MONET E SUAS NINFEIAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A foto acima mostra o pintor francês Claude Monet, posando diante de duas de suas obras, no ano de 1923. A última fase do pintor foi dedicada, sobretudo, às ninfeias. Ele as pintou por mais de 25 anos. Comprou o terreno usado por ele e sua família em Giverny, e o transformou em um jardim, onde dedicava um grande espaço às ninfeias. Ali mesmo mandou construir um ateliê para trabalhar ao lado de suas amadas flores. Produziu mais de 250 quadros individuais com suas divas. Com a ajuda de seu grande amigo, Georges Clemenceau, deu vida a uma série de murais sobre o tema. A série sobre as Ninfeias foi doada ao Estado francês e hoje se encontra exposta na Sala do Musée L`Orangerie.

Claude-Oscar Monet (1840 – 1926) nasceu em Paris, mas viveu a sua infância e adolescência em Le Havre, cidade portuária francesa, para onde seus pais mudaram-se, crescendo num ambiente burguês. Na sua casa, apenas a mãe, Louise, mostrava interesse pela pintura. O pai, Adolphe, não aceitava as inclinações do filho por tal arte, de modo que o relacionamento entre os dois começou a gerar conflitos. E piorou ainda mais, quando o filho deixou a escola, pouco tempo antes de concluir os estudos.

Monet era um pintor apaixonado e incansável no seu trabalho e um grande aglutinador. Reunia em torno de si vários outros artistas, sendo reconhecido entre os mais jovens pintores como um exemplo a ser seguido. Foi tido como o líder do movimento impressionista. Na medida em que envelhecia, a jardinagem passou a ocupar um lugar cada vez maior na sua vida, em especial o seu jardim aquático. No final de sua vida, o pintor da luz passou a queixar-se de problemas nos olhos. Chegou a fazer duas operações de catarata, recuperando parcialmente a visão. Muitas vezes sentia-se tão deprimido, a ponto de destruir ou queimar vários trabalhos, pois não atendiam às suas exigências. Sobre a visão, assim se exprimiu:

– Minha pouca visão faz com que eu veja tudo numa bruma completa. De qualquer modo, é muito bonito e é isto que eu gostaria de ter sido capaz de exprimir.

Claude-Oscar Monet, com os pulmões carcomidos por um câncer, morreu aos 86 anos, completamente cego, em sua casa de Giverny. E, de acordo com sua vontade, foi enterrado sem pompa alguma.

Fonte da fotografia
http://incrivel.club/admiracao-curiosidades/45-fotos-que-irao-mudar-sua-percepcao-sobre-o-passado-15505/

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Giovanni Bellini – PIETÁ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Se estes olhos de sofrimento levantam um som de lamento da vossa parte, então a obra de Giovanni Bellini pode iluminar. (Inscrição na laje)

 A composição Pietá, também conhecida como Cristo Inoperante Apoiado por Maria e João, é uma obra-prima do pintor italiano Giovanni Bellini, que nela deixa patente o sinal de sua plenitude como artista. É tida como uma das mais belas e comoventes telas da história da arte cristã, em que a dor da Mãe, que recebe o Filho martirizado, estende-se ao sofrimento de todas as mães, em todo o mundo, que vivem tragédias semelhantes. A proximidade da cena parece fazer com que a dor transponha a tela e atinja, em cheio, quem a observa. Essa dor é ao mesmo tempo particular e universal.

 O pintor apresenta, agrupados em primeiro plano, a Virgem Maria, à direita de seu filho martirizado,  e o apóstolo São João Evangelista, à esquerda, tendo atrás um horizonte infinito. Amobos mostram-se em profundo sofrimento, amparando o corpo sem vida de Jesus Cristo, que fora retirado da cruz. O braço esquerdo do Mestre, que termina num punho fechado, apoiado sobre a pedra, lembra o de um atleta.

A pele de Cristo já se mostra extremamente pálida. Seu semblante sem vida, com os olhos cerrados e a boca entreaberta, deixando visível parte da arcada superior, mostra uma profunda entrega ao suplício da crucificação e morte. O corpo de Jesus está envolto apenas por um lençol branco, embora não seja visível a parte inferior. A coroa de espinhos ainda cinge sua cabeça, fazendo com que pingos de sangue escorram sobre sua testa e face. Sua cabeça pende para o lado da Virgem Mãe. Seu cabelo, em cachos, emoldura-lhe o rosto inerte, e desce pelas costas. A barba desponta em pequenos tufos. As marcas da tortura estão visíveis na cabeça, no lado direito do peito e nas mãos. As veias no braço esquerdo e mão de Cristo são impressionantes.

Maria ampara com ternura a cabeça do Filho com seu próprio rosto, sabedora de que este é o último contato físico que terá com ele. Ela segura sua mão direita, dobrando seu braço até à altura do coração, enquanto cinge-lhe os ombros com a esquerda. A mão esquerda do filho é amparada por uma laje, na qual se encontra uma inscrição (ver na frase em negrito).   Assim como Jesus e o apóstolo, ela traz um fino halo em torno da cabeça, comprovando sua divindade. Os personagens presentes demonstram um sentimento humano e psicológico.

 São João Evangelista segura o corpo morto de Jesus pela esquerda, envolvendo sua cintura. Ele desvia o olhar da Virgem e de seu Filho, tamanha é a sua aflição. Seus olhos esbugalhados e sua boca aberta demonstram surpresa e incredulidade diante do que está ocorrendo. Ele fixa os olhos ao longe, como se quisesse reservar à mãe e ao Filho os últimos momentos, juntos. Chama a atenção os pormenores dos cabelos cacheados do santo. Em segundo plano estende-se uma paisagem, apenas sugerida, com um caminho que serpenteia, levando ao Monte Calvário. Um céu entristecido e uma luz fraca e difusa cobrem os personagens e tudo em volta, reforçando a sensação de angústia.

Ficha técnica
Ano: c. 1465/70
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 86 x 107 cm
Localização: Pinacoteca de Brera, Milão, Itália

 Fontes de pesquisa
Murillo/ Abril Cultural
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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Chagall – MINHA NOIVA COM LUVAS PRETAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Minha Noiva com Luvas Pretas é uma obra do pintor russo Marc Chagall, sendo este um de seus primeiros quadros. Nele é retratada Bela Rosenfeld, sua primeira mulher, que morreu após 30 anos de convivência com o artista, deixando-o abatido por um longo tempo.

Chagall ficou conhecendo Bela, quando ele tinha 22 anos de idade. Seis anos depois, eles se casaram. Do casamento nasceu a filha Ida. O artista retratou sua mulher (ainda noivos por ocasião deste retrato) em inúmeros trabalhos, mas este, tido cronologicamente como o primeiro, é o mais famoso.

No retrato de Bela Rosenfeld chamam a atenção seus traços fortes, sua postura com o rosto de perfil e o corpo de frente para o observador, as mãos enluvadas em torno da cintura e sua expressão firme. O fundo preto da composição, com uma ramagem à direita, põem em destaque o vestido branco e as luvas pretas da moça, dando-lhe um ar de intenso fervor religioso e firmeza de caráter. Bela encontra-se em frente a uma mesa coberta com um pano florido, tendo à sua esquerda um livro de capa escura, provavelmente de orações, acima do qual se vê a assinatura do pintor.

Ficha técnica
Ano: 1909
Técnica: óleo em tela
Dimensões: 88 x 65 cm
Localização: Museu de Arte, Basileia, Suíça

Fonte de pesquisa
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural

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AS RELAÇÕES SEXUAIS NO IMP. ROMANO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Em quatro séculos (de Marco Aurélio a Justiniano), grandes mudanças ocorreram na vida dos moradores das cidades e em seus arredores, no Império Romano. No que diz respeito ao sexo, a classe considerada superior não via diferença entre o amor homossexual e o heterossexual. O prazer físico era plenamente aceito, podendo advir de um tipo de relação ou de outro. A única preocupação do moralismo vigente à época era no que diz respeito ao parceiro de prazer, para que não houvesse “contaminação moral”. Trocando em miúdos, significava que um homem de classe superior não podia relacionar-se sexualmente com alguém de classe inferior. Além disso, o homem ficava também proibido de manter uma posição passiva durante o coito, o que era considerado um comportamento das pessoas de classe inferior.

Era vedada ao “notável” a prática da sexualidade oral com sua parceira, pois tal comportamento era visto como uma inversão de hierarquia, uma vez que o papel de passividade deveria caber à mulher, sendo ela inferior ao homem (ainda que fizesse parte da elite). Tratava-se, portanto, de um comportamento tão reprovável quanto o “contágio moral” com um indivíduo de classe inferior. As mulheres dos “notáveis” não exerciam nenhuma função pública junto a seus maridos, sendo por isso consideradas inferiores. Uma vez que não habitasse tal mundo, tão ambicionado pelos homens, também não motivavam interesse neles. Eram tidas como “enfeites” que eram livres para agirem como quisessem, desde que não se intrometessem no universo político masculino.

Todo homem “bem-nascido” movia céus e terra para mostrar-se digno de sua posição social. Buscava, a todo custo, manter sua boa imagem diante da sociedade a que pertencia, seguindo ao pé da letra seu código de moral, sobretudo às claras. Seus escrúpulos derivam apenas de sua sujeição aos ditames sociais. Nada mais, além disso.  O temor de tornar-se efeminado, o que o levaria a ser visto como passivo, ou de ser emocionalmente dependente de uma mulher, o que também demonstraria sua passividade, era-lhe inaceitável.

 O homem via-se como um ser superior. Imaginava que sua energia advinha de um reservatório de “calores” que era seu corpo. A mulher, por sua vez, possuía baixo nível de “calor” e, em consequência, seu comportamento era mais frágil, denotando fraqueza moral. Não era benéfico para um varão perder “calor”. Portanto, uma forte descarga sexual podia fazer mal a seu temperamento, levando-o a perder o vigor e a dedicação ardente à vida pública. Rezava-se que a masculinidade, quando sabiamente preservada através da “abstinência sexual”, podia ser notada até mesmo através da voz do sujeito. E, por basearem-se em tais códigos sexuais, os chamados “notáveis” submetiam suas famílias a um austero puritanismo masculino.

Como ficava a classe inferior em relação a tais códigos? Aos inferiores os “notáveis” apresentavam a outra face da moeda, permitindo-lhes um comportamento inteiramente diferente do deles. Para eles não havia código moral. Quanto mais fraca fosse a gentalha, mais acima ficavam os “bem-nascidos”. E, ao contrário de nossos dias, na vida pública romana havia uma grande indiferença pela nudez, que nada tinha a ver com a vergonha sexual conhecida posteriormente, em razão do cristianismo. A nudez estava em todos os lugares: nos banhos públicos, nos esportes (atletas), diante dos escravos, etc. A exibição vista nas mulheres do povo era tida como própria da classe inferior, contrapondo-se à superioridade da elite.

 Nota: Sexo no Imp. Romano

 Fonte de pesquisa
História da Vida Privada I / Edit. Companhia das Letras

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Giovanni Bellini – A APRESENTAÇÃO NO TEMPLO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição A Apresentação no Templo é uma obra do pintor italiano Giovanni Bellinni. O artista tomou como modelo, para fazer sua obra, a pintura de mesmo nome de seu cunhado Andrea Mantegna (gravura menor).

As duas composições são iguais tanto na estrutura quanto nas figuras representadas, sendo que o quadro de Mantegna apresenta seis personagens e o de Giovanni Bellini oito. A obra de Bellini também dispensa as auréolas vistas na de seu cunhado. Ele também trocou a moldura da pintura de Mantegna por um parapeito de mármore, o que traz uma maior sensação de intimidade com o observador. Ambos os artistas referem-se ao mesmo tema.

A Virgem Maria, bem jovem, encontra-se em primeiro plano, encostada numa borda de mármore, onde uma pequena almofada serve de apoio para os pés do Menino Jesus, enrolado em faixas brancas e com uma touca vermelha na cabeça. Ela o entrega ao sumo sacerdote Simeão, que traz os braços abertos, tocando a criança. Outras pessoas presentes à cerimônia foram representadas por:

  • Nicolesia, irmã de Giovanni Bellini, e seu marido Andrea Mantegna, ambos com o olhar voltado para a esquerda;
  • Jacopo Bellini, pai do pintor e sogro de Mantegna, encontra-se no meio, entre a Virgem e o sumo sacerdote, e representa São José, o esposo de Maria;
  • as outras duas figuras, uma à esquerda e outra à direita, presume-se que sejam o próprio pintor e sua mãe Anna.

Ficha técnica
Ano: c. 1462
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 80 x 105 cm
Localização: Fundação Querini Stampalia, Veneza, Itália

 Fonte de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.wga.hu/html/b/bellini/giovanni/1460-69/037prese.html

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Chagall – O POETA DEITADO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Finalmente sozinho no campo. Floresta, abetos, solidão. A lua atrás do bosque. O porco na pocilga, o cavalo do outro lado da janela, no campo. O céu lilás. (Chagall)

A composição O Poeta Deitado  é uma obra do pintor russo Marc Chagall, que evoca uma vida tranquila, ao lado de sua noiva Bela Rosenfeld, no campo, e é também uma maneira de fugir da estupidez da guerra.

O poeta está estirado, em primeiro plano, em quase toda a dimensão horizontal do quadro, na sua parte inferior. Tem-se a impressão de que, por pouco, ele não se resvala para fora da tela. Tem as mãos cruzadas sobre o peito e o olhar distante, o que traduz a sua postura sonhadora.

À direita do poeta, como se estivesse acima dele, desenrola-se uma paisagem bucólica, representativa de seu devaneio, como escreveu em seu livro de memórias “A Minha Vida”, aludindo à vida no campo.

Ficha técnica
Ano: 1915
Técnica: óleo sobre cartão
Dimensões: 77 x 77,5 cm
Localização: Galeria Tate, Londres, Grã-Bretanha

Fonte de pesquisa
Marc Chagall/ Taschen

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