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A ARTE DO NEO E DO PÓS-IMPRESSIONISMO

Autoria de LuDiasBH

Os estudiosos da Arte consideram o Neoimpressionismo e o Pós-Impressionismo como uma extensão do Impressionismo, originados do descontentamento de alguns artistas com suas limitações, embora não se possa negar que o Impressionismo transformou e elevou a arte francesa, ao mostrar novas maneiras de retratar o mundo físico, contudo, esses pintores achavam que ele já se esgotara — o que acaba acontecendo com todo estilo de arte. Queriam bem mais do que pintar sombras e reflexos. Tanto é que, dentre as mudanças efetuadas por eles estavam o uso de cores vivas, camadas grossas de tinta e pinceladas expressivas que fortaleciam as formas geométricas.

Os dois termos, portanto — Neoimpressionismo e Pós-Impressionismo — dizem respeito a um período (1880 a 1910) de renovação artística ímpar. Se eram variados os estilos dos pintores desses 30 anos de Neoimpressionismo e Pós-Impressionismo, variados também eram seus temas. Em nenhum dos casos tratava-se de grupos coesos com objetivos específicos ou com um estilo em comum. Os artistas dessa fase, dotados de estilos específicos, não podem ser enquadrados em um movimento artístico.

Muitos dos artistas que trabalharam nesse período haviam passado pela fase impressionista ou foi por este movimento influenciado em um ou outro aspecto de sua caminhada. Essa nova geração de artistas almejava, além da busca pelo naturalismo, expressar sentimentos e ideias — o que não estava presente no Impressionismo — através de suas pinceladas, do uso radical da cor e do contexto. Dentre esses pintores, Cézanne foi aquele que maior influência exerceu sobre outros artistas. Foram seus experimentos com a composição e o volume que levaram ao Cubismo e à Arte Abstrata.

Os artistas desse período recriaram a arte da pintura ao ressaltar as formas geométricas e aplicar um colorido artificial, a exemplo de Cézanne que revolucionou a perspectiva com a aplicação de planos interrompidos de cor e de Georges Seurat que desenvolveu uma técnica conhecida como “pontilhismo” (ou divisionismo), ao estudar as cores complementares, aplicando-as sobre a tela como pequenos pontos regulares de cor pura, com o objetivo de que esses se fundissem diante do olhar do observador, dando vida a uma mistura óptica de cores.

A tela intitulada “Tarde de Domingo na Ilha da Grande Jatte”, de autoria de Georges Seurat, foi responsável por lançar o Neoimpressionismo. Após sua morte precoce aos 31 anos, seu grande amigo Paul Signac tornou-se o líder do grupo, tendo escrito que “a técnica dos impressionistas é instintiva e instantânea, a dos neoimpressionistas é deliberada e constante”. A expressão “neoimpressionismo” foi cunhada pelo crítico Félix Fénéon e caracteriza-se pelas pinturas de Seurat e pelo modo como ele usa pontos de cor pura.

O termo “pós-impressionista”, criado pelo pintor e crítico de arte inglês Roger Fry, engloba, na verdade, a obra de quatro artistas: Paul Cézanne, Georges-Pierre Seurat, Vincent van Gogh e Paul Gauguin. Sendo todos eles, de uma forma ou de outra, influenciados pelo Impressionismo, como mostram as evidências: Cézanne foi atraído pela estrutura pictórica; a Seurat interessou o caráter científico da cor; Van Gogh usou as pinceladas fortes para transmitir sua intensidade emocional; e Gauguin fez experiências com o uso simbólico da cor e dos traços. São tidos como os principais precursores dos movimentos artísticos do século XX. A eles foram agregados os nomes de Renoir e Toulouse-Lautrec.

Obs.: Reforce seus conhecimentos com artigos referentes a este estilo:
Cézanne – AS GRANDES BANHISTAS (III)
Gauguin – A VISÃO DEPOIS DO SERMÃO
Seurat – TARDE DE DOMINGO NA GRANDE JATTE
Signac – CAPO DI NOLI
Teste – A ARTE DO NEO E PÓS-IMPRESSIONISMO
Toulouse-Lautrec – NO MOULIN ROUGE: A DANÇA…
Van Gogh – NOITE ESTRELADA

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

Teste – A ARTE DO NEO E PÓS-IMPRESSIONISMO

Os estudiosos da Arte consideram o Neoimpressionismo e o Pós-Impressionismo como uma extensão do Impressionismo, originados do descontentamento de alguns artistas com suas limitações, embora não se possa negar que o Impressionismo transformou e elevou a arte francesa, ao mostrar novas maneiras de retratar o mundo físico, contudo, esses pintores achavam que ele já se esgotara – o que acaba acontecendo com todo estilo de arte. Queriam bem mais do que pintar sombras e reflexos. Tanto é que, dentre as mudanças efetuadas por eles estavam o uso de cores vivas, camadas grossas de tinta e pinceladas expressivas que fortaleciam as formas geométricas.

  1. O Neoimpressionismo e o Pós-Impressionismo agregaram na pintura artistas que tinham um estilo bem próprio, não podendo ser enquadrados em um movimento artístico único.

    Dentre esses artistas podem ser citados:

    1. El Greco, Massacio, Renoir, Fra Angélico e Botticelli
    2. Lautrec, Van Gogh, Gauguin, Seurat e Cézanne.
    3. Degas, Signac, Monet, Portinari e Di Cavalcanti
    4. Da Vinci, Goya, Turner, Seurat e Delacroix

  2. Artista, referente a esse período, que pintou a vida boêmia de Paris:

    1. Toulouse-Lautrec
    2. Edgar Degas
    3. Van Gogh
    4. Paul Gauguin

  3. Artista pertencente a esse período e que refletia sua intensidade emocional através de suas pinceladas fortes, teve uma vida curta e conturbada, cheia de fracassos, só ganhando fama após a morte, estando seus quadros hoje entre os mais caros do mundo:

    1. Cézanne
    2. El Greco
    3. Van Gogh
    4. Monet

  4. Esse artista francês ficou conhecido, sobretudo, por seus trabalhos exóticos e de cores intensas, realizados após conhecer o Taiti:

    1. Paul Cézanne
    2. Edgard Degas
    3. El Greco
    4. Paul Gauguin

  5. Um dos quadros mais famosos de Vincent Van Gogh chama-se:

    1. Os Girassóis
    2. Mulheres no Poço
    3. As Banhistas
    4. Mulheres do Taiti

  6. Acerca dos artistas que fizeram parte do Neo-impressionismo e do Pós-Impressionismo podemos afirmar que:

    1. não formavam um grupo coeso ou um movimento único.
    2. não compartilhavam de um objetivo ou de um estilo em comum.
    3. a maioria deles passou por uma fase impressionista.
    4. Todas as respostas são verdadeiras.

  7. Dentre esses pintores, ———— foi aquele que maior influência exerceu sobre outros artistas. Foram seus experimentos com a composição e o volume que levaram ao Cubismo e à Arte Abstrata.

    1. Paul Cézanne
    2. Vincent van Gogh
    3. Georges Seurat
    4. Paul Gauguin

  8. Desenvolveu uma técnica conhecida como “pontilhismo” (ou divisionismo), ao estudar as cores complementares, aplicando-as sobre a tela como pequenos pontos regulares de cor pura, com o objetivo de que esses se fundissem diante do olhar do observador, dando vida a uma mistura óptica de cores:

    1. Van Gogh
    2. Paul Gauguin
    3. Georges Seurat
    4. Toulouse-Lautrec

  9. É tido como o quadro mais importante da técnica pontilhista (divisionista):

    1. Veleiros e Pinheiros
    2. A Montanha de Sainte-Victorie
    3. Paisagem de Martinica
    4. Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte

  10. Os artistas desse período queriam bem mais do que pintar sombras e reflexos, como faziam os impressionistas. Dentre as mudanças efetuadas por eles estavam:

    1. o uso de cores vivas.
    2. camadas grossas de tinta.
    3. pinceladas fortes.
    4. Todas as respostas são verdadeiras.

Obs.: Reforce seus conhecimentos com artigos referentes a este estilo:
A ARTE DO NEO E DO PÓS-IMPRESSIONISMO
Gauguin – A VISÃO DEPOIS DO SERMÃO
Cézanne – AS GRANDES BANHISTAS (III)
Van Gogh – NOITE ESTRELADA
Signac – CAPO DI NOLI
Toulouse-Lautrec – NO MOULIN ROUGE: A DANÇA…
Seurat – TARDE DE DOMINGO NA GRANDE JATTE

Gabarito

1b / 2a / 3c / 4d / 5a / 6d / 7a / 8c / 9d / 10d

A ARTE DO IMPRESSIONISMO (I)

Autoria de LuDiasBH

Formação do Grupo

Um grupo de artistas da segunda metade do século XX revoltou-se com o excesso de temas históricos e o refinado acabamento que o Salão de Paris continuava exigindo e, em razão disso, excluíam suas obras da exposição do Salão Oficial. O que interessava a esses pintores era retratar a vida moderna como a viam num determinado instante, ou seja, a captura da impressão do momento no qual estavam presentes os fugitivos efeitos da luz solar. O contato entre eles teve início na década de 1860. Claude Monet conheceu Camille Pissarro por volta de 1860, sendo que Claude Monet, Alfred Sisley e Frédéric Bazille conheceram-se em 1862 e Paul Cézanne passou a relacionar-se com o grupo por volta de 1863, ano em que o Salon des Refusés expôs os quadros recusados pelo Salão oficial.

Desde finais da década de 1860, Édouard Manet e seu amigo Edgar Degas vinham travando contato com o resto dos pintores. Eles se reuniam no Café Guerbois, onde trocavam ideias relativas à arte vigente. Seus quadros foram aceitos até o ano de 1870 pelo Salão oficial, angariando um relativo êxito, contudo, após essa data, o júri passou a não os admitir com muita frequência.  

Claude Monet e Bazille tinham como projeto a realização de uma exposição independente que acabou não sucedendo, mas foi o germe para a que viria a acontecer anos depois. Veio a guerra franco-prussiana que desmanchou o grupo em 1870. Claude Monet e Camille Pissarro voltaram de Londres em 1871 — onde se exilaram —, mas não contavam mais com a presença de Frédéric Bazille que havia morrido na frente de batalha. O grupo resolveu deixar o Salão oficial, com exceção de Édouard Manet que ali continuou a expor seus trabalhos regularmente.

As exposições independentes do grupo aconteceram entre os anos de 1874 a 1886. Tinham como objetivo encontrar uma saída para suas obras que se viam à margem do Salão oficial. Dentre os participantes da primeira exposição encontravam-se: Claude Monet, Camille Pissarro, Pierre-Auguste Renoir, Alfred Sisley, Edgar Degas, Paul Cézanne e Berthe Morisot. Esses sete artistas, responsáveis por realizar essa primeira exposição em 1874, junto a Édouard Manet e a Edgar Degas (ainda que esses dois em razão de seus métodos e técnicas se mostrassem mais distantes do grupo) são tidos como os mais importantes pintores impressionistas.

Embora esse grupo de impressionistas tivesse como foco tais exposições, não significava que carregassem os mesmos ideais artísticos ou as mesmas concepções. Os objetivos artísticos e as ideias sobre a existência das exposições foram ficando cada vez mais diferenciados, como indica a mostra de 1886 — a última delas —, onde se encontravam como participantes do grupo inicial apenas Edgar Degas, Camille Pissarro e Berthe Morisot. Os demais eram todos artistas novos, como Paul Gauguin, Georges Seurat e Paul Signac.

As duas impressionistas mais conhecidas são a francesa Berthe Marie Pauline Morisot e a estadunidense Mary Stevenson Cassat que retrataram mulheres em ambientes domésticos, pois damas “respeitáveis” não podiam ter o mesmo comportamento dos homens à época, que podiam sair livremente a pintar cenas da vida contemporânea pelos campos e parques da cidade.

Os artistas impressionistas inspiravam-se no temperamento realista de Gustave Courbet e de seus seguidores, assim como nas paisagens em plein air (ar livre) dos pintores da Escola de Barbizon — Theodore Rousseau, Charles-François Daubigny e Jean-Baptiste-Camile Corot —, mas acontece que esses, excetuando Daubigny, acabavam suas pinturas no estúdio, o que, para os pintores impressionistas como Monet, Sisley, Renoir e Bazille — pelo menos no início do movimento — era totalmente impróprio.

O poeta e teórico da arte francesa Charles-Pierre Baudelaire, já na década de 1840, solicitava aos artistas que refletissem sobre o tema do “heroísmo da vida moderna”. E Eugène Boudin, um dos mais interessantes pintores precursores do Impressionismo, escreveu em 1868 que queria “encontrar uma maneira de tornar aceitáveis os homens com casacos e as mulheres com impermeáveis, pois os burgueses que caminham pelo quebra-mar para o poente têm o mesmo direito que os camponeses de ser retratados nos quadros”.

Monet e Renoir passaram a retratar os passatempos suburbanos dos burgueses, a classe média passeando e divertindo-se pelos parques e campos dos arredores cidade parisiense. Pissarro enveredou-se pelos povoados dos arredores de Paris, interessando-se pelos camponeses que ali trabalhavam. Manet, Monet e Pissarro também representaram a temática da estação de trem e os trens. Durante a década de 1870, Renoir, Degas e Manet agregaram a seu trabalho outros temas da vida moderna: o mundo dos entretenimentos da cidade — da ópera ao café da classe trabalhadora. Degas, por sua vez, foi encantado pelo balé, através do qual externava os sentimentos dos bailarinos e também o entrelaçamento intricado das figuras.  O nu feminino também foi retratado pelos impressionistas.

Muitos artistas que compunham o grupo de impressionistas continuaram envoltos por uma grande amizade, principalmente Claude Monet — tido como o pai dos impressionistas —,  Pierre Auguste Renoir e Camille Pissarro, no entanto, no que diz respeito ao trabalho artístico, começaram a tomar caminhos diferentes, como é comum acontecer na história da Arte. Mesmo tendo o círculo impressionista tenha se desfeito no final da década de 1880, a sua influência foi grande e duradoura. Mesmo tendo atingido o seu auge na França, o Impressionismo propagou-se por todo o Ocidente, ainda que nunca tenha chegado a ser uma escola no sentido exato da palavra.

Embora o Impressionismo, em termos gerais, seja fundamentalmente um estilo pictórico, o escultor francês Auguste Rodin é muitas vezes associado ao movimento impressionista, mas isso só pode ser feito em termos muito gerais embora, assim como os impressionistas, tenha buscado para suas formas um tipo de naturalismo e tenha estudado o natural durante toda a sua vida de artista. No entanto, na maioria dos aspectos não tinha muito em comum com os impressionistas. Para alguns, o escultor que mais se aproximou do Impressionismo foi o italiano Medardo Rossi que nutria grande interesse pela maneira como a luz desfaz a solidez das formas.

Obs.: Reforce seus conhecimentos com artigos referentes a este estilo:
A ARTE DO IMPRESSIONISMO (II)
A ARTE DO IMPRESSIONISMO (III)
Degas – A AULA DE DANÇA
Eliseu Visconti – MOÇA NO TRIGAL
Gauguin – A VISÃO DEPOIS DO SERMÃO
Monet – MULHER COM SOMBRINHA
Monet – REGATAS EM ARGENTEUIL
Renoir – BAILE NO MOINHO DA GALLETE
Teste – A ARTE DO IMPRESSIONISMO

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

A ARTE DO IMPRESSIONISMO (II)

Autoria de LuDiasBH

 A arte em si

 O Impressionismo — movimento artístico que pertenceu ao período entre 1860 e 1890 — teve origem na união de um grupo de artistas com ideias afins que se reuniam nos cursos de arte e nos cafés de Paris no início na década de 1860. A esse grupo juntaram-se outros alunos entusiasmados com as novas concepções artísticas, ficando o grupo conhecido posteriormente como “os impressionistas”. O que interessava a esses pintores era retratar a vida moderna como a viam num determinado instante, ou seja, a captura da impressão do momento no qual estavam presentes os fugitivos efeitos da luz solar, ao incidir sobre os objetos e a paisagem, ficando as figuras sem contornos nítidos. Ao pintar sob tais condições, suas obras pareciam inacabadas sob o olhar do século XIX, ainda afeito ao academicismo.

A pintura impressionista era tradicionalmente apresentada como totalmente casual e desordenada na composição. Quanto à evolução do plano cromático vista nos quadros impressionistas, essa jamais foi teórica ou científica. Embora se mostrasse aparentemente informal, a arte impressionista possuía uma tentativa decidida de mostrar a percepção instantânea que o artista concebeu do mundo que o rodeava. Os objetivos dos artistas impressionistas eram definidos em termos pictóricos, sem nenhum outro compromisso social. Desejavam apenas retratar, através da pintura, as sensações que sentiam diante da natureza, como escreveu Claude Monet: “Faço o que considero melhor para expressar o que experimento diante da natureza, para imprimir minhas sensações”.

As pinturas impressionistas, ao serem apresentadas na década de 1870 ao júri responsável pela escolha das obras a serem expostas no Salão de Paris, eram recebidas com desdém, uma vez que não representavam as superfícies lisas com pinceladas invisíveis como as exigidas pelo Salão oficial, mas traziam cores fortes e ousadas e suas pinceladas eram soltas e visíveis. As cenas pintadas eram tidas como extravagantes, radicais ou impróprias (paisagens de Paris, bailarinas atando sapatilhas, lavadeiras e passadeiras trabalhando, etc.). Mais uma vez um estilo de arte posicionava-se contra a influência exercida pela arte acadêmica em que predominavam os temas históricos, religiosos e mitológicos.

Por ocasião da primeira exposição independente organizada pelo grupo de impressionistas em 1874 — artistas descontentes com os caminhos da pintura, com a postura intransigente do Salão oficial e também na busca por um meio de conseguir visibilidade e saída para a venda de suas obras —, o pintor Claude Monet expôs uma marinha que tinha por título “Impressão, Sol Nascente” (ver quadro ilustrativo acima). O crítico Louis Leroy ali presente, como uma forma de insulto, cunhou o termo “impressionista” num artigo que se intitulava “A Exposição dos Impressionistas”, no qual escreveu: “Impressão… qualquer papel de parede é mais bem acabado do que esta marinha!”. Aos artistas envolvidos com a exposição não agradaram as críticas recebidas e tampouco o título de “impressionistas”, mas o que havia nascido como uma crítica desdenhosa acabou por se transformar no nome de um dos movimentos mais significativos do século XIX.

As gravuras japonesas (ukiyo-e) que apareceram em Paris na década de 1860 serviram como inspiração para o grupo de impressionistas. Elas traziam com simplicidade cenas da vida diária em cores puras e brilhantes, possuíam um traçado simples e composições dinâmicas, muitas vezes descentralizadas, sendo que as figuras mostradas em primeiro plano podiam aparecer cortadas pela borda dos quadros. Havia também uma atitude de despreocupação no que diz respeito às leis da perspectiva linear, totalmente diferente da europeia, na definição do espaço.

O colorido das estampas japonesas, principalmente as de Ando Horishige, descobertas na Paris da década de 1860, contribuíram para reforçar o uso de planos simples de cores justapostas, contudo, não foi por si só responsável por criar a técnica de cor impressionista. Os próprios artistas impressionistas foram os principais responsáveis, ao fazer o estudo da natureza. Eles chegaram aos efeitos dos contrastes da cor através da própria experiência que ganharam ao trabalhar em com contato estreito com a natureza.

Embora nem todos os estudiosos da arte aceitem, a fotografia também é vista como outra fonte de inspiração para o movimento impressionista, como mostram as bailarinas de Edgar Degas que, segundo alguns, são inspiradas nas imagens congeladas das fotografias de Eadweard Muybridge. Alguns estudiosos, no entanto, deduzem que os efeitos instantâneos captados pela fotografia quase nada têm a ver com o trabalho de Degas, dono de um planejamento detalhado, com efeitos de assimetria estudada — o que já fazia antes da popularização dos recursos da fotografia.  

Através de suas câmaras portáteis, os fotógrafos aprisionavam o movimento na forma de borrões. As composições não eram convencionais, podendo seguir uma ordem incerta, com primeiros planos vazios e com cortes incomuns. As primeiras fotos em movimento, mostrando como as pessoas e os animais se movimentavam foram impactantes para os impressionistas, principalmente quando fotografavam cenas de corridas de cavalo.

Os artistas impressionistas inspiravam-se no temperamento realista de Gustave Courbet e de seus seguidores, como nas paisagens em plein air (ar livre) dos pintores da Escola de Barbizon — Theodore Rousseau, Charles-François Daubigny e Jean-Baptiste-Camile Corot —, mas acontece que esses, excetuando Daubigny, acabavam suas pinturas no estúdio, o que, para os pintores impressionistas como Monet, Sisley, Renoir e Bazille — pelo menos no início do movimento —  era totalmente impróprio.

Mesmo nutrindo interesses comuns, nem todos os artistas impressionistas foram fieis aos princípios da escola e, assim, podem ser definidos alguns deles: Monet foi o mais fiel com sua temática moderna e compromisso com a captura da impressão visual originadas pela fugacidade dos efeitos de luz; Sisley possuía uma temática mais específica, direcionada às paisagens; Degas estava voltado para o desenho e a pintura de interiores, criando suas obras no estúdio; Pissarro mostrou sua predileção pelas cenas rurais. No que diz respeito às pinturas das impressionistas Morisot e Mary Stevenson Cassat, essas retratavam mulheres em ambientes domésticos.

O Impressionismo era essencialmente uma nova forma de pintar, contudo Degas e Renoir também criaram esculturas. Escultores contemporâneos também foram influenciados pelo Impressionismo, como Medardo Rosso e Auguste Rodin que se negaram a aceitar a precisão e o idealismo da escultura acadêmica. Embora o círculo impressionista tenha se desfeito no final da década de 1880, a sua influência foi grande e duradoura. Mesmo tendo atingido o seu auge na França, o Impressionismo propagou-se por todo o Ocidente, ainda que nunca tenha chegado a ser uma escola no sentido exato da palavra.

Os impressionistas adotaram diferentes caminhos em relação à técnica depois de 1880, resumindo-se a tentativas de colocar em evidência com o pincel certas características da superfície da composição, mas conservaram a mais importante de todas as inovações: deixar as pinceladas individuais bem visíveis sobre a superfície pictórica. É certo que a maior parte das obras impressionistas foram criadas em óleo sobre tela, contudo, muitos dos artistas, buscaram experimentar outros meios, como aconteceu com o pastel, principal meio utilizado por Degas a partir do final da década de 1870 e com Cézanne ao usar a aquarela.

O Impressionismo, em termos gerais, é fundamentalmente um estilo pictórico, mas numa análise mais apurada, os artistas impressionistas estiveram ligados ao período do naturalismo, ao se preocupar apenas em fazer um registro de suas experiências e das cenas relativas ao mundo que os cercava. Embora o grupo de impressionistas convivesse com escritores e pessoas da intelectualidade, não se pode dizer que a pintura impressionista carregue algo de literário. O que lhe interessava era retratar o mundo em que vivia com os seus pinceis, fazendo uso da forma e da cor. Embora o Impressionismo tenha surgido, de acordo com as convenções da época, como uma arte radical e revolucionária quanto à técnica e ao tema, não se pode dizer que seus artistas pleiteassem ideias políticas revolucionárias.  Isso não significa que eles não fossem conscientes das divisões sociais vigentes, mas simplesmente retratavam-nas objetiva e desapaixonadamente.

Ao não querer depender das exposições patrocinadas oficialmente, nas quais um júri escolhia as obras que lhe agradava, os impressionistas foram abrindo caminho para os outros grupos que viriam, quer através de exposições coletivas menores quer através de mostras individuais montadas por marchands. As descobertas feitas pelo movimento impressionista foram importantes para que outras surgissem no campo da pintura. Contribuiu também para que ruísse a ideia de que um quadro deveria ser grande e possuir um acabamento perfeito, ao dar lugar a uma pintura mais informal que expressasse a personalidade do artista. Vários movimentos da arte em território francês abraçaram diversas características dos impressionistas, a exemplo dos fauvistas, neoimpressionistas cubistas, etc.

Obs.: Reforce seus conhecimentos com artigos referentes a este estilo:
A ARTE DO IMPRESSIONISMO (I)
A ARTE DO IMPRESSIONISMO (III)
Degas – A AULA DE DANÇA
Eliseu Visconti – MOÇA NO TRIGAL
Gauguin – A VISÃO DEPOIS DO SERMÃO
Monet – MULHER COM SOMBRINHA
Monet – REGATAS EM ARGENTEUIL
Renoir – BAILE NO MOINHO DA GALLETE
Teste – A ARTE DO IMPRESSIONISMO

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

A ARTE DO IMPRESSIONISMO (III)

Autoria de LuDiasBH

A paisagem impressionista

O Impressionismo era essencialmente uma nova forma de pintar, ainda assim é difícil obter uma definição que abrace toda a gama de telas que se inserem dentro do termo “impressionista”, contudo, um tipo de quadro é inequívoco: a paisagem impressionista por excelência — a exemplo de A Regata de Argenteuil, de Monet, criada em 1874 — uma vez que suas características são bem fáceis de serem identificadas: 1- possuía um tamanho relativamente pequeno e irregular no que diz respeito à composição; na maioria das vezes era feita ao ar livre; as cores usadas eram quase sempre brilhantes e contrastantes; e a pincelada era livre e intuitiva.

Quase todos os paisagistas, antes dos impressionistas, ao criar suas obras de grandes dimensões e dar-lhes um acabamento impecável para serem exibidas, faziam uso do estúdio, tomando como referência pequenos estudos preparatórios feitos ao ar livre, portanto, não foram os impressionistas os primeiros a usar as pinturas a óleo realizadas ao ar livre. Os paisagistas franceses, desde os finais do século XVIII, já faziam esboço a óleo ao ar livre como parte de seu aprendizado, como mostram os pequenos estudos de Pierre Henri de Valenciennes, feitos na década de 1780, hoje presentes no Louvre.

Há exemplos de Valenciennes esboçando o mesmo tema sob diferentes condições meteorológicas, como Monet viria a fazer. Também na Inglaterra, no início do século XX, esse mesmo tipo de estudo foi realizado, como pode ser visto nos esboços a óleo de John Constable.  A diferença é que essas pequenas pinturas a óleo feitas ao ar livre, não eram tidas como acabadas, tratando apenas de apontamentos sobre a luz e o ambiente que os pintores viriam a usar para fazer suas grandiosas pinturas no estúdio.  

A admiração dos artistas pelas pinturas obradas ao ar livre foi aumentando com o passar dos anos. O pintor francês Jean-Baptiste Camille Corot expôs no Salão alguns estudos exteriores, ao invés de usar composições feitas em estúdio. E Charles-François Daubigny, aluno da escola de Barbizon, começou a expor, entre as décadas de 1850 e 1860, imensas paisagens que possuíam grande parte delas trabalhada ao ar livre. Assim, tal tradição francesa antecedeu as obras ao ar livre dos impressionistas, mas não é provável que esses tenham tido ciência das tentativas anteriores que lograram êxito ao comporem obras exteriores.

Os impressionistas mostravam-se cada vez mais obstinados a compor ao ar livre, fazendo uso de telas menores. Consideravam os seus pequenos óleos, feitos ao ar livre, como obras terminadas, onde o que contava era a sua tendência natural e o frescor do registro da natureza. Ao criar um quadro paisagístico, primeiro buscavam por um ponto de vista que definisse de que maneira as formas que apareciam diante dos olhos deveriam interagir entre si e com os limites do quadro, embora usassem diferentes perspectivas. Monet e Cézanne gostavam das composições que não eram captadas de maneira direta, enquanto Sisley, Renoir e Pissarro optavam por uma estrutura de perspectiva simples e claramente definida.

Imagina-se que a maioria das paisagens de dimensões reduzidas, criadas e expostas pelos impressionistas na década de 1870, tenha sido totalmente pintada ao ar livre, ou ao menos em sua maior parte. Do grupo composto por eles, apenas Degas não pintou externamente. É possível também que Camille Pissarro tenha usado seu estúdio na década de 1870, quando criou grandes óleos. O fato é que, a partir de 1870, a maioria das paisagens impressionistas diferenciavam-se no uso da cor das paisagens francesas pintadas anteriormente.

Os impressionistas, contudo, depois de 1880, passaram a compreender que as pinturas feitas ao ar livre eram muito limitantes e consistiam num paradoxo, uma vez que tais obras externas adornavam ambientes internos. Também compreenderam que a fugacidade dos efeitos da luz impossibilitava-os de fazer um registro real e imediato do que viam. Em razão disso passaram a trilhar caminhos diferentes. Renoir, nos seus últimos anos de vida, passou a usar pequenos esboços feitos ao ar livre para trabalhar em seu estúdio. Pissarro voltou ao trabalho no estúdio. Embora Monet desse a impressão de que seu trabalho continuava sendo executado totalmente ao ar livre, suas correspondências provavam o contrário, ou seja, que ele usava o estúdio para dar acabamento às suas telas. A partir da década de 1890 ele revisou a maior parte de sua obra na quietude de seu estúdio.

Os paisagistas impressionistas não se ativeram apenas aos temas declaradamente modernos. Também pintaram paisagens que deixavam evidente o trabalho humano (estradas, pontes, campos, aldeias…). Monet e Cézane retrataram a natureza em seus aspectos mais rústico (montanhas e rochas). Monet também se viu atraído pelas forças bravias dos elementos (neve e gelo, mar e vento contra as escarpas), mostrando a insignificância do homem diante das forças da natureza.

O fato é que o Impressionismo foi o movimento artístico que – em toda a história da arte – que mais valorizou o trabalho ao ar livre. Os paisagistas impressionistas foram responsáveis por trazer consigo uma utilização livre, espontânea e sincera, mostrando as diferentes texturas da natureza e destacando o valor de cada pincelada.

Obs.: Reforce seus conhecimentos com artigos referentes a este estilo:
A ARTE DO IMPRESSIONISMO (I)
A ARTE DO IMPRESSIONISMO (II)
Degas – A AULA DE DANÇA
Eliseu Visconti – MOÇA NO TRIGAL
Gauguin – A VISÃO DEPOIS DO SERMÃO
Monet – MULHER COM SOMBRINHA
Monet – REGATAS EM ARGENTEUIL
Renoir – BAILE NO MOINHO DA GALLETE
Teste – A ARTE DO IMPRESSIONISMO

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

Teste – A ARTE DO IMPRESSIONISMO

O Impressionismo — movimento artístico que pertenceu ao período entre 1860 e 1890 — teve origem na união de um grupo de artistas com ideias afins que se reuniam nos cursos de arte e nos cafés de Paris no início na década de 1860. A esse grupo juntaram-se outros alunos entusiasmados com as novas concepções artísticas, ficando o grupo conhecido posteriormente como “os impressionistas”. O que interessava a esses pintores era retratar a vida moderna como a viam num determinado instante, ou seja, a captura da impressão do momento no qual estavam presentes os fugitivos efeitos da luz solar, ao incidir sobre os objetos e a paisagem, ficando as figuras sem contornos nítidos. Ao pintar sob tais condições, suas obras pareciam inacabadas sob o olhar do século XIX, ainda afeito ao academicismo.

    1. O Impressionismo surgiu após Realismo, antecedendo o:

      1. Romantismo.
      2. Pontilhismo.
      3. Pos-Impressionismo.
      4. Cubismo.

  1. Os impressionistas revolucionaram a Arte com sua técnica de pintura que, a princípio, causou surpresa por:

    1. ser uma vertente do Romantismo.
    2. seguir as características do Maneirismo.
    3. remeter à cultura greco-romana.
    4. não se ater aos dogmas do academicismo.

  2. São características da pintura impressionista, exceto:

    1. cores usadas puras em pequenas de pinceladas.
    2. uso de contornos escuros e telas gigantescas.
    3. contraste de luz e sombra obtidos pelo uso de cores complementares.
    4. predileção pela pintura feita ao ar livre (plein air)

  3. A pintura ao ar livre buscava captar os efeitos e mudanças que a luz solar causava, ao incidir sobre os objetos e a paisagem, deixando as figuras:

    1. com contornos mais fortes.
    2. sem contornos nítidos.
    3. sem nuances de cores.
    4. sempre na sombra.

  4. A origem da palavra “impressionismo” veio de uma crítica feita ao quadro de Claude Monet (visto acima), intitulado:

    1. Impressão: Sol Nascente.
    2. Tormenta em Belle-Isle.
    3. Baile do Moulin de la Golette.
    4. Terraço em Saint-Adresse.

  5. Apenas um dos artistas abaixo no pertence ao Impressionismo:

    1. Claude Monet.
    2. Théodore Rousseau.
    3. Edgar Degas.
    4. Pierre-Auguste Renoir.

  6. O Impressionismo foi se manifestar no Brasil um pouco mais tarde, por volta de 1920, trazido da França pelo pintor e designer ítalo-brasileiro:

    1. Lasar Segall.
    2. Di Cavalcanti.
    3. José Ferraz de Almeida Júnior.
    4. Eliseu d’Ângelo Visconti.

  7. No Impressionismo brasileiro também se destaca Almeida Júnior com suas pinturas ingênuas de interior. Uma das obras mais famosas desse artista é:

    1. Moça no Trigal.
    2. Caipira Picando Fumo.
    3. Estrada de Ferro Central do Brasil.
    4. Cinco Moças de Guaratinguetá.

  8. Ao estudar a incidência de luz sobre a paisagem, o pintor Claude Monet pintou:

    1. várias vezes a mesma paisagem em horários diferentes.
    2. sob a luz de lampiões a gás e sob a luz de velas
    3. com Renoir, Degas e Pissarro a mesma paisagem.
    4. somente em dias nublados, ao amanhecer.

  9. As gravuras japonesas, surgidas na França, serviram como influência para os impressionistas porque:

    1. mostravam cenas da vida cotidiana.
    2. apresentavam cores vivas e ousadas.
    3. possuíam traçados simples e composições dinâmicas.
    4. Todas as alternativas estão corretas.

Obs.: Reforce seus conhecimentos com artigos referentes a este estilo:
A ARTE DO IMPRESSIONISMO (I)
A ARTE DO IMPRESSIONISMO (II)
A ARTE DO IMPRESSIONISMO (III)
Degas – A AULA DE DANÇA
Eliseu Visconti – MOÇA NO TRIGAL
Gauguin – A VISÃO DEPOIS DO SERMÃO

Monet – MULHER COM SOMBRINHA
Monet – REGATAS EM ARGENTEUIL
Renoir – BAILE NO MOINHO DA GALLETE

Gabarito
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