Autoria de Lu Dias Carvalho
A composição A Família Bellelli é tida como uma das primeiras obras-primas de Degas, em que o pintor emprega membros de sua família. Ele fez rascunhos e esboços da obra, quando esteve na casa de seus parentes, em Florença, Itália, mas essa só foi concluída muitos anos depois, em Paris.
O quadro apresenta o barão Gennaro Bellelli, sua esposa Laura Degas Bellelli e suas filhas Giovanna e Giulia num clima aparentemente tenso. A mulher, Laura, era prima do pintor. O barão, patriota italiano, fora expulso de Nápoles, por apoiar a unificação italiana, e vivia no exílio em Florença.
Degas retrata uma família tipicamente burguesa, num ambiente luxuoso. O barão, assentado à direita, meio oculto pelas sombras, separado dos demais membros, está de frente para a lareira e próximo à escrivaninha. Encontra-se meio de costas para o observador, com o rosto de perfil, voltado para um livro ou cartas que se encontram sobre a mesa.
As duas garotas vestem roupas iguais: vestidos pretos com aventais brancos. A mais velha, Giovanna, está de pé, olha fixamente para o observador, e traz as mãos cruzadas na cintura, Parece uma garota tensa, tímida e triste, criada dentro da rigidez das convenções dos adultos. Ela tem apenas 10 anos de idade. Sua mãe apoia a mão em seu ombro direito.
A garota mais nova, Giulia, está assentada, com o rosto de perfil e as mãos na cintura, e traz uma perna oculta. Está virada para o pai, embora não o fite. Parece olhar para o cachorrinho preto, que se encontra atrás da cadeira do barão, e do qual não se enxerga a cabeça. Ela é o centro da composição, o que pode ser observado através do encontro de duas diagonais, ou através de uma linha vertical ou horizontal, que divide o quadro em duas partes iguais. Tem sete anos de idade e é a única personagem a demonstrar certa descontração.
A baronesa Laura, de pé atrás de uma das filhas, com a mão em seu ombro e a outra na mesa, tem um ar imperioso e o rosto muito sério e distante. Ela é a figura dominante da cena. Sua vestimenta também é preta. Sua figura digna e imponente contrasta com a do marido, que parece triste e resignado. Ela forma uma pirâmide com as duas filhas, estando as três bastante iluminadas, ao contrário do barão.
O pintor deixa transparecer certa animosidade entre o casal, o que fica comprovado através de cartas que a sobrinha escrevia ao tio, pai de Degas, onde classificava o marido de “detestável e preguiçoso”. Na composição, o artista apresenta um grupo dividido, sendo que uma escrivaninha se interpõe entre mulher e marido, simbolizando a distância afetiva que existe entre eles. O barão não estabelece nenhum contato visual com a mulher e as filhas.
Na parede, ao lado esquerdo de Laura, e próximo a seu rosto, encontra-se uma imensa moldura dourada com o retrato de seu pai, Hilaire, em giz vermelho, que morrera recentemente, razão pela qual mãe e filhas vestem luto. Sobre a lareira há um enorme espelho, um relógio e objetos da época. A parede azul e o tapete dourado fazem um belo contraste com o preto da composição.
Ficha técnica
Ano: 1858-1869
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 200 x 250 cm
Localização: Museu D’Orsay, Paris, França
Fontes de pesquisa
Degas/ Coleção Folha
Degas/ Abril Coleções
Degas/ Taschen
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