MINIMALISMO E REALIZAÇÃO PESSOAL (II)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Enquanto expressão comportamental da sociedade, o minimalismo é um reflexo de movimentos contraculturais anteriores, como o punk e o hippie que questionaram a sociedade de consumo e seus excessos. (Marcelo Vinagre Mocarzel)

Se considerarmos a Revolução Industrial e a sociedade de consumo formada por ela, o minimalismo pode parecer novo. Mas o conceito de reduzir excessos remonta aos estoicos e ao princípio das religiões. (Joshua Fields)

Quando não somos dependentes das coisas ou não somos mais definidos pelo que possuímos, nossos potenciais e possibilidades são ilimitados. (Francine Jay)

O minimalismo nasceu com a arte. A expressão “Minimalismo” vem do inglês “Minimal Art” e diz respeito aos movimentos estéticos que apareceram em Nova York entre o fim dos anos 50 e início da década de 1960. Esse movimento acabou migrando para o campo científico, cultural e social. Tem como meta utilizar o mínimo de recursos e elementos necessários, buscando atingir o nível essencial em todos os aspectos. A austeridade e a síntese são suas características, pois parte da premissa de que é preciso eliminar as futilidades, para que a vida possa se arvorar no que é realmente necessário, pois só assim encontra-se a realização pessoal.

Ainda que o minimalismo tenha sido um reflexo de movimentos contraculturais, ele diverge num aspecto: não deseja criar uma sociedade alternativa, mas trabalhar esta que aí está. Os minimalistas são pessoas comuns, sem nada que as diferencie externamente no dia a dia. Enfrentam o consumismo através de mudanças comportamentais, procurando miná-lo de dentro para fora. Veem a vida como o bem mais precioso. Valorizam suas experiências e dão menos valor aos bens materiais. Para elas as pessoas são bem mais importantes do que as posses. Sabem que o desapego oferece mais tempo para curtir a vida.

Uma pessoa minimalista sempre privilegia o espaço que possui, pois ama transitar em liberdade. Sabe que quanto menos coisas possui, mais tempo livre terá e em consequência agregará mais energia vital. Não concebe ter além daquilo que necessita. Está consciente de que o excesso, além de ocupar espaço, acaba muitas vezes perdendo a validade ou drenando todas as economias da vítima. Por que acumular roupas que nunca irá vestir, livros que nunca irá ler e objetos esquecidos num canto qualquer? É preciso abrir espaço para valores que realmente edificam a vida. É preciso ir na contramão da indústria, cujo lema é “incentivar as pessoas a comprar mais e mais”.

O Estoicismo – escola filosófica da Grécia Antiga, surgida no século 4º a.C. – pregava que a felicidade devia ser a busca essencial da vida. A resposta encontrava-se numa vida simples e na harmonia com a natureza. É essa mesma busca que o minimalismo incentiva. Ao se estudar muitas das filosofias antigas, passando pelos ensinamentos do próprio Cristo, é possível encontrar a condenação ao excesso de posses, por ser esse um obstáculo ao crescimento pessoal e espiritual do indivíduo. Já se tinha ciência, desde os tempos antigos, de que as coisas que possuímos acabam por nos possuir, ou seja, nós nos tornarmos prisioneiros delas.

O conceito de uma vida minimalista tem sido adaptado para a realidade social e econômica de cada época. E mais do que nunca as pessoas dos tempos atuais precisam se conscientizar de que a ideia de que “menos é mais” nunca foi tão necessária. O escritor Joshua Fields explica: “Acumulamos tantas coisas em imóveis cada vez mais caros e menores; temos tantas roupas e só usamos as mesmas; armazenamos tanta comida, e grande parte vai para o lixo. Isso mostra como a sociedade de consumo criou gargalos que precisam ser resolvidos”.

Ser minimalista é eliminar as dívidas, não vivendo atormentado por elas; fazer compras conscientes; desfazer-se do que não tem utilidade para si; desaprovar o consumismo; não se render ao apelo do sistema capitalista; preocupar-se com a sustentabilidade do planeta Terra; melhorar a saúde ao eliminar os excessos e, sobretudo, valorizar o autoconhecimento. Aprender a viver com pouco é uma experiência gratificante para todos nós e uma forma consciente de ajudarmos nosso planeta que anda cada vez mais exaurido. Com o tempo tal atitude vai se tornando uma ação corriqueira, uma libertação sem dor.

Nota: O livro Menos é mais: Um guia minimalista para organizar e simplificar sua vida, da escritora Francine Jay, é uma boa pedida para quem quer aderir à filosofia minimalista.

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UM NOVO ESTILO – ROMANTISMO (Aula nº 79)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Nesta nossa viagem pela História da Arte já passamos por diferentes épocas da história da humanidade.  Iniciamos pela Pré-História (Período Paleolítico/ Período Neolítico/ Idade dos Metais). Seguimos depois pela Antiguidade, quando nos defrontamos com a arte do Mundo Antigo (Egito/ Grécia/ Roma) e fechamos esse portal do tempo com a Arte Bizantina. Na Idade Média tivemos contato com dois importantes estilos: Românico e Gótico. Na Idade Moderna travamos contato com os seguintes estilos: Renascimento, Maneirismo, Barroco e Rococó. Adentramos na Idade Contemporânea — esta em que vivemos e que se iniciou no século XVIII, continuando até os nossos dias —, responsável por um grande leque de estilos que se abre maravilhosamente diante de nós. Iniciamos nossa viagem pelo estilo conhecido como Neoclassicismo e hoje vamos conhecer o Romantismo.

O Romantismo foi um estilo ligado às artes que teve início no final do século XVIII e atingiu sua plenitude no início do século XIX. Nasceu da visão dos filósofos alemães — Immanuel Kant, Karl Schlegel e George Hegel —, para os quais o mundo interior do artista era a essência da esfera romântica. Para tal visão contribuíram certas precondições filosóficas, políticas, sociais e artísticas, existentes à época, que puseram em primeiro plano a imaginação individual e a criatividade, sem que essas ficassem atreladas a quaisquer impedimentos. O movimento romântico carregava em si uma visão emotiva e intuitiva em oposição ao tratamento comedido e racional que se dava ao “clássico”.  

A reação ao racionalismo iluminista do século XVIII foi em parte responsável pelo surgimento do Romantismo. Os pensadores do Iluminismo haviam tentado encontrar uma ordem racional que fosse capaz de eliminar as superstições e os ideais religiosos que se espalhavam pelo mundo do pensamento inteligente, o que acabou não se concretizando, resultando numa grande desilusão, uma vez que o caos e as guerras continuavam existindo. Isso acabou ajudando a estimular o novo estilo.

Outro fator responsável pelo desenvolvimento do Romantismo foi a Revolução Industrial europeia que deu início a um período de caos social, despertando nas pessoas um sentimento de impotência diante das forças antinaturais da mecanização que se fazia cada vez mais presentes. O Romantismo acabou fazendo com que essa frustração desaguasse na relação especial do homem com a natureza intocada, selvagem e inculta, como expôs o teórico francês Jean-Jacques Rousseau e como externou o pintou J.M.W. Turner em sua tela denominada “Vapor numa Tempestade” que veremos mais à frente.

Os românticos objetivavam fazer reaparecer o lado espiritual e fantástico da Idade Média, fundamentalmente moderno, sob a alegação de que esse fora corrompido pela regressão pagã do Renascimento materialista. As ideias relativas ao Romantismo espalharam-se por toda a Europa, mas França, Alemanha, Suíça e Grã-Bretanha abraçaram-nas com paixão. A arte dos Estados Unidos — principalmente a pintura de paisagem — também sofreu grande influência deste estilo que, ao se interessar pela Idade Média, contribuiu em grande escala para o ressurgimento da arte pré-rafaelista por parte dos nazarenos alemães, retomando o interesse pelo gótico na arquitetura, principalmente na Inglaterra.  A escultura foi enriquecida com a representação de animais e foi menos afetada pelas diretrizes românticas — ao contrário da pintura que era tida à época como uma arte totalmente antirromântica.

O termo “romântico”, usado livremente para referir-se a uma visão saudosista do passado, ganhou intensidade com o renascimento vigoroso do estilo Gótico na arquitetura, sobretudo na Inglaterra. Porém, no final do século XVIII, um grupo de autores alemães passou a fazer uso de tal termo, dando-lhe um sentido diferente, ou seja, como o oposto do Classicismo, no que dizia respeito aos valores tradicionais. Enquanto o Classicismo valorizava a razão e a ordem, o Romantismo prezava o poder da imaginação, as emoções e o individualismo.

Na França havia uma disputa entre românticos e classicistas. Enquanto os primeiros — liderados por Eugène Delacroix — eram coloristas e suas obras muitas vezes pareciam inacabadas, os segundos — liderados por Jean-August-Dominique Ingres — viam no traço e no acabamento esmaltado os dois pontos mais importantes da arte. Por sua vez os nazarenos (grupo de pintores românticos alemães do início do século XIX que pretendiam reviver a honestidade e a espiritualidade na arte cristã, e cujo nome nasceu como zombaria em razão de sua afetação do modo de usar roupas e estilo de cabelo segundo o modo bíblico) na Alemanha, inspiravam-se no passado, mas não se atinham às normas acadêmicas impostas pelo Neoclassicismo — estilo anterior. Outro ponto em que clássicos e românticos diferiam era na criação de paisagens. Os primeiros trabalhavam a natureza de modo que essa se adequasse a suas composições ordenadas, enquanto os últimos retratavam-na selvagem e afoita.  

Os valores queridos aos românticos podiam ser vistos de diferentes maneiras: opção por mostrar o indivíduo opresso pelas forças da natureza; o individualismo ancorado no espírito de revolta; levantes populares contra o Estado dominante; e os movimentos nacionalistas. Eles trabalhavam com um grande leque de temas: horror, violência, loucura, sobrenatural, ideias exóticas, visionárias e místicas. Era comum que reproduzissem cenas históricas ou lendárias referentes à Idade Média. O movimento romântico apregoava a exacerbação das emoções, a agitação da psicologia humana e a força incontida da natureza, capaz de sobrepor à da própria humanidade, como mostra a pintura do artista francês Theodore Géricault, intitulada “A Jangada da Medusa” que também veremos mais à frente.

O Romantismo foi muito mais uma questão de ponto de vista, o que torna quase impossível analisá-lo em termos de conjunto de características. No entanto, podem ser citadas algumas tendências pictóricas predominantes, como a extrema linearidade dos alemães e a acentuada “pictorialidade” dos franceses. Alguns artistas também mostraram grande interesse pela cor, quer seja por seu potencial vibrante, quer seja pela criação de efeitos vibrantes. No que diz respeito à pintura histórica, essa deixou para trás sua supremacia moral vista no estilo Neoclássico, passando a fundir-se, muitas vezes, à pintura de gênero. Por sua vez a paisagem alcançou seu auge, sendo tida por muitos como a mais importante forma de arte do novo estilo. O Romantismo passou a dar lugar aos realistas nos anos 1840, quando esses passaram a retratar o presente com uma visão menos afeita à emotividade.

Ilustração: A Liberdade Guiando o Povo, 1830, Delacroix

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

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Teste – A ARTE DO NEOCLASSICISMO (Aula nº 78)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O Neoclassicismo foi um estilo de arte que dominou o fim do século XVIII, indo até o início do século XIX. Ao contrário do que acontece com a maioria dos estilos de arte, o impulso inicial para o seu surgimento não veio de artistas, mas sim de pensadores (filósofos) — os portadores do “Iluminismo” na França. Nomes como Denis Didorot e Voltaire lideraram o movimento, ao fazer críticas ao relaxamento moral do estilo Rococó e, consequentemente, ao regime que o abrigava. Exigiam uma arte que fosse racional, moral e intelectualizada. Achavam que um reexame das artes da Antiguidade traria novos ares às normas criativas que vigoravam até então. Tais exigências podiam ser encontradas na cultura do mundo clássico.

  1. A Europa Ocidental do final do século XVIII retomou a cultura clássica com o objetivo de:

    1. Buscar afinidade com os deuses da mitologia.
    2. Reviver o ideal de beleza em detrimento da realidade.
    3. Buscar inspirações na história, literatura e mitologia.
    4. Fazer vigorar as leis do Renascimento.

  2. Ao retomar o estilo greco-romano, o Neoclassicismo objetivava:

    1. Adaptar os princípios clássicos à modernidade.
    2. Retornar ao estilo greco-romano, fazendo uso de técnicas apuradas.
    3. Cultuar a Teoria de Aristóteles e o ideal de democracia.
    4. Todas a alternativas estão corretas.

  3. O termo “academicismo” surgido à época significava:

    1. Liberdade no ensino artístico nas academias de arte europeias.
    2. Adoção dos princípios da arte greco-romana apenas na pintura.
    3. Obediência estrita nas artes, seguindo os preceitos acadêmicos.
    4. Retorno aos princípios do Barroco e do Rococó.

  4. São características da arte Neoclássica na arquitetura, exceto:

    1. O uso de formas regulares simétricas e geométricas.
    2. Edificações com cúpulas monumentais, pórticos com colunas.
    3. O uso de materiais nobres como mármore, granito e madeira.
    4. Busca de efeitos teatrais causados pelo uso de luz e sombra.

  5. O Neoclassicismo deixou de lado a temática religiosa. Contribuíram par isso, exceto:

    1. A Revolução Francesa.
    2. A ruptura com o Absolutismo.
    3. A Segunda Guerra Mundial.
    4. A nova percepção de mundo surgida com o Iluminismo.

  6. São afirmações corretas acerca da pintura neoclássica, menos:

    1. Não abandonou a estética barroca.
    2. Tornou-se clara e simples.
    3. Passou a retratar a vida cotidiana.
    4. Fez uso de cenas mitológicas e históricas.

  7. Trata-se de um dos mais brilhantes pintores do estilo Neoclássico, considerado o “Pintor da Revolução Francesa”:

    1. Foucout
    2. Jaques-Louis David
    3. Jean-Auguste-Dominique Ingres
    4. John Flaxman

  8. A pintura mais famosa do pintor acima, tida como a primeira obra-prima do Neoclassicismo, chama-se:

    1. O Juramento dos Horácios
    2. A Morte de Marat
    3. A Apoteose de Virgílio
    4. A Morte de Sócrates

  9. A escultura neoclássica tinha como características, exceto:

    1. Predominância de formas mais naturais.
    2. Abandono quase completo da policromia.
    3. Contorcionismo e dramaticidade como nas esculturas barrocas.
    4. Princípios de ordem, clareza, austeridade e equilíbrio.

  10. A edificação neoclássica (ilustração acima) que atualmente serve como cemitério de homens ilustres como Voltaire e Rousseau chama-se:

    1. Partenon
    2. Panteão Romano.
    3. Duomo
    4. Panteão de Paris.

Gabarito
1.c / 2.d / 3.c / 4.d / 5.c / 6.a / 7.b / 8.a / 9.c / 10.d

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Lichtenstein – BALDE ACIONADO COM PÉ

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor estadunidense Roy Lichtenstein (1923–1997) nasceu numa família de classe média alta. Seu contato informal com a pintura teve início em sua adolescência, em casa, época em que também passou a demonstrar interesse pelo jazz, como mostram os muitos retratos de músicos tocando seus instrumentos, pintados por ele. Seu contato formal com arte deu-se quando tinha 16 anos de idade, ao frequentar as aulas da Liga dos Estudantes de Arte, sob a direção de Reginald Marsh. Seu objetivo era ser um artista. Foi depois para a School of Fine Arts da Ohio State University – uma das poucas instituições do país que possibilitavam a licenciatura em Belas-artes. Ali recebeu influência de seu mestre Hoyt L. Sherman, dando início aos trabalhos expressionistas.

A composição intitulada Balde Acionado com Pé é uma obra divertida do artista que possivelmente a retirou de algum folheto de instruções referente ao produto. É composta por dois painéis, sendo que a figura humana não é o elemento principal, mas a lixeira.

O primeiro painel mostra uma perna feminina, colocando em evidência um pedaço de saia em xadrez vermelho que penetra na imagem pelo lado esquerdo e em diagonal.  O pé calçando um sapato de salto alto e bico redondo, enfeitado com um laço, está prestes a pressionar o pedal do balde florido.

O segundo painel mostra o balde sendo pressionado  (pelo menos é esta a sensação repassada ao observador) pelo pé, pois mostra a tampa do recipiente levantada, como acontece quando o pedal é pressionado. É realmente impressionante como algo tão simples (um recipiente para lixo) tenha resultado em algo tão belo requintado.

Ficha técnica
Ano: 1961
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 82,5 x 134,6 cm
Localização: Coleção Robert Fraser

Fontes de pesquisa
Lichtenstein/ Editora Taschen

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MINIMALISMO – MENOS É MAIS (I)

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 Autoria de Lu Dias Carvalho

O homem de nosso tempo ainda se move dentro da ambivalência entre o mais e o menos, entre o essencial e o supérfluo, embora se perceba cada vez mais uma tendência, no seu conjunto, a privilegiar o menos em relação ao mais. (Juan Arias)

O que sobra no prato dos ricos falta no prato dos pobres. (Ghandi)

O minimalismo vai contra a onda do consumo desenfreado. Não significa necessariamente ter menos coisas, mas, sim, viver em equilíbrio e somente com o essencial. (Prof. Gustavo de Castro)

A tendência minimalista atinge cada vez mais pessoas em todo o mundo. Não são poucas as que vêm buscando ter menos coisas ou só obter aquilo que realmente é necessário. É a busca pela vida cada vez mais simples e a consciência de que a felicidade não se atrela ao acúmulo de bens materiais. O minimalismo compreende a vida de uma maneira mais singela e desapegada. Um de seus objetivos é justamente a eliminação de excesso de produtos para a obtenção de espaço, de modo que a pessoa se sinta mais livre e menos sufocada pelo consumismo exacerbado.

Mas o que vem a ser o minimalismo? Trata-se de uma filosofia de vida que adverte que o bem-estar e a satisfação pessoal estão no fato de o indivíduo manter apenas o que é essencial à sua vida, suprimindo os aspectos desnecessários, ou seja, os excessos. O minimalismo é, portanto, o estilo de vida que leva à busca pelo mínimo possível dos recursos para viver, o que resulta também na preservação de nosso planeta.

O primeiro passo para ser minimalista é desapegar-se dos excessos. O desapego é a mola mestra desta filosofia. É o entendimento de que, ao fazer uso apenas do necessário, a pessoa permite que outros tenham acesso ao que não lhe é necessário. Podemos ampliar a visão de Ghandi, acima, não apenas no tocante aos alimentos, mas em relação a tudo que se usa. Num mundo cruelmente desigual são os excessos que fomentam as diferenças, criando a ilusão de que a felicidade está no número de posses.  É um ledo engano pensar que o “ter” doentio está atrelado ao “ser”.

Outro ponto importante na adoção do minimalismo é o autoconhecimento, pois este inibe a necessidade de autoafirmação que leva ao exagero, ao desregramento. Quem se conhece melhor vai a cada dia aprimorando as suas escolhas, buscando um consumo mais equilibrado e eficiente. Não é uma tarefa fácil a prática do minimalismo num mundo capitalista, totalmente focado no consumo. As propagandas do compre isso ou aquilo, presente na mídia, invadem a nossa vida a todo momento. As vitrines são cada vez mais chamativas. Os influenciadores digitais multiplicam-se no mundo virtual. As metodologias de convencimento são cada vez mais agressivas. Somente o autoconhecimento pode levar o indivíduo a ser senhor de si quando em suas escolhas.

O consumo desenfreado, o descomedimento no comprar, além de aniquilar as riquezas do planeta e ampliar as toneladas de resíduos sólidos, ainda traz um dano à saúde emocional das pessoas, principalmente àquelas que se endividam na tentativa de preencher seus vazios (pesquisas mostram que o Brasil tem cerca de 60 milhões de endividados). Aqueles que se desapegam de bens materiais afirmam que vivem com menos obrigações, tendo mais tempo para se dedicar àquilo que realmente vale a pena. Não são poucos os casos de acumuladores que beiram à insanidade.

Quem é um minimalista? É aquele que opta pelo que precisa, sem jamais acumular objetos sem utilidade. Em razão disso passam a viver melhor, uma vez que tem menos obrigações e, em consequência, possui um estado mental mais leve, sem apegos doentios. Cada vez mais cresce o número de pessoas que se conscientiza de que é preciso questionar o fato de que a autoestima não pode ser construída em cima das coisas erradas para si e para o planeta, sendo necessário adquirir uma nova mentalidade no que diz respeito à vida, numa equação de que “menos” é “mais”.

O minimalismo estimula o reaproveitamento e, por isso, vem crescendo em todo o mundo a compra de objetos usados. Durante muito tempo no Brasil torcia-se o nariz para os brechós, coisa que na Europa é extremamente comum, mas hoje em dia esses pontos de venda estão em alta, sendo que a maioria deles possui fins solidários, por isso os preços são tão baixos. Outro ponto importante é a reciclagem que ainda é muito pequena em nosso país. Segundo o escritor Juan Arias, o homem vem se tornando eclético em tudo, preferindo a síntese à acumulação, na certeza de que “menos é mais”.

Obs.: Busque no YouTube por vídeos sobre o tema.

 

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O BANHO TURCO (Aula nº 77 F)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

         
                                                   (Clique na imagem para ampliá-la.)  

O erotismo deste quadro é de um tipo particularmente complexo. Em primeiro lugar é uma variante do tema do mercado de escravas e do harém. Essas mulheres são animais arrebanhados e preparados para o prazer do macho, a quem de modo algum podem recusar satisfação. Em segundo lugar, o quadro é fortemente voyeurístico. Nós estamos olhando uma cena normalmente proibida ao olhar masculino. Em terceiro lugar, há um aspecto de afetação homossexual em algumas das poses, principalmente no grupo do primeiro plano em que a mulher da direita toca os seios de sua companheira ao lado. (Lucie-Smith)

O Banho Turco é uma das pinturas mais conhecidas de Jean-Auguste Dominique Ingres, mais conhecido simplesmente por Ingres que, embora se considerasse um neoclássico, era também chegado aos temas exóticos. À época o orientalismo estava na moda na França em razão das guerras napoleônicas no Oriente. Esta composição mostra a vida das mulheres que vivem apenas para a beleza e o prazer masculino num harém oriental. Pode ser considerada a mais bela das obras-primas do artista. Quando fez este quadro, Ingres estava com 82 anos de idade, embora mantivesse aceso o fogo de um homem de 30 anos, como gostava de dizer. Aqui ele retoma um tema do início de sua carreira, banhistas e odaliscas.

Ingres jamais presenciou uma cena semelhante, pois nunca visitou o Oriente. Também não usou modelos vivos para pintar O Banho Turco, tela extremamente sensual, mas aproveitou uma série de croquis e desenhos realizados, quando pintava outros nus, ao longo de sua carreira. Estão na cena cerca de duas dúzias de figuras femininas, nas mais diferentes poses, sobre suntuosos tapetes e almofadas coloridas. O pintor adorava retratar mulheres nuas, sendo dito que ele gostava do erotismo de voyeur, embora se mostrasse moralista. Observe o leitor que a figura central é a mesma usada em A Banhista de Valpinçon, assim como A Grande Odalisca, ambas as composições presentes aqui no site (busque em pesquisar).

Segundo alguns estudiosos de Ingres, para pintar este quadro em que aplicou o estilo de pintura redonda, também conhecido como “tondo”, ele se baseou em descrições sobre os banhos no harém do sultão Maomé II e nas Cartas do Oriente, de Lady Montagu, aristocrata e escritora inglesa. Ela assim se expressou em uma de suas cartas: “Havia 200 mulheres… Os sofás estavam cobertos de almofadas e ricos tapetes nos quais estavam sentadas as senhoras, completamente nuas… E, no entanto, não havia o menor sorriso libertino ou gestos licenciosos entre elas”. Ingres não via nas mulheres a lascívia, mas beleza e inocência. O formato redondo evoca o ideal renascentista.

A tela de Ingres em que cada figura foi detalhadamente estudada, embora mostre mulheres nuas, não causou nenhuma comoção, como foi o caso de Olímpia, de Edouard Manet (iremos estudar mais à frente) que seria exposta no ano seguinte. Contudo, muitos críticos fazem uma análise mais forte desta composição, alegando que há nela dois aspectos marcantes: voyeurismo e lesbianismo.

Obs: Segundo alguns historiadores, é provável que esta obra tenha pertencido ao Príncipe Napoleão, mas sua esposa achou-a imoral, tendo colocado outra em seu lugar. Ingres acabou recuperando a obra e mudou seu formato para a forma circular, como se encontra hoje. Além disso, também fez transformações nas figuras que se encontram nas extremidades.

Ficha técnica
Ano: 1863
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 108 cm de diâmetro
Localização: Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Editora Könemann
Romantismo/ Editora Taschen
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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