IDADE MÉDIA – ARTE ROMÂNICA (Aula nº 25)

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Autoria de LuDiasBH     

      
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Na Idade Média, após o século X, a Europa Ocidental foi responsável por dois importantes estilos de arte: o Românico e o Gótico. O primeiro foi sendo sucedido aos poucos pelo segundo, de modo que é impossível precisar com clareza o aparecimento de um e de outro, pois durante certo tempo eles chegaram a coexistir. A arte românica teve início no século XI, quando as cidades europeias começaram a prosperar e as expressões artísticas dos diferentes povos passaram a unificar-se em razão das peregrinações e das Cruzadas — movimento militar de caráter cristão que objetivava retomar a Terra Santa —, alcançando até o século XIII. O termo “românico” está relacionado às influências do Império Romano. Para entender melhor a arte românica, faz-se necessário um pouco de conhecimento sobre História. Vamos lá!

O Reino da Inglaterra foi dominado em 1066 (século XI) por um exército normando que contava com a participação de bretões e franceses, sendo comandado pelo duque Guilherme II da Normandia (região histórica situada no norte da França), descendente dos vikings e também primo do rei da Inglaterra, Eduardo, o Confessor (descendente de anglo-saxões). Ao aportar na Inglaterra, os normandos levaram consigo um estilo de construção bem desenvolvido. Os novos senhores feudais das terras conquistadas, no intuito de assegurar poder e grandeza, puseram-se a edificar abadias, mosteiros e igrejas de acordo com o estilo levado que na Inglaterra recebeu o nome de “estilo normando” e no continente europeu foi chamado de “estilo românico” que teve seu ponto alto na construção de igrejas.

A igreja era uma edificação que possuía um imenso significado para as pessoas da época. Normalmente era o único edifício grandioso em toda a redondeza, servindo seu campanário de ponto de referência para os que chegavam à localidade. Servia de ponto de encontro para os habitantes da cidade e da região. Era o orgulho de toda a comunidade, sem falar que a construção de templos agregava muitos trabalhadores, revolucionando a vida do lugar de um modo geral. A labuta tinha início com a extração de pedras e seu transporte. A segunda etapa dizia respeito à colocação dos andaimes e daí por diante à execução da obra que gerava um grande acontecimento para a cidade. Muitos artífices vinham de outras localidades do reino para ali trabalhar.

A planta fundamental das igrejas ainda estava ligada às edificações dos romanos — uma nave central com uma abside (abóbada) ou coro e duas ou quatro naves laterais. Alguns arquitetos gostavam de edificar igrejas no formato de uma cruz (ver última ilustração à direita), mas, para isso, era preciso adicionar uma galeria transversal entre o coro e a nave, à qual se deu o nome de transepto. Arcos arredondados eram assentados em massudos e resistentes pés-direitos. Possuíam poucas janelas, sendo que suas paredes e torres inteiriças lembravam as fortalezas medievais, daí o nome de “fortalezas de Deus”. Essas igrejas eram robustas e compactas tanto interna quanto externamente. Não é difícil imaginar o poder que essas monumentais construções de pedra exerciam sobretudo sobre a gente simples e analfabeta. A Igreja poderosa reforçava, assim, sua pregação de que representava na Terra o poder de Deus ao combater as forças do mal até que o Juízo Final acontecesse.

Os arquitetos normandos, na edificação dessas igrejas, lidavam com um problema — o telhado. Sabiam que os telhados de madeira eram muito comuns, sucumbiam com facilidade ao fogo, ao vento e aos cupins. Era fato que os romanos foram capazes de construir edificações com abóbadas, o que exigia muitos cálculos de natureza técnica, mas a maior parte desse conhecimento havia se perdido com o tempo. Era preciso muito estudo e experimentos para chegar ao que se pretendia. Após anos de estudos, eles chegaram à conclusão de que era necessário construir paredes e pilares bem fortes para sustentar as abóbadas. O melhor a fazer era construir arcos (ou nervuras) transversalmente entre os pilares e depois encher as seções triangulares entre eles (ver terceira ilustração da esquerda para a direita). A primeira aplicação de tal técnica deu-se na catedral normanda de Durham (ver ilustração central).  Essa ideia genial para a época foi responsável por transformar os métodos da construção.

A pintura românica, feita através da técnica do afresco — pintura muito utilizada por gregos e romanos que consiste em pintar sobre gesso ou argamassa ainda molhados —, estava agregada à religião, objetivando decorar o interior de igrejas e monastérios com passagens bíblicas, cuja finalidade era a de instruir os devotos, cuja imensa maioria era analfabeta. Esse tipo de arte, conhecido como pintura parietal (feita em paredes) estava associada à arquitetura, marcada pela monumentalidade e pela força da pedra. Existiam também as iluminuras (pinturas decorativas nas letras iniciais dos capítulos de pergaminhos) feitas pelos monges. A escultura também dependia da arquitetura, sendo feita em baixos e altos-relevos de pórticos e arcadas (as primeiras esculturas surgiram nas igrejas francesas).

Dentre as características da arquitetura românica podemos citar: construções monumentais feitas em pedras; predomínio de estruturas pesadas e sombrias; presença de abóbadas; criação de novos métodos referentes à construção; pouca decoração interna e mais externa; arcos em 180 grau (semicircular); presença da cruz nas plantas arquitetônicas; e caráter religioso.

Exercício

  1. Cite algumas características do estilo românico.
  2. Como os arquitetos resolveram o problema do telhado?
  3. IGREJA DE ST. TROPHIME D’ARLES

Ilustração: 1. Igreja Beneditina de Murbac, c.1160 / 2. Catedral de Durham, 1093-1128 / 3. Nave da Catedral de Durham / 3. Planta da Catredal Santiago de Compostela.

Fonte de pesquisa
A Manual compacto de arte/ Editora Rideel
História da Arte / Prof. E. H. Gombrich

2 comentários em “IDADE MÉDIA – ARTE ROMÂNICA (Aula nº 25)

  1. Hernando Martins

    Lu

    A arte românica surgiu na Alta Idade Média como um estilo unificado em várias regiões da Europa, pois até então não havia um estilo definido nessa fase da história. Com a queda do Império Romano e as influências de conquistadores normandos surgiu esse novo estilo de época – o românico que sobressaiu mais na arquitetura e menos na pintura, música, escultura e outras modalidades artísticas. A influencia romana nas construções de igrejas, castelos e mosteiros foi bastante importante, lembrando que os romanos dominavam com muita precisão a engenharia civil.

    As igrejas desse período eram construídas com plantas em formato de cruz, mais horizontalizadas, com paredes muito grossas e havia poucas janelas nas edificações em geral, dificultando a entrada da luz, tornando o ambiente mais escuro e menos ventilado. As abóbadas eram em formato de arcos, sendo feitas pinturas nos tetos das paredes úmidas (afresco),sempre com temas religiosos. As esculturas eram entalhadas em madeiras e paredes, com temas bíblicos.

    As pinturas eram irregulares, com a presença de cores vibrantes, onde Cristo era, normalmente, a maior figura na composição da obra, uma forma de mostrar sua magnitude. O intuito era mostrar a importância da religiosidade através de trabalhos didáticos e simples, como forma de nortear uma massa analfabeta e pobre, afim de colocá-la sob o poder da Igreja vista como a instituição representante de Deus na Terra.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Hernando

      Os estilos que realmente se impuseram na Idade Média foram o românico (não confundir com romântico) e o gótico. Como você escreveu, o maior predomínio no estilo românico foi no campo da arquitetura. Nesse época os artistas medievais já haviam perdido muito da maestria dos romanos em suas construções, como vimos no que diz respeito à abóbada das igrejas, em razão do tempo transcorrido. É por isso que muitos artistas voltaram a estudar as ruínas romanas, tentando compreender como aquelas obras foram erguidas, pois muito pouco fora eternizado através da escrita. Ainda assim, os artistas do estilo românico foram capazes de construir obras inimagináveis para seu tempo.

      Abraços,

      Lu

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