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ARTE ROMANA E RELIGIÕES (aula nº 15)

Autoria de LuDiasBH

            
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Antes de Roma transformar-se num grande império, a religião primitiva de seu povo exigia que as imagens em cera dos ancestrais fossem carregadas em procissões. Tal costume parecia vir da crença de que a representação da pessoa preservava sua alma. Em sua origem os romanos eram adeptos da cremação de seus mortos, mas a partir do século II a.C. os sepultamentos tornaram-se mais frequentes, surgindo então os sarcófagos (caixões de pedra ou terracota), depositados contra uma parede, de maneira que nem todos os seus lados recebiam ornamentação (lendas clássicas, cenas de caçada ou batalhas heroicas). A terceira gravura acima (da esquerda para a direita) diz respeito a  um relevo em mármore de um sarcófago.

Ao transformar-se num grande império, os romanos passaram a cultuar o busto de seu imperador. Queimavam incenso diante desse para simbolizar lealdade e submissão, costume que ocasionou a perseguição aos cristãos, pois esses se recusavam terminantemente a participar de tal prática. Os romanos importantes  permitiam que os artistas criassem seus retratos (bustos) mais realísticos. Ainda que esses os lisonjeassem de uma forma mais velada, davam-lhes um caráter natural, sem qualquer sombra de vulgaridade.

Os romanos eram um povo de caráter prático, não se apegando aos deuses fantasiosos, como faziam gregos e egípcios. Possuíam, porém, uma maneira peculiar de narrar os feitos de seus heróis, o que ajudou as religiões que travaram contato com o Império Romano, ao espelharem suas crenças. Contavam a história de suas campanhas militares e apregoavam suas vitórias numa espécie de crônica ilustrada, como mostra a Coluna de Trajano (ilustração à esquerda), o que contribuiu para alterar a tendência da arte, levando a expressão dramática a se sobrepor à harmonia e à beleza.

A civilização helenística foi a soma da união das diversas sociedades que compunham o império de Alexandre, o Grande, porém com a predominância das culturas grega, persa e egípcia. Contudo, ao dominar os povos do Império de Alexandre, os conquistadores romanos impuseram sua própria cultura. Somente não conseguiram fazê-lo no que diz respeito à cultura helenística, cuja arte encontrava-se bem acima da arte dos romanos durante os primeiros séculos depois de Cristo. Foi em razão dessa superioridade que a arte helenística e a romana se sobrepuseram às artes dos reinos orientais.

Os egípcios, embora continuassem a sepultar seus mortos usando a técnica da mumificação e seguindo a crença de que a figuração era fundamental para a sobrevivência da alma, não mais faziam uso da representação do rosto segundo seu estilo, mas, sim, de acordo com os critérios da arte grega. Os retratos dessa época chamam a atenção por seu intenso realismo (ilustração à esquerda). Não foram apenas os povos egípcios a adequarem os novos métodos artísticos aos costumes de sua religião, outros povos também o fizeram, a exemplo dos indianos que aprenderam o jeito romano de narrar uma história e louvar seus heróis. E foi assim que os artistas indianos contaram a história de Buda — um ser humano que recebeu a iluminação.

A arte da escultura já estava presente na Índia muito tempo antes de a influência helenística ali aparecer, ao ser conquistada por Alexandre Magno. As belas formas das artes grega e romana, ao homenagear seus deuses e heróis, influenciaram os artistas indianos, como mostra a cabeça de Buda acima, expressando grande paz. A religião judaica também se viu influenciada por gregos e romanos na representação de suas histórias sagradas, com a finalidade de instruir seus fiéis. Embora a Lei judaica proibisse a criação de imagens por medo de que seu povo passasse a cultuar deuses pagãos, algumas colônias judaicas, situadas nas cidades fronteiriças a leste, ornamentaram as paredes de suas sinagogas com histórias do Antigo Testamento.

Os artistas cristãos, ao representarem Cristo e seus apóstolos pela primeira vez, foram beber na sabedoria da tradição grega. A terceira ilustração acima é tida como uma das primeiras representações do Salvador, datando do século IV. Apresenta um Cristo jovem entronizado, ladeado pelos discípulos Pedro e Paulo. O mais interessante nesta obra é o fato de os pés de Jesus descansarem num dossel do firmamento que é sustentado pelo antigo deus que regia o céu, lembrando a arte helenística pagã.

Exercício:
Para o enriquecimento deste texto/aula os participantes deverão responder às questões abaixo:

  1. Como as religiões foram influenciadas pelo Império Romano?
  2. Por que a arte dos romanos não suplantou a dos gregos?
  3. Se você fosse o escultor da obra acima (3ª) por que teria acrescentado a ela um deus pagão?

Ilustração: 1. Retrato de um Homem, c. 100 d.C. /2. Cabeça do Buda, séc. IV-V d.C /3. Cristo com S. Paulo e S. Pedro, c. 389 d.C. /4. Coluna de Trajano, c.114 d.C.

Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich

Albrecht Dürer – O SUICÍDIO DE LUCRÉCIA

Autoria de LuDiasBH


A composição O Suicídio de Lucrécia, também conhecida como Lucrécia, é uma obra do pintor alemão Albrecht Dürer. O artista levou muito tempo para executá-la, sendo encontrados esboços relativos à obra, dez antes de sua criação, o que demonstra o quão criterioso e meditativo era o artista em sua arte. Presume-se que Dürer tenha tomado por modelo algum nu veneziano. Alguns historiadores de arte não gostam desta pintura, enquanto outros veem nela um Dürer menos formal, voltado para si, e mais ligado à presença da morte. Em decorrência de muitas disparidades nas proporções e na expressão da figura, Fedja Anzelewsky, autor de obras sobre Albrecht Dürer, define-a como “uma paródia ao invés de uma exaltação da figura feminina clássica”. De qualquer forma esta obra é vista como um dos trabalhos do artista menos apreciados.

Na composição Lucrécia, com seus cabelos compridos e minguados, apresenta-se nua, em postura frontal, num ambiente apertado, de costas para sua cama nupcial, local onde fora estuprada por seu primo Sextus. Enquanto enfia a espada no ventre, ela olha para cima, como se clamasse aos deuses para que dela servissem de testemunhas. De sua ferida, abaixo do seio direito, espirra um filete de sangue, mas que não mancha o pano que cobre os quadris ou o chão. É incessante notar que ela faz uso apenas da mão direita, enquanto a esquerda encontra-se atrás de seu corpo, repassando a ideia de que não precisa de força alguma para dar cabo ao seu ato. Debaixo da cama avista-se um vaso da noite (urinol).

A nudez de Lucrécia é totalmente desprovida de sensualidade, sendo a figura analisada por alguns estudiosos de arte como “o nu mais casto da história da arte”. A lendária dama romana que optou por suicidar-se a ter que enfrentar a vergonha de seu estupro, é vista com contornos esculturais firmes, sem qualquer lampejo de sedução. O pano que cobre a região pubiana da personagem foi, presumivelmente, expandido para cima, numa repintura da obra, no século XVI ou XVII.

Nota: Lucrécia foi uma dama romana, filha de um dos prefeitos de Roma (Espúrio Lucrécio) e mulher de Lúcio Tarquínio Colatino. Segundo os historiadores da época, ela foi abusada sexualmente por Sexto, filho de Tarquínio, o Soberbo, suicidando-se após contar ao pai e ao marido o que lhe acontecera e pedir vingança.

Ficha técnica
Ano: 1518
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 168 x 74 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

 Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.wga.hu/html_m/d/durer/1/09/1lucrezi.html

O LIMIAR DA ARTE ROMANA (aula nº 14)

Autoria de LuDiasBH

             
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O Império Romano foi erguido sobre as ruínas dos reinos helênicos (ou helenísticos). Mas antes de prosseguirmos em direção à sua arte, é necessário conhecermos um pouco de sua história. Comecemos pelo famoso conquistador Alexandre III Magno ou Alexandre, o Grande que formou um grande império (Egito, Mesopotâmia, Síria, Pérsia e Índia) em apenas 10 anos de reinado (333 a 323 a.C.), tendo legitimado o grego como língua oficial e interferido na formação cultural do povo dominado, fazendo prevalecer o padrão grego em algumas instituições e em outras os elementos orientais. Essa mistura deu início ao período conhecido como “helenístico”.

A civilização helenística foi, portanto, a soma da união de diversas sociedades com a predominância da grega, persa e egípcia. Sua arte escultórica era dotada de fortes emoções ou movimentos bruscos, efeitos que os artistas helenísticos conseguiam obter através de poses retorcidas ou de aprimorados drapeados esvoaçantes. A escultura de “retratos” foi também muito popular. Esse período teve seu início com a morte de Alexandre, o Grande (323 a.C.), prevalecendo até a subida do primeiro imperador romano (Augusto) ao trono (27 a.C.). Mas qual é o porquê do nome “Cultura Helenística”? Referia-se ao nome que os gregos davam a si mesmos — Helenos.

A cultura grega foi imensamente beneficiada com o movimento expansionista efetuado por Alexandre, o Grande, pelo Oriente, ao fundar inúmeras cidades, a exemplo de várias delas com o nome de Alexandria — em sua própria homenagem — que viriam a converter-se em grandes centros de disseminação da arte grega no Oriente, que por sua vez se fundia com as culturas locais. Mas o jovem conquistador Alexandre Magno morreu muito cedo, aos 33 anos, sem ter passado por qualquer derrota. Tampouco deixou um herdeiro para sucedê-lo, o que levou seus generais a engalfinharem-se em sangrentas batalhas entre si, brigando pelo grandioso império que foi todo esfacelado entre eles, surgindo as dinastias absolutistas e enfraquecendo a outrora unidade construída por ele. Como inimigos divididos são inimigos enfraquecidos, os romanos foram conquistando uma por uma das dinastias durante os séculos II e I a.C.

Grande parte dos artistas que exerciam sua profissão em Roma era grega, sendo suas obras muito bem aceitas pelos colecionadores romanos, por isso, a arte permaneceu meio apática no período em que os exércitos romanos ampliavam seu império. Mas, quando Roma passou a ser a mandachuva do mundo, as coisas mudaram no que diz respeito à arte. Os artistas foram obrigados a adequar-se às imposições de seus mandantes, pois lhes foram destinadas tarefas diferentes das que executavam. O campo da engenharia civil foi aquele que teve maiores realizações, como mostram as estradas, os aquedutos e banhos públicos romanos, ainda que se apresentem hoje em ruínas. No que diz respeito à arte pictórica, apenas um pequeno número de pinturas romanas, a maioria delas feitas em painéis de madeira, chegou aos nossos dias.

O Coliseu (primeira ilustração à esquerda) foi o mais famoso edifício romano e que até hoje provoca admiração. Os arcos triunfais (segunda ilustração) são outra grande proeza do vasto Império Romano, erguidos nas  mais diferentes terras conquistadas. Eles possuíam uma grande porta frontal ladeada por aberturas mais estreitas. A arquitetura romana tinha como ponto principal o uso de arcos — construção dificílima para a época, uma vez que eram feitos com pedras separadas. Foi exatamente o domínio de tal técnica que levou os arquitetos romanos a projetos cada vez mais audaciosos, como a construção de tetos abobadados. O Panteão  (terceira ilustração) — templo dedicado aos deuses — é tido como o mais belo dos edifícios romanos. Os artistas romanos aprenderam muito com a arquitetura grega e fizeram uso de tudo que lhes interessava, o mesmo aconteceu nos demais campos da arte.

Exercício:
Para o enriquecimento deste texto/aula os alunos deverão responder às questões abaixo:

  1. O que aconteceu com o Império de Alexandre, o Grande?
  2. O que contribuiu para a criação do Império Romano?
  3. Fale sobre a arquitetura no Império Romano.

Ilustração: 1. Coliseu, Roma, c. 80 d.C. / 2. Arco Triunfal de Tibério, Orange, França, c. 14-37 d.C. / 3. Panteão, Roma, 126 d.C. / 4. Busto do Imperador Cláudio, Napóles/Itália, c.41-54 d.C.

Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich

UM RELACIONAMENTO BIPOLAR

Autoria de Gislaine Silva

Conheci o meu namorado no Tinder e, com três meses juntos, ele me pediu em namoro e fomos morar juntos. Quando fizemos 4 meses de namoro, ele começou a ser grosso comigo. Acordava nervoso e batendo as coisas. Achei aquilo estranho, mas não o questionei, pois passava uns minutos e ele vinha todo carinhoso como se nada tivesse acontecido. Sempre que tinha surtos falava de sua infância sofrida e da falta de emprego. Estava desempregado há uns 6 meses quando o conheci. Tinha um ótimo cargo e ganhava muito bem e nunca juntou nenhum dinheiro. Fuma muito cigarro, maconha e cocaína principalmente quando trabalha de motoboy e, segundo ele, não suporta trabalhar à noite.

Por falta de dinheiro para pagar o aluguel, minha mãe deixou a parte de baixo da casa dela para nós dois morarmos. Ele mesmo a reformou durante dois meses. Nesse período eu já estava vendo que ia comer o pão que o diabo amassou, mas não consegui sair da relação por pena dele, sempre falando que se não fosse eu para ajudá-lo não saberia o que fazer, pois não queria morar com os pais que são alcoólatras. E sempre me falando que quando nos mudássemos para a casa da minha mãe, tudo seria diferente, que estava apenas com uma pressão na cabeça. Ele me tratava mal na frente dos outros e pedia desculpas, acordava transformado, irônico e grosso, ciúmes por coisas bestas, controlando minhas roupas. E sempre que virava uma discussão ele se fazia de vítima, como se nada tivesse acontecido.

Sou nova, tenho apenas 21 anos e estou iniciando minha vida profissional agora e sinto-me presa em uma dor enorme que não sei quando vou sair dela. E nem sei se o amo como homem, ou seja, como pai dos meus futuros filhos, mas o amo como pessoa. Sei que ele sofre por ser assim, mas me pergunto todos os dias até quando vou suporta ajudar uma pessoa e me matar por dentro. Eu me pergunto porque eu não sei ser fria e rígida com ninguém e simplesmente manda-lo ir viver a vida dele.

É difícil lidar com uma pessoa assim. Os remédios não fazem 100% do efeito por causa do uso da maconha que ele deixou bem claro que não vai cortar. Dinheiro dele é para cigarro e maconha. O que sobra compra as coisas para casa. Só meu salário de estagiária não dá para viver. Eu me vejo sem futuro ao lado de uma pessoa que não sabe o que fazer da vida. Sempre que falo em separar, ele chora e me prende de alguma forma. Não pensa no meu sofrimento e não me dá a opção de tentar ser feliz comigo mesma.

Ontem conversei com ele e hoje acordei fazendo tudo para vê-lo bem. Suas primeiras frases do dia foram de arrogância. A lição que tirei disso tudo é que você, qualquer que seja a sua idade, ore a Deus antes de colocar uma pessoa na sua vida. O amor sozinho não traz toda a felicidade que você procura. Para ser feliz precisa de muito mais.  Espero um dia ler isto e sentir que estou em um futuro bem distante. Atualmente estou morta de espírito. Fui tão longe e não cheguei a lugar nenhum, o desejo de me sentir completa depois de sair de um relacionamento fracassado e minha pressa me trouxe aqui aonde estou. Onde não desejo que ninguém esteja …

Ilustração: Olho no Olho, parte de uma obra de Edvard Munch

ARTISTAS GREGOS E SUAS OBRAS (aula nº 13)

Autoria de LuDiasBH

                  
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 Os artistas nem sempre tiveram o espaço que lhes é devido na sociedade. No final do século V a.C. eles já tinham ciência de seu poder e maestria, sentimento esse também partilhando pelo público. Contudo, ainda eram vistos como simples artífices, sendo muitas vezes ignorados pelos presunçosos — arrogantes comuns a todas as sociedades, pouco importando a época. As coisas começaram a mudar, quando um número cada vez maior de pessoas começou a ver a criação desses indivíduos como obras de arte e não mais como trabalhos, cuja função, até então, era unicamente religiosa ou política. Foi assim que se deu o grande desabrochar da arte em direção à liberdade.

Diante das mudanças que se processaram na maneira de pensar das pessoas, concluímos, então, que bastou que elas mudassem seu ponto de vista para que a arte cumprisse seu real papel — apresentar a criação do artista e revelar toda a sua criatividade e sensibilidade. A liberdade que lhes foi dada permitiu que houvesse competição entre eles, o que possibilitou a diversidade criativa presente tanto na arquitetura como na escultura e pintura da Grécia Antiga.  

O século IV a. C. foi inovador ao dar à arte um novo enfoque.  A obra estatutária passou a ser admirada por sua beleza, sendo vista como obra de arte, deixando o artista orgulhoso de sua criação e, em consequência, levou-o a aprimorar-se cada vez mais no seu trabalho. Os gregos que gozavam de uma educação mais refinada faziam da arte pictórica (relativa a pinturas) e da estatuária (relativa a estátuas) um tema para seus debates em praças públicas, do mesmo modo como discutiam poemas e teatro.

O mais brilhante artista grego do século IV a.C. foi Praxíteles, dono de obras graciosas e fascinantes. O seu mais louvado trabalho — cantado inclusive em poemas — representava a deusa Afrodite (Vênus na mitologia romana), a deusa do amor, entrando em seu banho. Contudo, para tristeza de todos nós, amantes da arte, essa obra não chegou aos nossos dias, tendo desaparecido. O fato é que em 200 anos a arte grega passou por magistrais transformações, como nos mostra a obra de Praxíteles que não carrega nenhum sinal da rigidez que caracterizou a arte grega por um tempo.

A pergunta que se faz é como Praxíteles — assim como outros artistas gregos — conseguiu atingir tamanho grau de beleza e equilíbrio? A resposta é a mesma que é aplicada aos dias de hoje — a busca pelo conhecimento. Esses artistas tinham uma grande compreensão do corpo humano, sendo capazes de retratá-lo com beleza e equilíbrio, como mostra a estátua intitulada “Hermes com o Jovem Dionísio” (ilustração à esquerda) — descoberta em Olímpia (cidade grega) no século XIX —, atribuída a Praxíteles.  Ela mostra o deus Hermes com o pequeno Dionísio no braço esquerdo, enquanto brinca com ele.

A arte estatuária dos gregos antigos parece ter tomado como modelo seres de um mundo diferente do nosso, ao representar o homem ideal em sua perfeição extremada. A estátua intitulada “Apolo de Belvedere” (ilustração central) apresenta o ideal grego do corpo humano. O deus Apolo traz o arco no braço estendido e a cabeça de lado, como se acompanhasse o voo da flecha. Outra famosíssima obra clássica é conhecida como “Vênus de Milo” (ver link), encontrada na ilha de Milos (ou Melos), situada na Grécia, daí a razão de seu nome. Embora seja simples, tudo nessa obra é harmonioso, daí o fascínio dos turistas por essa estátua que fica no Museu do Louvre em Paris/França.

No fim do século IV a.C. a geração de artistas que precedeu a de Praxíteles criou uma maneira de expressar emoção no rosto de suas estátuas sem que, com isso, comprometesse sua beleza. Os artistas gregos foram responsáveis por quebrar os severos tabus do primitivo estilo oriental — como vimos no mundo da arte egípcia —, pois preferiram trilhar um caminho de buscas e descobertas, apesar de desconhecido, a ficar no mesmo lugar. Agindo assim, enriqueceram seu trabalho, acrescentando-lhe um grande número de características adquiridas através do estudo e da observação. Contudo, suas obras sempre estiveram longe da realidade dos humanos, repassando, sobretudo, a visão intelectual de quem as criou.

Os gregos antigos procuravam na arte uma forma idealizada que expressasse a perfeição da alma e o bom caráter, importantes para a educação do povo, de modo que a estética transformou-se num sinal de valor ético. A fim de que arte grega garantisse seu ideal de beleza, eles criaram um Cânone (ilustração à esquerda) que dizia respeito às proporções entre as partes do corpo humano. Foi o escultor grego de nome Policleto o responsável por escrever esse tratado teórico em meados do século V a.C. Tal documento exerceu influência sobre a futura geração de escultores, ao assegurar que, obtinha-se a perfeição da forma através de relações numéricas precisas, tomando como base as figuras geométricas simples. Uma dessas regras mais conhecidas rezava que a altura do corpo humano deveria corresponder a sete vezes a altura da cabeça.

Uma das estátuas mais famosas da arte grega é conhecida como “Laocoonte e seus Filhos” ou apenas “Laocoonte” (ver link abaixo). Outra obra famosa é “O Lançador de Discos” (ver link abaixo). Um estudioso da arte jamais poderia desconhecê-las.

Exercício:
Para o enriquecimento deste texto/aula os participantes deverão acessar os links abaixo:

  1. VÊNUS DE MILO
  2. LAOCOONTE E SEUS FILHOS
  3. O LANÇADOR DE DISCOS

Ilustração: 1. Hermes com o Jovem Dionísio (c. 340 a.C.), obra de Praxísteles / 2. Apolo de Belvedere (c. 350 a.C.) 3. O Cânone de Policleto (c. 450 a.C)

Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich

O LIMIAR DA ARTE GREGA (Aula nº 12)

Autoria de LuDiasBH

                                          

Os mais antigos estilos de arte originaram-se nos oásis de imensos desertos em terras sob o controle de tiranos orientais, a exemplo do Egito, o que contribuiu para que a arte não sofresse modificações ao longo de milhares de anos, uma vez que aos déspotas não interessam as mudanças. Contudo, a história da arte seguiu caminhos diferentes em outras terras vizinhas ao mundo egípcio — enseadas das penínsulas da Grécia e da Ásia Menor —, terras não pertencentes à soberania de um só monarca. Eram regiões que reuniam grandes riquezas, produtos oriundos do comércio e também da pilhagem marítima. A ilha de Creta — a maior de todas as ilhas gregas — foi originalmente o principal centro dessas terras. Seus reis costumavam mandar embaixadas ao Egito, levando as obras de seus artistas e trazendo outras de lá.

Não se sabe ao certo qual era o povo que habitava a ilha de Creta à época e cuja arte foi transmitida ao continente grego, ganhando espaço principalmente em Micenas (outrora um dos maiores centros da civilização grega e hoje um sítio arqueológico na Grécia). Contudo, em cerca de 1000 a.C., novas tribos, guerreiras oriundas da Europa, adentraram na península grega, chegando até o litoral da Ásia Menor, derrotando seus antigos habitantes e destruindo a arte ali produzida.

Dentre os guerreiros recém-chegados estavam as tribos gregas que se espalharam por várias cidades pequenas e por pontos de abrigo ao longo da costa mediterrânea. Embora houvesse conflitos entre elas, nenhuma conseguiu subjugar a outra. A arte dessas tribos, nos primeiros séculos de sua dominância, era tosca e sem qualquer traço de leveza, não lembrando em nada o gracioso estilo cretense, mas, ao contrário, suas obras mostravam-se mais rígidas do que as dos artistas egípcios. Os padrões geométricos que decoravam suas cerâmicas eram muito simples e, quando esses artistas representavam uma cena, criavam-na rígida e severa.

A Grécia era divida em cidades-estados, sendo Atenas a mais conhecida e importante no que diz respeito à arte. Ela foi responsável pelos primeiros passos de uma técnica nova que viria a fazer toda a diferença na história da arte — o escorço (desenho ou pintura que reproduz seus motivos em escala menor, segundo as normas da perspectiva) — sendo os povos gregos e romanos os que mais perto chegaram da perspectiva (assunto que estudaremos mais à frente).

Quando os artistas gregos iniciaram a criação de estátuas de pedra, partiram sabiamente do ponto em que os egípcios e os assírios haviam parado. Estudaram e imitaram os modelos egípcios e com eles aprenderam como criar a figura de um jovem de pé (ilustração acima), a demarcar as partes do corpo e os músculos que o mantém unido. Eles, no entanto, não se limitaram a reproduzir o que estudavam, mas acrescentavam às obras suas próprias experiências, buscando descobrir algo novo em relação ao corpo, aprimorando sua arte.

A investigação conduzida pelos artistas gregos fazia toda a diferença. Enquanto os egípcios tomavam o conhecimento que tinham como definitivo, seguindo as normas preestabelecidas e rigorosamente impostas à criação artística, os gregos acrescentaram ao saber que apreendiam o próprio olhar e, assim, suas oficinas punham em prática novas ideias, criando novos jeitos de representar a figura humana. Cada nova invenção era assimilada imediatamente pelos artistas, formando um grande elo interativo de aprendizado. Ainda que falhassem muitas vezes em suas experiências — uma vez que não seguiam regras fixas —, os artistas gregos deixavam claro que a criatividade não tinha limites e que os erros e acertos eram próprios de quem buscava o aprimoramento de sua criação.

Ao que parece, o trabalho dos escultores gregos antigos era mais abundante do que o dos pintores, pois só nos é possível formar uma vaga ideia sobre o trabalho pictórico (relativo à pintura) através das decorações em cerâmica, como nos mostram os vasos — recipientes usados na maioria das vezes para guardar vinho ou azeite (ver ilustração acima).

Exercício:
1. Por que a arte grega foi capaz de transformar-se ao longo dos tempos?
2. Como se deu o aprendizado dos artistas gregos no que diz respeito às estátuas?
3. Qual é a importância de termos um comportamento investigativo na nossa vida?

Ilustração: 1. Os Irmãos Cleóbis e Biton (c. 615 – 590 a.C.), obra de Polímedes de Argos / 2. Aquiles e Ajax jogando Damas na pintura do vaso (c. 540 a.C.)

Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich