DEPRESSÃO – ESPERANÇA, AINDA QUE TARDIA!

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Autoria de Celina Telma Hohmann

tar12
Ganhei o dia!
Em minhas eternas buscas pelo tão sonhado sossego mental, que, diga-se, parece algo tão inatingível quanto viver eternamente, eis que descubro este blog e, opa, descubro algo ótimo, fácil, gostoso de ler e com uma descrição que por si só nos faz ter uma melhora, enquanto o lemos! Desnecessário dizer que quem busca informações sobre medicamentos, o faz porque necessita do bendito, mas sempre fica a dúvida, e hoje, diferentemente do passado, onde o médico prescrevia, comprávamos e só descobríamos se servia exatamente ao nosso problema após ler o que descrevia a bula, contamos com a bênção da internet.

Bem, saí ontem da psiquiatra, meio que desconfiada, pela enésima vez, com uma nova prescrição, haja vista que outros medicamentos já não fazem efeito algum, se é que o fizeram em alguma fase. Foram sempre um apoio, jamais a solução! Já usei tantos ansiolíticos e que tais, que acredito, os laboratórios deveriam me dar um prêmio pelos gastos contínuos com medicação. Dos indutores do sono, passando pelos temíveis antidepressivos, que só aumentaram meu peso e, por consequência, meu sufoco, pois engordar é terrível, quando se foi sempre magra, e perceber que aquele inchaço é como o reflexo da nossa incapacidade de controle emocional.

Tenho uma vida que em hipótese alguma posso julgar ruim, mas mesmo assim, eis que a fortaleza por vezes se faz pó! Em verdade, pó é luxo, pois viro lixo em mais de um terço de minha doce existência. Ontem, obrigada por filha e irmã, fui novamente à psiquiatra, pois, juro, já nem desejo mais essas visitas que a mim parecem uma perda de tempo. Com tentativas de novas fórmulas, vem o desconforto, pouquíssimas vezes o equilíbrio que até vem, mas num delirante vaivém de melhora/não melhora/resolve e não resolve.

Dormir sempre foi o luxo que busquei na vida, e, por essas coisas que não se explicam, o que mais me faz falta é o tal sono. E, incrível, por vezes, transformo-me num animal hibernando… Durmo e durmo, mas, claro, nas horas mais impróprias, ou seja, quando o mundo está acordado e a vida pulsando… Meu boicote contra minha própria vontade de viver, conversar, ser feliz, ou algo próximo a isso.

Minha depressão é um terror! E sei, como é com todos que por desventura a sentem, ou sentiram. Vivenciam ou vivenciaram esse pavor, que a alguns é decorrência de um episódio, uma fase ruim, mas quem é depressivo desde a infância, torna-se, com o passar do tempo um desacreditado em si próprio. É o meu caso! Cheguei a casa – nem passei pela farmácia, pois sabia de antemão que o tal composto custa um pouquinho além do que eu tinha na bolsa – e somente hoje fui ler a tal prescrição. Descubro que é para o oxalato de escitalopram. Não conhecia, ou se o conhecia não havia, ainda, ingerido.

Bem, lá vai pesquisa e nessa, lá veio o blog e a doce aventura de lê-lo. Gostoso, agradável, brincalhão sem ser desrespeitoso, aliás, o desrespeito com a depressão deveria ter, também uma Lei que o colocasse entre os crimes contra a humanidade! Vou iniciar meu tratamento somente na segunda-feira, quando a grana estiver disponível. Então, acho que será na terça, pois a compra será à tarde. Serão7 dias com dosagem de 10 mg nos primeiros 7 dias, e a partir do 8º dia, 20 mg, pela manhã.

Estou esperançosa, pois, juro, por tanto tempo entupindo-me de remédios, porque, para ajudar, já passei por seis cirurgias renais. Sou fábrica de cálculos renais e daqueles resistentes, que não explodem, não quebram, não saem… E dê-lhe morfina, internações, cirurgias e outros incômodos, além do medo de que tudo volte. Por ora, com três últimas intervenções cirúrgicas no final do ano (quem disse que comigo a coisa funciona?) Nada! Sempre há intercorrências… Ainda a tal depressão sempre presente e eu tentando disfarçá-la, ou, por vezes, me afundando nela. Cheguei ao transtorno alimentar. Mais uma para somar! Odeio comida! Fujo dela, disfarço, como escondido para que não me cobrem e aí posso comer bem pouco, entre um engasgo e uma vontade de chutar o prato.

Eis-me! Por sorte, mas sorte mesmo, não sou explosiva – mas já fui – tenho uma fé que auxilia e um cansaço que dá pena. Não nasci assim e quero, preciso e mereço melhorar. Não sei ainda se a medicação surtirá os efeitos que espero, mas escrever é tão bom e descobrir o blog foi tão prazeroso que acho que o fulaninho escitalopram já deu sinais de que valerá a pena! Assim Seja! Não espero o milagre, pois esse, não pertence às fórmulas farmacológicas, mas espero que dessa vez dê certo. Cansei e quero um pouco de sossego, quero serotonina, adrenalina e paz! Mas a paz dos que estão vivos, não a paz dos zumbis!

Nota:  Melancolia, obra de Edvard Munch

37 comentários sobre “DEPRESSÃO – ESPERANÇA, AINDA QUE TARDIA!

  1. Rose

    Lu, eu estava tomando flouxetina há 17 dias. Parei com o medicamento, pois estava enloquecendo com crises de choro, ansiedade e vontade de morrer. Parei faz 3 dias, pois estava me matando, mas ainda estou sentindo esses sintomas horríveis. São ainda os efeitos colaterais da fluoxetina?

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Rose

      Seja bem-vinda a este cantinho. Sinta-se em família.

      Amiguinha, todos os antidepressivos trazem efeitos adversos, no início do tratamento, mas depois que o organismo passa a aceitar a nova substância, eles desaparecem, ficando apenas a parte boa. Por isso, na fase inicial da medicação é necessário que a pessoa esteja sendo acompanhada por seu médico, para que esse lhe dê suporte, quando tais transtornos forem difíceis de aguentar. Muitas vezes basta apenas um calmante, para ajudar.

      Rose, por que motivo estava tomando fluoxetina? Qual era a dosagem? O que está sentindo, depois de ter parado a medicação, pode tanto ser a falta do antidepressivo como sintomas de seu transtorno mental. Sugiro que procure um psiquiatra e relate-lhe tudo. Se não se tratar, suas crises tendem a ser cada vez mais fortes. Aguardo notícias suas.

      Beijos,

      Lu

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  2. Rebeca

    Oi, Lu e pessoal!
    Espero que estejam todos bem e buscando a paz. Venho aqui para, na verdade pedir, relatos ou até dicas de relacionamento com pessoas em tratamento de depressão. Explicando melhor, estou tomando Escitalopram há um ano e 2 meses, e há quase um ano me relaciono com uma pessoa que desde o início sabe do problema. Porém, no começo tudo são flores e eis que passada a fase da conquista. O meu temperamento difícil e a falta de conhecimento ou paciência dele estão em crise e das feias. Eu não tenho forças pra lutar por esse namoro porque ainda estou tentando entender a mim mesma. Enfim, só queria ouvir algumas palavras ou exemplos sobre como o parceiro podem agir para melhorar. Eu fico espelhando no exemplo do meu irmão que também passou por crises horríveis de pânico, mas a mulher dele sempre o apoiou e aguentou mesmo. No fundo, eu sei que sou literalmente engolida por todos.

    Obrigada por me ouvirem, às vezes nem todos nós temos com quem nos abrir.

    Abraços

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Rebeca

      Seja bem-vinda a este cantinho. Sinta-se em casa e em família.

      Amiguinha, realmente não é fácil lidar com pessoas com problemas mentais, quando essas não se encontram medicadas, pois vivem sem sintonia com o mundo exterior, uma vez que seu mundo interior encontra-se em desequilíbrio. A finalidade do medicamento é justamente trazer melhor qualidade de vida, ao equilibrar as emoções.

      Como usuária de antidepressivos desde a adolescência (venho de uma família, lado materno, em que a depressão é crônica, herança genética), eu sempre digo que o medicamento é responsável apenas por 50% de nosso equilíbrio, a outra parte cabe a nós. Aprendi também que se faz necessário racionalizar nossas emoções de modo a tornar a vida mais fácil para quem convive conosco. Não podemos colocar toda a responsabilidade no nosso problema mental. Precisamos botar um freio em nossas emoções, no nosso jeito de ser, corrigindo nossas falhas e aceitando nossos erros. Se o seu temperamento é difícil, busque o porquê de ele ser assim. Podemos e devemos moldar nosso modo de ser, se quisermos um bom convívio com as pessoas, principalmente com quem faz parte de nossa vida. A convivência amorosa é uma arte, onde os dois envolvidos devem fazer concessões. Se essas só acontecem de um lado, o outro acaba se cansando, pois todo relacionamento é feito de trocas. Portanto, repense a situação de vocês. Conversem e apontem os tropeços de que ambos têm sido vítimas. Jamais use seu problema mental, agora sendo tratado, como uma cobertura para suas falhas. Se assim o fizer, jamais se firmará com alguém.

      Rebeca, se esse relacionamento é importante para você, lute por ele. Comece apontando seus erros (e não os do outro, como é comum fazermos). E, enquanto isso, procure se entender, buscando as causas de seu temperamento difícil. Sane-as! Em relação a seu irmão, o compromisso da mulher (ou marido) é muito maior do que o de um namorado. Ele teria feito o mesmo por ela. Mas conheço casais que se separam por isso, não aguentando a barra.

      Quando diz: “No fundo, eu sei que sou literalmente engolida por todos.”, fica claro que você se vitima, colocando no outro a responsabilidade de seu comportamento. Ninguém pode nos vitimizar, senão nós mesmos. Portanto, repense essa sua maneira de ver a vida. Bote alegria e busca diária em sua existência. Ninguém tem o poder de torná-la infeliz, senão você mesma. Somente você pode responder por sua vida. O outro é apenas um complemento.

      Querida, não fique magoada, caso eu tenha sido rude. Eu só queria acordá-la. Volte sempre aqui, para dizer como andam as coisas.

      Abraços,

      Lu

      Responder
      1. Rebeca

        Querida Lu, suas palavras, além de maravilhosas, foram sem dúvida esclarecedoras. Às vezes é tanta culpa que carregamos que não olhamos para realidade. Será que temos tanta culpa mesmo? Confesso que me sinto vítima e sempre buscando um culpado pras coisas ruins que acontecem, mas a partir de agora quero, sim, olhar pra dentro de mim, e procurar resolver essas dúvidas, achar respostas sobre mim mesma.
        Obrigada por tudo e gostaria de continuar interagindo e trocando idéias nesse cantinho acolhedor.
        Abraços

        Responder
        1. LuDiasBH Autor do post

          Rebeca

          Reconhecer que precisamos promover mudanças em nosso vida é o maior dos passos. O resto virá por acréscimo. No início faz-se necessário acompanhar todas as nossas ações, 24 horas por dia. Depois, nosso “bom” comportamento torna-se rotineiro. E assim fazemos a nossa felicidade e a daqueles que nos rodeiam. Percebo que você é generosa o bastante para buscar novos caminhos.

          Será um prazer contar com sua presença. Conheça também outras categorias do blog, incluive uma chamada ARTE DE VIVER.

          Um grande abraço,

          Lu

  3. Amaro Wilian

    Boa noite a todos!

    Cheguei a este blog pesquisando sobre os efeitos do medicamentos, pois desde de fevereiro é o que está acontecendo comigo a cada 45 dias, trocar a medicação ou acrescentar outra.Há duas semanas comecei a psicoterapia, mas me pergunto o que estou fazendo lá… Enfim, dizem Que depois a gente se solta.

    Com a troca da sertralina para o excitalopram, estou há 10 dias apenas com o aprazolam 2mg. A abstinência da sertralina nessa última semana foi pior do que o efeito que eu achava que ela não estava fazendo. Quero começar com o escitalopram logo pra ver o que acontece, mas como tenho uma cirurgia marcada para o próximo dia 22 (a 11ª em 3 anos e meio), estou pensando em segurar mais um pouco. Vou conversar amanhã com o anestesista. Já fiz todos os exames possíveis e até os desnecessários para a cirurgia. Estou com índices de adolescente, tudo perfeito, mas a cabeça, essa continua confusa, não dorme, pensa e não age, age e não pensa, e todos os etc e tal que a depressão costuma utilizar, como dor no peito, confusão mental, medo, raiva, e agora a tontura por conta da abstinência da sertralina. Mas como disse acima, estou apostando no escitalopram assim que começar.

    Ler alguns textos aqui foi muito importante, e até inspirador, pois aqui estou eu, também escrevendo.

    Um forte abraço a todos e nos vemos em breve.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Amaro

      Seja bem-vindo à nossa família. Sinta-se em casa.

      Que bom que tenha chegado aqui, pois a nossa turma é muito legal. Nós nos ajudamos mutuamente. Sei que não é fácil o início do tratamento, até que se acerte com o antidepressivo exato. Muitas pessoas fazem uma verdadeira ciranda, pois possuem um organismo muito sensível. Mas, quando encontrar o medicamento certo, terá valido todo o sofrimento, pois melhora imensamente a qualidade de vida. Através dos comentários poderá ver que muitas pessoas passam por isso.

      Assim como todo antidepressivo, no início, o oxalato de escitalopram (compre sempre o mais em conta) causa efeitos adversos, a abistinência também é muito ruim. Espero que tenha recebido de seu médico todas as informações necessárias. Quanto ao oxalato de escitalopram, trata-se de um antidepressivo moderno e muito receitado. Eu também o tomo, em razão da minha depressão crônica. E tenho me dado muito bem. Saiba que ele também tem seus efeitos adversos, mas que vão desaparecendo depois de cerca de duas semanas.

      Amiguinho, todos os sintomas citados por você: “a cabeça, essa continua confusa, não dorme, pensa e não age, age e não pensa, e todos os etc e tal, que a depressão costuma utilizar, como dor no peito, confusão mental, medo, raiva…” são decorrentes da depressão. Assim que o antidepressivo começar a fazer efeito positivamente, eles irão passar. Fique tranquilo, e seja POP (paciene, otimista e persistente).

      Você diz que está indo para a 11ª cirurgia. Qual é a causa? Diga se achar conveniente. Converse mesmo com seu médico, para ver a possibilidade de iniciar o tratamento com o oxalato de escitalopram. Logo estará ótimo. Volte para nos dizer como anda e o que o seu médico resolveu. E desde já, tenho certeza de que terá muito sucesso na sua cirurgia. Quanto à psicoterapia, faça-a de acordo com o pedido de seu médico.

      Vou lhe enviar o link de outros textos que podem ajudá-lo.

      Um grande abraço,

      Lu

      Responder
      1. Amaro Wilian

        Oi Lu, boa noite!
        O anestesista confirmou que meus exames estão ótimos. Como disse anteriormente, estou indo pra minha 11ª com cara de 12ª, pois serão feitos dois procedimentos em um. Em 2012 foi diagnosticado um tumor na face, uma neoplasia benigna, mas com o único, grande e maravilhoso benefício de não deixar metástase, porém, um tumor muito agressivo. Me preparei psicologicamente e fisicamente para o que vinha pela frente. A retirada do tumor foi um sucesso e a reconstrução parcial do meu rosto também. Passou-se algum tempo e recomeçaram as tentativas das demais reconstruções que se faziam necessárias, principalmente a reconstrução óssea para uma possível reabilitação oral, mas aí as coisa começaram a não funcionar muito bem. Tudo esta muito bem, mesmo com as cirurgias não tendo o resultado esperado.

        Cheguei a casar em 2014, e desde então tudo desandou. No início, como toda paixão, foi maravilhoso, mas hoje vejo meu relacionamento desabando junto com minhas forças e minha confusão mental. Fico me cobrando por não estar feliz e saber que não estou fazendo ninguém feliz ao meu redor, principalmente a minha esposa e ao filho dela (ela já tinha um filho de outro casamento, hoje com 9 anos). E sinto também que a recíproca não é mais a mesma há muito tempo (em apenas 2 anos de casamento parece que já se passaram vinte).

        Em agosto passado voltei a trabalhar e a dar ótimos resultados para a empresa, mas com a necessidade de novas cirurgias e o afastamento para o inss, já fiquei sabendo que no meu retorno, a única certeza que tenho é a demissão (parece que a empresa cansou de gastar comigo, pois em quase 5 anos de empresa, passei 3 afastado). Não nego que fico preocupado em perder o trabalho e um plano de saúde que, graças ao mesmo, estou vivo, mas mais que isso, minha preocupação maior é quanto ao meu relacionamento, que sinto ser o real motivo de hoje eu estar nesta com os tarjas pretas. A minha vontade ultimamente é de encontrar apenas uma via única.

        Lu, me desculpe se acabei desabafando demais com coisas extremante pessoal, mas estou me sentindo melhor em escrever do que ficar falando, ou até mesmo ficar mudo diante da psicóloga na terapia. Dia 22 próximo será feita as cirurgias, e quanto aos medicamentos que estava em dúvida quanto à mudança e a abstinência que hoje fizeram 13 dias, o médico falou que posso trocar tranquilamente e tomar até a véspera da cirurgia e, assim que sair, retomar o tratamento normalmente.

        Adorei o tópico COMBATENDO A FALTA DE ÂNIMO e digo que até o momento, acordo sabendo o que tenho que fazer e até o que quero fazer, mas ainda não consegui. Mas procurarei ser POP (paciente, otimista e persistente) diariamente.

        Por hoje vou ficar por aqui. Boa noite a todos e um forte abraço!

        Responder
        1. LuDiasBH Autor do post

          Amaro

          Todos nós passamos por momentos difíceis em nossa vida, de uma forma ou de outra. Já nascemos com essa fragilidade própria de todos os seres vivos. E viver bem ou mal depende do modo como optamos por viver a vida. Não resta dúvida de que o primeiro caminho é aceitar aquilo que não podemos mudar. A aceitação é meio caminho andado, pois dá-nos sabedoria para buscar as melhores trilhas. Portanto, faça as suas cirurgias com tranquilidade e otimismo. Aos poucos as coisas irão entrando nos eixos. O mais importante é o seu mundo interior, pois é nele que está o seu ponto de equilíbrio para viver no exterior. Reforce-o, sempre.

          Amiguinho, toda relação amorosa passa por altos e baixos nos primeiros anos de casamento. São dois mundos diferentes que têm que aprender a sintonizar um com o outro. Com o tempo, esse choque vai se harmonizando, chegando ao equilíbrio desejável para viver a dois. Penso que a sinceridade no relacionamento, pautada pelo diálogo, seja o ponto chave da relação. Cada um dos dois precisa sair de seu isolamento, de sua postura de autosuficiência e ter humildade para expor o que não está bem. E mais, procurar descobrir o que está levando a isso. Nessa hora é preciso despir do amor-próprio e postar-se por inteiro. Vocês me parecem muito novos e, portanto, a falta de estrutura, diante de tantos problemas médicos, esteja levando-os ao cansaço. Como é normal acontecer, estão jogando no relacionamento o estresse acumulado. Repensem isso, perdoem-se mutuamente e dêem mais uma chance ao casamento. Pelo menos não poderão dizer no futuro que não tentaram. Quanto ao garotinho, lembrem-se de que ele não tem culpa alguma. Procurem afastá-lo de qualquer tipo de hostilidade, para que não pense que a vida é ruim, uma vez que é na infância que as cicatrizes ficam mais fortes.

          Realmente é bom que esteja preparado para a postura da empresa, mas a licença médica lhe garantirá a permanência por um tempo maior, podendo assim usufruir do plano médico. Não se preocupe com isso agora, mas com sua saúde. Não resta dúvida de que um relacionamento ruim interfere em toda a nossa vida emocional, mas não transfira para ele toda a culpa. Há uma série de fatores, inclusive essa série de cirurgias, que acabam mexendo com o seu equilíbrio emocional dos dois. Ponha-se também no lugar dela. Veja-a como uma companheira que tem estado ao seu lado. Vocês ainda têm chance. Quando nos encontramos estressados, tendemos a jogar a culpa de tudo em quem se encontra à nossa volta. Daí a necessidade de sempre fazer uma autoanálise, freando os impulsos, agradecendo mais do que cobrando. Você me parece uma pessoa maravilhosa, afetiva e sincera, portanto, seja o primeiro a retomar o equilíbrio de seu casamento. Numa relação, é aquele que tem mais para oferecer é quem deve buscar os caminhos que levam ao consenso.

          Os textos do Dr. Telmo Diniz são simples e muito diretos, cheios de sabedoria. Ele possui muitos semelhantes a este, aqui no blog. Clique no ÍNDICE GERAL, depois em ARTE DE VIVER. Ali encontrará textos de extrema sabedoria. Maravilhosos! Quanto a desabafar, faça-o sempre que desejar. Este cantinho é para isso. Sinta-se amado por todos nós. E não se furte a vir aqui, sempre que sentir vontade, e falar do que vai pelo seu coração.

          Amaro, sei que ainda voltará muitas vezes ao blog antes da cirurgia, mais saiba que estamos todos torcendo por você.

          Um forte abraço,

          Lu

  4. Claudia Silva

    Eu procuro sempre conversar com as pessoas que tem depressão. Essa doença machuca muito. Tive hà 15 anos atrás e agora em março ela voltou com tudo. Comecei a tomar Sertralina de 50 mg, e depois de um mês e meio eu tinha melhorado um pouco, mas não totalmente. Sempre ideando rivotril sublingual durante o dia. A médica mudou para escitalopram, comecei sábado passado, faz 6 dias e hoje. Voltei a sentir forte angústia, calafrios e sonolência. Será que pode ser efeito colateral do novo remédio? Estou exausta com tudo isso. Melhoro, pioro, melhoro, pioro… Me ajudem!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Cláudia Silva

      Seja bem-vinda a este cantinho. Sinta-se em família.

      Amiguinha, conviver com a depressão não é fácil mesmo. Por isso, assim que ela der sinal, faz-se necessário buscar ajuda médica. Quanto mais deixar o tempo passar, mais agudas serão as crises. Ainda bem que contamos hoje com a Ciência, que cada vez mais desvenda os meandros da mente, e possibilita chegar ao mercado um grande número de medicamentos que melhoram a nossa qualidade de vida. Imagine a vida das pessoas antigamente, quando, se não eram jogas em sanatórios e manicômios, eram abandonadas nas estradas. Hoje, só temos a agradecer.

      Dentre os tipos de depressão, existe o recorrente. Vai e vem. Quando der sinal, é preciso buscar tratamento, para que as crises não se intensifiquem. Há muitas pessoas aqui que se tratam com a sertralina, mas a maioria usa o oxalato de escitalopram, pois esse, além de apresentar menos efeitos adversos, abrange um universo maior de problemas mentais. O início do tratamento é mesmo muito difícil, pois os efeitos adversos são bem fortes e a pessoa parece piorar. Mas depois da turbulência, que normalmente dura duas semanas, os bons efeitos aparecem. É preciso ser POP (paciente, otimista e persistente) nessa fase. Tudo fica pior do que antes. Porém, depois descortina-se um imenso céu azul à frente. Fique tranquila, pois logo estará boa. Eu também uso o oxalato de escitalopram e dou-me muito bem.

      Vou lhe enviar alguns liks, para maior conhecimento sobre o uso desse remédio. E volte sempre para contar-nos como se encontra.

      Abraços,

      Lu

      Responder
      1. Claudia Silva

        Lu,
        Muito obrigada, que coisa boa contar com vocês. Vou ter paciência sim, e vou sair dessa.

        Grande abraço.

        Responder
        1. LuDiasBH Autor do post

          Cláudia

          O otimismo é o nosso melhor amigo. Parabéns pela postura.

          Abraços,

          Lu

  5. Maria Madalena

    Lu
    Estou chegando agora e confesso que há tempos procurava pessoas com o mesmo problema que eu, e só hoje, neste dia cinza em que vivo, tive o prazer de encontrar este grupo. E já não me sinto tão só. Até tive a infelicidade de procurar grupos pelo face, mas fui mal entendida e julgada por pessoas que nada sabem da minha doença. Também vivo neste mundo escuro da síndrome do pânico e depressão. Sou viúva há 9 anos e desde então vivo não vivendo. Hoje estou no meu inferno astral, onde choro escondido. Mais uma vez fui à médica do postinho e saí com receita do escitalopram. Estou com medo dos efeitos colaterais que se parecem com o da sindrome. Meu mundo parece estar desabando, não tenho alegria e nem vontade de viver, embora tenha 3 filhos que precisam de mim. Às vezes acho que os médicos não podem me ajudar, estou desmotivada, só sinto bem quando durmo. Quando acordo e deparo com minha realidade é uma agonia só.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Maria Madalena

      É um prazer recebê-la em nosso cantinho. Sinta-se casa. Nós formamos uma grande família.

      Minha amiguinha, a depressão maltrata muito, mesmo. Mas os tempos já foram bem mais difíceis. Hoje, a medicina está desenvolvendo, cada vez mais, remédios que nos possibilitam uma melhor qualidade de vida. Novos medicamentos para combater as doenças da mente estão chegando ao mercado, para nossa alegria. Desde minha adolescência, eu convivo com os antidepressivos. Venho de uma família (materna) com depressão crônica, trata-se de uma sofrida herança. Mas aprendi muito cedo a aceitar, o que me ajudou muito. A aceitação é meio caminho andado. Passei a olhar em derredor e observar que existem doenças ainda mais severas, mais doídas e sem esperança, portanto, ainda me encontro no lucro. Penso que a nossa atitude em relação à doença é fundamental para o nosso tratamento. Foi pensando nisso que escrevi um texto denominado OS ANTIDEPRESSIVOS EM NOSSA VIDA.

      Eu tomo oxalato de escitalopram há alguns anos e sinto-me muito bem. Tenha a certeza de que os sintomas não serão piores do que o que passa agora. Nas duas primeiras semanas, eles são realmente terríveis, mas logo vão enfraquecendo e aparecendo os bons. Pode fazer uso sem medo de ser feliz! Os médicos podem ajudar, sim, mas nós precisamos fazer a nossa parte. Tenho a certeza de que irá se sentir uma nova pessoa. Leia os relatos de outras pessoas para ver como a maioria encontra-se bem, hoje.

      Quero sempre ter notícias suas. Irei acompanhar todo o seu progresso.

      Beijos,

      Lu

      Responder
        1. LuDiasBH Autor do post

          Maria Madalena

          Estarei aguardando. Nada de ficar quietinha aí. Venha sempre conversar conosco, botar para fora suas emoções. E, assim, nós nos ajudamos mutuamente. Aqui não há nenhuma forma de julgamento, pois não julgamos as pessoas, apenas tentamos ajudá-la a compreender a doença e a ter suporte emocional. É disso que mais precisamos. Penso que encontrou o cantinho certo.

          Beijos no coração,

          Lu

      1. LuDiasBH Autor do post

        Sheyla

        Seja bem-vinda a este cantinho. Sinta-se em casa.

        Amiguinha, como vê, não estamos sós com nossos problemas. Por isso, compartilhá-los faz com que não nos sintamos únicos. Você já buscou ajuda?

        Abraços,

        Lu

        Responder
  6. Marcela Tatiana

    Oi! Alguém também aqui já fez uso das gotas homeopáticas para depressão e pânico? O efeito é imediato ou não? Ajudou você? Qual você toma?
    Abraços!

    Responder
    1. celina telma hohmann

      Marcela, linda!
      Eu já passeei por todos os caminhos de possíveis atenuantes da depressão, tanto, que brinco que laboratórios já me devem um percentual nos lucros, rs. Bem, já tomei gotas homeopáticas, sim, mas confesso, acho que no meu caso, pelo tempo de uso de remédios com fórmulas sintéticas, nunca fizeram efeito. Sempre digo que, para que obtivessem algum resultado com medicação natural, precisaria de um hectare de maracujá, usando das raízes aos frutos, passando pelo caule e todas as folhas. O que resultou melhor nos últimos tempos foi mesmo o abençoadinho do oxalato de escitalopram. Hoje tomo 15 mg /dia, mas há alguns efeitos colaterais que variam. Por semanas estou legal, depois vem um quase cansaço e exagerado sono em horas inoportunas. Conheço pessoas que com as homeopatias deram-se muito bem.Não foi o meu caso.

      Responder
      1. LuDiasBH Autor do post

        Miss Celi

        Você é ímpar:
        “Sempre digo que, para que obtivessem algum resultado com medicação natural, precisaria de um hectare de maracujá, usando das raízes aos frutos, passando pelo caule e todas as folhas.”

        É uma pena que se recuse a alegrar-nos com seus textos com esse humor tão maravilhoso.

        Beijos,

        Lu

        Responder
        1. Celina Telma Hohmann

          Lu, minha flor! Não é recusa, em absoluto. Período de reclusão autoimposto. Saí do casulo, depois de descobrir o caminho para extirpar os tais nódulos tireoidianos. Estou voltando, com pedaços a menos, mas com a louca necessidade de escrever. Logo posto algumas palavrinhas que estão fervilhantes.

          Um abraço!

        2. LuDiasBH Autor do post

          Miss Celi

          Mil vezes “Obá!” Maravilha. Aguardo com ansiedade!
          Também tenho uns casulos desses a enfeitar o meu pescoço. Ainda não me disseram para retirá-los, pois a tireoide está trabalhando a todo vapor.

          Beijos,

          Lu

  7. Moacyr Praxedes

    Celina

    Gostei muito do seu texto, que fala de seus problemas mas de uma maneira bem humorada. Será um grande ganho para o blog ter uma colaborada de tão alto astral como você. Aguardo novos textos.
    Abraços,

    Moacyr

    Responder
    1. Celina Telma Hohmann

      Moacyr, em meio à tempestade, o jeito é tentar esconder-se, buscar um abrigo – e mesmo assim correr o risco de que o abrigo voe, literalmente – afinal, os vendavais são um perigo, ou, como faço, e segredo, demorei a descobrir, é divertir-me com as loucuras dos possíveis temporais!. Como gosto da chuva, então, aprendi, não a dançar nela, como no famoso filme, mas molhar-me e tentar lavar a alma! A tempestade sempre passa, a roupa seca, o cabelo, meio que fora de linha pega jeito, então, vamos é tentar amenizar o pavor e jogar-se de cabeça. Das duas uma: ou melhoramos, ou explodimos! Não quero e nem permito a explosão!

      Se a depressão julga-se a dona dos meus dias, azar o dela! Pode chegar, ficar por um tempo, mas, epa, tem limite! Eu ainda sou a dona de minha vida! Minha forma de escapar do terrível , assustador e paralisante mal da depressão é tê-la meio que como uma amiga. Afinal, nos conhecemos há tanto tempo, que, certamente, uma conhece a outra em seus menores detalhes, rs!

      Ao descobrir o blog foi como se a bandeira verde da fórmula 1 assinalasse que a pista está livre, então, sigamos, ao final, quero mesmo é a quadriculada e, claro, eu chegando em primeiro lugar! Estar ou ser depressivo não é impeditivo, é somente ruim! Por vezes, triste, mas como tudo, há remédio, há alívio, basta buscá-lo, mas sei, nem sempre o caminho é tão simples, então, que nos unamos e não deixemos, em absoluto, que a “fulaninha” maldosa que só, transforme nossa vida numa casa sem portas ou janelas. Não, mesmo!

      Obrigada pela acolhida! E, prometo, tentarei dar pitacos, jogar um pouco de purpurina nas angústias que afligem almas que merecem o melhor, ou, colocar açúcar onde o azedinho tente se sobressair. Há os que não gostam da purpurina, afinal, essa também é grudenta que só!
      Um abraço!

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      1. Marisa Melo

        Esta é a esperança ( fé ), que essa maldita depressão suma da minha vida . Quero voltar a ser como era, ter paz alegria. Desfrutar de uma vida cheia de alegria.

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        1. LuDiasBH Autor do post

          Marisa

          É um grande prazer recebê-la neste espaço. Sinta-se em casa!

          Amiguinha, muitos de nós aqui convivem com a depressão, assim como uma enorme fração da humanidade. Como qualquer tipo de doença, não é fácil conviver com as doenças ligadas à mente. Contudo, quanto mais aceitação tivermos de nossas limitações, mais fácil será conviver com elas. O importante é aceitar que necessita de tratamento e fazê-lo. Eu sou uma depressiva crônica, desde adolescente. Mas tenho conseguido melhorar minha qualidade de vida com os modernos antidepressivos que estão no mercado. Espero que você esteja fazendo tratamento.

          Abraços,

          Lu

    1. Celina Telma Hohmann

      Cristiane, minha linda!
      De todos os incômodos dessa pestinha seja ele em que grau for, o pior é o desrespeito. A velha impressão de que depressão é “frescura”, “coisa de quem não tem o que fazer” e por aí adiante, é um dos motivos que pioram ainda mais o quadro depressivo. Na hora em que estamos nos sentindo impotentes, sem forças, e, pior, sem sabermos qual direção seguir, pois em meio à depressão o que nos parece é que todos os caminhos estão fechados, o que mais faz falta é o colo amigo, o compreender, ou tentar entender que não é uma opção nossa estar assim. Quem, em sã consciência, deseja viver sob um céu nublado? Com certeza, ninguém! E a depressão é mais ou menos isso: um céu escuro, que mesmo brilhando, não nos atinge, pois não conseguimos receber seus raios calorosos, ou enxergar nitidamente sua cor.

      Já ouvi, ao longo de toda uma história depressiva, conselhos que quase faziam-me esconder-me ainda mais. Aprendi a dar o troco exigindo respeito, que, claro, não é tão fácil! De louca, a preguiçosa, já tive todos os adjetivos que possa imaginar, e, sei, não sou a única, infelizmente. O que falta às pessoas que estão isentas da depressão é a compreensão. Nossas vidas são instantes e nem todos eles são uma festa, não? Por vezes, o que deveria ser somente um instante, caminha por dias, semanas… O nosso inferno interior, e, chato, nem somos pecadores para merecer as terríveis labaredas desse fogo que é avassalador. Noutras vezes, parece que caímos em uma geleira, onde o que entorpece também assusta. Não damos um passo! E aí vêm os que se julgam conhecedores de tudo! Os conselhos que não resolvem, o benzedor que é ótimo, o remédio caseiro que é um “espetáculo”. Desse último, nem corro mais. Para fazer efeito teríamos que ter uma plantação a perder de vista, e dessas plantas miraculosas comer a raiz, galhos, flores e frutos se tiverem, rs! Mas o importante, e o digo com relativa propriedade, é nos respeitarmos! Os outros? Bem, esses não contam! Se não nos respeitam, não merecem nossa preocupação sobre o que pensam a nosso respeito

      Eu brinco, como numa deliciosa e perigosa forma de disfarçar. Quando estou em plena crise, e, acontece com frequência, escrevo, leio poesias – daquelas lá do tempo do epa – ou durmo, e, se alguém vem me acordar solto os cachorros… E melhoro, e cozinho e faço planos e sinto-me linda. Tudo até a próxima, como numa novela diária, ou num encontro casual.

      Pode ter certeza, terá o meu respeito! Já o tem, na verdade! E com o respeito, dou-lhe o ombro, a compreensão e a tentativa de fazê-la sabedora de que até o que é ruim acaba sendo bom!

      Beijo no coração!

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  8. LuDiasBH Autor do post

    Celina Telma

    Apesar do sofrimento causado pelos desajustes mentais em seus portadores, é-me impossível, ao ler o seu texto, impedir que um riso frouxo tome conta de mim. Confesso mais, também gargalhei.

    É que eu amo este estilo gostoso de escrever, onde nem mesmo o desatino é capaz de botar para baixo a linha do humor.
    Eu gosto desta alegria desavergonhada, que expande de suas palavras, ainda que, sob o véu da graça, sobrevivam anos e anos de uma busca incessante pela cura dessa pirracenta, irritante e doída depressão.
    Eu me delicio com a capacidade daqueles que, como você, fazem de seus dramas uma comédia, sem darem a eles o status que exigem.
    Eu deliro com essa capacidade, que possuem os fortes, de não se permitirem ser subjugados pelos reveses da vida. Sofrem, é verdade, mas também riem de si e do mundo.

    Seu texto, amiga, é uma ode ao espírito guerreiro, que carregam pessoas como nós, que não se abatem com um chilique, um cangolé, um fanico, uma piloura ou uma turica de nossa manhosa, amotinada e marota mente. Ele deve ser receitado para todos aqueles que acham que não há vida por trás da depressão.

    O meu desejo é que o escitalopram (meu amado Oxi, que anda na boca de todas e de todos) opere mudanças expressivas em sua vida. Digo mudanças, porque sabemos que, no nosso caso, será um companheiro “até que a morte nos separe”. Amém!

    Desejo sobretudo, que ele não retire esse seu humor delicioso, que haverá de nos brindar com muitos textos saborosos como este.

    Seja bem-vinda como colaboradora. A casa é sua!

    Beijos,

    Lu

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    1. Marcia

      Celina
      Eu li sua postagem. Estamos no mesmo barco quanto à questão da compulsão alimentar. Vamos nos ajudando.
      Lu, obrigada por me avisar.

      Beijos

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      1. Celina Telma Hohmann

        Márcia
        Eu jamais, em instante algum, imaginei que poderia chegar ao perigoso labirinto do transtorno alimentar! No início nem me dei conta de que caminhava para um penhasco, alto, perigoso…

        Em 2004, problemas pessoais sérios, como a morte do pai de minha filha, à época, ela com 6 anos, parafusei, literalmente! Tinha também um grupo de crianças e adolescentes, que eu mantinha unidos, praticando TaeKwondo, e era a minha paixão aquela doce convivência, que, infelizmente, terminou por motivos que mexem com a alma. Quando a gente descobre o que é a pobreza, sua carranca e o que pode causar, descobre o quanto são vulneráveis pessoas com poder aquisitivo menor. O caos aconteceu. Nem foi sério, mas eu não estava bem, e o que houve deixou-me ainda pior. Foi uma fase enlouquecedora! Perdi preciosidades, que em outra circunstância somente fariam mal, mas comigo foi o golpe fatal! Perdi meus pequenos e mesmo os tendo por perto, perdi a convivência semanal, gostosa,proveitosa!

        Nesse período, já vindo de recidivas dos transtornos do humor, houve um agravamento sério, muito sério e mudei para medicações diferentes e aí, engordei. Foram 14 quilos ganhos num período curtíssimo. Eram os antidepressivos! Não sou vaidosa, dessas que vivem em função da beleza, em absoluto! Mas sempre fui magra – bendita herança genética! – e os quilos a mais pesaram na autoestima, no desequilíbrio já instalado e o resto você conhece…

        Mantive-me por um bom tempo com o desespero de não olhar no espelho, mas ainda assim, ver o corpo que a mim não era o meu! Veio a fase do desleixo, do não querer nada, do julgar-se e achar-se horrível, mas a medicação era necessária.Imprudentemente, deixei a medicação por conta e risco próprios. Fiz o pior! E, claro, mudei de médico, pois o que me assistia, ao que me parecia, iria me descartar… Com o passar do tempo, o corpo voltou ao peso normal, exceto a tal da deprê. Essa, faz da minha existência a sua gangorra! No fundo, uma boba, rs!

        Problemas renais, dores insuportáveis, medicação suspensa e cirurgias, com o acréscimo de novas medicações para dores, com o cuidado de não prejudicar os rins ainda mais. Foi um sufoco! Ao final, internações hospitalares sem conta e cirurgias em ritmo de carnaval: todo ano tem! Emagreci! Pelas dores, pelos vômitos, pelos jejuns para exames, e por aí vai…Paradoxalmente, mesmo torta de dor, sentia-me bem! Vá se entender o ser humano!

        O sal, a gordura animal, o excesso de açúcar, tudo proibido, inclusive a água que é obrigatória, e no meu caso, oferecia risco. Uma “pedrinha” sempre ficava ziguezagueando e doía, muito! Aboli a água. Virei camelo, com a diferença que não esperava a hora de beber água outra vez. Há mais ou menos um ano, sem que me desse conta, comecei a não comer. Odeio o sal, me privo do açúcar e não gosto do azedinho, então, comer o quê? Diga-se que não como carne. Imagina o cenário? Bem, jamais me passava pela mente que a outra extravagante – a anorexia – fazia já morada em meu doce reino…

        Sou cozinheira das boas, mesmo que minha área de atuação tenha sido outra, sou apaixonada pela culinária e não me dava ao luxo de comer. Sabotei-me de todas as formas imagináveis, e, chato, eu não percebia! Help! Minha filha e irmã foram quem, quase que com camisa de força, me obrigaram a contar à minha médica o que estava fazendo. Claro que eu não contava, e a médica, delicada, doce, sempre me julgou uma pessoa legal, até me comparava à uma tia dela, que segundo diz, é como eu: fala calmo, é lúcida, heheheh! Passei a perna na médica, Jesus!

        Conhecia, por literatura e documentários os efeitos da tal, mas quem disse que percebi que estava caindo na própria? Mesmo emagrecendo, escondendo pescoço e braços que demonstravam pele flácida, ainda assim, não assumi que o peso estava errado. Diga-se que exercícios físicos, por ora, me são proibidos, exceto as caminhadas leves. Devo isso aos rins. Ou ruins? Sei lá! Mas descobri e assustei-me,ter feito tudo errado e o fiz conscientemente, ou não? Não sei. O que sei, é que estou na boca do crocodilo e tenho que escapar!

        Fui à médica! Medicação, exames, compromisso de nutricionista, agendamento com psicóloga e que tais, mas, confesso, começo com a medicação só amanhã. Erradíssimo! Mas tenho a atenuante da espera por conta das finanças. Não brincarei mais! E um conselho: isso é sério! Foge do controle, sabota, toma feições próprias, portanto, cuide-se, busque auxílio médico e por conseguinte todas as demais orientações. O que precisamos é dar o peso correto ao problema e esse, tem um peso enorme!É perigoso, destrutivo e sem acompanhamento profissional, ao que percebi, a gente se deixa levar. Meio suicida, concorda? Torço, de coração, para que você tenha apoio. Eu estou tendo, mas, ainda assim, me pego dando minhas escapulidas. Não é esse o caminho. Sei disso e prometo, em um mês estarei comendo tudo o que faz bem, mesmo que uns quilinhos a mais apareçam, ainda assim, quem disse que preciso manter o corpo dos dezoito anos?

        A compulsão alimentar é severa, também. Normalmente, avaliada em graus que vão do mais leve ao grave e gravíssimo. Sempre associada, inicialmente à ansiedade, passando por transformações psicológicas que vão de perdas reais e que causam dor emocional às fantasias, onde o que se busca é o alívio para necessidades, que variam de indivíduo para indivíduo. Busca-se a felicidade, a compensação no alimento. Por vezes, vem a culpa e aí entra o círculo vicioso de comer exageradamente e provocar o vômito.

        Cuide-se, pois a princípio, o que parece pequeno vira um enorme problema! Mas, linda, tudo tem solução! O primeiro chute terá que ser nosso e a proposta de mudança terá que ser nossa. Sei, você fará isso e logo, logo, estará bem e de bem com você própria! Afague sua alma, abrace seu coração e pense em quanto é importante viver e estar bem!
        Dou-lhe aqui, seu primeiro abraço de conforto e o afago gostoso que você merece!

        Um abraço enorme!

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    2. Celina Telma Hohmann

      Doce, Lu!
      Eis que o o sertão virou terra fecunda! Quando descobri o blog, eu o senti como o presente que mereço, afinal, ele é perfeito! Não consigo deixar de comentar quando algo é agradável, e, Graças a Deus, só comento, mesmo, o que é bom! Comentar o ruim é perder tempo e disso, corro é longe!

      Amei seu texto inicial, e, claro, “babei” com sua dança de palavras, embaladas pelo toque mágico da música que só o coração ouve, ao ler o que escreveu sobre meus devaneios! Menina! Como no velho ditado que diz que em terra de cego quem tem um olho só é rei, sinto-me a rainha que faz pirraça com os desatinos! Uma forma de não enlouquecer é fazer-se louco em tempo integral, aí, a loucura vira graça e é assim que me viro!

      Tenho duas opções: ser vítima – e dessa eu sou – ou fazer-me vítima – e isso eu não farei – Então, que venham as pedras e as carrego, mesmo que por vezes a coluna entorte, o pescoço vire uma bolota inflada pelo esforço, ainda assim, lá vou eu… Nem todos os dias são fáceis, mas também, nem todos são difíceis. Tal qual o copo meio cheio e meio vazio, observo os dois possíveis resultados que cabem à hora e tento não quebrá-lo (o copo). Afinal, a perspectiva é minha. Variável, mas sempre tento fingir que o tal está quase cheio (o copo). Chato que por vezes transborda e faz uma lambança danada, em todas as possíveis definições! Copo chato, rs! Sou assim: brinco, mas convenhamos, brinco sério! Chorar? Não me dou ao luxo! Deixo o tal para quando assisto a filmes em que o menininho perde o cachorrinho e sai todo tristinho, e por aí vai…

      Vou contar-lhe um segredo: como sei que a vida é fugaz, sofro pela depressão, pois ela tolhe momentos que deveriam ser todos voltados à vida, mas, se preciso conviver com ela – claro que a contragosto! – aproveito e tento aprender coisas que antes eram impossíveis prenderem minha atenção. Por exemplo: a cozinha, sua história, as tresloucadas mutações de alimentos X em resultados Y! Fascinante e apaixonante! Nas minhas horas de clausura, lá vêm os livros, as buscas, as observações e, claro, quando o corpo ajuda, a alquimia. Doce ventura poder cozinhar, descobrir sabores, tendo antes, descoberto a origem, quem tentou fazer e fez bem, quem errou e desse erro cooperou com a gastronomia atual.É um mundo que apaixona e aí, aquele cansaço do ontem, dá origem à uma avidez em agradar paladares dos que amo, ganhar um extra que também não sou boba, e, confesso, sem modéstia alguma, fiquei boa nessa área e quem ganha são muitos! Mas também tiro meu proveito e me passo por uma “senhora cozinheira/confeiteira/banqueteira/cake designer/cerimonialista”.

      Enfim, se a tempestade está chegando, vamos à dança, ao lavar a alma, molhar os pés e esfriar a cabeça! Que venham os trovões, eu os ouço! Os raios? Eu os admiro!

      Abração!

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