Autoria de Alfredo Domingos
Faço pães, esculpo pães,
confeito-os com creme.
São os tais pães doces.
Penso na amada que nem
reconhece em mim o amor.
Deixo um exemplar,
todos os dias, bem
na janela da casa azul.
Azul é a casa dela.
Passo de volta e vejo
que o pão foi retirado
Que bom! Ela o pegou.
Levou um pedaço de mim.
Pelo tanto de dias somados
devem ter o meu tamanho.
Malvina, finalmente,
trocou palavras comigo.
Soube do dono dos mimos.
Expliquei do meu ofício.
As tardes, ainda que de
poucos momentos,
passaram a ser nossas.
Ela me procurou entre os pães.
De alegria, morri e renasci
Queria gritar. Jorrar farinha branca, enfim.
O cheiro do pão assado tornou-se inodoro.
Ficou o seu perfume, pois os dois odores
não convivem no mesmo espaço.
Não há chance.
Estamos bem próximos.
Toquei em suas mãos. Beijei-lhe a testa.
O amor está crescendo como a massa
É preciso que crie corpo. Que apareça.
Até ouvi de Malvina uma coisa linda.
Ela falou em me presentear com a lua
Sou louco pela lua, fascínio dos namorados.
Então lhe disse quase sem forças, lotado de amor:
– Traga a lua! Venha com ela debaixo do braço,
do mesmo jeito que faço com a bisnaga de pão.
Nota: Imagem copiada de www.lavioletera.com.br
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