Arquivo da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Dürer – A ADORAÇÃO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A obra de Dürer é muitas vezes, e justamente, considerada a quintessência do espírito da arte alemã. (Manfred Widram)

Adoração da Santíssima Trindade de Dürer, representa o Pai segurando a cruz do Filho e o Espírito Santo em forma de pomba sobre a cabeça do Pai. Os três são adorados pela multidão de anjos, santos e cristãos.

O retábulo intitulado A Adoração da Santíssima Trindade — também conhecido como Retábulo de Landauer — encontra-se entre os principais trabalhos do pintor alemão Albrecht Dürer, sendo considerada a obra mais suntuosa e também uma das mais belas expressões do Renascimento alemão. Foi encomendado ao artista por Matthäus Landauer, rico comerciante de Nuremberg, com a finalidade de ornamentar a capela da Santíssima Trindade e Todos os Santos, da Casa dos Doze Irmãos, instituição de caridade fundada por ele e Schiltkrot Erasmus e que tinha como objetivo servir de abrigo para 12 artesãos pobres e já impossibilitados de trabalhar.

O magnífico painel de Dürer apresenta uma cena que acontece acima do solo e está esquematizada em quatro semicírculos. Mostra Deus Pai, Jesus Cristo e a pomba que simboliza o Espírito Santo. Rodeando a Santíssima Trindade estão, à direita, personagens do Antigo Testamento, dentre os quais se destacam Moisés, Davi e os profetas. À esquerda estão os seguidores de Cristo portando ramos de palmeira. Logo abaixo encontram-se os seguidores do reino de Deus na Terra, liderados pelo papa que usa uma tiara azul e um manto dourado, e o Imperador com uma coroa de ouro. São Jerônimo também se encontra presente com sua vestimenta vermelha e o seu chapéu cardinalício pendurado nas costas.

Deus Pai — mostrado como o Imperador do Mundo — usa um manto dourado e uma majestosa coroa imperial. Com os braços abertos segura um crucifixo, onde se encontra seu filho Jesus ainda vivo. Logo acima deles está a pomba, representação do Espírito Santo em uma nuvem de luz dourada, cercada por uma legião de querubins.

A cruz onde se encontra Jesus Cristo está sobre uma capa forrada de verde que é sustentada de ambos os lados por um anjo, enquanto os outros anjos carregam os instrumentos da Paixão de Cristo. Ao redor da Santíssima Trindade estão os santos, dentre eles está São João Batista. No grupo de santas estão Maria, vestida de azul, seguida por Santa Inês, Santa Bárbara, Santa Catarina e Santa Doroteia.

À direita está Matthäus Landauer de joelhos, ricamente vestido e com as mãos em postura de oração. O cavaleiro ajoelhado,  usando uma suntuosa armadura dourada, é Wilhelm Haller, genro de Landauer. Um camponês levando consigo instrumentos de trabalho representa os pobres. Uma rainha desconhecida tem o rosto escondido por um véu que deixa apenas os olhos à vista.

Na parte inferior da composição está uma enorme paisagem mostrando o amanhecer acima de um lago, entre colinas, onde são vistas várias edificações. Também na parte inferior, à direita, encontra-se um autorretrato do pintor que segura um painel com a inscrição e data da assinatura, dizendo:

ALBERTUS DÜRER NORICUS FACIEBAT ANNO A VIRIGINIS PARTU – 1511

Ficha técnica
Data: 1511
Técnica: têmpera a óleo sobre madeira
Dimensões: 135,4 x 123,5 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Gênios da pintura/ Abril Cultural
Tudo sobre arte/ E.H. Gombrich
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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Dürer – OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Entre as primeiras grandes obras de Albrecht Dürer encontra-se uma série de 15 gravuras que ilustra o Apocalipse de São João, mostrando visões amedrontadoras do Juízo Final. Tal série fez muito sucesso, pois o pintor e o povo da época acreditavam que os eventos apocalípticos estivessem prestes a acontecer, com a proximidade do ano de 1500. Devemos levar em conta que o artista viveu em uma época muito conturbada da história, destacando acontecimentos como a Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos. O livro do Apocalipse era muito lido naqueles tempos.

A xilogravura acima representada é a quarta da série que ilustra o Apocalipse. De acordo com Albrecht Dürer, os quatro cavaleiros do Apocalipse são assim representados:

  • Primeiro cavaleiro – carregando arco e flecha – representa a enfermidade.
  • Segundo cavaleiro – carregando uma espada – representa a guerra.
  • Terceiro cavaleiro – carregando uma balança vazia – representa a fome.
  • Quarto cavaleiro – carregando um tridente – representa a morte.

Na composição, Dürer lança mão de linhas paralelas e cruzadas para obter tons de luz, sombra e volume. Um anjo voa acima dos quatro cavaleiros. O gesto de suas mãos indica que os abençoa. O cavaleiro, que se encontra logo abaixo dele, é interpretado por alguns como o Destruidor e por outros como Jesus Cristo.

A Morte tem a aparência de um velho esquelético, com olhar desvairado. Ela está montada num cavalo raquítico, bem inferior aos outros três. Parece carregar um ódio demoníaco contra a humanidade. Está empurrando as pessoas para o inferno, que é mostrado como se fosse o ventre exposto de um monstro aterrador, representando o Leviatã. (O Leviatã é uma criatura mitológica, geralmente de grandes proporções, bastante comum no imaginário dos navegantes europeus de antigamente.).

Um homem, usando uma coroa imperial, encontra-se debaixo do cavalo da Morte, sendo tragado pelo ventre do monstro.  A menção a um nobre mostra que a morte não faz escolhas entre ricos e pobres, pois diante dela todos são iguais. Embora a Morte seja normalmente retratada segurando uma foice, Dürer, em sua composição, usa um tridente. A balança da fome, carregada pelo terceiro cavaleiro, agita seus pratos enquanto o grupo cavalga enfurecidamente.

Ao dispor os quatro cavaleiros na diagonal, o artista cria a sensação de movimento. As patas dianteiras dos cavalos, a balança agitada, assim como as nuvens de poeira que se levantam à passagem desses também intensificam a impressão de velocidade.

Os quatro cavaleiros mostram-se impiedosos no cumprimento de sua missão, que é o extermínio da humanidade pecadora e má. Onze personagens estão presentes na composição, sendo os quatro cavaleiros, o anjo e seis pessoas desesperadas, representando a humanidade.

A série de 15 xilogravuras de Dürer tornou-o conhecido em toda a Europa, trazendo-lhe fama e riqueza, assim como possibilitou ao artista escolher seus próprios trabalhos, sem depender de mecenas. Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse é uma das criações mais poderosas na arte de Albrecht Dürer.

Ficha técnica:
Ano: 1498
Técnica: xilogravura
Dimensões: 39,5 x 28 cm
Localização: Bristish Museum, Londres, Reino Unido

Fonte de Pesquisa:
A história da arte/ E.H. Gombrich

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