OS NOVE PASSOS DO PERDÃO E A SAÚDE

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Autoria do Dr. Telmo Diniz

perdao

Perdoar significa “conceder perdão, absorver, remitir (culpa, dívida, pena, etc), desculpar-se e poupar-se”. O ato de perdoar envolve tudo isso e ainda muito mais. Pesquisas e estudos vêm sendo desenvolvidos nesses últimos anos para mostrar e comprovar o poder e os benefícios do perdão. Vários estudos foram realizados para descobrir as causas de doenças ligadas às emoções e ao estresse e acabaram por concluir que problemas como dores de cabeça, dores musculares, fibromialgia, gastrite, úlceras, problemas cardiovasculares, hipertensão, problemas gastrointestinais, doenças alérgicas e vertigens podem estar relacionados com a dificuldade de perdoar.

O ato de perdoar é realmente muito complexo. Embora não pareça, é muito difícil esquecer uma ofensa e, ainda por cima, conviver em harmonia com o ofensor. Porém, temos que aprender que perdoar é a arte de fazer as pazes, quando algo não acontece como queríamos. Perdoar é fazer as pazes com a palavra “não”. Além de importante para a convivência, o ato de perdoar pode evitar uma série de transtornos causados em uma briga ou desentendimento. Quando uma pessoa não perdoa, revive a situação desagradável e nutre a mágoa, tornando-se mais estressada e propensa ao desenvolvimento de doenças cardíacas e psiquiátricas.

Não há perdão sincero sem o esquecimento da raiva e da mágoa que lhe deram origem. Esquecer a mágoa e a raiva não significa esquecer os fatos. Eles, muitas vezes, permanecem na memória e são motivo de aprendizado. Se esquecêssemos de todo o mal que alguém nos fez no passado, não aprenderíamos a nos cuidar melhor no futuro. Devemos esquecer a emoção negativa que toma a forma de raiva, mágoa, ou seja, se perdoamos verdadeiramente, conseguimos lidar com os fatos como algo distante, algo que não nos atinge mais, embora lembremos que eles aconteceram.

Lições

Para perdoar precisamos compreender a nós mesmos e aos outros. Se não nos dedicamos a compreender o outro, estamos esquecendo que, se estivéssemos em seu lugar, talvez fizéssemos coisa igual ou pior. E, mesmo que não cometêssemos o mesmo erro, isso se deveria apenas ao fato de já termos aprendido uma lição que ele ainda não aprendeu. Se aprendemos a lição, é porque já passamos por ela, ou seja, já erramos muitas vezes. Se não sentimos pelo outro a mesma compreensão que sentimos em nossa própria defesa, então, nosso perdão não existe, ele é pura vaidade.

Aprendendo a não sentir mágoa e a não se sentir ofendido com tanta frequência, você precisará perdoar menos, e isso equivale a ter aprendido a verdadeira humildade. Certa vez, perguntaram a Mahatma Ghandi se ele perdoava com muita frequência, ao que ele respondeu: “Não, ninguém nunca me ofendeu”.

Se alguém errou com você, ainda que gravemente, não perca tempo e saúde do corpo e da alma alimentando a raiva e a mágoa, elas o mantêm aprisionado ao passado. Perdoe e siga. Perdoar é inteligente. Perdoar é libertar primeiro a si mesmo, depois ao outro. Faz bem ao corpo e a alma! Errar é humano, mas perdoar é divino! Se mesmo assim achar difícil perdoar quem o ofendeu, leia abaixo os “Nove Passos para o Perdão”, do doutor Luskin, autor do livro o “Poder do Perdão”.

Os nove passos do perdão

  1. Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja capaz de expressar o que há de errado na situação. Então, relate a sua experiência a umas duas pessoas de confiança.
  2. Comprometa-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se sentir melhor. O ato de perdoar é para você e ninguém mais. Ninguém mais precisa saber sua decisão.
  3.  Entenda seu objetivo. Perdoar não significa necessariamente reconciliar-se com a pessoa que o perturbou, nem se tornar cúmplice dela. O que você procura é paz.
  4. Tenha uma perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que o seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e desconforto físico de que você sofre agora, e não daquilo que o ofendeu ou agrediu dois minutos – ou dez anos – atrás.
  5. No momento em que você se sentir aflito, pratique técnicas de controle de estresse para atenuar os mecanismos de seu corpo.
  6. Desista de esperar coisas que as pessoas ou a vida não escolheram dar a você. Reconheça as “regras não cobráveis” que você tem para sua saúde ou para o comportamento seu e dos outros. Lembre a si mesmo que você pode esperar saúde, amizade e prosperidade e se esforçar para consegui-los. Porém você sofrerá se exigir que essas coisas aconteçam quando você não tem o poder de fazê-las acontecer.
  7. Coloque sua energia tentando alcançar seus objetivos positivos por um meio que não seja através de experiência que o feriu. Em vez de reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos para seus fins.
  8. Lembre-se de que uma vida bem vivida é a sua melhor vingança. Em vez de se concentrar nas suas mágoas – o que daria poder sobre você à pessoa que o magoou – aprenda a buscar o amor, a beleza e a bondade ao seu redor.
  9. Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela o lembre da escolha heroica que é perdoar. Passe de vítima a herói na história que você contar.

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COMO DESENVOLVER A INTUIÇÃO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

A mente intuitiva é um dom sagrado e a mente racional é uma serva fiel. Contudo, criamos uma sociedade que cultua a serva e se esquece do dom. (Albert Einstein)

 A intuição é um jeito de saber algo sem passar pelo processo de raciocínio consciente. Saber sem saber como você sabe. Chegar a uma conclusão sem um motivo lógico. (Lior Suchard)

 A intuição – “faísca” poderosa ou “insight” – continua sendo um enigma para a Ciência, pois concede o entendimento da realidade numa fração de segundos, sem que para isso haja a intervenção da lógica ou da análise, o que demonstra que nossa mente continua sendo uma caixinha de surpresas, uma vez que não temos ciência do imenso poder que ela detém. Quem nunca disse: “Tive um palpite…” ou “Agi com o meu instinto…” ou ainda “Meu sexto sentido alertou-me…”? Tais expressões nada mais são do que uma referência à própria percepção. A intuição é como se fosse mais um dos nossos sentidos e não há nada de anormal nisso.

Todas as pessoas nascem com intuição. Algumas a possuem bem desenvolvida, outras a ignoram, e outras tantas precisam de treinamento para percebê-la. A vivência extremamente voltada para o racional vem tornando a humanidade indiferente a esta faculdade. Por serem desprovidas de preconceitos e abertas ao novo, as crianças são extremamente intuitivas ao nascer, contudo, à medida que vão crescendo, na convivência com uma sociedade racionalista, voltada mais para o palpável, apregoando que “isso ou aquilo não passa de coincidência”, elas passam a ignorar a intuição, embotando, assim, a capacidade intuitiva que traziam consigo.

O mentalista judeu Lior Suchard vê a intuição como um complemento dos cinco sentidos (tato, visão, audição, paladar e audição). Ele cita, como exemplo, uma observação feita após o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, quando um grande número de pessoas desistiu de viajar nos dois aviões que atingiram as Torres Gêmeas e no que caiu sobre o Pentágono. Os dois primeiros tiveram, respectivamente, 74% e 81% dos seus assentos vazios, enquanto o terceiro conduzia apenas 64 passageiros, embora tivesse assentos para 289, ou seja, 78% dos assentos encontravam-se vazios. Ele acha que muitas das pessoas que cancelaram a viagem podem ter sido movidas pela intuição.

A faculdade intuitiva pode ser trabalhada e ampliada através da meditação e de outras técnicas que lidam com a plasticidade do cérebro (yoga, unibiótica, neuróbica, prática da observação, visualização dos detalhes de uma pintura ou paisagem, etc.) e da confiança em si mesmo. Suchard ensina que, quanto mais contato o indivíduo tiver com essa faculdade, mais ela se tornará plena. Ele também fornece algumas dicas para o seu reconhecimento e desenvolvimento.

  • Acreditar na sua capacidade intuitiva e levá-la a sério.
  • Praticar a meditação diariamente, durante alguns minutos, a fim de aprender a ouvir a voz da intuição.
  • Observar situações e padrões com números recorrentes.
  • Passar a anotar as “coincidências”, pois as coisas não acontecem sem um motivo.
  • Evitar funcionar no piloto automático, prestando sempre atenção no que faz.
  • Observar suas ações e examinar com atenção suas decisões e escolhas.
  • Atentar-se para quando teve um “pressentimento”, mas não o levou em conta.
  • Lembrar-se de que o corpo possui uma linguagem própria. Aprender a decodificá-la.
  • Observar sua energia ao encontrar certas pessoas (ela sobe ou desce?).
  • Observar sua energia durante suas escolhas – seu nível pode aumentar ou diminuir. Com base nisso poderá optar pela escolha certa.
  • Procurar se lembrar de seus sonhos, pois eles podem estar querendo lhe dizer algo.
  • Ao decidir entre uma coisa ou outra, procure fazer perguntas à sua intuição.
  • Fazer testes com a intuição. Começar com coisas simples (roupa, comida, etc.).
  • Manter-se alerta para distinguir quando sua intuição levou-o a tomar uma decisão e quando não contou com o seu auxílio.
  • Ter paciência ao esperar os resultados de suas escolhas, baseando-se na sua intuição. Lembre-se de que tal prática demanda tempo e exercício.
  • Leia também: A INTUIÇÃO EXISTE!

Nota: se você gosta de livros que falam sobre a mente, sugiro:

  1. Como Ler Mentes/ Lior Suchard
  2. Blink – A Decisão num Picar de Olhos/ Malcolm Gladwell
  3. Rápido e Devagar: duas formas de pensar/ Daniel Kahneman
  4. O Animal Social/ Elliot Aronson
  5. Incógnito: As vidas secretas do cérebro/ David Eagleman
  6. Inteligência emocional (Daniel Goleman)
  7. Seus Pontos Fracos (Wayne Dyer)
  8. O Homem que Confundiu a sua Mulher com um Chapéu (Oliver Sacks)
  9. O que nos faz felizes: O futuro nem sempre é o que imaginamos (Daniel Gilbert)
  10. A Arte de não Amargar a Vida (Rafael Santandreu)
  11. O Poder do Hábito (Charles Duhigg)

Fonte de pesquisa
A Fórmula da Felicidade/ Stefan Klein/ Editora Sextante

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EMOÇÕES X SENTIMENTOS

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Autoria de Lu Dias Carvalho

É bom escutar os sentimentos. Mas nem sempre é aconselhável segui-los cegamente. (Stefan Klein)

 As emoções ocorrem no teatro do corpo. Os sentimentos ocorrem no teatro da mente.  (Antônio Damásio)

 Enquanto os animais têm que obedecer ao que dizem suas emoções, nós somos capazes de decidir contra os nossos próprios sentimentos. (Stefen Klein)

 Embora consideremos no nosso linguajar diário as palavras sentimento e emoção como tendo igual significado, a verdade não é bem essa, pois nomeiam coisas bem diferentes. Enquanto a emoção é inconsciente e corresponde a uma resposta automática do corpo a determinada situação, o sentimento é consciente, é aquilo que vivenciamos quando percebemos a emoção de forma consciente. As emoções são passageiras, enquanto os sentimentos exigem que o cérebro receba sinais do corpo e seja capaz de processá-los, podendo gerar cicatrizes profundas, dependo do modo como o indivíduo lida com eles.

As pessoas que não se deixam guiar cegamente por suas emoções – contrariando os sentimentos provocados por elas – estão mais aptas ao sucesso, pois interagem melhor com os outros, ao não tomar tudo ao pé da letra, como algo pessoal. É fato que não se trata de uma tarefa fácil, pois se faz necessário trazer os impulsos sob a rédea curta. Para contê-los é preciso que se tenha ciência deles, uma vez que é impossível lidar com aquilo que não se conhece.

Indivíduos existem, por exemplo, que chamam a si mesmos de sinceros ou francos, quando na verdade mostram um comportamento impulsivo, resvalando para a grosseria. Eles não conseguem domar seus impulsos, porque não veem sua suposta “franqueza” como algo ruim e, sim, como algo positivo. Assim, vão tocando o barco, ferindo uns e outros, sem noção alguma do que fazem.  Portanto, quando nossos sentimentos não se encontram sob o escrutínio da razão, tornamo-nos pessoas inflexíveis, insensatas, rudes e não aptas ao convívio com os diferentes.

As emoções (reações do corpo) dão vida aos sentimentos, portanto, elas vêm antes dos sentimentos. Para que isso aconteça, o cérebro precisa receber sinais do corpo a fim de processá-los. Sem que isso ocorra, torna-se é impossível ter consciência de qualquer tipo de emoção, o que reforça a certeza de que nossa mente não se localiza apenas no cérebro, sendo totalmente corpórea (corpo e mente são unos). O filósofo e biofísico Stefan Klein explica que “Um espírito sem a matéria não seria capaz de sentir alegria ou tristeza”, porque não possui o corpo que seria o responsável pelo envio dos sinais ao cérebro. Contudo, ainda segundo ele, “Quem experimentou as reações corporais suficientemente consegue até simulá-las inconscientemente”, e conclui que: “Assim como a fantasia consegue produzir uma imagem mental, o hipotálamo é capaz de simular impulsos que, na realidade, nem está recebendo”, como nas vezes em que nos sentimos mal-estar só de nos lembrarmos de um determinado acontecimento que já ficou no passado, mas que nos causou forte emoção.

As nossas emoções, por serem reações inconscientes e instintivas que se processam em nosso corpo, tendem a ser visíveis, pois produzem alterações que podem ser compreendidas através da comunicação não verbalizada, ou seja, conhecidas apenas pelos sinais emitidos pelo corpo que denuncia nosso estado emocional. Elas também são passageiras, voltando o corpo ao equilíbrio de antes, uma vez que o indivíduo delas toma ciência. Os sentimentos, por sua vez, por se tratar de algo interiorizado e vivenciado de forma consciente, são duradouros e muitas vezes fáceis de serem escondidos. Pessoas há que não esquecem um aborrecimento nem que a vaca tussa e carregam-no como um pesado fardo nas costas. Entretanto, existem aquelas que se encontram num estágio mais elevado de espiritualidade, não se deixando seduzir pelos sentimentos. Racionaliza-os e passa uma borracha em tudo, dando o dito (ou acontecido) por não dito (ou acontecido). Sua saúde agradece!

O ideal é que busquemos a compreensão de como nos comportamos diante desse ou daquele tipo de emoção, pois, assim, tornamo-nos senhores de nós mesmos, sendo capazes de manter o nosso equilíbrio emocional. Na medida em que racionalizamos ou minimizamos as interferências internas ou externas que nos levam a um determinado tipo de emoção, vamos enfraquecendo-a. Não podemos permitir que os sentimentos – advindos das emoções – sejam nossos senhores. Suponhamos que você seja uma pessoa que sai do sério quando lhe fazem uma crítica negativa. Se mudar o seu comportamento em relação a isso – fazendo ouvidos moucos, por exemplo, ou até mesmo concluindo que precisa mudar –, isso não mais lhe causará uma emoção conturbadora e, em consequência, não criará sentimentos que irão afetar negativamente a sua vida, interferindo no funcionamento de seu corpo.

Fonte de pesquisa
A Fórmula da Felicidade/ Stefan Klein/ Editora Sextante

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FENG-SHUI –TENHO A MANIA DE GUARDAR TUDO

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Autoria de Celina Telma HohmanRelatos da autora Celina Hofman

Feng Shui! Ainda que milenar, ainda não prestamos a atenção devida aos ensinamentos da filosofia chinesa que nos ensina a viver melhor. Confesso que sou organizada, por vezes meio maníaca, mas numa única área: local onde vivo, seja trabalho ou em minha casa, chego a extremos, o que sabemos não é bom nem sadio, mas minha remissão chega quando me pego naquelas manias maníacas em guardar tudo: do canhoto do talão de cheques lá de 1990, a documentos processuais que não têm mais utilidade alguma em minha vida.

Não consigo me desapegar de utensílios, roupas, souvenirs, cartinhas que a filhota escrevia quando era pequena, as lembranças que minha avó deixou, e que guardo com o maior carinho, ocupando espaços que poderiam servir para abrigar o que é necessário, enfim, sou bagunceira com minhas lembranças. Seria uma forma de tentar reter o passado? Resultado: desordem, claro! Desordem com os sentimentos, com a liberação do passado, quando deveria deixá-lo lá, onde ficou, e não aqui onde não há porque mantê-lo.

Lembranças são boas. Há nelas a nossa trajetória, mas e daí? Lembranças podem ficar na mente, na alma, no coração e não enchendo gavetas, entulhando cantos, embaralhando-se com o presente e atrapalhando o futuro. Sei disso tudo, mas quem disse que tudo isso faz com que eu mude? Mudo, não! Se faz bem? Também não! Somente sei que retenho o passado e, ao fazê-lo, pouco valorizo o presente, o que é uma pena.

Sei que tenho a meu favor o cuidado em manter uma casa limpa – por vezes até demais –, o cuidado em não poluir o visual do que me cerca com muitas peças que impedem a passagem de energia, mas estou aqui escrevendo e lembrando-me de quantos  envelopes, caixas e gavetas tenho guardados, coisas não mais necessárias…

Num belo dia – há uns três anos – eu resolvi fazer a “faxina da vida”. Toda faceira e com um furor típico de quem quer provar que consegue, lá fui eu me desfazer do que não servia mais. Enchi inúmeras caixas. Nelas havia de tudo. De tudo o que nem precisava estar ali, mas eliminado há muito tempo: cortinas velhas, roupas lindas, mas que não serviam mais há tempos, e não as doei, nem as vendi, pois cada uma tinha uma história. Tinha! Não deveria ter mais! Fiz a “geral”. Tive o prazer de colocar aquele montão de inutilidades para que o caminhão de coleta levasse para o devido lugar. Resultado? Chorei e muito. Naquela ida senti o vazio tomar conta de mim.

Obviamente o caminhão nem precisou levar, pois a vizinhança fez a festa, mas a tonta aqui, se pudesse, iria de casa em casa e pegaria tudo de volta. O papelzinho rosa da floricultura por onde um amor havia passado, o brinquedo, que já sem forma, ainda estava guardado. O bule lindo de minha avó, acompanhado daquela xícara sem asa e sem pires, mas  que era charme puro e tinha o cheirinho da vovó nela (tinha nada, pois lavada, não manteve cheiro de ninguém, exceto de passado). Eu chamo a isso de desarmonia. Amor, carinho, doces lembranças são um bem. Guardar tranqueiras é maluquice!

Tento ser organizada com esse lado meio bagunçado, mas confesso, ainda tropeço em inutilidades com uma frequência assustadora. Não é uma bagunça geral, é uma bagunça específica. Acredito que, mesmo não sendo acumuladora (eita que virou moda chamarem assim quem guarda tudo de tudo), o desfazer-me de coisas desnecessárias ainda é minha área bagunçada. Não consigo, ainda que prometa, todos os dias, que mudarei. Um dia chego lá!

O tal do desapegar é minha intenção, mas a realidade é que meus apegos acabam atrapalhando. Imagine caixas e caixas de restinhos? Ainda as tenho, confesso, meio que envergonhada! É chato isso e sei que este é o meu inferninho. E aí aquela pergunta: se sei, por que continuo? A resposta é “Sei lá!”, mas compenso no exagero em outras áreas. Obviamente o equilíbrio está só em saber que preciso buscá-lo.

Como citado, “a água que mata nossa sede pode nos matar…”  Vou tentar de novo e de novo, mas juro, bagunça geral,  geralzão, não é o meu tormento. São até minhas manias em não as ter, que também são exageradas. Fico então com a certeza da desarmonia com os apegos. Mas, início de ano, projetos para mudanças e por sorte o texto. Tudo correndo a favor. Obá!

Nota: a ilustração é uma pintura de Dante Gabriel Rossetti, denominada Pandora.

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SENTIMENTOS POSITIVOS E NEGATIVOS

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Geralmente os sentimentos negativos são percebidos de modo mais intenso do que os positivos. (Stefan Klein)

 Os sentimentos positivos indicam-nos o que devemos fazer, enquanto os negativos advertem-nos sobre o que precisamos evitar. (Stefan Klein)

Em cada aspecto de nossa vida, por mais simples que ela seja, encontra-se a natureza – força ativa que estabeleceu e conserva a ordem natural de tudo quanto existe, força criadora universal –  a educar-nos. Basta que paremos para pensar que tudo que contribui para manter a nossa vida é tido como algo bom: beber, comer, fazer sexo, dormir, sociabilizar, etc. E quanto maior for a nossa carência em relação a uma dessas ações, mais prazeroso será o nosso bem-estar ao executá-las. Existe comida mais gostosa do que aquela que consumimos quando nos encontramos famintos? Há sono mais profundo e reparador do que o que nos acomete quando nos encontramos exauridos pelo cansaço? E que deliciosa é a água sorvida quando nos encontramos sedentos! Por que isso acontece? A natureza, no intuito de proteger-nos, leva-nos a escolher o que faz bem ao nosso corpo, usando o prazer como chamariz.  

Embora a dor – qualquer que seja a sua causa – tire qualquer um do sério, tamanho é o desprazer que oferece, não passa de uma mensageira valiosa da natureza, avisando que algo não está em conformidade com o esperado no que diz respeito ao funcionamento do nosso corpo. E quanto menor for a atenção que tal emissária vier a receber, mais ela se avolumará e atormentará, até que o dono do corpo busque ajuda para refreá-la, até que a causa seja descoberta e tratada. Os paliativos possuem um tempo, pois se não buscada a origem da dor, ela retornará ainda mais severa, raivosa e cruel.

Muitas vezes nós nos perguntamos sobre o porquê de lembrarmo-nos mais daquilo que nos fez sofrer, enquanto nos esquecemos facilmente do que nos tornou felizes. Os sentimentos negativos são quase sempre mais imperiosos, veementes e impetuosos. As tragédias comovem bem mais do que as comédias fazem rir. Os humoristas alegam que fazer humor é extremamente difícil. Então, o que leva a humanidade a preferir a tragédia? A resposta está na biologia humana.

Os sentimentos negativos – responsáveis por fazerem nossos ancestrais viver em permanente vigilância frente ao perigo constante – permaneceram ao longo da evolução humana, chegando aos nossos dias. Vivemos muito mais tempo temendo o perigo do que buscando a felicidade.  Existe até um conselho que era muito conhecido pelos mais antigos: “Devemos sempre pensar no mal, pois o bem a qualquer hora que chegar será bem-vindo”. Eis a prova de como preferimos a tragédia.

O prazer só existe porque há o conhecimento do desprazer. Um não ganha vida sem o conhecimento do outro. E é exatamente este contraste que garante a vitalidade do organismo, possibilitando-o a funcionar da melhor maneira possível, apesar dos percalços inerentes à vida de todos os humanos. Ainda que empiricamente, todos nós temos conhecimento sobre aquilo que nos faz mal ou que nos faz bem. A natureza é sábia. Se tomarmos outro caminho é por conta e risco nosso, mas lá na frente poderemos pagar o preço devido.  A Lei de Causa e Efeito age em nossa vida com toda intensidade, quer queiramos ou não.

Obs.: não confundir “sentimentos negativos” com “pensamentos negativos”.

Fonte de pesquisa
A Fórmula da Felicidade/ Stefan Klein/ Editora Sextante

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FELICIDADE X INFELICIDADE

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 Autoria de Lu Dias Carvalho

A felicidade e a infelicidade são mestras que a natureza usa para nos educar. (Stefan Klein)

Ao analisarmos a afirmação acima do filósofo e biofísico Stefan Klein, concluímos que se trata de uma grande verdade. Apesar de ser uma mestra indesejável, a infelicidade é sem dúvida a mais contundente, pois mexe com as entranhas de nosso ser. Ainda que seja pensamento comum o fato de que só se aprende com a dor, a felicidade é também uma mestra, uma vez que age como um incentivo, ao predispor-nos a escolher aquilo que faz bem ao nosso corpo, direcionando o nosso comportamento. Contudo, enquanto a infelicidade chega sem ser convidada, a felicidade precisa ser conquistada dia a dia, incessantemente.

Essas duas incansáveis conselheiras fazem-se presentes por vias diferentes. A infelicidade exprime-se através do medo, da raiva, da tristeza, do arrependimento e de outros sentimentos que não nos são aprazíveis. Contudo, tem por objetivo proteger-nos dos perigos do mundo exterior e também de nossos próprios impulsos. A felicidade, por sua vez, manifesta-se através de sentimentos agradáveis e tem como meta condicionar-nos a buscar aquilo que sadiamente nos faz bem.

O mais interessante é que até mesmo os animais estão programados – assim como os seres humanos – a agir da mesma forma. Observe como seu animalzinho doméstico aproxima-se de quem o acaricia e foge daquele que o aborrece ou maltrata. Contudo, a capacidade de prever situações é o diferencial entre humanos e bichos. Enquanto os segundos só aprendem através da experimentação, os primeiros não precisam vivenciar situações para obterem conclusões, podendo buscá-las em diferentes fontes.

O capitalismo selvagem – fruto de nosso tempo – repassa-nos a ilusão de que a felicidade é produto das circunstâncias, algo fortuito, impossível de ser conquistado. Noutras vezes tenta induzir-nos a pensar que quanto mais coisas e poder tivermos, mais felizes seremos. A verdade é bem outra e disso os gregos da Grécia antiga já tinham conhecimento. Eles relacionavam a felicidade a atitudes corretas.

Aristóteles – filósofo grego que viveu antes de Cristo – já dizia: “A felicidade é consequência de uma atitude”, ou seja, de acordo com as possibilidades e oportunidades que nos são oferecidas, devemos buscar fazer sempre o melhor, pois é aí que se encontra o segredo do êxito e da ventura. Tampouco devemos colocar o nosso bem-estar nas mãos de quem quer que seja, uma vez que ninguém é responsável pela nossa infelicidade, senão nós mesmos. O controle de nossa vida está na mão de cada um de nós. Deixar que outrem nos torne infelizes é pura tolice.

Voltando aos filósofos antigos, eles partiram da premissa de que “a felicidade é consequência de uma atitude” e chegaram a duas premissas:

  1. Se a felicidade é resultante da plena realização das possibilidades humanas, logo existirão regras de aplicação geral que podem ser usadas com o objetivo de obtê-la, uma vez que os seres humanos são semelhantes.
  2. Se levarmos tais regras em consideração, seremos capazes de aprender a ser felizes.

Assim, uma vez que o ser humano possui vontade própria, poderá trabalhar suas atitudes, a fim de escapulir da servidão de seus humores azedos e do ambiente – muitas vezes hostil – em que se encontra inserido. A felicidade não está atrelada à acumulação de bens, à posição social ou ao  poder, como alguns imaginam. Ela tampouco se resume a um mero prazer. A felicidade é um processo contínuo e permanente de realização de nossas possibilidades na busca, sobretudo, pelo nosso crescimento interior. É um estado de espírito que pode e deve ser trabalhado permanentemente. Poderemos começar freando os impulsos – esses senhores mandões tão presentes em nossa vida e que podem fazer de nós seus fantoches.

Ainda que a Ciência dê-nos a conhecer – cada vez mais – como funciona a nossa mente, a essência do pensamento da antiga filosofia no que tange à felicidade continua correta, embora alguns termos possam ter sido mudados, como por exemplo: aquilo que os antigos pensadores chamavam de “virtude” e de “realização plena do organismo” é conhecido hoje como “estado ideal do organismo” a ser conseguido.

A neurobiologia (campo da biologia que trata do sistema nervoso nos seus aspectos morfológicos, funcionais e patológicos) deixa claro que os sentimentos positivos não são produtos do acaso ou frutos do destino, mas da maneira como encaramos o dia a dia, ou seja, do modo como vemos e vivemos a vida. Portanto, devemos persegui-los a fim de conquistar a felicidade plena que muito bem fará ao nosso corpo.

Vejamos mais alguns pensamentos de Aristóteles sobre o assunto:

  • Cada um é feliz na medida em que faz e cumpre a sua missão. A felicidade só resulta do cultivo da virtude. A felicidade é para quem se basta a si próprio.
  • A felicidade não se encontra nos bens exteriores. Felicidade é ter algo o que fazer, ter algo a que amar e algo a que esperar…
  • Ninguém é dono da sua felicidade senão você mesmo, por isso, não entregue a sua alegria, a sua paz, a sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém.
  • A felicidade é o sentido e o propósito da vida, o único objetivo e a finalidade da existência humana. A felicidade consiste em fazer o bem.

Fonte de pesquisa
A Fórmula da Felicidade/ Stefan Klein/ Editora Sextante

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