Poussin – PASTORES DA ARCÁDIA

 Autoria de LuDiasBH

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Nicolas Poussin, um apaixonado pelo Classicismo, estudou as estátuas clássicas com grande entusiasmo, como nos mostram as admiráveis figuras de sua obra Pastores da Arcadia (Et in Arcádia), uma das mais famosas, que pertence ao gênero mitológico, alegórico e bucólico, e, que se apresenta como um corpo sólido. Esta pintura evidencia um padrão imaculado de beleza e harmonia, em que tudo se mostra no seu devido lugar, na medida exata, sem que coisa alguma se mostre casual ou vaga. Além disso, a obra repassa uma gostosa sensação de  simplicidade natural, de onde emerge a sensação de descanso e sossego.

Aqui, Poussin retrata três pastores e uma jovem diante de uma austera lápide. A cena  acontece numa tranquila e luminosa paisagem, banhada pela luz quente da manhã. Uma cadeia de montanhas perfila-se diante do horizonte. Três jovens e belos pastores, com seus cajados e coroas florais, e uma linda rapariga, todos numa posição clássica, encontram-se diante de uma enorme pedra tumular.

Um dos pastores, usando uma túnica azul e sandálias da mesma cor, ajoelhado diante da lápide, com o cajado seguro pela mão esquerda e encostado ao ombro, tenta decifrar a inscrição ali contida. É único que se encontra calçado. O que sugere que seja ele o mais culto do grupo.

O pastor, à direita da composição, usando um manto vermelho, segura um cajado na mão direita e, com o pé esquerdo apoiado em uma das pedras do túmulo, olha para a jovem, apontando-lhe a inscrição epigráfica.

O terceiro pastor, usando um manto rosa, de pé, com um cajado na mão direita, enquanto a esquerda descansa sobre a pedra tumular, permanece silencioso.

A jovem, que usa um traje azul-marinho e amarelo-dourado, e traz na cabeça um pano branco enlaçando-lhe os cabelos, descansa a mão direita no ombro do pastor próximo a ela. Mostra-se melancólica e silenciosa, com os olhos fixos naquele que decifra a inscrição.

ET IN ARCADIA EGO (E na Arcádia estou) é a inscrição latina vista na lápide, que poderia ser traduzida por “Eu, a Morte, reino até na terra idílica das pastorais, na Arcádia dos sonhos.” A frase é um momento mori.

Os quatro personagens mostram-se calmos e reverentes diante da morte, sendo a composição uma “elegia sobre a transitoriedade da vida”.

Ficha técnica:
Data: 1650 -1655
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 85 x 121 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris

Fontes de pesquisa:
A história da arte/ E.H. Gombrich

4 comentários sobre “Poussin – PASTORES DA ARCÁDIA

  1. Jean Pierre

    Olá. Gostaria de saber qual a relação entre as sandálias e o saber nesta imagem quando você se refere ao pastor que lê a inscrição ao dizer dele que: “É único que se encontra calçado. O que sugere que seja ele o mais culto do grupo.” Em outras palavras, por que as sandálias sugerem que ele é o mais culto do grupo? Isto é muito importante para um artigo que estou escrevendo intitulado As sandálias de Sócrates. Antecipadamente, agradeço.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Jean

      Principalmente nos tempos idos, o ato de calçar os pés sempre representou status.
      Ainda hoje podemos sentir isso em nossa sociedade, em pleno século XXI.
      Quando você vê alguém descalço na rua, logo liga o fato à pobreza.
      Imagine então como deveria ser naquela época.

      Aliado a isso temos o ato da leitura.
      Dentre os pastores, classe de pessoas pobres, um deles está lendo, tentando decifrar a inscrição na lápide.
      A leitura, naquela época, era privilégio de pouquíssimos.
      O saber, portanto, custava caro.
      Só tinha acesso a ele quem tinha posses.

      Espero ter lhe ajudado na interpretação.
      Tenho a certeza de que fará um brilhante artigo.

      Se gostou do Vírus da Arte e Cia. , repasse-o para seus contatos.

      Venha todos os dias nos visitar.

      Grande abraço,

      Lu

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