Jacob Jordaens – O ARTISTA E SUA FAMÍLIA
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Autoria de LuDiasBh

A composição denominada O Arista e sua Família ou ainda Retrato da Família do Arista num Jardim é obra do pintor Jacob Jordaens (1593 – 1678), um importante artista do Barroco Flamengo. Estudou com Adam van Noort que foi professor de Peter Paul Rubens, tendo também trabalhado por um curto período de tempo com Rubens. Dono de um estilo parecido com o de Caravaggio, embora também se arvorasse na pintura holandesa, o pintor executou inúmeras encomendas, inclusive internacionais.

Embora este quadro seja monumental, ele é na verdade muito simples. O seu centro piramidal encontra-se situado entre duas massas verticais. O ponto visual baixo tem por objetivo acentuar a importância das figuras vistas na cena e que se encontram envoltas por luz e sombra. Apesar da influência de Rubens, responsável por estimular Jordaens, ele se mostra original em sua composição que, além das formas esculturais traz ainda um forte colorido.

Nesta pintura, o artista se autorretrata ao lado de sua família no recanto do jardim de sua casa. Ele se apresenta de pé, à direita, segurando um alaúde, enquanto, com a mão direita, apoia-se numa cadeira de madeira. Atrás dele está o cão da família. A mulher Catarina van Noort, ricamente vestida, está assentada numa cadeira mais baixa, tendo à sua direita a filhinha, de pé, segurando um pequeno cesto de vime com flores. No meio, usando um enorme chapéu e segurando um cesto com flores e frutas, encontra-se a criada. Um pássaro é visto pousado sobre um galho. Trata-se de uma cena doméstica.

Ficha técnica
Ano: c.1621
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 181 x 187 cm
Localização: Museu do Prado, Madri

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia

DEPRESSÃO E PENSAMENTOS NEGATIVOS
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 Autoria de LuDiasBH

O depressivo tem constantemente pensamentos depreciativos e derrotistas que o levam à desesperança e à tristeza. (Aretusa dos Passos Baechtold)

 Os pensamentos negativos são reflexões intrusivas, como se fossem um diálogo de si para si, sempre girando em torno de uma avaliação negativa da situação atual. (Rodrigo Pessanha)

 A pessoa depressiva sempre se culpa e se pune pelo que não deu certo. Ela não tem esperança no futuro, não acredita na superação dos obstáculos. (Paulo Paiva)

 A depressão exerce uma grande influência sobre as emoções e os pensamentos da pessoa por ela acometida, pois a vítima passa a ter uma avaliação negativa sobre si mesma, sobre os outros e sobre o futuro. O neurocientista Aristides Brito mostra o porquê dessa influência: “A doença é uma disfunção do lobo frontal que causa uma dificuldade na interação entre essa região e o sistema límbico”, ou seja, atinge a unidade responsável pelas emoções e, em consequência, afeta o estado emocional de seu portador.

Ainda que o transtorno depressivo se apresente de modo diferente em cada pessoa, é possível observar a mesma linha de pensamentos negativos e pessimistas. Esse batalhão de pensamentos ruins e repetitivos é chamado por alguns especialistas de “ruminações depressivas”. Segundo o psiquiatra Rodrigo Pessanha “São reflexões intrusivas, como se fossem um diálogo de si para si, sempre girando em torno de uma avaliação negativa da situação atual”.  Tudo parece ruim e sem graça. Nada faz sentindo. A psicanalista Cristiane Vilaça afirma que “Nada no universo exterior é atrativo o suficiente para tirar a pessoa depressiva de seu estado, nem seus entes queridos ou as coisas que costumavam lhe dar prazer”. A psicóloga Valéria Lopes Silva acrescenta que “Ocorre a sensação de impotência, de ausência de sentido para a vida, além de (os depressivos) se sentirem injustiçados pelo mundo”.

O fato de as pessoas depressivas terem uma visão de mundo negativa, sempre achando que a vida não tem sentido, portando um vazio interior e tédio, contribui ainda mais para o seu pessimismo, gerando uma corrente interminável de pensamentos negativos, num círculo vicioso. Os problemas que para uma pessoa não afetada por tal transtorno são considerados normais, assumem uma grande proporção para as depressivas. Segundo o psicanalista Paulo Paiva “A pessoa passa a sentir pequenos problemas de uma forma intensa e os acontecimentos tomam proporções significativas”. Tudo é visto por ela através de uma lente de aumento, como se não existissem alternativas, pois o depressivo bloqueia todos os caminhos.

Em razão dessa avaliação que o depressivo faz de sua presença no mundo, como se estivesse preso num labirinto sem saída, onde o sofrimento é a tônica, resvala muitas vezes para o pensamento suicida, como, se morrer, fosse a sua única saída para acabar com a sua dor e angústia. Somente quando busca ajuda médica é que ela vê que existem outras possibilidades. Faz-se necessário, portanto, que a família ponha-se de prontidão diante de certos comportamentos desse ou daquele seu membro depressivo. A psicóloga Aretusa dos Passos Baechtold chama a atenção para “Comportamentos de despedida – como doar coisas importantes, fazer testamentos, visitar parentes que há tempos não vê – podem ser indícios significativos”. Diante disso, a ajuda médica deve ser buscada com o máximo de urgência.

Pesquisas demonstram que as mulheres têm o dobro de chances de desenvolver a depressão em relação aos homens e constituem a maior população de depressivos. Muitos fatores contribuem para se chegar a tal visão. Além do fato de encararem a doença com mais naturalidade e buscarem ajuda médica (o que facilita as estatísticas sobre a doença) há também o seu complicado envolvimento social. Segundo a psicanalista Beatriz Breves “As mulheres ainda ocupam uma posição aquém dos homens no mundo. Em uma sociedade machista, a igualdade de direitos continua longe de ser conquistada, e isso prejudica a autoestima”. Mesmo fazendo parte do mercado de trabalho, as mulheres ainda estão associadas aos trabalhos domésticos, o que também interfere no seu convívio social, gerando conflitos. Segundo o psicanalista Paulo Paiva, as características hormonais também interferem: “Puberdades, ciclos menstruais, gravidez, parto e menopausa… Por isso elas ficam mais vulneráveis à depressão”.

Pesquisas também apontam que o conhecimento da depressão em suas diferentes fases e o porquê de suas manifestações ajudam muito na superação da doença, sobretudo em relação ao aparecimento dos pensamentos negativos. Recomendam também o uso de terapias alternativas como a mentalização (o que veremos mais à frente).

Nota: O Grito, obra de Edvard Munch

Fonte de pesquisa
Revista Segredos da Mente, Cérebro e Meditação – nº 1

Correggio – VÊNUS E CUPIDO COM UM SÁTIRO
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Autoria de LuDiasBH

vecucuns
A composição denominada Vênus e Cupido com um Sátiro é uma obra mitológica do pintor italiano Correggio que, para alguns, trata mais de uma alegoria. Também é conhecida, erroneamente, como “Júpiter e Antíope”. Presume-se que esta alegoria do amor terreno era acompanhada de outra, denominada “A Escola do Amor”, que celebrava o amor celestial.

A tocha flamejante que se vê entre Cupido e a mulher que se encontra dormindo é na verdade um atributo de Vênus, a deusa do amor. A tocha e as setas são também um atributo de Cupido, mostrando que o amor faz arder as pessoas acometidas por ele, afetando-as, mesmo que se encontrem distantes.

Cupido, ao lado de sua mãe, encontra-se dormindo profundamente sobre a pele de leão, símbolo da força ? que ganhara de sua vitória sobre Hércules ? e sobre seu arco vermelho. Do lado direito de Vênus está sua aljava. Vênus, por sua vez, dorme profundamente, trazendo o braço direito em volta da cabeça e o esquerdo descansando sobre o arco vermelho de Cupido. Seu corpo nu com a pele sedosa e branca a irradiar luz é de grande beleza.

O sátiro, postado atrás da deusa, é uma criatura metade homem e metade bode, tido na mitologia greco-romana como perseguidor das ninfas e participantes das bacanais do deus Baco, sempre afeito aos desejos do sexo. Ele levanta o manto azul sobre o qual a deusa encontra-se dormindo, o que faz sombrear sua cabeça, pescoço e braço direito.

Na mitologia greco-romana, não há nenhuma história referente a Vênus ser violentada por um sátiro, portanto, esta pintura deve ser vista mais como uma alegoria do que como uma história mitológica. Segundo estudos, o nome recebido por ela, no século 17, era “Venerie Mundano” (Terrena Vênus), dando ênfase ao amor carnal.

Ao fundo, a vegetação escura, dá maior destaque às figuras.

Ficha técnica
Ano: c. 1524
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 188x 125 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.louvre.fr/en/oeuvre-notices/venus-satyr-and-cupid

COMO A DEPRESSÃO ACONTECE
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Autoria de LuDiasBH

A depressão (além da genética) consiste na convergência de uma ou mais das seguintes situações: a maneira de entender e lidar com a vida; algum(s) acontecimento(s) doloroso(s) ou mais intenso(s); dor crônica; uso continuo de certo tipo de medicamentos e doenças como hipotireoidismo. (Bayard Galvão)

 O transtorno de depressão, visto por uma questão neurológica e neuropsicológica, pode ser definido como um desequilíbrio de alguns neurotransmissores e de outras partes que compõem o sistema nervoso central. (Fábio Roesler)

A depressão, ao contrário do que os ignorantes no assunto imaginam, não se trata de “chilique” ou “frescura”, pois ela é tão complexa quanto tudo que diz respeito à área da mente e do cérebro, terreno ainda pouco conhecido pela Ciência. As causas de tal transtorno ainda não foram definidas, mas já existe um consenso entre os estudiosos do assunto de que a predisposição genética pode ser uma delas. As demais estão ligadas a outros possíveis fatores. O que leva ao entendimento de que a depressão tanto pode resultar de único fator assim como da convergência de muitos outros.

Segundo a psicanalista Cristiane Vilaça “Pessoas que passam por situações de estresse prolongado ou que estão sujeitas a situações de tensão constante e violência são as mais propensas a enfrentar este transtorno”. E o psicólogo Bayard Galvão acrescenta que a depressão também pode estar ligada ao excesso de acontecimentos negativos, como demissão, desemprego, falta de dinheiro, solidão e relações afetivas ruins, etc. Ele exemplifica: “Imaginemos que cada pessoa tem uma mochila que carrega todos os dias e que os problemas da vida não resolvidos são tijolos que vão sendo colocados dentro dela. Uns aguentarão 10 tijolos, outros 50, mas todos têm seus limites. Aí, um dia, ao colocar mais um tijolo, a pessoa cai exausta, dizendo: ‘foi pesado o último tijolo’, quando na realidade, foi apenas a gota d’água’.”.

Cérebro e Depressão

O sistema nervoso é o responsável por governar todas as atividades de nosso corpo, funcionando como uma central de comando, logo, não causa estranheza a sua relação com o transtorno depressivo. A microestrutura do cérebro é formada pelos neurônios. Os estudiosos do assunto, portanto, alegam que certos fatores neurológicos são responsáveis por fazer com que esta central entre em pane e a depressão ganhe vida.

O modo como os neurônios funcionam tem tudo a ver com o desenvolvimento do transtorno depressivo. Segundo a neurologista Vanessa Muller: “Estima-se que existam mais de 200 bilhões dessas células somente em um cérebro, utilizadas para processar todas as informações, sejam elas motoras, sensitivas, cognitivas ou psíquicas, portanto, para vermos, cheirarmos, sentirmos, tocarmos, andarmos, tomarmos decisão, memorizarmos, ficarmos tristes, felizes, com fome, com sede, com sono, enfim, precisamos das informações compartilhadas entre esses neurônios através de sinapses. Quando ela é química, dá-se através de neurotransmissores como dopamina, serotonina, norepinefrina, acetilcolina, d?entre outros”.

O sistema nervoso age com uma central que comanda todas as atividades corporais, portanto, está intimamente relacionado com a depressão. Além dos fatores genéticos e situações de perda, violência e grandes decepções, certos fatores neurológicos contribuem para que a depressão se instale.

Segundo o neurocientista Aristides Brito “A serotonina facilita as ligações neuronais e é ela que, por exemplo, deixa a pessoa saudável para reagir diante das situações adversas, o que ajuda ? e muito ? a evitar a depressão”. Ainda segundo Brito “A depressão é muito mais de que as mudanças químicas no cérebro já que se relaciona com as emoções ? e essas são afetadas pelo meio ambiente, principalmente nos dias de hoje, com tanta pressão na vida moderna”.

A revista especializada “Scientific American” divulgou um estudo feito por meio de imagens extraídas por eletroencefalografia e ressonância magnética das atividades cerebrais de um grupo de pessoas depressivas. O resultado foi comparado ao de outro grupo não portador do transtorno. O que se detectou é que, nos depressivos, as regiões cerebrais ligadas a pensamentos, humor e atenção possuíam uma enormidade de estímulos trocados (superconectados). Essa pane no nosso sistema cerebral é resultante de uma falha na neurotransmissão. Assim, o desequilíbrio bioquímico nesses neurotransmissores pode desencadear inúmeras consequências, como irritabilidade, impulsividade, baixa energia e… depressão.

Fonte de pesquisa
Revista Segredos da Mente, Cérebro e Meditação – nº 1

SOFRO PORQUE SOFRO…
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Autoria de LuDiasBH

 – Vem cá, minha pequena!
Por que és tão bela e tão triste?

– Porque eu transporto as dores
Do mundo na minha frágil alma.

– Por que motivos tu carregas
Tão pesado e doloroso fardo?

– Desconheço uma explicação,
Penso que a vida escolhe alguns
Para levar adiante esta missão.

– Descreve-me esta tua angústia,
Quais causas ferem-te o coração?

– Infinitas são elas! Sou uma esponja
a filtrar o sofrimento que se espalha
Pelos cantos e recantos da Terra.

– Dize-me porque levas n’alma este
Absinto, bebida amarga dos poetas
Pela sensibilidade, dilacerados.

– Sofro, sobretudo, pelos desvalidos
E pelos animais vagando pelas ruas.
Sofro por mim, por ti, pelos outros
E pelas maldades perpetradas pelo
Homem nas mais diferentes plagas.

– Ainda assim, tua dor é tão aflitiva
Que transpõe a materialidade da vida,
Dá-me uma razão mais profunda para
Eu entender esta agonia não debelada.

– Amado meu, não me tortures mais!
Sofro por carregar chagas na alma.
Sofro porque sofro… E mais nada!

Nota: A bebedora de Absinto, obra de Pablo Picasso

Veronese – A DESCOBERTA DE MOISÉS
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Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada A Descoberta de Moisés e também Moisés Salvo das Águas ou ainda Descoberta do Jovem Moisés é uma obra-prima do pintor maneirista italiano Paolo Veronese. Ela já mostra a opção do artista pelo uso da sombra. O crepúsculo que começa a aparecer em suas pinturas coincide com o ocaso de sua própria vida. Ele passa a trabalhar de uma nova maneira na distribuição de luz e sombra, mas, ainda que a claridade diminua, a qualidade de seu trabalho permanece imutável. Existem muitas versões desta obra, contudo, somente duas são tidas como autênticas: esta, pertencente à Galeria Nacional de Washington, nos EUA, e a do Museu do Prado, na Espanha. Ambas são praticamente idênticas.

A pintura refere-se a uma passagem bíblica, expressa no Antigo Testamento. A cena mostra o bebê Moisés, salvo das águas por uma jovem mulher que o entrega a uma criada idosa com um pano para enrolá-lo. A seu lado está a filha do faraó, ricamente vestida, segundo a moda veneziana da época do Renascimento, acompanhada de suas damas que contemplam a criança com curiosidade. O grupo, banhado pela luz crepuscular, encontra-se em uma das margens do rio Nilo. O movimento das figuras está em perfeita harmonia com a paisagem. Do outro lado da ponte vê-se uma cidade egípcia imaginária.

À direita e à esquerda, em suas extremidades inferiores, o quadro apresenta dois criados vestidos de vermelho.  O da direita é um anão que leva consigo um instrumento musical. O da esquerda é um pajem negro com uma cesta. À esquerda, em segundo plano, duas moças parecem preparar-se para um banho no rio. A composição é inteligentemente estruturada. Suas cores, de belíssima gradação, são suaves e bem distribuídas. As duas árvores em formato de V repetem a mesma posição da velha e da filha do faraó. A margem inclina-se para o rio, à esquerda, como mostram as duas mulheres que se encontram um pouco mais distantes.

A cena acontece em meio a tons crepusculares, inerentes ao pôr do sol, com a luz banhando a paisagem veneziana ao fundo. O efeito atmosférico crepuscular contribui para suavizar os contornos das figuras, como podemos observar nas jovens que se banham ou na garota entre a senhora idosa e a filha do faraó.

Ficha técnica
Ano: c.1575/1580
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 58 x 44,5 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Verones/ Abril Cultural
1000 obras primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.artehistoria.com/v2/obras/1007.htm