A ARTE QUE VIVE NO OLHAR

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  Autoria de Juliana Espina

Os olhos falam e Tereza Ordás está disposta a contar o que eles falam para quem quiser ouvir.

A jornalista Teresa Ordás inventou a palavra Paisojos há alguns anos para descrever as fotos que tira daquilo que as pupilas refletem. No museu espanhol Thyssen e em outros, ela retrata mulheres olhando para o trabalho de outras mulheres para mostrar a escassez de trabalho feminino que existe no mundo.

O trabalho de Tereza Ordás começou com o famoso filme “Blade Runner”. Segundo a artista, ao ver a cena em que um olho reflete a apocalíptica cidade de Los Angeles, concluiu que era isso que queria fazer. Cerca de dez anos depois encontrou o caminho e assim nasceram seus Paisojos. Ela afirma: “Em 2013 consegui finalmente ter um bom telefone e nesse verão dediquei-me a fotografar reflexos nas pupilas. De brincadeira dei-lhe o nome de Paisojos, que é um nome que me pareceu um pouco vulgar, mas que acabou ficando para explicar o que faço”.

A artista espanhola explica o projeto ao qual está dedicando seu tempo e através do qual conseguiu abrir as portas de alguns museus, como foi o caso do Museu Nacional Thyssen Bornemisza. Ela diz: “Eles me deixaram entrar a portas fechadas antes de abrirem ao público, das 9 às 10 da manhã, com as cinco pessoas que eu queria fotografar. Sou muito grata à Thyssen e aos nossos museus, valorizo especialmente essa capacidade que eles mostram para apostar em casa de apostas atualmente”.

Esse contato serviu para completar uma série iniciada há poucos anos no Museu Nacional do Prado à qual ela chama de “Mulheres que olham para outras mulheres na sua arte”, e com a qual tenta registrar a escassa obra feminina que pendura nos museus. “No Prado retratei algumas de suas trabalhadoras, enquanto contemplavam uma exposição. Pareceu-me uma experiência maravilhosa ver como elas, que conhecem o museu tão bem, olharam para as poucas obras de mulheres na galeria”, explica feliz pelo fato de que enfim uma exposição como a que ela retratou comece a reconhecer o trabalho das mulheres na arte.

“Constância já é alguma coisa”, acrescenta a artista e esclarece que ela precisou de muitos anos de testes para conseguir o que queria capturar. “No início foi um horror, mas tenho me aprimorado. Custou-me muito conseguir o que faço” conta ainda hoje, maravilhada com o que os olhos humanos podem dizer e com o fato de que os museus valorizem seu trabalho. “No momento não vou expor nada, não sou fotógrafa profissional, meu trabalho é conhecido através das redes sociais. Algo que era divertido tornou-se o que pretendo que seja meu projeto quando me aposentar”.

Teresa Ordás tem um extenso currículo audiovisual. Começou como jornalista e depois de vender um conto para a produtora de Almodóvar canalizou sua carreira para roteiros, passando pela publicidade e direção de programas de entretenimento. Mais de 30 anos nos quais nunca deixou de fomentar aquela criatividade que a levou a inventar não só o neologismo de Paisojos, mas também a arte de refletir a importância de um olhar. “Quando falo com as pessoas, olho nos olhos delas. Quando o olhar não é brilhante, penso que lhes aconteceu alguma coisa, talvez tenham perdido a mãe ou um ente querido. Os olhos falam”, conclui Teresa. Ela está disposta a contar o que eles falam para quem quiser ouvir.

1 pensou em “A ARTE QUE VIVE NO OLHAR

  1. Adevaldo R. de Souza

    Juliana

    Muito interessante o trabalho da jornalista Teresa Ordás com sua arte de fotografar os reflexos nas pupilas. Dá vontade de ver uma exposição completa de sua arte. Fico imaginando um “paisojo” da artista quando de sua primeira exposição no Museu Nacional Thyssen Bornemisza. Poderia ser parecido com um “paisojo” do pai após o nascimento de um filho, do “paisojo” de um carente que recebeu uma doação de que tanto precisava ou até mesmo do “paisojo” de uma criança que ganhou um presente que tanto almejava.

    Abraços,

    Adevaldo

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