Canaletto – VISTA DO DESEMBARCADOURO DA…
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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Canaletto (1697–1768), cujo nome de batismo era Giovanni Antonio Canal, filho do pintor e cenógrafo Bernardo Canal, seu primeiro mestre, era também tio do pintor Bernardo Belloto. Tornou-se muito conhecido pelas paisagens venezianas que pintava. Mais tarde, quando morava em Londres, pintou inúmeras paisagens inglesas (vedute*). Também estudou com o paisagista Lucas Carlevarijs e foi influenciado por Giovanni Paolo Pannini. Segundo alguns estudiosos de sua obra, ele fez uso da câmera escura, (instrumento óptico através do qual os raios solares passam, refletindo a imagem que se deseja pintar), o que lhe possibilitava fazer desenhos mais precisos, ao reproduzir proporções e perspectivas. Porém, os desenhos ou meros esboços deixados pelo artista sugerem que ele tomava notas ao ar livre e em seu estúdio, usando réguas e bússolas para aperfeiçoá-los.

A composição denominada Vista do Desembarcadouro da Alfândega em Veneza (La Punta della Dogana) é uma das lindas obras do artista.  Esta vista é uma das mais belas da série de vistas pintadas por Canaletto. Registra ângulos pitorescos do cenário da cidade de Veneza e mostra a vitalidade do canal, onde são vistos um grande número de barcos, nos quais estão presentes vários elementos humanos.

O céu está cheio de nuvens prateadas, impulsionadas pela brisa, enquanto as águas azuis mostram-se encrespadas.

Ficha técnica
Ano: 1738-1740
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 45,5 x 63,5 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Sánchez Cótan – NATUREZA-MORTA COM…
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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor espanhol Juan Sánchez Cótan (1560-1627) foi amigo e supostamente aluno de Blas de Prado – artista famoso por suas naturezas-mortas, cujo estilo maneirista era impregnado por toques de realismo. Iniciou sua vida artística como um modesto pintor, contudo, no campo das naturezas-mortas é tido como um dos melhores pintores, ainda que as tenha criado em pequeno número. Acredita-se que tenha usado as naturezas-mortas italianas, principalmente as dos milaneses, como ponto de partida. Também foi guiado pelos trabalhos de seu mestre Blas de Prado que serviu de grande influência neste campo para os seus contemporâneos de Toledo/Espanha. Cótan foi um pioneiro do realismo naquele país, servindo de influência para grandes nomes da pintura espanhola, como Francisco Zurbarán, Bartolomeio Carducci, Felipe Ramírez, etc. Suas obras podem ser dispostas na transição do Maneirismo para o Barroco.

Na cidade de Toledo existia um público muito aberto às inovações artísticas, o que permitiu o aparecimento das naturezas-mortas (bodegones) na pintura espanhola, gênero que começava a surgir em vários lugares da Europa, nos últimos anos do século XVII, como categoria artística autônoma.  Como era vista como uma arte menor, a natureza-morta foi inicialmente colecionada por uma minoria culta que admirava a grande habilidade técnica na criação artística, aliada às associações eruditas e religiosas transpostas para objetos tidos como mundanos.

A composição intitulada Natureza-morta com Marmelo, Couve, Melão e Pepino é uma obra do pintor barroco Juan Sánchez Cótan. Foi pintada num estilo austero, seguindo as regras do tenebrismo*. Trata-se de uma obra composta por vegetais que se destacam sobre um fundo escuro. O marmelo e a couve pendem de duas cordas finas em dois níveis diferentes (meio usado no século XVII para impedir que alimentos e vegetais apodrecessem), enquanto o melão e o pepino ficam no parapeito da janela numa única fila. As figuras são tão intensas que passam a assumir uma qualidade mística. A luz direta do sol contra as trevas inacessíveis (fundo) era também uma marca da antiga pintura de natureza-morta espanhola.

* O termo “tenebrismo” vem do italiano “tenebroso” (sombrio, misterioso, dramático). Trata-se de um estilo de pintura usando claro-escuro profundamente forte, com fortes contrastes de luz e escuridão. Tem por objetivo adicionar drama a uma imagem, usando um efeito de holofote.  Esta técnica era muito usada na pintura barroca. Não confundir com o “chiaroscuro” que é um termo com maior amplitude, abrangendo também o uso de contrastes de luz menos intensos com a finalidade de aumentar a tridimensionalidade.

Ficha técnica
Ano: c. 1600
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 69 x 85 cm
Localização: Museu de Arte de San Diego, Califórnia, EUA

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Juan_Sánchez_Cotán

A VIRGINDADE E O CASAMENTO
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Autoria de Lu Dias Carvalho

avieoca

Penteia o cabelo de tua filha até ela ter 12 anos; protege-a até os 16; depois, dá graças a quem se casar com ela. (Provérbio checo)

 A menina com mais de 10 anos terá que se casar com um pária, se for preciso. (Provérbio tâmil)

 O dicionário de Língua Portuguesa Aurélio define o hímen como sendo uma “prega formada pela membrana mucosa da vagina, cujo orifício externo oclui parcial ou totalmente, e que apresenta uma abertura de forma e diâmetro variáveis.”. E é exatamente essa preguinha que tem trazido sofrimento – e até mesmo morte – a muitas mulheres em várias partes do mundo.

Os ditos populares encontram no tema “virgindade” um campo fértil para expressar o machismo ainda vigente em inúmeros países, cuja bandeira perversa é erguida pela ignorância, pelo patriarcado e por religiões fincadas na misoginia, desconectados com a Ciência ou com as mudanças dos tempos. Um provérbio árabe reza: “A garrafa está melhor com seu lacre e a menina com seu hímen”. Já na Mesopotâmia casavam-se garotinhas impúberes, referindo-se a elas como “pão que não teve tempo de levedar”, ou seja, ainda estavam intactas para serem desfrutadas, mesmo por velhos cuja idade poderia corresponder a meia dúzia de vezes a delas.

Manter a virgindade parece ser tarefa unicamente da mulher. No hebraico, uma virgem é definida como “uma rosa que ainda não se desabrochou”. Em muitas culturas, uma garota era tida como pronta para casar-se ao atingir a idade de 10 anos. Ainda hoje, apesar de as culturas ocidentais, em sua maioria, dizerem que uma jovem de 15 anos encontra-se na adolescência e uma garota de 10 anos esteja na infância – sem formação física e psicológica para assumir uma família –, muitas culturas espalhadas pelo mundo consideram núbeis (casadoiras) meninas em tais idades. E não são poucos os provérbios que justificam tal união.

Por mais estranho que possa parecer, em determinadas culturas as meninas casam antes mesmo de completarem 10 anos de idade. E pior, com homens que podem ser seus pais, tios ou avôs. Como a discrepância de idade é muito grande, elas se tornam viúvas ainda muito jovens, carregando um pesado fardo vida afora, muitas vezes sem o direito de casarem-se novamente. Na sociedade tâmil, no Sul da Índia, por exemplo, existe um provérbio que diz: “Quando a mulher começa a crescer, morre o marido”, referindo-se à esposa/menina. E na Rússia, numa ironia à diferença absurda de idade, um provérbio reza: “A noiva nasceu, o marido monta a cavalo”.

Causa temor aos pais em tais culturas que a filha perca a virgindade, o que diminuiria seu valor de mercado, ou que fique grávida, o que a tornaria incapacitada para arranjar um marido. Por outro lado, eles têm medo de esperar muito tempo e acabar casando a filha com alguém sem valor, ou melhor, sem dinheiro, pois quanto mais nova é a garota, maior é o dote que a família recebe em troca. E tornar-se solteirona é uma dura sina em tais sociedades, servindo a rejeitada de motivo de desdém e chacotas, onde quer que se encontre.

A virgindade ainda é tida por muitas sociedades como um requisito para que a filha seja aceita em casamento. Alegam que a sua perda desonra toda a família (até mesmo tios, primos, etc.). E que afeta, principalmente, a respeitabilidade do pai, dificultando-lhe a possibilidade de encontrar para a garota um bom casamento. Na Índia é conhecido um provérbio que diz: “A castidade da jovem é o seu maior dote”, trocando em miúdos, é o maior dote dos pais.

Ainda que muitas jovens venham a trabalhar fora de casa para ajudar a complementar o orçamento doméstico, a perda da virgindade não é aceita em muitas culturas, sob a alegação de que uma moça de família deve ser resguardada na casa dos pais, onde sua honra e reputação estão a salvo. Um provérbio árabe atesta que “Se a tua filha vai à rua, assegura-te de que a honra se mantenha”. Em muitos países, as mulheres não saem de casa sem a companhia de um homem da família, ainda que seja um garotinho de cinco anos.

É lamentável que certas alas de inúmeras culturas religiosas (islâmicas, hinduístas, cristãs, judaicas, etc.), contribuam para esta visão retrógrada sobre a virgindade, sendo elas, ainda que indiretamente, as responsáveis pela matança e suicídio de muitas jovens. Ao invés de condenar, atiçam o ódio contra as mulheres em seus sermões antiquados, obsoletos e arcaicos. Não fazem nenhuma condenação ao homem – pode prevaricar à vontade –, ao contrário, reforçam a ideia de que ele é o dono do corpo e mente da mulher, levando-o a vangloriar de seu poder. Não precisa ser um sociólogo para descobrir que isso acontece principalmente nos lugares em que a vida financeira é gerida pelo homem, ficando a mulher à margem. E que me perdoem os santarrões, mas os dirigentes religiosos precisam cativar seus fiéis masculinos… Money is money!

 Fontes de pesquisa
Nunca se case com uma mulher de pés grandes/ Mineke Schipper
Livro dos provérbios, ditados, ditos populares e anexins/ Ciça Alves Pinto
Provérbios e ditos populares/ Pe. Paschoal Rangel

Carducho – MORTE DE SÃO FRANCISCO
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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Barolomeo Carducci (1560–1619) era mais conhecido como Carducho. Estudou escultura e arquitetura com Bartolomeo Ammanati e pintura com Federico Zuccaro, com quem começou a trabalhar aos 18 anos de idade. Foi com seu mestre para a Espanha, onde foi nomeado pintor real por Filipe II, sendo muito importante na criação de um novo estilo de pintura religiosa na corte espanhola, ao usar seus conhecimentos de pintor e mercador de quadros.

A composição intitulada Morte de São Francisco é uma das maravilhosas obras do artista. Foi criada segundo os modelos de seus conterrâneos florentinos. Apresenta uma narrativa tocante e humanizada. A pintura praticamente simétrica apresenta figuras muito bem desenhadas, com traços físicos individualizados, cujos gestos e expressões exprimem um grande pesar interiorizado. Os franciscanos presentes no leito de morte de São Francisco mostram uma rude e ao mesmo tempo doce humanidade, dotando o quadro religioso de novo realismo – bem ao gosto espanhol.

O artista faz uso de uma forte iluminação que amplia e intensifica as figuras presentes na cena, além de incidir obliquamente sobre os objetos ali presentes, dando-lhes uma textura específica. Podem ser vistos na cena: o urinol de barro do santo, suas velhas sandálias, a tigela para tomar sopa, a caveira humana, o rosário e uma ampulheta com a areia – simbolizando o esvair-se da vida. Dois frades amparam seu corpo, enquanto um terceiro coloca em suas mãos um imenso lume. Outros frades apresentam-se ao fundo.

Ficha técnica
Ano: 1593
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 115 x 153 cm
Localização: Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.wga.hu/html_m/c/carducho/bartolom/death_sf.html

OS BICHOS NA FALA DAS GENTES
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Autoria de Lu Dias Carvalho

bich

Sirvo-me dos animais para instruir os homens. (La Fontaine)

Os animais sempre serviram como fonte de aprendizagem para a humanidade, a começar pela presença desses nas fábulas de Esopo, Fedro, La Fontaine e Monteiro Lobato, entre. A natureza foi sempre um imenso laboratório para o conhecimento humano. E quanto mais observador for o indivíduo, mais aprenderá com os ensinamentos que ela lhe repassa inteiramente de graça. São inúmeras e preciosas as lições que ali se encontram à nossa disposição. Segundo o pesquisador Pe. Paschoal Rangel, “A vida dos animais são metáforas de nossa vida.”.

Eis alguns provérbios sobre animais:

  1. Filho de peixe, peixinho é.
  2. Boi sonso a marrada é certa.
  3. Cada macaco no seu galho
  4. Cão que ladra não morde.
  5. De noite todo gato é pardo.
  6. Desse mato não sai coelho.
  7. Ovo de cobra não gora.
  8. Uma cobra engole a outra.
  9. Um gambá cheira o outro.
  10. Tudo que vem na rede é peixe.
  11. Para quem é, bacalhau basta.
  12. Passarinho na muda não canta.
  13. Bode velho gosta de capim novo.
  14. Uma andorinha só não faz verão.
  15. Abelha que muito voa não faz mel.
  16. Quem não tem cão, caça como gato.
  17. Os cães ladram e a caravana passa.
  18. A cavalo dado não se olha os dentes.
  19. Camarão que fica parado a onda leva.
  20. Cobra que não anda, não engole sapo.
  21. Enquanto o gato dorme, o rato passeia.
  22. Galinha ciscadeira acaba achando cobra.
  23. Quem nasceu para tatu, morre cavando.
  24. Uma ovelha má põe o rebanho a perder.
  25. Caititu fora da manada é comida de onça.
  26. Todo galo valentão para a galinha é capão.
  27. Em terra de sapo mosquito não dá rasante.
  28. Xexéu e vira-bosta cada qual do outro gosta.
  29. Em terreiro de galinha barata não tem razão.
  30. Galinha que acompanha pato morre afogada.
  31. Macaco velho não mete a mão em cumbuca.
  32. Papagaio come milho e periquito leva a fama.
  33. Sapo não pula por boniteza, mas por precisão.
  34. Quando um burro fala, o outro baixa a orelha.
  35. Praga de urubu magro não mata cavalo gordo.
  36. Em casa de Gonçalo canta a galinha e cala o galo.
  37. Quem anda com perereca tem que aprender a pular.
  38. Antes burro que me leve, que cavalo que me derrube.
  39. Urubu quando está de azar, o de baixo suja no de cima.
  40. Deus te dê ao que deu ao bode: catinga, barba e bigode.
  41. Se tamanho fosse documento, elefante era dono de circo.

Fonte de pesquisa:
Provérbios e ditos populares/ Pe. Paschoal Rangel

Kempeneer – A PURIFICAÇÃO DA VIRGEM NO TEMPLO
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Autoria de Lu Dias Carvalho

Completado o tempo da purificação da Mãe, segundo a Lei de Moisés, é preciso ir com o Menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor (Lc 2, 22).

 O pintor flamengo Pieter Kempeneer (1503-1586) que viveu no período do Renascimento, era conhecido na Espanha, onde trabalhou, como Pedro de Campaña. Foi possivelmente aluno de Jan van Hemessen na Antuérpia. O artista trabalhou em muitas encomendas modestas até ser considerado um excelente pintor. A criação da obra intitulada “A Descida da Cruz”, obra central de um retábulo encomendado para a capela fúnebre de certo magistrado, fez grande sucesso, alavancando seu prestígio. Alguns afirmam que ele viveu durante muitos anos na Itália, mas outros contestam, pois não existem registros que comprovem sua passagem por aquele país.

A composição intitulada A Purificação da Virgem no Templo é uma obra-prima do artista e uma das mais importantes pinturas renascentista criadas na Espanha. Trata-se da peça central do retábulo da Purificação – composto por dez painéis – que orna a capela fúnebre de Diego Caballero, na catedral de Sevilha, na Espanha. O artista tomou como influência uma gravura de Dürer.

A cena acontece na escadaria de um templo, entre colunas, iluminada por sete velas (os Sete Dons do Espírito Santo) ao fundo. Várias personificações das virtudes da Virgem Maria rodeiam a cena central. Dentre elas estão a Caridade, a Justiça, a Fortaleza, a Fé e a Esperança. A Caridade – com os dois seios de fora, sobre os quais encontram-se dois bebês – é vista ajudando um paralítico sentado no canto direito da tela, estendendo a mão para a criança que lhe oferece algo. Ao lado do homem encontra-se um cãozinho com o olhar voltado para o observador. Esta obra passou por um delicado processo de restauração.

Ficha técnica
Ano: 1555
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: x
Localização: Catedral de Sevilha, Sevilha, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.museodelprado.es/en/learn/research/studies-and-restorations/resource