CARL SAGAN – ALUCINAÇÕES DE COMANDO (IX)
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Autoria de Lu Dias Carvalho

Os cristãos primitivos tinham a firme convicção de que o ar que respiravam estava povoado de inimigos invisíveis; de inumeráveis demônios que observavam todos os acontecimentos e assumiam todas as formas para aterrorizar e, acima de tudo, para tentar a sua virtude desprotegida. (Edward Gibbon)

A aceitação acrítica do misticismo e da superstição contribui para que se trapaceie, humilhe e às vezes até mate. […] Muitos são os charlatões conscientes vistos nas igrejas dos mais variados credos. (Carl Sagan)

Todo estudioso das crenças antigas sabe que a Grécia e a Roma antigas possuíam deuses para quase todos os fins. Segundo a mitologia oriunda desses povos, seus deuses podiam assumir as mais diferentes formas (touros, chuvas de ouro, cisne, etc.) para fecundar as mulheres pelas quais se apaixonavam, o que nos legou inumeráveis lendas. E não é que a Bíblia (Gênesis) também apregoa que demônios copulam com as “filhas dos homens”? O que vemos é que a religião cristã também imergiu no universo das religiões pagãs e dali retirou muitas bizarrices. Muito do que há no livro dos cristãos foi retirado de credos que existiram antes de Cristo, como comprovam os estudiosos de textos sagrados das mais diferentes religiões.

Muitas culturas antigas acreditavam que as ejaculações noturnas de sêmen eram instigadas por súcubos (segundo o Dicionário Aurélio – demônios femininos que, segundo uma velha crença popular, vem pela noite copular com homens, perturbando-lhes o sono e causando-lhes pesadelos). Dizia tal crença que Merlin (profeta, mago e conselheiro), Platão (filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga),  Alexandre, o Grande (imperador do reino grego antigo da Macedônia), Martinho Lutero (monge agostiniano e professor de teologia germânico que tornou-se uma das figuras centrais da Reforma Protestante), e muitos outros, assim foram gerados.

O demônio não molestava apenas as classes baixas, sendo neste ponto bem imparcial. Estava também presente nas altas, como comprova o livro escrito por Jaime I, rei da Inglaterra, quando vivia amedrontado com a existência de Satã. Ele apregoava que o tabaco era a “erva-daninha do diabo”. Contudo, o supersticioso rei veio a tornar-se um grande cético ao descobrir que adolescentes fingiam estar possuídas pelo demônio e, no suposto estado, acusavam pessoas inocentes de bruxarias, levando muitas delas à forca, enquanto outras, no entanto, passavam por “alucinações de comandos” esquizofrênicas.

“Alucinações de comandos” esquizofrênicas, segundo Carl Edward Sagan – cientista planetário, astrônomo, astrobiólogo, astrofísico, escritor, divulgador científico e  autor de mais de 600 publicações científicas e também de mais de vinte livros de ciência e ficção científica – imputa a uma figura mítica (ou tida como  tal) a ordem de fazer isso ou aquilo, até mesmo o cometimento de crimes contra a vida, como foi o caso de James Warren “Jim” Jones, fundador e líder da seita Templo dos Povos, responsável pelo suicídio/assassinato em massa  de 918 dos seus membros em Jonestown, Guiana, além do assassinato do congressista Leo Ryan e de quatro mortes adicionais em Georgetown, capital guianense, em novembro de 1978.

“Alucinações de comandos” são advindas de mentes esquizofrênicas, tornando-se ainda mais perigosas quando encontram um campo fértil para se espalhar. Grupos excessivamente sugestionáveis podem levar a sério quaisquer que sejam os seus mentores, sem qualquer posicionamento crítico.  Com eles se integram, interagem e agem no cometimento de atos insanos contra a sociedade em que se inserem, como vimos acontecer com Adolf Hitler (político alemão que foi líder do Partido Nazista, Führer da Alemanha Nazista de 1934 até 1945, principal instigador da Segunda Guerra Mundial na Europa e figura central do Holocausto). Seus seguidores julgavam-no um “ser supremo”, acima do bem e do mal.

Grupos que se deixam guiar por “alucinações de comandos”, são desprovidos de consciência crítica, ignoram a Ciência e apostam no caos como resolução de seus problemas. Não aceitam os fatos como são, mas como acham que deveriam ser e, por isso, tentam moldá-los à sua vontade, como se fizessem parte daquele joguinho infantil tão conhecido como “Siga o Líder”. Faz-se necessário coibi-los, sem jamais estimulá-los, pois uma mente doentia aguarda apena um gatilho para cometer insanidades.

Ilustração: A Carroça de Feno, obra de Bosch criada entre 1485 e 1500.

Fonte de pesquisa
O mundo assombrado pelos demônios/ Companhia de Bolso

Indicação: Site “Além da Fé” no You Tube.

Joseph Heintz – VÊNUS E ADÔNIS
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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor suíço Joseph Heintz (1564-1609) foi possivelmente aluno de Hans Bock, o Velho. Foi nomeado pintor da corte de Rudolf II, em Praga, onde permaneceu por dois anos. Também passou cerca de alguns anos em Roma, onde foi aluno de Johann von Aachen. Suas pinturas incluíam imagens religiosas, retratos e temas mitológicos eróticos.

A composição intitulada Vênus e Adônis, tema mitológico comum a muitos outros pintores, é uma obra do artista. O casal é retratado no momento em que Adônis despede-se de Vênus para ir caçar, mas será morto por um javali, conforme conta o escritor Ovídio em “Metamorfoses”. Este tema esteve muito em voga no fim do século XVI, sendo muito apreciado pelos colecionadores.

A deusa da beleza e do amor, seminua, está abraçada ao jovem Adônis, impedindo que ele parta para a caçada. O olhar do moço, voltado para baixo em direção aos Cupidos e aos cães, indica sua pressa em partir.

Este quadro foi executado por Joseph Heintz quando ele se encontrava na corte do Imperador Rodolfo II, em Praga, um dos mais importantes centros de cultura e arte da Europa. Ali o artista executou inúmeras cenas mitológicas carregadas de sensualidade. O trabalho feito em cobre mostra o nível da refinada pintura maneirista naquela corte.

Ficha técnica
Ano: na segunda metade do século XVI
Técnica: óleo sobre cobre
Dimensões: 40 x 31 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

TER FILHAS É TER PROBLEMAS
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Autoria de Lu Dias Carvalho

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Dez filhas magníficas valem menos do que um filho com deficiência. (Provérbio chinês)

Muitos filhos, muitas bênçãos de Deus, muitas filhas, muitas desgraças. (Provérbio alemão)

 As meninas sempre estiveram numa posição inferior à dos meninos na maioria das culturas, principalmente nas mais subdesenvolvidas, naquelas em que religião e Estado vivem de mãos dadas. Enquanto os filhos homens são recebidos com júbilo, as filhas são aceitas com pesar pela família. Tais culturas ignoram ou não valorizam o fato de que a mulher é imprescindível na perpetuação da espécie e na organização de uma sociedade. Esta diferenciação, que vem perdurando ao longo dos séculos em muitos países, é responsável pelo modo como homem e mulher encaixam-se dentro de tais culturas. Quanto mais severas forem as diferenças, mais díspares serão os papéis de ambos dentro da sociedade e menos valorizada será a mulher. Trata-se de um canteiro bem fértil para o feminicídio*.

Os provérbios são praticamente unânimes em reforçar a diferença entre filhas e filhos, apontando a inferioridade da mulher em relação ao homem. Vejamos alguns:

  • A casa paterna é território dos rapazes e restaurante das moças. (Chinês)
  • A jovem que se casa perde o parentesco. (Coreano)
  • Cada filha é uma mão cheia de problemas. (Árabe)
  • Quem tem um filho não morre completamente. (Dinamarquês)
  • A mulher não é parenta de ninguém. (Mongo)
  • Um filho tolo é melhor do que uma filha habilidosa. (Chinês)
  • Ter um filho é uma bênção, ter uma filha é uma desgraça. (Chinês)

Em muitas culturas, quando o homem se casa, sua esposa é obrigada a acompanhá-lo, cortando todo o vínculo com a sua família de sangue. Ela e seus descendentes passam a ser propriedade do marido, fazendo parte unicamente de seu clã. O nascimento de uma menina em certas sociedades é visto como um castigo para os pais. Mas, por que tamanha diferenciação entre homem e mulher? Não resta dúvida de que tudo isto está embutido, principalmente, numa visão machista, pois quanto mais machista é a cultura, mais insignificante torna-se a mulher, a ponto de garotos de tenra idade darem ordens em casa, subjugando a mãe e as irmãs.

Outro fator concernente ao jugo da mulher diz respeito ao provimento da família. Por mais simples que seja uma cultura, a subsistência é a sua preocupação primordial. As famílias pesam a importância dos filhos e das filhas dentro delas. Como visto acima, em muitas sociedades, quando a filha se casa, ela deixa a sua família de origem e passa a fazer parte da família do marido, sendo mais um membro na força do trabalho doméstico do novo clã, uma vez que é proibida de trabalhar fora de casa.

Ao olhar sob a ótica da desvinculação da filha de sua família de sangue, as filhas trazem prejuízos para seus pais e irmãos – concluem eles – ao criá-las e depois repassá-las para uma nova família. Elas não são, portanto, um bom negócio, ainda que tenha trabalhado como burro de carga durante muitos  anos em sua família de origem. O filho, por sua vez, jamais perde o vínculo com os pais, sendo responsável por eles na velhice. Um provérbio chinês diz que “O destino da filha é desaparecer e o do filho é permanecer”, ou seja, ela deixa os seus, enquanto o filho continua ajudando-os.

Só para se ter uma ideia do desencanto de um pai ruandês quando nasce uma filha,  existe até um provérbio que vem em seu socorro: “Não se deve insultar quem tiver uma filha, se puder continuar tentando” (ter um filho). Um provérbio coreano é mais consolador: “Uma família sem uma única filha é como um fogo apagado”, enquanto outro alerta para a importância de uma menina, pois “A filha mais velha é a ama dos irmãos”. Mesmo quando se tenta valorizar a menina, pensa-se nos serviços domésticos que ela irá prestar.

*”O feminicídio é o homicídio praticado contra a mulher em decorrência do fato de ela ser mulher (misoginia e menosprezo pela condição feminina ou discriminação de gênero, fatores que também podem envolver violência sexual) ou em decorrência de violência doméstica. A lei 13.104/15, mais conhecida como Lei do Feminicídio, alterou o Código Penal brasileiro, incluindo como qualificador do crime de homicídio o feminicídio.” Veja mais sobre “Feminicídio” em: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/feminicidio.htm

Fontes de pesquisa:
Nunca se case com uma mulher de pés grandes/ Mineke Schipper
Livro dos provérbios, ditados, ditos populares e anexins/ Ciça Alves Pinto
Provérbios e ditos populares/ Pe. Paschoal Rangel

Ilustração: Imagem da cerâmica do Vale do Jequitinhonha

Parmigianino – CUPIDO CORTANDO SEU ARCO
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Autoria de Lu Dias Carvalho

                

O quadro é belo em sua coloração, engenhoso na concepção, gracioso no estilo e, portanto, muito apreciado pelos artistas e conhecedores. (Giorgio Vasari)

A composição intitulada Cupido Cortando seu Arco é uma obra-prima do pintor italiano Parmigianino (1503-1540), cujo nome original era Girolamo Francesco Maria Mazzola. Ele teve uma vida muito breve. Recebeu influência de Correggio, Rafael e Michelangelo. Além de pintar retratos e pinturas mitológicas, também pintou afrescos e fez desenhos preparatórios de pinturas. Chama a atenção em suas obras a elegância das figuras e suas dimensões alongadas.

A pintura em estudo, numa apresentação altamente original e detalhista, apresenta um escultural Cupido, o deus do amor, ainda na sua fase infantil, fazendo seu arco que se apoia sobre dois livros, tendo duas pequenas crianças (putti) a seus pés, num segundo plano. Segura uma grande faca com as duas mãos, enquanto trabalha a madeira.

Cupido, nu, encontra-se numa pose criativa, de pé em cima de uma mesa, visto de trás, curvado sobre o fino galho que está a transformar em arco.  Ele traz o peito do pé esquerdo pousado sobre um dos dois livros, inclinando-se para frente, enquanto se firma, com o pé direito, na mesa. Sua cabeça, ornada com dourados cachos a caírem-lhe pelo rosto, volta-se alegremente para o observador.

As duas pequenas crianças (putti), nuas, vistas em meio às pernas de Cupido, brincam indiferentes ao trabalho do filho de Vênus, encostados na mesa. Uma delas, a que olha risonha e cúmplice para o observador, abraça fortemente a segunda, segurando-lhe a mão direita, como querendo obrigá-la a tocar em Cupido. Mas a amiguinha (seria ela uma menina?) resiste, chorando, visivelmente enraivada, pois não “deseja se aquecer com o fogo do amor” (segundo Vasari). Elas podem estar representando as armadilhas do amor não correspondido, numa alusão ao arco de Cupido, ou ainda o amor sagrado e o profano, ou os opostos alquímicos, dentre outras possibilidades.

A cena acontece num espaço pequeno, sem a presença de luz natural. A originalidade do quadro é ampliada com sutis efeitos marmóreos de luz e sombra. O fundo escuro da pintura destaca ainda mais as criativas figuras.

Ficha técnica
Ano: c.1532-1534
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 134 x 65,4 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://artsandculture.google.com/asset/nymph-and-shepherd/CQH3EE_tKa4zWw
https://it.wikipedia.org/wiki/Cupido_che_fabbrica_l%27arco
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

CARL SAGAN – AS BRUXAS DE SALÉM (IX)
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Autoria de Lu Dias Carvalho

As mulheres que não estavam em conformidade com as normas da sociedade puritana eram mais propensas a ser alvo de uma acusação, especialmente aquelas que eram solteiras ou não tinham filhos. (Roach, Marilynne K.)

Tornou-se célebre na América do Norte e em todo o mundo o julgamento das “bruxas de Salém” (Salem – atual Danvers, Massachusetts/Estados Unidos), expressão que ainda perdura na oratória política e na literatura. Ali, no final do século XVII,  foram criados uma série de audiências e processos contra pessoas acusadas de bruxaria, sendo muitas delas executadas em nome da fé cristã.

A maioria (78%) dessas vítimas eram mulheres. A crença e a cultura puritana predominantes à época acreditavam que as mulheres já traziam em si o “germe do pecado”, sendo, portanto, mais suscetíveis a ele e, consequentemente, mais suscetíveis à condenação do que os homens.  Acreditavam os fanáticos que o diabo apreciava mais as mulheres e, por isso, elas se tornavam mais desprotegidas em seus corpos fracos e vulneráveis. Criadas dentro deste contexto cruel, não nos causa surpresa o fato de que o número de mulheres que admitiam estar sendo tomadas pelo diabo fosse quatro vezes maior do que o dos homens. Todo tipo de fanatismo elimina a capacidade crítica da pessoa, tornando ela um joguete nas mãos dos espertalhões. Cuidado!

Naquele contexto de horror, quanto mais absurda fosse a prova atribuída à vítima, mais credibilidade recebia, sob a alegação de que o diabo era ardiloso, cheio de artimanhas, capaz de articular o inconcebível. Conta-se que um marido alegou que sua esposa não era uma bruxa, pois dormia com ele quando foi acusada de encontrar-se num sabá* das bruxas, mas recebeu dos inquisidores a resposta de que um demônio havia ocupado o lugar dela na cama, sendo ele (o marido) incapaz de reconhecer os poderes de simulação de Satã, ao simular ser a mulher. E mais, alegavam eles que inquisidores e torturadores, assim como os carrascos, cumpriam ordens de Deus, a fim de salvar as pobres almas e derrotar os demônios.

Tais acontecimentos alertam-nos para o perigo que é a união entre Religião e Estado. Neste casamento vil e amedrontador as maiores vítimas acabam sempre sendo as mulheres, tidas por diversos credos religiosos como inferiores aos homens e manipuláveis pelo diabo. Observe, leitor, a hierarquia das Igrejas e veja como o gênero feminino não é bem-vindo em cargos mais altos. As práticas abusivas direcionadas às mulheres são tidas como “altruístas”, com a finalidade de protegê-las disso ou daquilo, como se capacidade intelectual não tivessem. Os charlatões, entranhados no cerne de diversas religiões, apregoam agir em nome de Deus, cometendo os mais horrendos crimes. Seu Deus não passa de um garoto propaganda que lhes enche a burra, tornando-os cada vez mais ricos. Haja hipocrisia!

O episódio relativo às “bruxas de Salem” encontra-se entre o casos mais conhecidos de histeria em massa, tendo como fermento certo credo religioso na América Colonial. Acontecimento como esse são um alerta contra os perigos advindos do extremismo religioso e da união entre Estado e Igreja. De acordo com o historiador George Lincoln Burr, o assombroso caso sobre “a bruxaria de Salém” contribuiu para que a teocracia** fosse desmantelada no país. Ainda bem!

*O sabá, segundo o dicionário Aurélio, era um conciliábulo de bruxos que, segundo a superstição medieval, reunia-se no sábado à meia-noite, sob a presidência do diabo.

**Sistema de governo em que o poder político se encontra fundamentado no poder religioso.

Ilustração: O Sabá das Bruxas, 1797-1798, obra de Francisco Goya

Conheça a história das Bruxas de Salém acessando o site: https://socientifica.com.br/conheca-a-historia-da-caca-as-bruxas-de-salem/

 

Van Valckengorch – INVERNO
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Autoria de Lu Dias Carvalho

                                                    (Clique na imagem para ampliá-la.)

O pintor flamengo Lucas van Valckenborch, o Velho (1535-1597), membro de uma grande família de artistas, sendo irmão de Marten van Valckenborch, tornou-se conhecido sobretudo por suas belas paisagens, embora tenha criado retratos e cenas alegóricas. Fez parte do círculo dos pintores Pieter Bruegel, o Velho e Hans Bol, grandes nomes da pintura de paisagens nos Países Baixos. Lucas van Valckenborch tornou-se conhecido principalmente por suas paisagens que retratam cenas existentes e também imaginárias.

A maravilhosa pintura intitulada Inverno, ou também Paisagem de Inverno, representa uma das quatro grandes telas criadas pelo artista para a série “Estações”. A composição é uma narrativa de tom idílico. A cena é apresentada mais de perto, contendo um número relativamente reduzido de elementos, se comparada a outra pintura do artista com a mesma temática. As pessoas (homens, mulheres, jovens e crianças) transitam apressadas sob a nevasca, todas muito bem agasalhadas, embora algumas brinquem de batalha com bolas de neve, tanto à direita quanto à esquerda.

Em primeiro plano, à esquerda, um casal anda apressado e logo atrás vem um segundo, acompanhado de uma criança. Três pessoas, próximas à grande árvore, transportam lenha na cabeça e, mais ao fundo, dois garotos brincam com a neve. À direita, em primeiro plano, um homem, uma mulher e uma criança transportam feixes de lenha na cabeça. Próximos a eles, um homem conduz uma carroça puxada por uma parelha de cavalos com o que parece ser feno ou lenha. Mais ao fundo, duas pessoas, seguidas de um cão, também transportam lenha na cabeça. São vistos dois esquiadores e três trenós na pintura que apresenta várias edificações com seus telhados brancos, à direita, que trazem várias pessoas nas portas, janelas e frente. Não é possível divisar o que se encontra ao fundo.

Ficha técnica
Ano: 1586
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 117 x 198 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador