Autoria de Lu Dias Carvalho
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Os estudiosos da Idade Média tiveram pouca compreensão sobre a Idade Antiga — época em que floresceu a cultura greco-romana. Ao analisá-la, eles o fizeram como se estivessem estudando sua própria época. Foram incapazes de lançar um olhar com mais profundidade sobre um período mais distante deles e que tinha muito a oferecer-lhes. Possuíam uma concepção tão equivocada sobre a Antiguidade que artistas medievais foram capazes de colocar a armadura de um cavaleiro medieval em Alexandre, o Grande — viveu na Antiguidade — e retratar batalhas romanas diante da paisagem de uma cidade medieval. Isso mostra a falta de agudeza de suas pesquisas.
Foi durante os séculos XIV e XV que os estudiosos passaram a ter uma visão diferenciada e uma compreensão mais crítica acerca da história da Antiguidade, buscando encontrar a diferença entre seu tempo e o dos povos que viverem naquele passado distante. Esse olhar mais analítico sobre a Idade Antiga exerceu uma grande influência na arte do Renascimento. Os pintores, por exemplo, buscavam colocar seus personagens num contexto histórico coerente. Embora os equívocos relativos à Antiguidade fossem se tornando cada vez menos frequentes, pode ser citado o caso do famoso pintor italiano Piero della Francesca (c. 1420-1492) que colocou numa mesma batalha — em uma de suas obras pictóricas — um soldado da Roma Antiga e um cavaleiro do século XV.
O fato de olhar com pouca acuidade para o passado não significa que os artistas medievais não se importassem com esse tempo. Eles também buscaram copiar restos da escultura clássica encontrados, contudo, foi somente na século XV que os artistas renascentistas conseguiram fazer uma investigação mais criteriosa das técnicas e dos temas da arte greco-romana, o que levou, durante o período do Renascimento, à popularização das cenas mitológicas clássicas, arvorando-se na arte da Grécia e da Roma da Antiguidade. O mais paradoxal é que nessa busca pelo antigo também houve certo exagero, quando artistas do século XV passaram a retratar pessoas e acontecimentos de sua época num ambiente da Roma Antiga.
É impossível ignorar o ardor com que sábios e professores, durante o Renascimento, debruçaram-se sobre tudo que dizia respeito à Antiguidade, redescobrindo e restaurando textos clássicos, estudando monumentos antigos e o que restara deles, destrinchando convenções da retórica clássica, analisando a doutrina da Lei Romana, tentando extrair o máximo de conhecimento possível e aplicá-los ao contexto da época em que viviam. Em consequência de tudo isso não demorou muito para que todo esse conhecimento extraído da Antiguidade fosse lapidado e passasse a fazer parte da cultura italiana tanto no campo da arte quanto no da filosofia, numa interação com todos os aspectos da vida social e política da Itália e depois se expandisse por grande parte do território europeu.
O escritor Nicholas Mann — titular da obra denominada “Renascimento” — faz uma significativa citação sobre tal estilo: “Há múltiplas manifestações do Renascimento que são favoráveis à ilustração: o restabelecimento dos estilos clássicos, a generalização do estudo, a interação complexa de ideias pagãs e cristãs, uma fé redescoberta na dignidade do homem, um sentido de pompa e circunstância reforçado pela iconografia e pelo cerimonial da Roma antiga, o regresso dos deuses pagãos em todo o seu esplendor significativo e a pintura da natureza circundante”.
Exercício
1. Qual foi a relação dos estudiosos medievais com a Idade Antiga?
2. Qual foi a relação dos estudiosos do Renascimento com a Idade Antiga?
3. Que pontos do Renascimento o escritor Nicholas Mann cita como positivos?
Ilustrações: 1. Coliseu – Roma antiga, Itália (Idade Antiga) / 2. Partenon – Atenas, Grécia (Idade Antiga) /3. Catedral de Santa Maria del Fiori – Florença, Itália (Renascimento).
Fontes de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich
Renascimento/ Nicholas Mann
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