Pintores Brasileiros – PEDRO WEINGÄRTNER

Autoria de LuDiasBH

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[…] E seus pensamentos e anseios de realização voltaram-se para o Rio Grande do Sul. Não que não o tivesse pintado com suas paisagens e suas gentes, mas talvez se apercebesse que sua terra tinha aspectos e motivos ainda não estudados com a paixão com que estudara aqueles de Anticoli, que lhe inspiraram tão notáveis telas. […] Sentiu que em contato com a nossa paisagem poderia realizar coisas novas, não pintadas ainda por ninguém, como efetivamente depois as pintou, associando deste modo, mais vivamente, a sua arte à terra em que nasceu. (Angelo Guido)

O desenhista, gravurista, litógrafo, pintor e professor brasileiro Pedro Weingärtner (1853-1929) nasceu em Porto Alegre. Era filho de imigrantes alemães. Seu pai nutria grande apreço pela arte, era, inclusive, um desenhista amador. Seus irmãos, Inácio e Jacob, também eram artistas, tendo se dedicado à litografia. É provável que tenha sido Inácio, seu irmão mais velho, o responsável por inseri-lo no mundo das artes.

Pedro rumou para a Europa,  aos 25 anos, a contragosto da família, para estudar pintura, sendo que a maior parte de seus estudos deu-se na Alemanha.  Ele próprio era responsável por suas despesas, e também contou com a ajuda dos amigos quando a dificuldade fez-se presente. Em sua passagem pela França, onde teve como mestre William-Adolphe Bouguereau, conseguiu, através da intervenção do Barão de Itajubá, embaixador do Brasil em Paris à época, uma mesada para estudar em Roma, onde complementaria seus estudos. Ali abriu um ateliê, embora viesse muito ao Brasil, onde expunha e vendia facilmente suas obras, ganhando fama e dinheiro, e também visitava a família no Rio Grande do Sul. Morou cerca de vinte anos na Itália.

O artista possuía uma técnica aprimorada e nutria grande preocupação com os detalhes de sua pintura, que chegava a ser, muitas vezes, quase fotográfica, uma influência de seus mestres alemães. Em Paris participou de pelo menos duas exposições. Não podem ser esquecidos seus refinados trabalhos em gravura feita no metal, campo em que foi precursor, em nosso país.

Somente no final de sua vida foi que Pedro retornou ao Brasil, tendo que competir com uma geração diferente da sua, pendente para o modernismo, enquanto era um dedicado seguidor dos ensinamentos acadêmicos. Contudo, mostrou-se, de certa forma, aberto ao novo, tanto é que em suas obras podem ser encontrados reflexos de elementos neoclássicos, românticos, naturalistas e realistas. Pintou paisagens, retratos, temas clássicos e mitólogicos. Também contribuiu com a arte brasileira, ao retratar imigrantes e gaúchos.

Pedro Weingärtner morreu em 1929, no Rio Grande do Sul, dois anos após um derrame que o deixou hemiplégico. O escultor, gravador, escritor e crítico de arte ítalo-brasileiro Ângelo Guido, sobre ele assim se expressou:

Certos aspectos da pintura de Pedro Weingärtner só poderão ser compreendidos em toda a sua significação se tivermos em conta a própria índole do pintor, calma, vivamente compreensiva e dotada da profunda capacidade para se afeiçoar às criaturas, aos lugares e às coisas. O traço fundamental do seu caráter era incontestavelmente a bondade. E por ser bom era igualmente compreensivo e simples, de uma simplicidade tão natural, tão do seu feitio que chegava, por vezes, a parecer infantil, na vida como na arte. […] Embora reservado e sonhador, ninguém era mais sem complicações do que ele, mais acessível e suavemente comunicativo e delicado no trato com as pessoas que sabiam chegar até sua alma; alma que não se abria facilmente e nunca se manifestava em efusões estrepitosas. Mas que nem por isso deixava de estar sempre atenta para receber e amar o que fosse belo e digno, puro e sincero.

Nota: autorretrato do artista

 Fonte de Pesquisa
A arte brasileira em 25 quadros/ Rafael Cardoso
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Weing%C3%A4rtner
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa24732/weingartner

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