Arquivo da categoria: Arte de Viver

São assuntos relativos ao nosso cotidiano, que têm por finalidade ajudar-nos a levar uma vida com menos estresse.

BENDITO SEJA NOSSO CORPO FÍSICO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Aqueles que abominam a carne são os mesmos que superlotam os hospitais, sob qualquer pretexto, para buscar saúde para a carne, num ato de extrema hipocrisia. (Jason Ferrer)

É difícil entender a preocupação das religiões em sua condenação à carne (o corpo, a matéria em oposição ao espírito, à alma), pouco se reportando ao espírito. O que não deixa de ser um paradoxo, uma vez que a carne denota transitoriedade e o espírito eternidade, segundo a visão religiosa de quase todas as culturas. Se toda carne perece, ao habitar este planeta minúsculo por um tempo passageiro, por que os chamados pecados mortais estão voltados mais para a carne? Não é o espírito que é eterno, segundo pregam? E não é ele que comanda o corpo? Por que, então, não trabalhá-lo melhor, jogando toda a carga de responsabilidade sobre ele? O trato com a carne deveria ser apenas um capítulo da preocupação com o espírito.

Quer queiramos ou não, a nossa existência, para ser completa, precisa conhecer os deleites da carne (a natureza física do homem em oposição à moral), uma vez que nascemos geneticamente preparados para isso. Nem mesmo o mundo animal despreza o contato carnal. É preciso ser hipócrita para subestimar a delicadeza, o som e o prazer da carne. E, para os moralistas de plantão, que fique bem entendido, que não comungo com a exploração ou abuso do corpo humano, ou seja, com a sua transformação em mercadoria. Mas louvo, sim, os corpos que nos envolvem e nos enriquecem num contato permanente de amor, carinho, afeto e prazer.

A grande maioria das religiões em sua falsa moralidade desmerece o corpo físico, como se dele pudéssemos nos privar, vivendo apenas com o espírito. Isso acontece, mesmo quando apregoam que o corpo humano é feito à imagem e semelhança do Criador, a quem devotam a vida. Pesquisas mostram que o descaso para com o próprio corpo denota baixa autoestima, pois carecemos do corpo carnal para existirmos. Logo, ele é primordial para cada um de nós. Se assim não fosse, bom seria que jogássemos um véu roxo sobre a medicina. A nossa carne é frágil, preciosa e importante para a nossa existência na Terra. Todo carinho e cuidado com ela vêm de bom grado. Temos que amar e cuidar do corpo, nosso mais belo instrumento existencial. É a nossa “casca” responsável pelo peso e pela marca das alegrias e tristezas que carregamos durante a vida. Ignorá-lo, a pedido das religiões, é loucura total.

A existência da morte serve para nos acordar quanto à importância de nosso corpo carnal em vida. E a ele devemos devotar todo o nosso amor. Sempre me pareceu triste uma convivência forçada, onde os corpos não se encontram. Onde eles perderam a voz, e o espírito encontra-se mofado numa caixa sem vida. O contato espiritual e mental com o outro é muito mais forte quando há sintonia de pele, empatia carnal que não significa apenas “sexo”, mas também quando um sente prazer na presença e no contato com o outro.

A carne é tão importante, a ponto de algumas religiões terem como dogma a encarnação ou a reencarnação, o que é um paradoxo. Contudo, certas Igrejas tratam-na como se fosse a coisa mais suja do mundo. De modo que certos religiosos melhor fariam, se meditassem sobre a expressão que pregam: “a Palavra se fez carne” ou “o Verbo se fez carne”, em vez de blasfemarem contra o corpo humano – esta dádiva maravilhosa e tão necessária para nos manter vivos. Muitas culturas têm sido envenenadas contra o corpo carnal, principalmente o da mulher. E isso de longas datas. É deste desequilíbrio que nascem o exibicionismo sexual e a indústria pornográfica, pois tudo o que é proibido traz também a sua cota de curiosidade, encontrando fácil penetração na mente humana. Portanto, abaixo a crueldade religiosa para com o corpo.

A vida dos índios, que ainda não se aculturaram, é imensamente rica, pois não carrega o peso do suposto “pecado da carne”, já embutido em nós, ainda pequeninos, pelas religiões, que tinham e têm como objetivo o controle da vida humana. O homem controlando o homem. O homem controlando os bens do homem, através de ameaças mentirosas contra o “pecado da carne”. E como isso dá dinheiro! O maior dos mandamentos cristãos é: “Ame o próximo como a si mesmo”. Logo, se o nosso próximo é feito de carne que respira e transpira como a nossa própria, não há como torná-la satânica. O corpo carnal não pode ser tratado como réu de todos os deslizes da espécie humana. Este desvio estúpido  somente favorece os vendilhões dos templos.

Nota: ilustração mostrando Vênus e Adônis, obra de Ticiano

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ONDE ENCONTRAR A FELICIDADE?

Autoria do Dr. Telmo Diniz

O que realmente nos faz felizes na vida? A busca pela felicidade é um desejo de todos nós. Sensação plena de felicidade é a procura incessante da imensa maioria das pessoas. Então, qual é a chave para esta tão buscada felicidade? Há 76 anos, pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, têm procurado uma resposta para o tema.

O Estudo sobre o Desenvolvimento Adulto (Study of Adult Development, em tradução livre) começou em 1938, analisando 700 rapazes, entre estudantes universitários e moradores de bairros pobres de Boston. A pesquisa acompanhou esses jovens durante toda a vida, monitorando seu estado mental, físico e emocional. O estudo continua agora com mais de mil homens e mulheres, filhos dos participantes originais. Imagine só quanto material foi coletado durante todo esse tempo! Isso em busca de respostas para a felicidade.

Um ponto em comum, durante toda a pesquisa, é da importância da qualidade sobre nossos relacionamentos interpessoais. Uma relação de qualidade é aquela na qual você se sente seguro, podendo ser você mesmo, sem o teatro da vida real. Do lado oposto vem a solidão como forma máxima de exclusão da sociedade, o que leva, invariavelmente, à infelicidade, angústia e depressão. De igual forma, durante a pesquisa, foi observado que pessoas que mantêm boas relações sociais vivem mais e por mais tempo. Ter alguém para compartilhar tristezas, alegrias e segredos ajuda a espantar a ansiedade, o estresse e outros sentimentos negativos que abalam o organismo como um todo. O número de amigos, porém, não importa muito. O grande diferencial na pesquisa era a qualidade dos relacionamentos, não a quantidade. Você pode ter poucos amigos, mas estes devem ser leais.

A pesquisa também fez o comparativo entre pessoas com mais dinheiro com aquelas com menos recursos financeiros. A conclusão a que se chegou, até o momento, é que realmente dinheiro não traz felicidade. Existem milionários infelizes e pessoas de baixa renda que vive em um estado pleno de felicidade. Podemos ganhar dinheiro e ter uma vida mais confortável? Claro que sim! Mas não pense que, com isso, irá ter mais felicidade.

O quarto chefe da pesquisa (pois já se passaram décadas desde o seu início) fala sobre sua experiência com a mesma: “Percebi que meus relacionamentos me dão energia quando invisto neles, quando lhes dedico tempo. Tornam-se mais vivos e não desgastantes”. E acrescentou: “A tendência é nos isolarmos, ficarmos em casa para ver televisão ou nas redes sociais. Mas na minha própria vida percebi que sou mais feliz quando não estou fazendo isso”. Isso aponta, mais uma vez, no sentido de que a relação direta (e não virtual) com o próximo é que traz felicidade.

Investir em um relacionamento significa estar presente. Ofertar atenção total ao outro, seja na família ou no trabalho, deixa-nos mais próximos e, portanto, mais contentes. Como os animais têm seus grupos, nós também necessitamos de ter, cada um, nosso grupo e interagir com ele. Interação social, essa parece ser a chave para a felicidade. Portanto, amplie seus contatos e ajude o próximo sempre que lhe for possível.

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O SOFRIMENTO E ESPERANÇA

Autoria de Danilo Vilela Prado

Em momentos de dificuldade, o sofrimento conduz naturalmente as pessoas a procurarem o contato com Deus. Quase todos nós, quando passamos por dificuldades graves, fortalecemos a nossa crença em um ser superior que possa aliviar o fardo que carregamos. O receio de perder a vida provoca transformações profundas no ser humano, porque ninguém quer deixar este mundo. Transformações ocorrem entre os aflitos, porque há anseios de purificação da alma, na tentativa de evitar o pior. Nessas situações, o perdão dos erros é buscado com mais intensidade, com a finalidade de reverter a desgraça.

Quando estamos desesperados, ficamos perdidos em meio a um turbilhão de pensamentos desconexos. O medo se apodera de nós, retirando-nos a capacidade de concentração. É um estado de caos que precisa ser revertido para que possamos estabelecer o contato com Deus. Para agravar ainda mais a situação, muitos se sentem castigados pelo fato ruim que lhes acontece.  Ao ter diagnóstico de câncer, por exemplo, é comum que as pessoas tenham a impressão de que estão pagando por erros cometidos. A sensação de culpa muitas vezes é forte e causa dor. O sentimento do que é certo ou errado, se existe culpa ou não, é praticamente impossível de descobrir. Então, é preciso exercitar o autoperdão para nos livrarmos da culpa e recuperarmos a serenidade para entrar em contato com Deus.

Não existe uma lógica quando somos abatidos por infortúnios. Em vários casos, tentar descobrir as causas normalmente é perda de tempo e não trará resultados positivos. Crianças recém-nascidas manifestam doenças gravíssimas, mesmo não tendo cometido erros. Por isso, estabelecer relações de causa e efeito em determinados acontecimentos pode não ajudar. Mas como sentir a sensação de que Deus irá aliviar quaisquer sofrimentos? A aproximação Dele acontece por força da fé, da esperança de que nossas dores serão passageiras. Não existe uma fórmula única para que nos aproximemos de Deus, mas é sempre possível, por meio de orações, rituais e correntes de energia formada por grupos de pessoas, termos a certeza de que estamos mais próximos de sua bondade.

O diálogo interior de uma pessoa em dificuldades poderia ser assim:

Reconheço e aceito que estou doente. Entre os mistérios que não posso desvendar está este momento de dor e apreensão. Sei que errei, falhei muitas vezes com as pessoas, causei sofrimentos, seja consciente ou inconscientemente. Farei tudo o que puder para reverter as situações em que agi errado. Não posso ficar me culpando e recriminando pelos atos cometidos. Por isso, tenho o firme propósito de mudar meu comportamento, para me tornar uma pessoa melhor e ajudar aqueles que precisam de apoio e solidariedade.

 Aceito a minha condição de ser humano imperfeito, mas que tenta acertar e contribuir para melhorar este mundo. Peço a Deus sabedoria, compreensão e forças necessárias para superar esses momentos de intensa dor. Que minhas energias, com a ajuda de Deus, se transformem no poder de curar. Terei disciplina suficiente para manter o otimismo, mesmo nos momentos mais difíceis, pois sei que a bondade de Deus é.”

As palavras acima são poderosas porque representam o ato de alguém em dificuldade, que está lutando bravamente para vencer a fase difícil. Alguns contratos íntimos são firmados nessas situações: a) aceitar a dificuldade; b) compreender a própria imperfeição; c) admitir erros; d) exercitar o autoperdão; e) firmar a intenção de mudar com o fim de ser melhor; f) tentar a aproximação com Deus.

Todas as vezes que o nosso espírito e mente se unem com o objetivo firme de mudanças, iremos alterar a nossa condição. Os resultados podem ser rápidos ou mais demorados. O certo é que todas as pessoas, que tentam com fé, obtêm resultados positivos. Precisamos ter a coragem de enfrentar a nós mesmos nesses momentos difíceis, reconhecendo nossas fraquezas, mas sempre bem intencionados no objetivo a que nos propomos. Dessa forma, seremos ajudados e nos aproximaremos ainda mais de Deus e de sua bondade infinita.

Nota: São Pedro em Lágrimas, obra do artista espanhol El Greco

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INVERTENDO A POLARIDADE

Danilo Vilela Prado

Nada é permanente nesse mundo cruel. Nem mesmo os nossos problemas. (Charles Chaplin)

Acontecimentos ruins, principalmente quando difíceis de superar, costumam prender as pessoas no polo negativo. O pessimismo apodera-se das mentes saudáveis, mas que possuem sentimento de impotência diante da vida. Como um visgo, uma cola potente, o polo negativo, existente em todos nós, tem muita facilidade para direcionar nossos atos. A maioria das pessoas vive sem saber que estão dependentes desse polo. Toda vez que reclamamos de uma coisa simples, como o trânsito caótico, e ficamos nervosos por isso, automaticamente acionamos nosso polo negativo, tornando uma espécie de vício. Observar diariamente nossas tendências negativas e pessimismos é um exercício de autoconhecimento.

As pessoas devem andar com um papel no bolso e anotar toda a vez que tiverem um pensamento negativo. No fim do dia irão se surpreender com as várias ocasiões de comportamento pessimista e até mesmo autodestrutivo. Nossa cultura privilegia esse tipo de coisa. Raramente deixamos de dar importância a fatos ruins. Mas, felizmente, mesmo na “lama” existem realizações positivas. Por que, então, focalizar nossa visão apenas para o que é negativo? O exercício de anotar nosso comportamento pessimista serve para reverter o polo para o otimismo, para a positividade, que também vicia. A diferença é que é vício saudável e impulsiona as pessoas para a felicidade e a realização.

Pessoas que conseguem se desprender do polo negativo, ou que observam o próprio comportamento, não se arrependem, pois obtêm muitas vitórias. As soluções são muito pessoais e dão um enorme prazer, porque é uma espécie de construção mental, em que o cérebro se esforça para libertar-se de algo ruim. Toda libertação é conquista inigualável, pois nascemos para ser livres. Se a pessoa prende-se às correntes negativas, pode ser por desleixo, ou, em alguns casos, porque gosta que outros “sintam pena dela”. Procurar a libertação do que nos é nocivo é tarefa a ser executada a cada segundo. Uma vez conectados com o propósito de mudar, estaremos nos aperfeiçoando. A mente ficará mais leve, livre e criativa, proporcionando-nos maior prazer, pois o cérebro irá produzir mais hormônios benéficos. O corpo, em harmonia, ficará mais forte. E o espírito, por sua vez, irá evoluir com a conquista.

Os otimistas conseguem enxergar escolhas melhores e mais acertadas. A explicação para esse fenômeno é que o cérebro costuma interpretar que os acertos se repetirão, pois o otimismo funciona como uma mola propulsora, a impulsionar as pessoas para frente, sem reveses. Assim, o próprio cérebro produz situações que parecem “pura coincidência” para que as escolhas subsequentes sejam as mais corretas e adequadas. É comum nas pessoas de sucesso o “traço otimista e a visão positiva” do mundo, por isso, quase tudo o que escolhem dá certo, porque o pensamento produz vibrações. Assim como a energia elétrica, os impulsos do pensamento, materializados na maioria das vezes como escolhas, produz ondas de vibração que se propagam. É muito comum sentirmos vibrações de pensamentos positivos, quando temos contatos com pessoas que admiramos. Percebemos a força interior de cada uma delas, pois conseguem estabelecer consigo mesmas relações de escolhas que as levam ao sucesso. E essa opção é dada a cada um de nós.

Circula na internet mensagem com o exemplo fictício de uma mulher que fazia quimioterapia e só tinha três fios de cabelo. A história é mais ou menos assim:

Uma mulher acordou certa manhã, após a quimioterapia, olhou no espelho e percebeu que tinha somente três fios de cabelo.

— Bom — pensou ela — acho que vou trançar meus cabelos hoje.

 Assim ela fez e teve um dia maravilhoso. No dia seguinte acordou, olhou no espelho, e viu que tinha somente dois fios de cabelo na cabeça.

— Hummm — disse ela para si — acho que vou repartir meu cabelo ao meio hoje.

 Assim fez e teve um dia magnífico. No dia seguinte acordou, olhou no espelho, e percebeu que tinha apenas um fio de cabelo na cabeça.

— Bem — pensou ela — hoje vou amarrar meu cabelo como um rabo de cavalo.

 Assim  fez e teve um dia divertido. No dia seguinte acordou, olhou no espelho e percebeu que não havia um único fio de cabelo na cabeça.

— Yeeesss! — ela exclamou — hoje não tenho que pentear meu cabelo.

Esta história é um excelente exemplo de que o polo positivo pode mudar algo triste em alegre. Ao observarmos nosso polo negativo, igualmente precisamos identificar maneiras de reverter a situação para o positivo, através de exercícios de criatividade que exigem esforço e concentração para descobrir o que pode ser melhorado e principalmente disciplina e métodos.

Nota: imagem copiada de Trajeto Profissional

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DIFICULDADE EM DIZER “NÃO”

Autoria de Dr. Telmo Diniz

Para inúmeras pessoas dizer “não” a alguém é extremamente difícil, se não, impossível. Geralmente, quem tem dificuldade em dizer “não” acaba se sobrecarregando e tendo de fazer muito mais do que está a seu alcance. Isso também pode estar relacionado a um medo de decepcionar os outros, atrelado a uma insegurança que, por fim, deságua em frustração e irritação. Portanto, às vezes, é preciso saber dizer não para ganhar respeito e admiração das pessoas que o cercam. Mas como fazer isso sem sofrimento interior?

É importante entender que a capacidade de dizer não está estritamente relacionada com a autoestima. Por isso, as pessoas que têm uma baixa autoestima costumam se sentir nervosas e tendem a aceitar todos os pedidos que lhes são ofertados. E o simples fato de aceitar, sem questionar, vem acompanhado de insatisfação e angústia. Portanto, preste atenção em seu comportamento. Ser incapaz de dizer um simples não pode fazer com que você se torne uma pessoa estressada, irritada e com pouca energia. Por isso, é necessário que você avalie os pedidos duas vezes antes de aceitá-los.

A dificuldade em dizer não no trabalho é ainda mais comum e isso acontece numa tentativa de agradar aos chefes e colegas mais próximos. No entanto, o “sim” para tudo pode demonstrar falta de determinação e de postura profissional. Por isso, crie coragem e diga não para as atividades que não são da sua responsabilidade ou de tarefas que não estão sob a batuta do seu conhecimento. A determinação e a capacidade de dizer não no ambiente laboral normalmente são vistas com admiração.

De igual forma, dentro de um relacionamento, a honestidade tem valor inestimável. Por isso, é mais do que preciso saber dizer não e impor os seus pensamentos dentro da relação e sobre diversas situações. Para isso, não enrole, vá direto ao ponto. Evite mentiras ou desculpas fora de contexto. Um não acompanhado de respostas sensatas é a melhor saída para os relacionamentos duradouros. Quem ama cuida e, muitas vezes, dizer não a quem amamos tem a ver com cuidado e proteção.

Alguns conselhos podem ser úteis na hora de falar não. Primeiramente deixe de ser prolixo. Utilize respostas simples de maneira firme e direta. Lembre-se de que não está pedindo permissão para dizer um não. Simplesmente diga não e dê suas razões para não aceitar determinado pedido. Do mesmo modo, não se comprometa, se não poderá fazê-lo. Só faça aquilo que se sinta capaz em sua execução. Lembre-se sempre de que a negação independe da rejeição. Se você nega um pedido, não quer dizer que está rejeitando aquela pessoa. Não se sinta culpado por dizer não a seus filhos, companheiro (a), colegas de trabalho, etc.

Seja fiel a você mesmo sobre o que pensa e deseja. Tenha em mente que a expressão de seus próprios pensamentos deve estar em primeiro lugar. Caso realize o desejo de todos, sem nunca dar negativas, deixará uma porta aberta para que se aproveitem de você hoje, amanhã e sempre. Uma pessoa só é forte e livre quando aprende a dizer não!

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O HOMEM NASCE MAU OU É FRUTO DO MEIO?

Autoria de Beto Pimentel

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É preciso estudar a sociedade pelos homens, e os homens pela sociedade: os que quiserem tratar separadamente da política e da moral nunca entenderão nada de nenhuma das duas. (Jean-Jacques Rousseau)

De acordo com Thomas Hobbes, a vida humana seria “desagradável, brutal e curta” sem autoridade política. Na sua ausência, vivemos em um Estado de natureza, onde cada pessoa tem ilimitadas as suas liberdades naturais, incluindo o “direito de todas as coisas” e, portanto, a liberdade de prejudicar todos os que ameaçam a nossa própria autopreservação. Neste sentido, haveria um interminável conflito de todos contra todos. Para evitar isso, homens livres estabelecem a comunidade política, da sociedade civil, através de um contrato social em que cada um ganha os direitos civis em troca de submeter-se ao direito civil ou à autoridade política. O contrato social é, portanto, um meio para um determinado fim — o benefício de todos só é legítimo na medida em que se reúne o interesse geral.

Rousseau, filósofo iluminista, entendia que a sociedade havia pervertido o homem natural, que vivia harmoniosamente com a natureza, livre de egoísmo, cobiça possessividade e ciúme. A sua teoria política pode ser considerada como uma síntese do pensamento de Hobbes e Locke. O ferro e o trigo civilizaram o homem e arruinaram a espécie humana. Para Rousseau, a maldade existente entre os homens explica-se na própria evolução humana, classificada por ele em três estágios diferentes:

1.º Estado – homem natural
2.º Estado – homem selvagem
3.º Estado – homem civilizado

O homem natural é um animal que se integra à natureza e a mesma é generosa para com ele, que vive isoladamente por vontade própria, independente do semelhante, mas dependente da natureza, de onde retira tudo o que precisa e é guiado pelo instinto da conservação. O homem selvagem, remetendo-nos às sociedades indígenas, já tem um interesse particular, marcas, vícios, conflitos a partir da consciência moral, de onde nasce a virtude. O homem civilizado tem seus interesses particulares fortalecidos e entra em conflito, pois sua consciência moral é abafada, existindo a oposição de interesses. Assim, o homem tornou-se egocêntrico e individualista, tornou-se um homem natural no pior sentido possível.

Por várias vezes, eu tenho procurado analisar alguns acontecimentos que presenciamos através da mídia, no convívio com diversas pessoas ou mesmo sofrendo as consequências da própria realidade que nos cerca: políticos corruptos, desvios de verbas públicas que poderiam ser investidas em hospitais, na melhoria da educação, a maldade sem limites dos tiranos, a desvalorização da vida por bandidos oriundos de todas as classes sociais. Enfim a maldade humana. Assim, volto sempre ao mesmo dilema, à questão básica: o homem nasce mau ou é fruto da sociedade onde vive? Procuro a resposta nos grandes filósofos da humanidade, mas não a encontro. Há sempre um ponto falho nos seus pensamentos e conclusões, ou não consigo entender. A causa seria as minhas próprias limitações intelectuais?

Entretanto, noutro dia encontrei um dileto amigo de infância no interior de São Paulo. Homem simples que crescera e ainda vivia no sítio da sua família. Após um bom papo de doces lembranças, surgiu a conversa inevitável sobre política e, por consequência, a questão básica: o homem nasce mau ou é fruto da sociedade onde vive? Foi então que o meu velho amigo, contou-me a seguinte fábula, que ouvira do seu avô:

“Durante uma enorme e devastadora seca, um incêndio de grandes proporções tomou conta da floresta. Todos os bichos, correndo juntos e esquecendo-se do fato de serem predadores ou presas, foram em direção a um grande rio. Os que sabiam nadar, o fizeram sem dificuldades. Os que não sabiam ficaram na margem, apavorados com o fogo que se aproximava. Mas eis que um escorpião avistou um pato vindo em sua direção e lhe disse:

– Compadre pato, por favor, ajude-me por piedade atravessar o rio. Preciso ver, pelo menos mais uma vez na vida, a minha fêmea e os nossos dez novos filhotes. Deixe-me atravessar nas suas costas!

Ao que o pato respondeu de pronto:

– De jeito nenhum. Já vi muitos parentes morrerem sem qualquer motivo por picada de escorpião!

Ao que o escorpião replicou:

– Mas compadre pato, vamos esquecer o passado. Ajude-me, pois morrer queimado é horrível. Além disso, eu nunca lhe daria uma ferroada, pois nós dois morreríamos afogados!

E o pato, movido pelos sentimentos que unia os bichos no momento de grandes catástrofes, concordou em dar uma carona ao escorpião. Mas, quando estavam no meio do rio, o pato sentiu uma forte e penetrante picada nas costas. E já perdendo as forças, dirigiu-se ao escorpião:

– Mas por quê? Você prometeu! – E, antes de perder os sentidos, o pato ouviu do escorpião:

– Eu sei que ambos vamos morrer. Mas o que eu posso fazer? Eu não posso evitar, pois o que acabo de fazer é próprio da minha natureza!”.

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