Chagall – SÁBADO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Sábado é uma obra do pintor russo Marc Chagall que, tendo chegado recentemente a Paris, encantou-se com as cores vibrantes das pinturas alucinadas de Vincent van Gogh. Este quadro, de grande força expressiva, é uma evocação de sua infância, nos moldes da obra do pintor holandês, quer seja na composição quer na luminosidade presente na cena, num misto de realidade e fantasia.

Numa sala iluminada a família descansa numa noite de sábado, numa visível intimidade. Como era judeu, o sábado tinha um grande significado religioso para Chagall e sua família, como mostram as velas acesas sobre a mesa, com o intuito de saudar o último dia da semana.

A lembrança da intimidade da casa paterna foi motivo de vários temas do pintor, que não apenas evocava com seus pincéis sua infância e vida familiar, mas também o amor, a sinagoga, a paisagem aldeã, as cenas rurais, etc.

Ficha técnica
Ano: 1910
Técnica: óleo em tela
Dimensões: 90 x 95 cm
Localização: Wallraf-Richartz Museum, Colônia, Alemanha

Fonte de pesquisa
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural

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Chagall – O SOLDADO BEBE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Chagall é um colorista com muito talento, dedica-se a tudo aquilo a que sua imaginação mística e pagã inspira. A sua arte é muito sensitiva. (Guillaume Apollinaire)

A composição O Soldado Bebe  é uma obra do pintor russo Marc Chagall, que deixa patente a grande capacidade do artista, tido como um exímio colorista.

Um soldado de uniforme verde encontra-se sentado diante de uma mesa azul, mas com o rosto voltado para o observador. Diante dele se encontra um samovar (espécie de caldeira portátil, de uso na Rússia, na qual se põem brasas a fim de ferver e manter quente a água para usos domésticos, especialmente para a feitura do chá.).

O solitário soldado coloca o dedo indicador da mão esquerda abaixo da torneira, enquanto suspende seu boné com a direita, em continência. Sobre a mesa surge sua imagem dançando com uma jovem. É uma dança regional de seu país. Trata-se de um encontro entre o passado e o presente, dando vida ao “agora”.

Ficha técnica
Ano: 1911-12
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 109 x 94,5 cm
Localização: Solomon R. Guggenheim, Nova Iorque, USA

Fontes de pesquisa
Marc Chagall/ Taschen
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural

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Giovanni Bellini – A MADONA DO PRADO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada A Madona do Prado, também conhecida como Nossa Senhora do Prado,  é uma obra do pintor italiano Giovanni Bellini. O artista deixou trabalhos apaixonantes relativos a Cristo e à Madona que, em sua arte são, sobretudo, humanos.

A Virgem Mãe, envolta na beleza de seu manto azul, encontra-se sentada num verde relvado, trazendo no colo o seu Menino. Suas pernas estão bem distanciadas, de modo a formar uma cavidade, onde se encaixa a criança, sem perigo de que caia. Ela traz as mãos em postura de oração, enquanto o Menino encontra-se nu, solto em seu colo, dormindo com a mãozinha direita no peito e o braço esquerdo estendido ao longo do corpo. O rosto da Virgem está voltado para o pequeno Jesus, embora seus olhos pareçam fechados, em prece.

A Madona e seu Menino, em primeiro plano, tomam na pintura a forma piramidal. Ao fundo desenrola-se uma paisagem, onde são vistos animais e duas figuras humanas, assim como um castelo, árvores e montanhas. O céu azulado tem blocos de nuvens brancas. A luz da manhã cobre parte da paisagem. À esquerda, mais ao fundo, vê-se uma grande ave branca  brigando com uma cobra. Pode estar simbolizando a luta entre o bem e o mal. E o abutre, que se encontra na árvore, também à esquerda, pode ter, como simbologia, a morte de Jesus Cristo.

Com esta pintura, Giovanni Bellini antecipa a “Pietá”, em que a Madona traz Jesus morto em seu colo. Infelizmente esta tela encontra-se danificada em alguns pontos.

Ficha técnica
Ano: c. 1505
Técnica: óleo e têmpera no painel
Dimensões: 62 x 45 cm
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
Giovanni Bellini/ Abril Cultural
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Könemannhttps://www.nationalgallery.org.uk/paintings/giovanni-bellini-madonna-of-the-meadow

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PESSOAS E DEUSES NO IMP. ROMANO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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As pessoas tinham para com os deuses idêntico tratamento dedicado aos poderosos. Era o mesmo modelo das relações políticas e sociais. Não aceitavam a obediência cega aos seres considerados divinos, mesmo sendo eles tidos como superiores, pois uma relação servil, cheia de temor, mostrava uma imagem negativa do devotado e também das divindades. Entendim que devotamento não se traduzia em escravidão. O temor aos deuses era tido como “superstição”. As pessoas saudavam-nos com a mão, sempre que passavam diante de suas imagens. Sempre os recordavam, avivando-lhes o amor-próprio, de que eram divinos e poderosos, portanto, obrigados a atendê-las em seus pedidos. Visitavam os templos, principalmente os dos deuses vizinhos, saudando-os todas as manhãs.

Os pagãos viam seus deuses como seres bondosos, justos, caridosos e sempre prestes a acudir os mortais. A maioria deles acreditava que a divindade preferia uma oferta humilde, como um bolo, de alguém de bom coração, do que receber as ricas oferendas advindas de indivíduos perversos. Havia também aqueles que tentavam negociar com tais seres, oferecendo-lhes sacrifícios em troca da obtenção de riquezas, ou seja, julgavam-nos de acordo com o próprio caráter. Isso é algo ainda muito comum aos dias de hoje, apesar de tantos séculos de distância, tanto nas religiões politeístas quanto nas monoteístas. Fizeram da fé um balcão de negócios.

Os devotos tinham muita consideração por seus deuses, procurando ficar sempre em relação direta com aqueles que tomavam por protetores. Faziam-lhes promessas, participavam de peregrinações e traziam-nos até mesmo em seus sonhos. Era importante para eles demonstrar o quão fieis eram na confiança devotada. Invocavam-nos nos mais diferentes momentos: parto, doença, negócios, guerras, viagem, etc. Tinham a formulação de um voto e a oferenda, por mais simples que fossem, na mesma igualdade da prece. Para Lúcio Apuleio, escritor e filósofo romano, um ímpio era aquele que nunca:

  • fez um pedido solene a nenhum dos deuses ou frequentou um templo;
  • levantou a mãos aos lábios em sinal de adoração, diante de uma capela;
  • ofertou aos deuses de seus domínios: alimentos de suas colheitas e crias de seus rebanhos;
  • dedicou aos deuses uma capela, um canto ou bosque sagrado, em sua casa de campo.

Nunca houve nenhum ateísmo popular na Roma daquela época. Porém, os romanos cultos, como Cícero, Virgílio e Horácio, por exemplo, não criam em nada. Ainda assim, eles sabiam que a religião tinha um ponto de verdade ao apresentar-se como fábulas, em que se inseriam a Providência e o Bem.

Nota: deuses romanos, imagem copiada de http://www.estudopratico.com.br/mitologia-romana

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Chagall – O CAMPO DE MARTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição O Campo de Marte  é uma obra-prima do pintor russo Marc Chagall, em que ele apresenta delicados motivos florais.Tudo neste quadro é maravilhoso e envolvente. O pintor faz uso das cores com maestria, levando em conta todos os seus valores. Os tons, em suas variadas graduações, são modelados minuciosamente.

Duas cabeças, a de um homem e a de uma mulher, pairam acima de uma cidade. Não encontrei explicações para a simbologia do quadro. O homem, com seu gesto, parece evocar a figura de Cristo, enquanto a mulher pode simbolizar a Virgem Maria, pois uma enorme auréola cinge a cabeça das duas figuras.

Predomina na pintura a cor azul, em inúmeras tonalidades. A cor branca na cabeça da mulher e o verde do rosto do homem hipnotizam os olhos do observador, assim como a esfera vermelha, que lembra o sol ou o planeta Marte. Atrás das duas cabeças vê-se o desenho de uma sinagoga, se levarmos em consideração o credo do pintor. Além das flores, um pássaro ocupa o canto inferior direito da pintura.

Ficha técnica
Ano: 1954-55
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 149,5 x 105 cm
Localização: Museum Folkwang, Essen, Alemanha

Fonte de pesquisa
Marc Chagall/ Taschen

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Giovanni Bellini – A AGONIA NO HORTO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição A Agonia no Horto, também conhecida por Oração no Horto, é uma obra do pintor italiano Giovanni Bellini. Trata-se de uma pintura muito parecida com a de seu cunhado Andrea Mantegna, que traz, inclusive, o mesmo título. As duas obras encontram-se lado a lado na Galeria Nacional de Londres. É sabido que Mantegna, seu cunhado, exerceu grande influência sobre Bellini,  foi, inclusive, seu professor.

Cristo encontra-se ajoelhado no Jardim do Getsêmani, em oração, em meio a uma ampla paisagem. Ele se encontra de costas para o observador. Num plano inferior ao dele, às suas costas, estão três de seus discípulos: Pedro, Tiago e João, que dormem profundamente. Num plano superior ao do Mestre, sobre uma nuvem, um anjo traz um cálice e uma pátena, símbolos de seu sacrifício que se aproxima. O Mestre observa o anjo que prenuncia seu sofrimento.  Ao contrário dos três apóstolos dorminhocos, Cristo não traz uma auréola em sua cabeça, como prova de sua divindade. O artista quis mostrá-lo como homem, que teme o sofrimento e a morte e a eles será entregue.

Numa cena à esquerda, Judas Iscariotes, o discípulo traidor, chega com os soldados para prender Jesus. Uma árvore morta, à esquerda da composição, pode ser indicativa da morte de Cristo. Ao fundo encontra-se a cidade de Jerusalém. O modo como o artista iluminou a cena, representando o amanhecer, faz com que tudo ali pareça quase sobrenatural. E esta luz pode simbolizar a esperança de salvação.

É provável que as duas pinturas, a Giovanni Bellini e a de Mantegna,  derivem de um desenho feito por Jacopo Bellini, pai do primeiro e sogro do segundo.

Ficha técnica
Ano: 1458-59
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 81,3  x 127 cm
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Giovanni Bellini/ Abril Cultural
https://www.nationalgallery.org.uk/paintings/giovanni-bellini-the-agony-in-the-garden

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