Arquivo do Autor: LuDiasBH

Irmãos Limbourg – AS RIQUÍSSIMAS HORAS DO…

Autoria de LuDiasBH

Na Idade Medieval os livros, objetos raríssimos, recebiam belíssimas ilustrações pintadas com cores fortes, feitas com detalhes delicadíssimos em razão do tamanho das ilustrações que se referiam aos mais diferentes temas, indo das passagens bíblicas às cenas do cotidiano. Dentre os ilustradores, três nomes alcançaram uma fama que vem se estendendo ao longo dos séculos: os irmãos holandeses Johan, Paul e Herman Limbourg. Dentre suas famosas obras encontra-se um “livro de horas” que à época era um tipo de livro de orações, muito apreciado pelos ricos. Além das preces relacionadas às horas litúrgicas, havia uma espécie de calendário referente à estação.

Acima vemos uma das composições do calendário intitulada As Riquíssimas Horas do Duque de Berry, executada em velino, sendo uma das doze ilustrações de página inteira representando os meses do ano. Trata-se de uma obra dos três irmãos Limbourg que trabalhavam para o duque de Berry. Esta ilustração em miniatura retrata um dos momentos da vida do Duque Jean Berry, em 1413. Naquela época a sociedade era dividida em nobreza, clero e campesinato.

O mês apresentado é o de janeiro que à época era a ocasião estabelecida para a troca de presentes, como o dezembro (Natal) em nossos dias. A pintura retrata uma festa de Ano Novo que se passa supostamente em 1º de janeiro de 1413, no palácio do Duque em Paris. Aqui está ele com 73 anos de idade, imponentemente assentado debaixo de um dossel, o que reflete sua elevada posição social. Representados no dossel estão os lírios reais e os animais do escudo do duque: o urso e o cisne. Um semicírculo acima da tapeçaria representa o signo de Capricórnio.

O Duque de Berry está sentado, vestido com uma brilhante túnica azul e um gorro de pele e, logo atrás dele, encontra-se uma enorme lareira que tem a função de aquecer a sala. Ele está protegido das chamas e do calor por um biombo entrelaçado que também funciona como uma auréola que lhe dá maior visibilidade em meio ao grupo de cortesãos e servidores. Os visitantes que chegam – todos ricamente vestidos – dirigem-se à lareira, onde esquentam as mãos.

Todas as pessoas presentes na sala estão com roupas quentes, o que indica se tratar de um dia frio. O piso coberto com esteiras de palha – usadas habitualmente no inverno – é mais uma prova de que se trata de uma estação fria. Símbolos heráldicos do Duque de Berry decoram o revestimento de seda que compõe a lareira. Na parede do fundo encontra-se uma bela tapeçaria pendurada que, além de enfeitar o ambiente, também o protege contra o frio e a umidade do tempo. As figuras nela presentes são soldados armados com lanças, vestidos como os contemporâneos do duque, retratando uma cena de batalha.

Um oficial da corte convida os visitantes para se aproximarem. As palavras “Aproche, aproche” que aparecem acima dele significam “Aproxime-se, aproxime-se”. A mesa do banquete está ricamente preparada com vasos preciosos de ouro e comida cara. Um saleiro de ouro –  normalmente era a peça mais preciosa que compunha a mesa – tem o formato de um navio. O administrador, o mordomo, o padeiro e o trinchador (açougueiro) ocupam as posições mais importantes no banquete, pois a eles cabe a função de servir o duque à mesa, seguindo um complexo cerimonial.

Em primeiro plano, à esquerda do observador, um mordomo oferece uma bebida que também pode ser água para bacias de limpar os dedos, pois, naquela época, as pessoas comiam com os três primeiros dedos da mão direita. O trinchador, de frente para o duque e de costas para o observador, parte as aves e reserva para o amo as partes mais nobres. Pedaços de aves em fatias de pão serão dadas mais tarde aos cães e aos pobres. Depois de servidas as carnes, virão os incontáveis pratos de diferentes iguarias.

No ambiente destaca-se a presença de cães, pois o duque era um grande amante da caça. Um enorme cão é alimentado por um dos servos, enquanto dois outros, bem pequeninos, encontram-se sobre a mesa.

Ficha técnica
Ano: c. 1415
Técnica: aguada sobre pergaminho
Dimensões: 29 x 21 cm
Localização: Museu Condé, Chantilly (Ms. 65/1284, folio 5 v.)

Fontes de Pesquisa:
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
História da arte ocidental/ Editora Rideel
Wikipédia

ELIMINE O MEDO DE VIVER

Autoria do Dr. Telmo Diniz

marg

Você já percebeu como o mundo está repleto de pessoas com medo? Medos e angústias estão mais presentes na vida das pessoas do que imaginamos. Muita gente vive em um estado de apreensão constante, como se viver fosse um peso a ser carregado dia após dia. Viver preocupado e inseguro não pode ser uma opção de vida. Se for seu caso, comece a combatê-lo a partir de agora.

Não podemos confundir o medo criado por nós com o medo real, como quando se está em situações de risco de vida. Claro que se tem medo de uma arma apontada. Isso é normal! O que não se pode deixar é que a insegurança tome conta, através de medos infundados que paralisam e engessam. O medo de não suportar as dificuldades à frente. Clarice Lispector falou sobre o tema: “… o medo de viver, o medo de respirar. Com urgência, preciso lutar, porque esse medo me amarra mais do que o medo da morte. É um crime contra mim mesmo. Estou com saudade do meu anterior clima de aventura e minha estimulante inquietação…”.

Quando o medo está presente, você fecha todas as portas, pois a insegurança faz com que a solidão seja mais suportável do que o enfrentamento da vida real. Não se pode ir para as situações, achando que tudo já deu errado. Pode até ocorrer. Nem sempre tudo vai sair conforme queremos. Mas temos de tentar. Não se esconda!

O medo, aquela emoção natural de cuidado, de proteção, de atenção com o que pode apresentar riscos, atualmente está se transformando em uma paranoia sem limites. Já não se distingue a realidade da fantasia. São adultos pedindo ajuda a psicólogos para adquirir coragem de ir à festa da empresa, porque têm medo de que algo dê errado. Um chefe assustado pode interpretar o interesse do funcionário em participar de um congresso, como um sinal de que ele está procurando outro emprego ou, até mesmo, de que queira tomar o seu lugar. O medo faz com que a gente interprete fatos simples, como se fossem inimigos reais. Viver inseguro tornou-se um estilo de vida.

Nossas perdas trazem um medo iminente e até inconsciente. Ninguém quer perder saúde, pessoas amadas, posição social, confiança, etc. Quem vence recebe um status simbólico de sucesso, de perfeição, de êxito. Mas o que está por trás dos dramas, derrotas, desencontros existenciais, enfim, no enfrentamento de nossos medos é o que nos impulsiona para o amadurecimento e para a evolução.

Viver com medo não é viver. É sobreviver. Viver implica em correr riscos. Implica na possibilidade de nos expormos à rejeição e à perda. Implica, sobretudo, na possibilidade de experimentar emoções intensas. E isso é o que dá cor à vida de cada um, independentemente do seu percurso. Faça sua parte. Doe-se sem medo. Você tem o que mostrar. Descubra-se.

A alegria evita mil males e prolonga a vida. (William Shakespeare)

Nota: imagem copiada de www.radiorainhadapaz.com.br

Pinturicchio – CRUCIFICAÇÃO COM SÃO JERÔNIMO…

Autoria de LuDiasBH

O artista italiano Bernardino di Betto Biago (c.1454 – 1513) recebeu o apelido carinhoso de “Il Pinturicchio” que significava “O Pintorzinho”, pois era muito baixinho, além de ter trabalhado com miniaturas no início de sua carreira. Ele foi aprendiz de Fiorenzo Lorenzo em sua oficina, mas ao trabalhar como ajudante de Perugino, de quem fora colega, na Capela Sistina, em Roma, recebeu muita influência desse mestre. Além de trabalhar com afrescos, o artista também fez pinturas narrativas religiosas e retratos. Seu estilo narrativo dispensava os elementos dramáticos, primando por cores luminosas.

A composição intitulada Crucificação com São Jerônimo e São Cristóvão é atribuída ao artista e data do período juvenil de sua carreira, possivelmente antes de seus 18 anos. Mostra Jesus Cristo crucificado, sendo ladeado por São Jerônimo e São Cristóvão.

Em primeiro plano estão as figuras dos santos ladeando o Cristo crucificado que ocupa o centro da composição, dividindo-a ao meio. As figuras humanas sobrepõem-se à paisagem ao fundo. O corpo de Jesus está magistralmente desenhado, mostrando os músculos bem feitos. Um lençol azul cobre-lhe a região pélvica. Sangue desce pelo madeiro até escorrer pelo chão.

São Jerônimo, já bem idoso, ajoelhado à direita do Mestre, curvado para frente e usando um manto azul, com o torso despido, flagela o corpo com uma pedra, enquanto olha piedosamente para o Cristo crucificado. Sua mão esquerda direcionada ao madeiro parece questionar: Por quê? Atrás dele aparece parte de um leão e ao seu lado direito, no chão, encontra-se seu chapéu cardinalício, ambos fazem parte de seus atributos. A gruta de pedra onde o santo vive também faz parte da composição.

São Cristóvão, de pé à esquerda de Cristo, parece bem jovem. Ele se encontra dentro do rio, onde se pode ver peixes, cobras e aves, e apoia-se num imenso bastão formado por uma palmeira. Traz o Menino Jesus nas costas e ambos se fitam. Veste uma roupa amarela e sobre ela um manto cor-de-rosa.

O artista não se atém à iconografia cristã tradicional, ao situar a Crucificação fora do Monte Calvário em meio a uma exuberante paisagem com água e plantas, debaixo de um claro céu azulado. O rio que aparece no primeiro plano vai adentrando na composição, fazendo curvas, até se perder ao longe em meio às serras azuladas. O artista deixa claro o seu estilo narrativo não afeito aos elementos dramáticos.

Ficha técnica
Ano: 1471
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 59 x 40 cm
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fontes de pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal
1000 obras-primas da pintura europeia/ Köneman

OS MUITOS TIPOS DE SORRISO

Autoria de LuDiasBH

E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão. (Fernando Pessoa)

As pessoas sorriem por muitas razões, das quais apenas algumas têm a ver com o que expressa a emoção positiva. As pessoas sorriem para estabelecer conexões com os outros, pedir desculpas, passar por situações complicadas, para impressionar, seduzir e apaziguar. Elas sorriem para mascarar sentimentos negativos, sorriem quando envergonhadas, também para restaurar relações harmoniosas. (Marianne LaFrance)

É sabido que certas culturas são mais contidas em suas emoções, enquanto outras são bem mais expressivas – como a nossa, por exemplo – contudo, não existe um só povo que não exprima seus sentimentos usando a mesma expressão facial. O escritor e biofísico Stefen Klein explica que “A cultura influencia muito pouco o diapasão das emoções humanas. É verdade que existem povos mais expressivos e outros mais reservados quanto à manifestação das emoções, mas todos exteriorizam alegria, aflição, medo e raiva de formas muito parecidas”. E complementa: “uma vez que a mímica facial é a mesma para todos os povos, as emoções elementares e o modo como nós as manifestamos devem ser inatos”, e não aprendidos como supunham alguns. Cita o fato de os cegos – ainda que sejam de nascença – usarem as mesmas expressões faciais ao sorrirem, por exemplo. Contudo, este é ainda um estudo em andamento.

Paul Ekman – pesquisador reconhecido por seus trabalhos no campo das emoções – descobriu que há 19 maneiras diferentes de sorrir, embora 18 delas – segundo ele – não sejam autênticas, mas se encontrem inseridas no cotidiano das pessoas, servindo-lhes de disfarce para encobrir os sentimentos, quando não se quer mostrá-los por completo – sendo essenciais à convivência humana. Quem não conhece o sorriso de constrangimento através do qual indicamos que nos sentimos embaraçados diante de alguma piada que não nos agradou? E aquele sorriso falso que indica que estamos participando de algo contra a nossa vontade? Há também o chamado “sorriso amarelo” indicativo de medo. O sorriso forçado, como aquele de quando se tira uma foto em grupo, sob a exigência de que todos sorriam. Há o sorriso polido ou de cortesia e aquele que denota ironia. Existe o frustrado por não termos atingido um propósito e o malvado que parece dizer: “Aguarde-me, sua batata está assando!”… E tantos outros.

Se 18 dos 19 tipos de sorriso não são genuínos, concluímos, então, que existe apenas um verdadeiro. Mas onde se encontra o diferencial? – indagará leitor. O “unzinho” restante é o que transmite alegria – sentimento de contentamento, satisfação e júbilo –, enquanto os outros não passam de um arremedo de demonstração de tal sentimento. Trata-se daquele sorriso grande, sem amarras ou elegância, moldando todo o rosto e isso quando também não balança o corpo. Ele levanta os dois cantos da boca, faz com que as pálpebras se comprimam, desenha um monte de rugas em torno do canto dos olhos (dizem até que é o responsável pelos “pés de galinha”), elevando ligeiramente as partes superiores das maçãs do rosto. E como se toda esta ginástica fosse pouca, esse sorriso gostoso ainda contrai os músculos orbiculares das pálpebras. Tem até um nome: sorriso de Duchenne – numa homenagem ao fisiologista francês que em 1862 realizou um estudo pioneiro do músculo orbicular do olho e chamava esse movimento de “Doces movimentos de emoções da alma”.

Agora que temos o conhecimento sobre o único sorriso verdadeiramente prazenteiro, nenhum sorrisinho amarelo irá mais nos enganar. Será mesmo? Mentira! Cerca de 10% das pessoas são capazes de reproduzir intencionalmente o sorriso de Duchenne, sem treinamento algum, transformando-o, assim, num sorriso falso. Nós outros, no intuito de imitá-lo, podemos recorrer a truques, como buscar a lembrança de uma piada engraçada ou a de um fato que nos fez rir muito. Outra coisa, as mulheres sorriem mais do que os homens e conseguem fingir melhor um sorriso verdadeiro. De olho nelas! Agora que já nos encontramos exímios na avaliação de sorrisos, podemos rir à vontade dos falsos sorrisos dos políticos e dos atores ruins que não aprenderam a representar. Que tal correr até o espelho para ver se você se encontra no grupo dos 10% capazes de imitar o sorriso de Duchenne? Mais uma coisinha: Dê um sorriso!

Ver textos:
COMO VIVENCIAR A FELICIDADE
APRENDENDO A SER FELIZ
SORRIR TRAZ FELICIDADE?

Fonte de pesquisa
A Fórmula da Felicidade/ Stefan Klein/ Editora Sextante

Tiepolo – AGAR E ISMAEL NO DESERTO

 Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Giovanni Battista Tiepolo (1696 – 1770) teve como mestres Lazzarini e os Antigos Mestres, como Ticiano, Tintoreto e Veronese, sendo muito influenciado pelo último. Trabalhou com a ornamentação de igrejas e palácios da aristocracia de Veneza, tendo recebido inúmeras encomendas. Artista renomado, cuja arte contribuiu para o engrandecimento da pintura italiana do século XVIII, fez trabalho para as cortes francesa, inglesa, espanhola e russa. Era inigualável como pintor de temas épicos. Sua pintura passou de tons sombrios para os claros e transparentes. Seus filhos Domenico, Lorenzo e Giovanni também foram pintores. Seu filho mais velho tornou-se seu principal assistente.

A composição intitulada Agar e Ismael no Deserto é uma criação religiosa do artista, referente a uma passagem do Antigo Testamento. Trata-se de uma das belas obras de Tiepolo. Nesta composição densa estão presentes três personagens bíblicos: Agar e um anjo que se apresentam com gestos meio teatrais e o pequeno Ismael encostado ao corpo da mãe. Agar mostra-se surpresa e preocupada, conforme a tensão vista em seu rosto e na mão direita que parece suplicar ao anjo para que salve seu filho inanimado.

O pintor coloca a criança estirada e desfalecida, com a boca aberta pela sede, em primeiro plano. Sua túnica branca levantada acima do umbigo leva a crer que seja para minimizar o calor. Sua cabeça, com os olhos semiabertos estão voltados para o observador. Agar abraça seu menino com a mão esquerda e levanta o rosto em direção ao anjo em atitude de súplica.

Mãe e filho são salvos pelo anjo – visivelmente comovido com o estado de Ismael – que os impede de morrer de sede. Com a mão direita, usando o dedo indicador, ele mostra a Agar onde fica o poço de água para o qual devem se dirigir a fim de matar a sede.

O pintor não usou o árido e vasto deserto, onde mãe e filho encontravam-se, para intensificar a dor deles, mas transportou todo o sofrimento e impotência de Agar no seu gesto de aflição, ao implorar ao anjo para que salve Ismael. Por ser uma composição compacta, toda a densidade do drama fica ainda mais visível.

Segundo uma passagem bíblica do Antigo Testamento, Agar, a escrava egípcia que dera um filho ao patriarca Abraão, foi expulsa de casa com seu filho, por ordem de Sara, sua esposa, que se dizia desprezada. Quem quiser entender melhor a passagem bíblica em que se baseou o artista para criar esta obra, acesse o link: https://www.bibliaonline.com.br/vc/gn/21.

Ficha técnica
Ano: c. 1732
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 140 x 120 cm          
Localização: Escola de São Roque, Veneza, Itália

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen

O VALOR DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS

Autoria do Dr. Telmo Diniz

Nunca é tarde para iniciar atividades físicas. Isso é o que apontam alguns estudos relacionados ao tema. Portanto, se o seu caso está ligado ao sedentarismo e à preguiça e não permite que você volte a se exercitar, não se preocupe, porque ainda é “tempo de correr atrás do prejuízo”.

Um desses estudos foi apresentado no Congresso EuroPrevent, na França, e apontou que começar a fazer exercícios antes dos 30 ou depois dos 40 anos oferece os mesmos efeitos positivos ao coração. Com isso, os pesquisadores concluíram que, iniciar a prática de atividade física após os 40 anos, não é tarde demais para beneficiar o sistema cardiocirculatório.

Nessa pesquisa, metade dos homens começou a prática de exercícios antes dos 30 anos; a outra metade, depois dos 40. Os voluntários passaram por vários exames, como medição da frequência cardíaca e da pressão arterial, ecocardiograma e testes durante os exercícios. Foi verificado – em paralelo e durante o estudo – que houve benefícios extras, com melhora da densidade óssea e da massa muscular. Mesmo considerando as mudanças biológicas que ocorrem com a idade, o coração, segundo os pesquisadores, é capaz de melhorar sua função quando se começa a praticar exercícios após os 40 ou 50 anos. A conclusão final é que o benefício é geral para todas as idades, independentemente do tempo de início das atividades.

O exercício físico regular traz benefícios diversos. Melhora e fortalece todo o sistema cardiorrespiratório – o que inclui coração e pulmões. Melhora a coordenação motora e a flexibilidade corporal e modula medidas importantes, como o colesterol, a glicemia e a pressão arterial. E vai além, pois pode prevenir processos neoplásicos e degenerativos, como as artroses. Benefícios extras, como redução do estresse, de quadros depressivos e dos episódios de ansiedade são nitidamente observados devido à melhora do estado de humor.

Entretanto, a pessoa sedentária tem que iniciar as atividades de forma mais leve e, se possível, sob a supervisão médica ou de um educador físico. Começar caminhando é uma boa ideia, pois não se esgota um corpo que ainda não está preparado para exercícios mais intensos. O tempo necessário para ir ganhando um bom condicionamento físico é de 150 minutos divididos em cinco vezes na semana. Em outras palavras, praticar atividade física por 30 minutos ao dia é o ideal e não provoca fadiga.

Os três primeiros meses normalmente são os mais difíceis. É o tempo que o corpo leva para entender um novo padrão de comportamento. Você deve ter a consciência de que, no início, tudo é mais difícil e que vai sentir preguiça, mau humor e uma profunda vontade de desistir. A dica é ter regularidade e não se preocupar com a intensidade. Pense como se fosse uma conta que você vai ter que pagar. Se passar do dia do vencimento, a fatura vai aumentando aos poucos e vai cobrar seu preço no futuro. Portanto, pare e pense! Você tem de pagar uma conta de 30 minutos diários para não ficar endividado com sua saúde.

Nota: imagem copiada de http://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2015/05/pratica-