O SÁBIO SOMENTE SE OCUPA

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Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos ensina a ocupar-nos com sabedoria.

Chamamos ocupar-se o ato de empregar esforços e recursos para a realização de uma coisa qualquer, seja a solução de um problema, seja a criação de uma obra útil ou bonita, seja fazer qualquer coisa que, estando à nossa frente, não pode deixar de ser feita. Ocupar-se com eficiência é obter o melhor resultado naquilo que se faz, usando para tal o mínimo de esforço. Ter eficiência é o ideal de todo aquele que trabalha. Depende de muitos fatores, desde a natureza da obra em que nos empenhamos, ao alcance dos meios materiais e aos instrumentos disponíveis, mas principalmente da concentração mental dirigida ao agir.

Descobrir e usar o melhor método para aumentar o rendimento da ação constitui uma arte. É uma arte que deveríamos desenvolver. Yoga é definido por Krishna, no Gita, como “a excelência na ação”. O que temos que fazer, devemos fazer bem feito, pois a ação ou a obra imperfeita implica realmente numa dívida a que ficamos vinculados ou presos. Só o perfeito agir ou fazer liberta-nos, segundo a escola Suddha Dharma. A “P. L.” (Perfeita Liberdade), moderna ordem religiosa do Japão, para a qual “a vida é arte”, ensina a seus fiéis a agir com makoto, isto é, com perfeita integração e devoção no que está fazendo, não importa a aparente humildade da obra. Aliás, não existe obra humilde quando o agente realiza makoto. Quando o agente é mesquinho em si mesmo, não importa que administre um Estado, o que faz é mesquinho e imperfeito.

Yoga, bem diferente do que muitos pensam erradamente, não conduz à inação. É ao contrário, é uma filosofia da ação. É, isto sim, uma terapêutica contra a agitação. É muito comum confundir agitar-se com produzir. A ação inteligente é serena, mas firme. O homem criativo é sereno e não vive apressado, a sacudir-se aqui e ali, a correr trepidante de um lado para outro, manejado pela afobação infecunda, fatigante, contagiante e nervosa. O homem ocidental, atuado pela ansiedade, atraído pelo sucesso, esporeado por múltiplas ocupações é infeliz e vulnerável. Ele precisa, para salvar-se de muitos problemas com os nervos, dar sabedoria a seu agir. Falando em linguagem yoguin: substituir a rajacidade pela satvidade.

Segundo o Yoga, há um dinamismo intensíssimo no sábio que, sentado, medita. Esse dinamismo não pode ser visualizado ou mesmo entendido pelo agitado homem pragmático do ocidente. Um yoguin em âsana (postura) a meditar dá ao leigo a aparência de estar parado, improdutivo e perdendo tempo. No entanto, ele está num estado altamente dinâmico. Não é como o homem vulgar o julga, preguiçoso, improdutivo e inoperante. O preguiçoso é parado como as águas de um banhado. O nervoso homem de negócios é feito mar encapelado pela fúria da tempestade. O sábio que medita está parado, mas sua estática é vertical como a dos giroscópios. A estagnação horizontal do preguiçoso é doença. A agitação do negociante pode levá-lo à doença. A vertical estática na meditação do sábio o leva à santidade ou sanidade, que é a mesma coisa, e lhe descerra um tesouro de criatividade.

O homem superativo se gasta antes, durante e depois. Não se ocupa tão só com o que tem diante de si. Sofre por antecipação, pois se “pré-ocupa”. E sofre com retardo, pois é presa de remorso, ressentimento ou tristeza pelo que fez, isto é, ele se “pós-ocupa”. O sábio somente se ocupa. Não se preocupa. Não se “pós-ocupa”. Não se consome no que está por vir. Não se empenha no que passou. Não sofre na espera. Não se martiriza rememorando. Ele segue o ensino bíblico, vivendo seu dia e deixando que o ontem ou amanhã cuidem de si mesmos. Não quer dizer que seja imprudente e irresponsável, mas acha que não é inteligente começar a dançar antes que a música toque nem continuar dançando depois que ela finda. Sabe prever para prover e não para sofrer.

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF.

Nota: O Artesão, obra de Vicente do Rego Monteiro

4 comentários sobre “O SÁBIO SOMENTE SE OCUPA

    1. LuDiasBH Autor do post

      Antônio Messias

      É verdade! Temos que seguir os conselhos do grande mestre Prof. Hermógenes.

      Abraços,

      Lu

      Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Fabiana

      Os textos do Prof. Hermógenes são importantes aulas de vida.
      Que bom saber que gostou!

      Abraços,

      Lu

      Responder

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