AUTOESTIMA X BIPOLARIDADE

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 Autoria de Cristina Santos

Estou vivendo uma fase extremamente ruim. Meu marido, há cerca de cinco meses, acabou o nosso casamento de 12 anos pelo “whatsapp”.

Só percebi que havia algo errado com ele depois que me vi fora da relação. Ele gasta rios de dinheiro com coisas inúteis, está sempre irritado ou deprimido. Durante anos, uma vez por ano ele saía do quarto e ia para outro cômodo da casa e ficava lá por cerca de quatro meses.  Todo ano vivenciava esse mesmo padrão. Todo fim de ano era um desespero. Ninguém tem ideia de quantos natais ele destruiu.

Há 10 anos ele deu seu primeiro grande surto. Saiu de casa, arrumou uma amante – pasmem, ele sempre se envolve com mulheres casadas – teve um filho fora do casamento, mas não assumiu a criança. Eu só descobri esse filho há cerca de um ano atrás. Há cinco meses ele me abandonou e a nossas filhas e entrou com o pedido de divórcio, dizendo que não estava nem aí, que não tinha mais sentimentos de vínculos familiares, arrumou outra mulher – também casada – e passou a me humilhar, pois criei uma enorme dependência em relação a ele.

Durante anos sofri abusos emocionais. Para suportar a convivência, eu passei 10 anos tomando antidepressivos, o que me levou a engordar 30 quilos. Destruí completamente minha autoestima. Ele ainda tenta me manipular e por meses eu caí na sua manobra. Precisei começar um tratamento diferente para ser forte e não ser manipulada.

Ele manda fotos dele em viagem para o celular das minhas meninas. Elas não conseguem entender, tenho que ficar explicando para elas que ele não é normal, que não devem se importar com isso. Eu sofri muito e ainda sofro, pois a minha dependência emocional me deixou no fundo do poço. Há dias em que ainda me vejo desejando voltar para ele.

Eu fui maltratada verbalmente por tanto tempo que não sabia mais como viver sem ter essa vida louca ao lado de um bipolar sem tratamento. Tudo isso é como um vírus letal para mim e para nossas filhas.  Hoje ele se encontra, faz cinco meses, vivendo sem nenhum compromisso com a família. Juro que não sei se vai haver arrependimento, mas sei com certeza que ele sofre de bipolaridade. Possui todos os sintomas. Quando por telefone ele me disse palavras horríveis, eu pedi a ele que procurasse um advogado e entrasse com o divórcio. E assim ele o fez e eu, de forma amigável, assinei os documentos para dar entrada no processo. Não vejo a hora do divórcio sair para efetivamente não ter mais nenhum vínculo com ele.

Sofri demais, conseguindo, com muita dificuldade, voltar a viver. Meu sofrimento foi terrível. Nem sei explicar com palavras como me senti todos esses anos. Cheguei a tentar me matar, porque acreditava que eu era a razão dos problemas, pois ele me acusava o tempo todo de ser uma pessoa horrível. E dessa vez não foi diferente. Disse-me coisas horríveis. Vocês não fazem ideia das barbaridades que tive que ouvir.

Deixo aqui o meu conselho de amiga: não aceitem o primeiro abuso emocional, pois depois do primeiro virão milhares e você perde a vontade de viver. Ainda estou aprendendo a gostar de mim novamente. Conto com o apoio de vocês.

Nota: Separação, obra de Evard Munch

7 pensou em “AUTOESTIMA X BIPOLARIDADE

  1. Tamires

    Lu

    Obrigada pelo acolhimento. Fiquei muito feliz com as suas palavras e por você, mesmo não me conhecendo, reconhecer o meu jeito de ser. Vou seguir o que me disse. Viver o hoje e não carregar mais meu passado como um fardo.

    Esta doença é muito devastadora. Eu já fui completamente diferente do que sou agora. Estou sentindo um pouco dos efeitos colaterais do medicamento. Enjoo, tremor e um pouco mais de ansiedade do que o normal. Mas como vi aqui pelo seu blog, esses sintomas são passageiros e o que vem pela frente irá valer a pena.

    Obrigada pelas palavras e acolhimento. E sempre estarei por aqui.

    Beijos

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  2. Tamires

    Messias

    Muito obrigada pelas palavras. Vou seguir tudo o que disse! Preciso cuidar de mim mesma. Estou sofrendo um pouco com os efeitos colaterais, mas logo virão os bons resultados. A chave é a paciência!

    Obrigada mais uma vez!

    Abraço

    Responder
  3. Tamires

    Lu

    Conheci este site ontem e gostei muito do conteúdo. Minha história é a seguinte:

    Sou filha adotiva e devido a isso não conheço os meus antecessores. Sei que tive um parto difícil, junto com um irmão gêmeo que infelizmente não resistiu. Nasci muito doente, com anemia. Minha família adotiva é muito boa e não tenho do que reclamar. Tenho 24 anos e desde meus 14 sofro com baixa autoestima, insegurança. Meus relacionamentos não dão certo, sempre acabo sendo trocada e carrego esta sina por muito tempo. Tenho ansiedade, transtorno bipolar e TOC e atualmente depressão.

    Comecei o tratamento com Esc faz três dias e a ansiedade tem me consumido. Não vejo a hora de melhorar. Não tenho vontade de fazer nada, eu me sinto inferior e incapaz. Meu último relacionamento terminou há pouco tempo e ele me trocou por outra. Vivo me martirizando, sentindo-me inferior a ela e me culpando por não ter sido boa o suficiente pra ele. Logo após isso também perdi o emprego.

    Eu me sinto um nada, parece que não sei nada, não gosto de nada… Isto vai passar? A luz no fim do túnel parece cada vez mais distante. Eu não tenho condições financeiras de ir a um psicólogo agora. O que posso fazer em relação a mim mesma? Não lido bem com rejeição, fico muito tempo sofrendo por isso. E é recorrente. Toda vez que me relaciono.

    Lu, vejo que você ajuda muita gente. Quem sabe você pode me ajudar!

    Responder
    1. Messias Autor do post

      Tamires

      O primeiro ponto é você se colocar como a razão principal diante de quaisquer outras pessoas coisas. Passe a estabelecer suas prioridades em relação a você mesma. Afinal, cuidar-se é valorizar-se e este é o caminho para a própria felicidade que jamais deve estar condicionada a outrem. Quando você investe em si mesma, cria uma polarização energética positiva e equilibrada para que outras pessoas entrem em sua vida, atraídas pela boa sintonia que você passa.

      É fato que as barreiras pisco-fisiológicas, herdadas ou não, cobram-nos preços diferentes, mas vale a pena encará-las, buscando sempre o meio mais simples, embora nem sempre seja fácil. A sabedoria é a chave, pois nos ensina a conviver com a adversidade e dela tirar proveito, fortalecendo-nos para novos desafios. diferentes objetivos. Continue levando a sério as medicações prescritas e seja sempre otimista.

      Saiba, amiga, que somos o que pensamos ser. Encontramos o que buscamos, se trabalharmos e e acreditarmos nisso! Veja a história de muitas pessoas com superações quase inacreditáveis. Acredite no seu presente… sem expectativas, mas atuando para que as coisas aconteçam. Apenas faça a sua parte parte, se não aconteceu como queria, haverá novas oportunidades… Busque olhar a vida em diferentes prismas para pacificar-se internamente. Seja mais otimista.

      Abraços,

      Messias

      Responder
      1. LuDiasBH Autor do post

        Tamires

        Seja bem-vinda a este cantinho. Sinta-se em família.

        Amiguinha, se nós não nos amamos, como faremos com que os outros nos amem? Impossível, não é mesmo? Portanto, a primeira mudança que deve acontecer em sua vida diz respeito à sua autoestima. É preciso deixar seus fardos no passado, quaisquer que tenham sido eles. O que importa é o agora, pois é no presente que sua vida acontece. O passado não passa de uma referência e o futuro está por vir. Viver um dia de cada vez, buscando sempre ser guiado pela sabedoria é o caminho mais fácil a ser seguido por todo ser humano. A cada dia o seu quinhão, ou seja, não devemos arrastar nosso passado como uma corrente, usando-o para justificar a nossa infelicidade, mas viver tão somente os problemas de cada dia.

        Você é ainda muito jovenzinha, sendo a baixa autoestima muito comum nesta fase da vida, pois o crescimento interior vai se dando com a nossa caminhada por este planeta, portanto, não pense que isso só acontece com você. Não são poucos os jovens que, por ainda não terem uma visão amadurecida dos acontecimentos existenciais sentem-se para baixo, inseguros, sem esperança, sem foco, incapazes de enxergarem luz no final do túnel. À medida que o tempo for passando, tudo isso irá ficando para trás e você irá adquirindo a sabedoria que tanto busca. O mais importante é que, inteligente como se mostra, você já se encontra em busca desse saber que transforma sua existência, enquanto outros jovens, bem mais velhos do que você, ainda não se deram conta que esta busca deve acontecer.

        Tamires, você é muito sensível e inteligente. As pessoas sensíveis vivem em busca de respostas e, por isso, costumam sofrer mais. Mas esse tipo de sofrimento é bom, pois leva ao conhecimento. A única coisa que precisa é saber como processar essa sua caminhada. Como sempre digo aos meus leitores, a magia está em viver apenas um dia de cada vez. Se assim agir, verá como melhorará seu estado emocional. Quantos aos relacionamentos amorosos, o que uma jovenzinha como você, na flor da vida, tem com que se preocupar? Não é que “não dão certo”, essas mudanças apenas fazem parte de sua juventude. E é exatamente assim que são, quando somos jovens. Esta é a idade das experiências, dos encontros e desencontros, das experimentações. Sempre que acabar um namoro, pense que o próximo será ainda melhor… Sua idade não permite esse tipo de cobranças. Viva a sua juventude, viva os muitos amores que ainda irão aparecer, seja tolerante consigo mesma. A rejeição só existe dentro de nós, quando não nos aceitamos. O importante é que você seja boa consigo mesma, depois é que vem o outro. Não aprisione ninguém dentro de você e não permita ser aprisionada. Você é maravilhosa e irá encontrar alguém muito especial, mas não se preocupe com isso agora, apenas curta, viva a sua juventude.

        Garota, você é uma pessoa muito especial. Gostaria muito de contar com sua presença aqui neste cantinho. Achei-a muito fofa. Escreva-me sempre, fale como está indo nos estudos e no seu dia a dia. Fale-me de seus “muitos” amores (não muitos de uma vez… risos) que irão surgindo… E tome direitinho a sua medicação, pois ela irá ajudá-la, levando-lhe otimismo e autoconfiança.

        Beijo no coração,

        Lu

        Responder
  4. Maria Claudia

    Cristina

    Eu te entendo muito bem, pois me vi em vários trechos do seu relato. Aguentei quase 9 anos de um relacionamento abusivo emocionalmente e depois do primeiro abuso os outros viram “rotina”. Achamos mesmo que somos o problema. Também engordei muito, sofri muitas humilhações, xingamentos e muitas vezes eu achava que era louca.

    Meu relacionamento também acabou pelo WhatsApp. Eu tentava me livrar dele e não conseguia, até que o ponto final veio dessa forma, sem conversa, sem justificativa. E ainda assim eu queria entender esse tipo de término, eu queria justificativas, uma conversa adulta, mas como esperar isso de alguém completamente desequilibrado? Já faz 3 anos desde a separação. No início foi muito difícil assimilar como eu tinha permitido tanto abuso e porquê havia perdido quase 9 anos da minha vida nisso. Mas o tempo passa, a gente volta a se cuidar e entende o que fica de aprendizado.

    Ainda está recente sua separação, não se cobre tanto, mantenha-se distante dele pelo bem da sua saúde mental. Enxergue-se como uma mulher de coragem, força, guerreira e única! O tempo cura qualquer ferida, qualquer mágoa. Eu nunca imaginei que fosse olhar pra trás e me sentir indiferente a ele. As cicatrizes ficam, mas aprendemos a lidar com elas.

    Minha vida seguiu e eu tenho certeza de que a sua vai seguir também. Continue firme, moça! É hora de você se cuidar e voltar a se amar. Sempre estaremos aqui te apoiando! Eu nunca imaginei que fosse encontrar um relato tão próximo ao que eu vivi. Sinta-se abraçada!

    Beijos e muita força!

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