Autoria de Lu Dias Carvalho

A composição O Rapto das Sabinas, obra do pintor francês Jacques-Louis David, mostra o momento em que as mulheres Sabinas estão sendo raptadas pelos soldados romanos, numa praça da cidade, o que gera um grande tumulto, sendo visível o horror nelas estampado. Este mito faz parte da história da fundação de Roma.
A batalha é travada entre Rômulo, à direita, empunhando uma lança, conforme mostra o emblema do escudo, e Tácio, líder dos Sabinos, à esquerda, que empunha uma espada, ambos encontram-se nus. Entre eles, em primeiro plano, está Hersília, a filha de Tácio, vestida de branco. Ela se coloca entre eles, com os braços abertos, na tentativa de paralisar o conflito.
Atrás do trio, a batalha é feroz, com as mulheres sabinas lutando valentemente contra os soldados romanos. Uma mãe mostra seu filho, como a pedir paz, em nome dele. Outras se encontram agachadas, tentando proteger suas crianças. Uma mulher, segurando uma criança, agarra a perna esquerda de Tácio, possivelmente sua esposa. Na parte esquerda da composição, vê-se o esplêndio templo que Rômulo, fundador de Roma, segundo a mitologia, dedicou ao deus Júpiter, o deus dos deuses.
Segundo a lenda, o local onde Roma estava sendo fundada reunia pessoas dos mais diferentes tipos. Dentre essas existiam apátridas e criminosos. Havia muitos homens no lugar, mas as mulheres eram escassas. Foi então que Rômulo, o fundador da cidade, prometeu arranjar mais algumas. Para consegui-las, ele usou um estratagema: fez com que se espalhasse o boato de que havia encontrado um altar subterrâneo de um novo deus. A seguir, organizou uma grandiosa cerimônia sacrificial. Dentre os convidados estava o povo vizinho, os Sabinos. Durante a festa ardilosa, as filhas dos Sabinos foram raptadas. Foi permitido que os demais voltassem para o lugar de onde vieram, excetuando suas filhas. Ainda, segundo a lenda, o sinal para o ataque seria dado por Rômulo. Ele se levantaria, abriria seu manto e o atiraria sobre seus ombros.
David usou esta composição, cujo tema pertence à antiguidade clássica, no intuito de expressar a necessidade de uma reconciliação entre os diferentes grupos civis envolvidos na Revolução Francesa.
“De fato faz mais sentido que o nome da obra seja “A intervenção das mulheres Sabinas”, porque na ocasião do rapto, os sabinos foram pegos de surpresa, portanto não estavam armados. Eles prepararam-se por dois anos para atacar os romanos e entraram em Roma por um portão, com auxílio de uma sabina traidora de Roma. Durante a batalha as mulheres sabinas, que haviam se afeiçoado aos seus raptores, pois agora eram mães e esposas suas, intervieram levantando as crianças em seus braços, suplicando pelo fim da batalha. As crianças representam a paz entre os dois exércitos, pois eram netos de sabinos e filhos de romanos. A obra é fantástica!” (Carolina Dutti, leitora deste espaço)
Ficha técnica
Ano: 1799
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 385 x 522 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França
Fonte de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
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