Degas – CARRUAGEM NAS CORRIDAS

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Autoria de Lu Dias Carvalho

As coisas mais bonitas da arte vêm da renúncia. (Degas)

O pintor impressionista Edgar Degas (1834 – 1917) nasceu em Paris. Era o primeiro filho de Pierre-Auguste Hyacinth de Gas, banqueiro, e de Celéstine Musson. Tratava-se de uma tradicional família francesa, muito rica e culta. Seu pai era um homem que nutria grande admiração pelas artes, especialmente pela música e pelos pintores italianos do Renascimento, portanto, não causa surpresa o fato de o garoto ter mostrado sua vocação artística desde cedo.

A composição intitulada Carruagem nas Corridas ou também Nas Corridas no Campo é obra do artista. Além de ser uma paisagem é também uma cena do cotidiano da vida francesa da época e um retrato de família. A carruagem é vista em primeiro plano, conduzida por dois belos cavalos. Nela se encontram o amigo de Devas – Paul Valpinçon – sua esposa e uma ama de leite com o bebê do casal no colo. Um buldogue – de costas para o observador – encontra-se na boleia. Um dos cavalos traz uma rosa atrás da orelha.

Degas, um magistral colorista, usou de grande delicadeza na feitura desta pintura, como é possível ver através do verde delicado da paisagem, do azul-claro do céu, ornado com suaves nuvens brancas, dos amarelos e cor-de-rosa sutis das roupas e sombrinhas femininas, contrastando com os tons marrons e negros da carruagem e dos cavalos em primeiro plano.  Uma luz delicada irradia por toda a tela.

O artista mostra a influência japonesa sobre sua arte, ao colocar a carruagem e os cavalos fora do centro da composição, ou seja, no canto inferior da tela, à direita, o que deve ter sido muito audacioso para a época. Outro detalhe desta influência é o modo como ele arbitrariamente, cortou a tela nas bordas direita e inferior.

Ao fundo, em meio à paisagem, as pessoas assistem à corrida dos jóqueis, estando algumas delas montadas a cavalo e outras de pé. À esquerda, vê-se parte de uma charrete que é conduzida por um homem. Bem mais ao fundo são vistas algumas edificações e grandes árvores. A cena mostra um estilo inglês, o que era muito comum na França de então.

Embora tenha começado sua carreira levando em conta a tradição acadêmica, inspirado em Rafael e Ingres, Degas aderiu ao grupo impressionista. Este quadro encontra-se dentre os seus primeiros trabalhos feitos de acordo os ditames do grupo.

Ficha técnica
Ano: 1869
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 36,5 x 56 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/at-the-races-in-the-countryside-32250

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DEPRESSÃO PÓS-PARTO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

 A mulher costuma sentir-se muito ansiosa, principalmente a respeito do bem-estar do bebê, se ele está se alimentando bem, e ela pode parecer cheia de culpa e de autocrítica, além de constantemente irritada. (Dr. Kwame Mckenzie)

Algumas leitoras deste espaço já se apresentaram como tendo depressão pós-parto. O mais preocupante é que muitas mulheres vivenciam isso sem saberem que se trata de uma doença depressiva, uma vez que uma dúzia de causas é atribuída ao seu abatimento e esmorecimento após o nascimento do bebê. A mais comum é atribuir seu estado depressivo às noites maldormidas e às preocupações com a criança que ainda está se adaptando a um mundo novo, necessitando de mamadas constantes e de trocas de fraldas.

Há muitos fatores que contribuem para a depressão pós-parto. Um deles é o fato de que uma mulher que já teve esse tipo de depressão terá 50% de chances de repeti-lo em outras gestações. Também podem ser listados como causas: problemas acontecidos durante o parto ou relativos à saúde do bebê, situação econômica ruim da família, etc. Contudo, o motivo mais frequente tem sido os hormônios sexuais que, ao agirem sobre o sistema nervoso central da nova mamãe, acabam alterando seus neurotransmissores, substâncias responsáveis por estabelecerem a ligação entre os neurônios.

Por que os hormônios sexuais mexem tanto com a mulher? O professor e escritor canadense Kwame Mckenzie explica: “Naturalmente as mulheres apresentam uma alta dosagem de estrogênio e progesterona, mas durante a gravidez os níveis dessas substâncias permanecem ainda mais elevados, caindo drasticamente em algumas horas depois do nascimento do bebê. Essa súbita alteração, muitas vezes, pode ser um gatilho para o surgimento da depressão”. Para maiores esclarecimentos, o estrogênio é a designação genérica dos hormônios femininos que criam as condições necessárias à fertilização do embrião e determinam os caracteres femininos secundários, enquanto a progesterona é um hormônio feminino responsável por preparar o útero para a implantação e fertilização do óvulo.

Os especialistas em depressão pós-parto afirmam que os tipos mais severos dessa doença ocorrem logo depois do parto, sendo esses mais incomuns. Os mais triviais, porém, acontecem entre duas semanas e até mesmo um ano após o nascimento do bebê. São também os mais ignorados, pois muitas mães sentem-se constrangidas, ou até mesmo envergonhadas para dizerem que não estão se sentindo bem com a maternidade. A cobrança da sociedade que sempre apregoou que a mãe, mesmo quando padece o faz no “paraíso”, amplia ainda mais a sensação de culpa e de incapacidade de cuidar de sua cria por parte da mulher, o que só faz aumentar o sofrimento da mãe depressiva, impedindo-a de procurar ajuda médica, achando que deve resolver o problema sozinha.

A atenção da família deve ficar voltada para a recém-mãe após o parto para que possa ajudá-la, caso pressinta mudanças em seu comportamento. O companheiro, principalmente, deve ficar atento às mudanças, em vez de se afastar. A psicóloga Marília Campos afirma que “É preciso que o marido acompanhe sua mulher em um curso pré-natal para que ele possa perceber que tudo vai mudar para ela. O cônjuge precisa compreender a sensação de vazio de sua esposa, além das mudanças no corpo e que sua aceitação demorará um tempo para acontecer”.

A medicina aponta três tipos de sintomas possíveis de aparecer no período da maternidade e orienta que nem todos eles podem ser vistos como depressão. São eles:

  • Baby blues – surge imediatamente após o parto. Pode ser oriundo, por exemplo, do fato de o bebê não ser como o esperado. O quadro pode durar duas semanas, necessitando apenas do apoio da família para o restabelecimento da estabilidade emocional da mulher.
  • 2- Depressão pós-parto leve e moderada – não tem data para aparecer, podendo durar meses ou anos. Os sintomas podem ser: choro, sensação de culpa, cansaço, perda da libido, isolamento, etc. Há necessidade de buscar ajuda médica.
  • Depressão pós-parto grave e psicose – a mãe pode apresentar sintomas como: delírios, alucinações, esgotamento físico, raiva, comportamento agressivo contra si mesma e contra o bebê, etc. Há necessidade de urgência na busca por ajuda médica, sendo que a mãe necessita ser internada e afastada do bebê.

Fatores que podem contribuir para o aparecimento da depressão pós-parto: problemas de fertilidade; histórico de doenças psiquiátricas; problemas financeiros; ser mãe solteira; ser mãe ainda muito jovem; parto difícil; bebê prematuro; isolamento social; falta de apoio do companheiro; preocupação com a volta ao trabalho, etc.

Assim como os outros tipos de depressão, a pós-parto precisa de ajuda especializada. Além da família, o ginecologista é uma das pessoas mais indicadas para saber se tudo está indo bem com a nova mãe. Ao perceber qualquer anormalidade, ele deve ajudar a mulher a buscar ajuda médica e também conversar com a família.

Nota: Entardecer, obra de Edvard Munch

Fonte de pesquisa
Guia 301: Dicas para não ter depressão / Editora Online

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Canaletto – BAÍA DE SÃO MARCOS

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Canaletto (1697 – 1768), cujo nome de batismo era Giovanni Antonio Canal, filho do pintor e cenógrafo Bernardo Canal, seu primeiro mestre, era também tio do pintor Bernardo Belloto. Tornou-se muito conhecido pelas paisagens venezianas que pintava. Mais tarde, quando morava em Londres, pintou inúmeras paisagens inglesas (vedute*). Canaletto também estudou com o paisagista Lucas Carlevarijs e foi influenciado por Giovanni Paolo Pannini. Segundo alguns estudiosos da obra do artista, ele fez uso da câmera escura, (instrumento óptico através do qual os raios solares passam, refletindo a imagem que se deseja pintar), o que lhe possibilitava fazer desenhos mais precisos, ao reproduzir proporções e perspectivas. Porém os desenhos ou meros esboços, deixados pelo artista, sugerem que ele tomava notas ao ar livre e, em seu estúdio, usava réguas e bússolas para aperfeiçoá-los.

A composição intitulada Baía de São Marcos foi executada pelo artista. A obra que retrata a entrada de Veneza mostra a habilidade de Canaletto ao pintar vistas de paisagens, sendo possivelmente o mais habilidoso entre todos os pintores deste gênero. Aqui ele retrata uma área de grande alcance, enriquecida com grande atividade humana, tendo a luz habilmente controlada em toda a composição.

A imensa baía traz inúmeras edificações em suas margens, incluindo a Igreja de San Giorgio Maggiore, à direita, e o palácio Doge, à esquerda, e apresenta um tráfego intenso de barcos de carga e gôndolas. O céu de fundo azul é decorado com nuvens brancas que sombreiam a imensidão de suas águas, ora intensificando detalhes e mudança de cor e ora desfazendo-os, dando grande unidade à composição.

As pinturas, gravuras ou desenhos topográficos recebiam o nome de “vedute” (vistas em italiano). Canaletto era um dos mais importantes pintores de “vedute”.

Ficha técnica
Ano: 1738
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 124,5 x 204 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/bacino-di-san-marco-venice-32679

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CONHECENDO A DEPRESSÃO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O oposto da depressão não é felicidade e, sim, vitalidade. (Andrew Solomon)

 Nós, viventes do século XXI, podemos nos orgulhar de pertencer a uma época de grandes avanços científicos, médicos, tecnológicos e utilitários – embora uma grande parte da população mundial não tenha acesso a eles, pois vive à margem de tais conquistas, numa sociedade desigual e extremamente injusta – que vêm propiciando grandes mudanças.  Contudo, neste mundo cada vez mais rápido em que é impossível absorver toda uma gama de ideias, sensações e teorias, a depressão – um dos transtornos mentais mais conhecidos – vem se alastrando pelo globo, quer o homem encontre-se na casta dos privilegiados quer se encontre em meio aos marginalizados.

O escritor e palestrante Andrew Solomon – especialista em depressão – diz ter ficado impressionado com o número de pessoas depressivas entre os mais pobres – onde a doença costuma ser ainda mais severa – e o fato de não receberem dos governos o tratamento necessário. Ele diz que essas pessoas, por levarem uma vida de miserabilidade, privadas das necessidades mais básicas de um ser humano, “sentem-se péssimas o tempo todo”, por isso, acham que a vida é assim mesmo. Não lhes passa pela cabeça que se trata de uma doença e que existe tratamento para ela. Por outro lado, são totalmente ignoradas por aqueles que deles deveriam cuidar, vivendo na eterna ignorância.

A depressão, também conhecida como o “mal do século”, tira o ânimo de viver de sua vítima, não importando em que fase de vida ela se encontre. A realidade apresenta-lhe por demais sombria e árdua, tirando-lhe qualquer expectativa de vida, deixando-a, consequentemente, pessimista e impotente diante da complexidade de sua existência. Ela muitas vezes se pergunta sobre o que está fazendo no mundo, pois não vê graça alguma no seu existir.

Pesquisas na área médica vêm tentando desvendar as causas que levam à depressão. O que se sabe é que ela é multifatorial (causada pela junção de inúmeros fatores), podendo ser originada de um rompimento amoroso, por exemplo, como por nenhum motivo aparente. As causas podem ser hereditárias, familiares, sociais, econômicas (como vemos atualmente acontecer no Brasil), etc. Até mesmo o inverno pode causar depressão, como acontece em países de inverno rigoroso.  Também não podemos nos esquecer de que alguns medicamentos podem predispor a pessoa à depressão, assim como a depressão-pós parto. Contudo, é preciso estar atento ao diagnóstico para não confundir depressão com tristeza. Já na infância, os pais precisam ter cuidado para não confundir timidez com depressão, devendo, portanto, na dúvida, buscar ajuda médica.

Alguns sintomas podem estar ligados a um quadro de depressão, como:

  • Perda de prazer ou interesse até mesmo pelas atividades das quais gostava antes.
  • Pensamentos constantes ligados à morte ou ao suicídio.
  • Dores ou outros sintomas físicos persistentes, mas sem causas encontradas.
  • Perda ou diminuição da libido.
  • Excesso de sono ou insônia.
  • Perda do apetite ou aumento.
  • Inquietação ou irritabilidade sem causa aparente.
  • Indisposição para fazer qualquer coisa.
  • Dificuldade de concentração ou para se lembrar das coisas.
  • Dificuldade para tomar decisões.
  • Sentimento de vazio e falta de esperança.
  • Excessivo pessimismo e aparência chorosa.

Na presença de um desses sintomas, busque ajuda médica, pois a depressão, além de afetar o apetite e o sono, também pode levar ao uso do álcool e de drogas. Pode também levar a outras doenças psíquicas como ansiedade, síndrome do pânico e, em casos mais raros, sintomas psicóticos.

Nota: Edouard Manet e Mme. Manet, obra de Degas

Fonte de pesquisa
Guia 301: Dicas para não ter depressão / Editora Online

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Manet – A CANTORA DE RUA

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor francês Édouard Manet (1832 – 1883) nasceu em Paris, numa família de classe alta, sendo seu pai juiz e sua mãe filha de um diplomata francês. Era o mais velho dos três irmãos: Eugène, que viria a se casar com a pintora Berthe Marisot e Gustave. Embora tivesse tido uma criação muito rigorosa, encontrando a oposição de seu pai em relação à carreira de artista, seu tio Édouard Fournier, irmão de sua mãe,  levava-o ao Louvre, para conhecer os grandes mestres da pintura e da escultura, vindo ele a tornar-se um reconhecido pintor.

A composição A Cantora de Rua é uma obra do artista. Manet sempre se opôs às intransigentes convenções acadêmicas da época, ditadas pelo gosto dos salões, ligando-se aos impressionistas. Usou um tema comum para compor um belo retrato. O pintor acreditava que a arte – desde que se tivesse uma atitude objetiva – poderia ser criada com o material mais humilde que o artista tivesse às mãos.

Esta obra foi inspirada no encontro imprevisto do artista com uma cantora de rua na parte velha da cidade de Paris, no início da noite. A mulher, segurando uma guitarra, saiu da taverna e levantou o seu longo vestido. Como ela houvesse se recusado a posar para ele, o artista usou como modelo Victorine Meurent, sua modelo predileta.

A mulher, usando sua longa saia acinzentada e casaco da mesma cor, enfeitado com preto, traz na cabeça um chapéu escuro. Seus olhos estão fixos no observador. A mão esquerda segura uma guitarra e a direita leva cerejas à boca. Um pano amarelo, no qual repousa um cacho de cerejas, descansa na confluência de seu braço e antebraço esquerdos. Ela traz a saia levantada, deixando à vista uma pequena parte da anágua. Seu rosto branco com olhos escuros lembra uma máscara oriental.

Como era costume no que diz respeito aos trabalhos de Manet, o tema e a pintura não agradaram os críticos acadêmicos da época. Eles acharam a pintura mal feita, contudo, o renomado romancista Emílio Zola, grande amigo do pintor, admirou as belezas formais da composição e a sua interação com a vida real.

Ficha técnica
Ano: c. 1862
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 171 x 106 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/street-singer-33971

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ANSIEDADE E FALTA DE AR

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Autoria de Isamara Fernandes

Tenho 22 anos. Fiquei conhecendo este espaço ontem e passei quase a madrugada toda lendo os depoimentos. Vi o tratamento que a Lu dá às pessoas e isso me motivou a pedir sua ajuda também! Desde já lhe agradeço por ter este site e por ajudar tantas pessoas!

Minha história é a seguinte… Nos últimos dois anos eu passei por mudanças bruscas em minha vida, o que me afetou muito. Devido à doença de demência da minha avó, minha família decidiu ir para outro Estado, e eu passei um ano morando com a minha irmã que me tratava muito mal. Como fui muito ansiosa desde pequena, sofrendo antecipadamente e ficando preocupada com tudo, isso se intensificou naquele momento de minha vida. Antes de tudo isso acontecer, eu tomava fluoxetina que me ajudava com a ansiedade, mas depois de um tempo, esse antidepressivo não fazia mais efeito. Com isso, simplesmente parei o tratamento (erro grotesco), porque estava bem melhor, mas até ter essa mudança inesperada em minha vida.

A minha família voltou faz dois meses, principalmente por minha causa, porque eu sofria muito com os abusos da minha irmã. Comecei a ter crises de ansiedade, chorava compulsivamente, pois não aceitava a minha nova realidade e tudo o que estava sofrendo. Com a volta de meus familiares, fiquei muito feliz e pensei que tudo iria melhorar. Contudo, há um mês eu acordei com muita dor de garganta e falta de ar. Comecei a ter pensamentos negativos, sentindo medo de ficar sufocada e coisas do tipo. Comecei a ter taquicardia e dor no peito. Houve momentos de eu acordar de madrugada pensando estar tendo um ataque cardíaco. Suava frio e me sentia fora da realidade.

A minha vida só foi complicando. Comecei a ter medo de passar mal na rua, e consequentemente, de sair sozinha. Chorava, pensando que tinha uma doença grave. Chegou ao ponto de meu pai ter que me acompanhar na ida e na volta da faculdade, embora eu me sentisse ainda no maternal e culpada por ser mais um problema na vida dos meus pais, pois atualmente minha avó encontra-se totalmente debilitada, alimentando-se por sonda (o que me afeta muito), causando-lhes grandes preocupações.

O psiquiatra que busquei, receitou-me escitalopram. Comecei a tomar o antidepressivo e sofri muito com os efeitos colaterais nos 15 dias iniciais. Vômitos, enjoo todo dia, suor e tremor nas mãos, não conseguindo prestar atenção em nada. Minha garganta continuava ruim e comecei a sentir falta de ar. Não sabia diferenciar o que era da minha cabeça, do remédio, ou se tinha algo físico. Era um nó na garganta tremendo.

Consegui voltar a andar sozinha. Acredito que o remédio me ajudou nesse quesito.
Porém, certo dia, indo dormir, senti um sufocamento muito grande, não conseguindo respirar. Entrei em pânico! Vomitei em seguida. Ficou mais um trauma com a falta de ar se intensificando, fechando a garganta. Decidi ir ao médico que disse que eu estava com faringite. Foi um alívio, porque “achei” o que estava me causando a falta de ar e as dores na garganta. Tomei antibiótico, senti melhora na dor, mas a falta de ar continua. Hoje faz 27 dias que estou tomando escitalopram, muitos dos efeitos colaterais já passaram, mas a falta de ar permanece. Passei no cardiologista, fiz eletrocardiograma duas vezes e deu normal. Pensei que fosse o refluxo que tenho (tomo lansoprazol).

Estou em pânico com esta falta de ar. Já perdi a conta de quantas vezes fui ao PS, pensando ter alguma coisa séria. Na faculdade tive várias crises de pânico, ao me sentir sufocada. Com isso, o psiquiatra passou alprazolam 0,5 (tomar metade do comprimido), apenas quando eu tiver em crise. Comprei o genérico e não sinto o mesmo efeito imediato do Frontal. Seria por ser genérico? A falta de ar que sinto seria um efeito colateral do remédio? Seria melhor trocá-lo? Estou pensando que tenho asma já, vou até passar no pneumologista. Por favor, Lu, ajude-me.

Nota: Desnudo Azul, obra de Pablo Picasso

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