NOVO ESTILO – ARTE ABSTRATA I (Aula nº 100)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

   

Os artistas fauvistas e expressionistas, durante as primeiras décadas do século XX, mudaram as relações com as cores que até então eram usadas na representação da natureza. Por sua vez, os cubistas fracionaram os objetos em múltiplos planos, desafiando as dimensões do espaço e os futuristas derrubaram os conceitos que diziam respeito ao tempo. Houve também artistas que se embrenharam no campo psicológico, ao compor retratos de grande intensidade emocional. O fato é que nessas primeiras décadas, e em razão das grandes mudanças no campo da arte, o público passou a sentir dificuldade para se manter atualizado.

A Arte Abstrata surgiu em meio a um clima artístico e filosófico complexo. Existia um sentimento de que os valores da sociedade ocidental eram vazios, de que o progresso científico era ilusório e que o sistema capitalista era essencialmente auto destrutivo, apesar das riquezas e prosperidades trazidas, pois tirava bem mais da sociedade do que oferecia. Os artistas passaram a buscar nova inspiração para a arte fora da sociedade ocidental. E por isso, passaram a estudar as religiões ocidentais, as crenças religiosas como a teosofia, a arte do Oriente e da África negra e da Polinésia.

Até o ano de 1910 alguns parâmetros da arte continuavam imutáveis, como o fato de os artistas permanecerem dentro dos limites da realidade concreta, representando objetos percebíveis. Mesmo o Cubismo analítico, ao seu final, não deixou de lado a arte representacional, embora muitas vezes fosse difícil identificar o tema proposto. O maior salto na arte aconteceu quando houve a eliminação do tema, suprimindo toda e qualquer referência ao mundo de objetos reconhecíveis. Os artistas tinham ciência de que a arte reproduzia certos aspectos do mundo, como eles o enxergavam, portanto não foi fácil para pintores e escultores chegarem à abstração, ou seja, à arte desprovida de representação.

É sabido que o artista russo Wassily Kandinsky chegou muito próximo da abstração com o seu Cavaleiro Azul (Der Blaue Reiter). Piet Mondrian com sua “Árvore Cinza” também traz ínfimas referências ao título e, portanto, aproximando-se do abstracionismo que ele viria a alcançar com sua obra “Composição em Vermelho, Preto, Azul e Amarelo” (ilustração à esquerda). O russo Kasimir Molevitch apresentou seu estilo abstracionista com a “Composição Supremista” e Constantin Brancusi em sua obra intitulada “Mademoiselle Pogany” (ilustração à direita) levou a arte do retrato à essência de um rosto.

Ainda que as ideias abstratas ganhassem vida no início do século XX, quando se buscava uma arte sem tema, as ideias abstratas não eram totalmente novas, uma vez que N. M. W. Turner em 1830 já mostrava sinais da arte abstracionista em suas composições de paisagens terrestres e marinhas. Por sua vez, os impressionistas, ao se distanciar do mundo físico, muitas vezes se aproximaram da abstração, como mostram as séries “Ninfeias” e “Monte de Feno” de Claude Monet. No que diz respeito às artes decorativas, os padrões abstratos sempre se fizeram presentes na cerâmica, na tapeçaria e nos móveis. Na Arte Nova (Art Nouveau) foram usados ornamentos de padrões abstratos. Outro artista que também fez uso de elementos decorativos abstratos em sua arte foi Gustav Klimt, como vistos em sua composição “O Beijo” (presente neste blogue).

Os pintores Wassily Kandinsky, Kasimir Malevitch, Constantin Brancusi e Piet Mondrian, ao buscarem o estilo abstrato, tinham como objetivo adquirir um forte conjunto de ideais espirituais em oposição aos valores materiais que determinavam a sociedade da época. Queriam uma arte em que cada parte encerasse o seu próprio universo interior. Tomaram como abordagem a filosofia antiga, através de crenças orientais esotéricas e de novos textos míticos. Achavam que a arte deveria mostrar ao observador um caminho que o ajudasse a levar uma vida ordenada e espiritualmente enriquecedora.

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

 

6 comentaram em “NOVO ESTILO – ARTE ABSTRATA I (Aula nº 100)

  1. Marinalva Autor do post

    Lu

    Vimos que o russo Wassily Kandinsky pintou sua importante obra abstrata “Primeira Aquarela ” em 1910. Obra de pinceladas rápidas e cores fortes. Caracterizada por imagens irreais, muito longe da realidade. Elaboração imprecisa e irreal. Quebra de paradigmas relacionado ao que é a arte . Os artistas, desapegados da realidade, deixam aos espectadores definirem e interpretarem suas obras.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Marinalva

      O trabalho de Wassily Kandinsky foi muito importante para a Arte Abstrata. Iremos estudar algumas obras do artista.

      Abraços,

      Lu

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  2. Adevaldo R. de Souza

    Lu

    Novo estilo e nova perspectiva de conhecimento sobre a arte. O estilo da Arte Abstrata apresenta, como aspecto principal, a reprodução de elementos de modo não real. Ou seja, esse gênero não retrata objetos e cenários que façam parte da realidade das pessoas em um sentido concreto, distanciada das formas figurativas ou representação da natureza.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Adevaldo

      É verdade. A Arte Abstrata leva-nos para um novo caminho, embora lá atrás alguns pintores já tenham dado início ao estilo, ainda que fugazmente, como foi o caso de Turner, mas sem os objetivos propostos pelos artistas da Idade Contemporânea.

      Abraços,

      Lu

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  3. Hernando Martins

    Lu

    Como a arte tem a capacidade de mudar as vertentes de uma forma mágica em vários períodos da história. Especificamente a arte abstrata surgiu para mostrar uma realidade subjetiva, permitindo ao observador enxergar a mensagem de acordo com sua percepção de mundo. Ela tem como princípio não só mostrar a composição no campo visual, mas estimular os sentimentos do inconsciente do observador.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Hernando

      É muito interessante as mudanças constantes pelas quais passa a arte. Nada se eterniza. O artista em sua insatisfação com o mundo está sempre a buscar novos caminhos.

      Abraços,

      Lu

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