Arquivo da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Klee – VILLA R

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O trabalho denominado Villa R é uma obra do artista suíço Paul Klee, em que ele acrescenta a letra “R”, uma inovação cubista, que se agrega a seu mundo poético, em que se vê uma casa de brinquedo,  um céu enluarado em uma paisagem de sonhos.

Segundo a visão poética de Klee, o real e o irreal, o lógico e o ilógico podem conviver harmoniosamente, portanto, elementos concretos e abstratos podem se unir na feitura de um quadro com formas identificáveis (quadrados, losangos, etc.) reunidas com algarismos e letras, substituindo parcialmente a natureza.

A letra “R”, maiúscula, presente na composição, é uma informação nova e autônoma, que faz parte  da fantasia e da realidade, ao mesmo tempo, agregada à casa, às montanhas, ao caminho, à lua e às árvores.

Ficha técnica
Ano: 1919
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 26,5 x 22 cm
Localização: Museu de Arte, Basileia, Suíça

Fontes de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural

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Klee – SEPARAÇÃO À NOITE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Separação à Noite é uma obra do artista suíço Paul Klee, que nela combina faixas horizontais coloridas com o acréscimo de duas setas, mostrando um pôr-do-sol.

Em sua pintura, o artista usa um castanho intenso na borda inferior da tela, passando pelo ocre e pelo amarelo, até chegar a um amarelo-claro, quase branco. Estas quatro faixas, em tons que vão decrescendo em sua tonalidade, passando do mais escuro para o mais claro, ocupam um terço do quadro.

Na borda superior da tela, o artista começa com faixas horizontais na cor lilás, que vão atenuando à medida que descem, até chegar à faixa oitava, com um lilás claríssimo, que se encontra com a amarelo-claro.

Duas setas verticais, uma ocre, menor, voltada para cima, e outra lilás-escuro, maior, voltada para baixo, encontram-se separadas apenas pela sexta faixa. Klee apresenta um pôr-do-sol em sua pintura abstrata, quando a claridade vai cendendo lugar à escuridão.

Ficha técnica
Ano: 1922
Técnica: aquarela e lápis sobre papel, e rebordo a aquarela e pena, sobre cartão.
Dimensões: 33,5x 23,2cm
Localização: Klee Museum, Berna, Suíça

Fontes de pesquisa
Paul Klee/ Taschen

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Rivera – A VENDEDORA DE FLORES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição A Vendedora de Flores é uma obra do pintor mexicano Diego Rivera, tida como um dos seus mais belos trabalhos, em que dignifica, não apenas os vendedores de flores, mas todas as pessoas pobres e dignas, que vendem comidas e artesanatos na Paseo de la Reforma, no centro da cidade do México. É um hino de louvor às pessoas humildes e decentes, lutando pela árdua sobrevivência.

Em sua pintura, Rivera mostra uma jovem abraçada a um monte de copos-de-leite brancos com espádice da cor amarela. Estas flores são também conhecidas como lírios-do-nilo. O feixe, bem maior do que moça,  é parecido com uma montanha branca, que ocupa a maior parte da tela de fundo escuro.

A jovem ajoelhada, aparentemente de origem índigena, de costas para o observador, usa longas tranças enfeitadas com fita rosa, a partir da base da cabeça, que lhe caem pelas costas. As suas tranças unem-se nas pontas. Um poncho azul cobre-lhe as costas. Seus pés descalços unem-se numa difícil posição. A pintura mostra uma profunda inteiração entre ser humano e natureza. O artista fez inúmeras pinturas usando a mesma temática.

Ficha técnica
Ano: 1920
Técnica: óleo sobre masonite
Dimensões: 121 x 121 cm
Localização: coleção particular

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Abril Cultural
http://www.diegorivera.org/flowerseller1942.jsp

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Klee – BUSTO DE UMA CRIANÇA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Por enquanto, tenho uma sensação estranha no estômago […] mas por que é que eu não leio só os nossos jornais. […] Mas que podemos nós entender de tudo isto? (Paul Klee)

A composição Busto de Uma Criança é obra do pintor suíço Paul Klee, pintado no mesmo ano, mas antes de seu autorretrato “Eliminado da Lista”, quando foi perseguido. Klee já prenunciava os horrores que adviriam da ditadura de Hitler, nomeado chanceler do Reich (Janeiro/1933), no mesmo ano da feitura deste quadro.

Um garotinho aparece diante de um fundo escuro. Sua cabeça redonda e ombros, centralizados no quadro, tomam conta de quase todo o espaço da tela. Finas e trêmulas linhas vermelhas permeiam sua cabeça, duas delas, verticais, atingem os ombros. Seus olhos azuis são diminutos, se comparados ao tamanho da cabeça. Duas pequenas linhas pretas horizontais desenham a boca.

O olhar do menino fita com intensidade o observador, deixando passar uma aflitiva indagação, como se quisesse ser compreendido. A linha vermelha maior, vertical, inicia-se na testa, passa pela boca e vai até o ombro, dividindo o rosto em duas partes. Embora a cabeça esteja de frente para o observador, o corpo parece encontrar-se de perfil, com uma mão levantada.

À primeira vista têm-se a impressão de que qualquer criança é capaz de fazer uma obra como esta, com suas características rudimentares. Contudo, isto não passa de um mero engano, pois a composição e a paleta de cores são extremamente refinadas, situadas bem distantes das habilidades de uma criança. Isto sem levar em conta a intensidade psicológica e enigmática do retrato, que ainda assim se parece com uma obra infantil.

Ficha técnica
Ano: 1933
Técnica: aquarela sobre algodão sobre contraplacado
Dimensões: 31,5 x 24 cm
Localização: Kunstmuseum Bern, Berna, Suíça

Fontes de pesquisa
Paul Klee/ Taschen

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Picasso – MULHER CHORANDO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Seus temas foram seus amores. ( Henri Kahnweiler)

 Para mim, ela é a mulher chorando. Por anos eu a pintei em torturadas formas, não através de sadismo, e não com prazer. Apenas obedecendo a uma visão que se forçou em mim. Era a realidade profunda, não o superficial. (Picasso)

Dora, para mim, sempre foi uma mulher chorando. […] E é importante, porque as mulheres são máquinas que sofrem. (Picasso)

A composição Mulher Chorando é uma obra do pintor espanhol Pablo Picasso, que tinha por hábito pintar suas mulheres. No transcorrer de seu relacionamento com Dora Maar, Picasso pintou-a de várias maneiras, sendo algumas realistas, outras alegres, outras sofridas ou ameaçadoras. Revisando sua obra, fica claro que sua vida particular, ou seja, seus amores, sempre influenciaram na evolução de sua pintura.

O quadro acima é um retrato de Dora Maar, sua quinta mulher. Foi pintado no mesmo ano de sua obra mais famosa: “Guernica”. Menos de dois anos depois eclodiria a Segunda Guerra Mundial. Além de espelhar a angústia coletiva que já se fazia presente naquela época, também refletia as agruras que haviam acontecido em sua pátria, na lembrança cruciante da Guerra Civil Espanhola. Em suma, esta obra retrata o sofrimento de uma época, como o visto nos olhos da mulher retratada, a Mãe Dolorosa.

É sabido que os amores do artista exerciam grande influência em sua arte,  sendo a inconstância uma constante em sua vida. Portanto, Mulher Chorando também traduzia  a convivência complexa e sofrida que ele tinha com Dora Maar, uma fotógrafa e intelectual de esquerda, de origem croata, que se transformou em sua nova amante, e passou a ser a sua modelo preferida. O temperamento sensível dessa mulher estava sendo destroçado pelo dia a dia com o artista, cujo relacionamento acabou de maneira trágica, e também pela guerra que se avizinhava. Ela foi vitimada pela doença mental, da qual jamais voltaria a recuperar-se.

Ficha técnica
Ano: 1937
Técnica: óleo em tela
Dimensões: 60 x 49 cm
Localização: coleção particular

Fonte de pesquisa
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural

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Rivera – PAISAGEM ZAPATISTA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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É um quadro de um cubismo ambíguo, não ortodoxo. (Raquel Tibol)

A composição Paisagem Zapatista, que num primeiro momento foi chamada de El Guerrillero, é uma obra do pintor mexicano Diego Rivera, tida por muitos críticos como a sua obra-prima cubista. É também uma homenagem ao revolucionário Emiliano Zapata, responsável por comandar a revolução de 1910 no país, assumindo o poder. O artista prestou-lhe, com o seu pincel, inúmeras homenagens.

O artista usa o Cubismo para falar sobre a revolução vitoriosa, liderada por Zapata.  Como é possível observar, Rivera, apesar de usar o estilo cubista, não abre mão de sua forte personalidade artística. Ele mantém a combinação de cores incomum ao estilo, a reprodução figurativa é mais compreensível, mostrando vigorosamente o seu México.

O rifle, a bandoleira (correia usada a tiracolo, à qual se prende a arma), a caixa de munição de madeira, a cartucheira, a manta colorida, também conhecida por poncho, e o chapéu, também chamado de sombrero e usado pelos zapatistas, são referências diretas à revolução mexicana. Também estão presentes as terras localizadas no sul do México, através do verde representando a vegetação,  onde se deu a luta agrária.

O México está representado por um bloco compacto, cuja imagem central flutua no espaço, tendo abaixo um fundo azul, que pode significar os oceanos Pacífico e Atlântico, que o banham. Ao fundo estão as montanhas, ricas em minérios.  As sombras são pintadas de branco.

O chapéu parece fundir-se com uma forma parecida com um olho. À direita, na parte inferior da composição, uma folha de papel em branco, presa por uma tacha, representa uma espécie de denúncia ou manifesto dos milhões de mexicanos que ainda se encontravam analfabetos.

Ficha técnica
Ano: 1915
Técnica: óleo sobre linho
Dimensões: 144 x 123 cm
Localização: Museu Nacional de Arte Moderna, Cidade do México, México

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Abril Cultural
http://www.diegorivera.org/zapatista-landscape.jsp

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