dúvida, um ser humano na concepção da palavra.

Nota: Imagem copiada de http://palavrastodaspalavras.wordpress.com

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ESPIRITUALISMO, ESPIRITUALIDADE E ESPIRITISMO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Confesso que nem sempre consigo diferenciar essa três palavras, pois as vejo empregadas com o mesmo sentido,  mesmo por pessoas versadas no assunto. Hoje, debati-me horas a fio, tentando entendê-las de uma vez por todas. E, de fato, há momentos em que elas assumem uma só face. Vamos lá!

 A espiritualidade é uma das palavras mais usadas nos dias de hoje.  É comum ouvirmos alguém elogiar uma pessoa, dizendo que ela é espiritualizada. O que significa isso? O dicionário Aurélio define a espiritualidade como: 1.Qualidade ou caráter de espiritual./ 2.Rel. Doutrina acerca do progresso metódico na vida espiritual.

 Segundo as diversas religiões, a espiritualidade é uma dimensão da pessoa humana, que traduz a maneira de viver característica do homem, enquanto visto como ser naturalmente religioso, que busca a plenitude na sua relação com o transcendental ( tudo aquilo que ultrapassa a explicação da lógica formal e o formalismo da ciência). Significa a relação natural do homem com Deus. De modo que pessoas espiritualizadas são entendidas como aquelas que compreendem que são feitas de corpo e espírito, sendo o espírito bem superior à matéria.

 A espiritualidade não está ligada a nenhuma religião, pois, diferentemente dessas, não possui dogmas, crenças ou teorias. Está inserida no campo da vivência, no terreno da ação. Significa também o desapego aos bens materiais e às pessoas. Por isso, é tida como libertadora. O maior objetivo das pessoas espiritualizadas é o amor incondicional, sem apego, críticas ou julgamentos. Elas trabalham no desenvolvimento do espírito. Uma pessoa que não pertence a uma religião pode ser espiritualizada, dependendo de sua relação consigo (corpo e alma) e com o mundo. Assim como um indivíduo “religioso” pode não ser espiritualizado, pois não basta apenas absorver as teorias de sua doutrina e viver sem praticá-las, experienciá-las, num eterno faz de conta.

 O espiritualismo, segundo o Aurélio, filosoficamente pode ser definido como: Doutrina que admite, quer quanto aos fenômenos naturais, quer quanto aos valores morais, a independência e o primado do espírito com relação às condições materiais, afirmando que os primeiros constituem manifestações de forças anímicas ou vitais, e os segundos criações de um ser superior ou de um poder natural e eterno, inerente ao homem.

 O espiritualismo é, portanto, uma doutrina filosófica que afirma a imortalidade da alma e do corpo e aceita a existência de Deus e das forças universais. Possui a certeza de que existem inumeráveis coisas abstratas. Contrapõe-se ao materialismo que admite que pensamento, emoção e sentimentos são reações físico-químicas do sistema nervoso, aceitando apenas a existência da matéria. E, sendo a alma imortal, ela é a razão principal da existência humana na Terra. Em suma, aceita a existência de Deus, a imortalidade da alma e da existência de valores espirituais ou morais, que são o fim único da atividade racional do homem. Portanto, todas as religiões que aceitam a existência de Deus e da alma pertencem ao espiritualismo. Mas não são todos os seguidores do espiritualismo que acreditam na comunicação entre os espíritos e os homens.

 O espiritismo é assim definido pelo dicionário Aurélio: Doutrina baseada na crença da sobrevivência da alma e da existência de comunicação, por meio da mediunidade, entre vivos e mortos, entre os espíritos encarnados e os desencarnados.

 O termo espiritismo foi usado por Allan Kardec, criador da doutrina espírita, para diferenciar a nova religião, que tem na sua essência a comunicação entre vivos e mortos, das outras. Além de acreditar na existência de Deus e na da alma, o espiritismo também crê na reencarnação e na interação entre encarnados e desencarnados. Existem outras correntes religiosas que acreditam nos mesmos princípios da doutrina de Kardec, como é o caso do Hinduísmo e do Budismo, mas que percebem a reencarnação de maneira diferente. Alguns pesquisadores revelam que no início da cultura judaico-cristã era comum acreditar na reencarnação e que tal crença foi eliminada do catolicismo no ano de 553 d.C., durante o Concílio de Constantinopla.

 É fato que o termo espiritualismo também pode ser aplicado à doutrina espírita. Mas aqueles que seguem exclusivamente as práticas de Kardec preferem ser chamados de espíritas ou espiritistas em vez de espiritualistas. Para eles, o termo os distingue dos seguidores das outras doutrinas que praticam a mediunidade, mas que além dos ensinamentos de Kardec também adotam elementos culturais orientais, africanos ou indígenas.

Não importa em que corrente se encaixa cada ser humano, desde que busque sua evolução espiritual, trabalhando para si e por um mundo melhor, onde não  seja capaz de fazer aos outro aquilo que não gostaria que fosse feito a si mesmo, tratando o próximo como uma extensão de sua própria pessoa.  E que nesse “próximo” estejam incluídas todas as espécies da vida animal, vegetal e mineral. Não apenas o espírito humano agradece, mas também o espírito da Terra, nossa Mãe Gaia.

 Fonte de pesquisa
Wikipédiahttp://www.infoescola.com/religiao/espiritualismo/

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