IDADE MÉDIA – ARTE GÓTICA (Aula nº 26)

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Autoria de LuDiasBH    

     
(Clique nas gravuras para ampliá-las.)

Na Idade Média, depois do século X, a Europa Ocidental foi responsável por dois importantes estilos de arte: o Românico e o Gótico. O primeiro foi sendo sucedido aos poucos pelo segundo, de modo que é impossível precisar com clareza o aparecimento de um e de outro, pois durante certo tempo eles chegaram a coexistir. A arte gótica — conhecida como a “arte das catedrais” — teve início no século XII para alguns e no XIII para outros, perdurando até o século XIV com a chegada do Renascimento. O mais interessante é que os italianos responsabilizavam os godos pela derrocada do Império Romano e, por isso, passaram a referir-se à arte desse período da Idade Média como “gótica”, com o objetivo de chamá-la de “bárbara”, ainda que 700 anos distanciassem os godos do surgimento da arte gótica.

O estilo gótico teve origem na França setentrional, quando se descobriu o método de abobadar uma igreja, usando arcos transversais, tornando a estrutura da obra mais leve. Os arquitetos partiram da ideia de que uma vez que os pilares davam conta de sustentar os arcos da abóbada, as paredes maciças não mais seriam necessárias. Como não existiam esquadrias de aço ou ferro naquela época, as paredes tinham que ser feitas de pedra, exigindo meticulosos cálculos matemáticos. Surgiram, assim, as maravilhosas edificações de pedra e vidro. Para erguer as catedrais góticas os arquitetos buscaram o conhecimento de outras técnicas. Criaram, então, o arco ogival (ao unir dois segmentos) que podia ser modificado à vontade, de acordo com as necessidades exigidas pela obra. Assim, deixavam para trás o arco semicircular do estilo românico que tanto ajudara na feitura do teto.

O interior de uma catedral gótica não apresenta paredes cegas ou pilares maciços (ver ilustrações acima), como acontecia com as românicas. As catedrais góticas do final do século XII e início do século XIII possuíam planos tão arrojados que nunca chegaram a ser acabadas tal e qual se encontravam no projeto arquitetônico. Suas dimensões são tão grandes que se tem a impressão de que tudo dentro delas — inclusive as pessoas — é diminuto. Suas paredes eram feitas de vidro policromos (multicoloridos) que resplandeciam como pedras preciosas. Seus pilares, nervuras e rendilhados expandiam reflexos dourados. Tudo isso certamente levava os fiéis a distanciarem-se do mundo terreno e a sentirem-se próximos do paraíso. A catedral de Notre-Dame em Paris, com sua maravilhosa fachada, é um exemplo da criação desses fenomenais arquitetos do passado, responsáveis por nos legar obras magníficas.

A arquitetura gótica tinha como principal característica a verticalidade, cujo objetivo era repassar a impressão de proximidade com Deus. As paredes afinam-se (ao contrário das românicas), dando mais leveza à obra que também recebe muitas janelas. As abóbadas são feitas com arcos ogivais e as torres passam a receber telhados com o formato piramidal. Enquanto as catedrais românicas possuíam apenas um portal em sua fachada, as góticas apresentavam três e, acima desses uma enorme rosácea, maravilhosamente trabalhada em vitral (peça feita de chumbo soldado e pedaços de vidros coloridos, lembrando a técnica do mosaico) era responsável por conduzir a luz para dentro da edificação. Tudo isso objetivava aumentar a espiritualidade das pessoas, contribuindo para que fosse esse um período de extremada fé religiosa.

Vimos na aula anterior que a escultura e a pintura no estilo românico eram fortemente dependentes da arquitetura. No estilo gótico a escultura também se encontrava atrelada à arquitetura, contudo, já eram visíveis os sinais de sua liberação, para se transformar num elemento independente. As figuras ainda se mostravam presas às igrejas, apresentando-se alongadas, dentro da verticalidade específica do estilo gótico. A pintura, por sua vez, já se mostrava bem mais realista.

Obs.: as principais construções no Brasil que carregam características do estilo gótico são: Catedral da Sé (SP) Catedral de Santos (SP) Catedral Nossa Senhora da Boa Viagem (MG) (ver imagens acima)

Exercício

  1. O que difere as catedrais góticas das românicas?
  2. Qual foi a importância do arco ogival?
  3.  Qual é a relação da pintura e da escultura com os estilos românico e gótico?

Ilustração: as ilustrações (da esquerda para a direita) correspondem a: 1. Catedral Notre-Dame (frente e interior) Paris, França/ 2. Catedral Boa Viagem (vista total e interior), Belo Horizonte, Brasil.

Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich
Manual compacto de arte/ Editora Rideel

10 comentários em “IDADE MÉDIA – ARTE GÓTICA (Aula nº 26)

  1. Antônio Costa

    Lu

    Como gosto de fotografia, procuro sempre nas imagens algo que possa incorporar nas fotos que faço na área de meu interesse: o mundo natural. É interessante como nessa época histórica buscava-se a todo custo tocar e sensibilizar o homem pelo divino. A Igreja de estilo gótico, por fora induz o visitante e o fiel a entrarem e, por dentro, seduz, pois apequena as pessoas elevando olhar o para o céu. Suas abóbadas induzem a percepção de infinito. Fantástica a capacidade desses artistas medievais!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Antônio

      Não há quem visite uma igreja gótica e não caia de encantamento por elas. Só de vermos a Catedral da Boa Viagem em Belo Horizonte que se trata de uma obra neogótica, dá para entendermos a dimensão da beleza que é uma igreja gótica. Seus arquitetos conseguiram criar o sublime.

      Abraços,

      Lu

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  2. Moacyr Autor do post

    Lu
    Não me canso de admirar a Catedral da Boa Viagem. Ter essa maravilha diante dos olhos todos os dias é realmente uma dádiva.

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  3. Marinalva Dias Autor do post

    Lu
    Embora o estilo românico e o gótico tenham coexistido em determinado tempo, o gótico não deixa de ser uma evolução do estilo românico, sendo que muitas tecnologias desse foram usadas na arquitetura gótica, mas de formas mais inovadoras. As catedrais góticas, caracterizadas pelo verticalismo, exerceram grande influência sobre a população. O uso da verticalidade está associado com a proximidade com os céus e, no caso, com Deus e as divindades. Trata-se de um estilo cheio de beleza e suntuosidade que foi muito importante para a arte da Idade Média. Também está ligado à substituição do trabalho servil nesse setor da sociedade medieval, tendo estimulado a criatividade dos construtores da época.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Marinalva

      Podemos notar que não existe uma mudança abrupta entre os estilos próximos. As técnicas vão sendo apenas rearranjadas e aprimoradas. É por isso que os estilos tendem a coexistir durante o término de um e a fase inicial de outro. Iremos ver isso com mais força quando entrarmos na Idade Moderna e depois na Idade Contemporânea. É por isso que, no caso do românico e do gótico, o segundo não deixa de ser um aprimoramento do primeiro, como você bem observou.

      Também me pego imaginando o poder que as catedrais góticas exerceram sobre as pessoas da época, se até hoje elas nos encantam, deixando-nos embasbacados com sua verticalidade, tamanho o opulência.

      Abraços,

      Lu

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  4. Adevaldo R. Souza

    Lu,

    O que mais me impressiona na arte gótica são as gigantescas obras arquitetônicas, muito ricas nos detalhes, mostrando o poderio da Igreja.
    Existe um filme e um livro que mostra as dificuldades e o tempo para construí-las, onde a arte era passada de pais para filhos, para concluí-las no mesmo estilo. Chama-se “Pilares da Terra” de Ken Follett. O livro tem muitas páginas, mas vale uma conferida pelos leitores (quem começa a ler não quer parar), veja um resumo:

    “A história se passa no século XII, período de grandes conflitos e guerras. Como personagem central está a construção de uma catedral, na pequena Kingsbridge, comandada pelo apaixonante e determinado prior Phillip, e pelo mestre construtor Tom e sua família. Sem falar na história de amor entre Jack e Aliena (a gente torce o tempo todo por eles). Com uma trama bem elaborada e uma pesquisa histórica de tirar o chapéu, Follett conduz o leitor por um dos mais intensos períodos da história, com um passo a passo minimalista da arquitetura gótica das catedrais. No final de tudo, Kingsbridge toma forma nas vidas entrelaçadas dos personagens”.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Adevaldo

      Eu fiquei curiosíssima para ler o livro, depois que vi que se trata de “uma pesquisa histórica”, ou seja, o livro é ficcional, mas o contexto é histórico. Seria, então, de grande relevância, para o estudioso de arte ler “Pilares da Terra”, principalmente depois de conhecer um pouco da história da arquitetura, escultura e pintura do século XII. Ajudará muito a conhecer este período conturbado da História, mas de criações magníficas, como as igrejas góticas – as fortalezas de Deus.

      Agradeço o comentário e a preciosa dica.

      Abraços,

      Lu

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  5. Hernando Martins

    Lu

    Como você diz no texto, é difícil precisar o período em que surgiram a arte românica e a gótica, sendo que a segunda perdurou até o início do Renascimento.

    Na Alta Idade Média prevaleceu o feudalismo, sendo a economia basicamente agrária, consequentemente havia uma população enorme de camponeses. Na Baixa Idade Média as cidades começaram a expandir com o aparecimento de uma nova classe social de grande influência econômica – a burguesia. E todo esse ambiente favoreceu a migração de camponeses para as cidades, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento socioeconômico e cultural, favorecendo o surgimento da arte gótica, nome esse originado dos povos “godos”, guerreiros germanos que migraram para as cidades e ajudaram no desenvolvimento.

    Na arquitetura eles foram magníficos. Construíram catedrais grandiosas, criaram os arcos ogivais, característica peculiar desse estilo que primava por espaços grandiosos para receber os fiéis. Havia muitas janelas de vidros coloridos para entrar a luz e decorar o ambiente, e certamente houve influência da arte bizantina nos vitrais. Os templos verticais significavam maior proximidade com o Altíssimo. A arquitetura destacou bastante pela simetria e naturalidade das imagens, bastante diferentes do estilo românico que era extremamente preso à religiosidade.

    Na pintura o artista teve mais liberdade para retratar as imagens bíblicas. Eu observei que na arte românica as imagens eram mais focadas no Deus Pai e na arte gótica em Jesus Cristo e Maria.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Hernando

      Realmente é impossível precisar a data de surgimento do estilo românico e do gótico, pois muitas vezes eles se entrelaçam. O estilo gótico trouxe uma grande mudança para a arquitetura ao implantar o arco ogival na construção das catedrais, pois esse permitia maior liberdade aos artistas tanto na verticalidade das edificações quanto na ornamentação, ao criar espaços grandiosos. O crescimento das cidades tem tudo a ver com as mudanças que se fizeram presentes no campo artístico. A arte vai se tornando cada vez mais rica e original, com os grandes mestres dando o melhor de si.

      Abraços,

      Lu

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