Historiando Chico Buarque – BASTA UM DIA

Autoria de Lu Dias Carvalho batidi

É só o que eu pedia, viu/ Um dia pra aplacar/ Minha agonia/ Toda a sangria/ Todo o veneno/ De um pequeno dia. (Chico Buarque)

 Eu queria ver meu país no rol das nações de primeiro mundo, mas…

Eu sei que isso é infecundo, ilusão de minha mente em desatino. Ainda assim, não quero pensar pequeno: “Pra mim/ Basta um dia/ Não mais que um dia/ Um meio dia/ Me dá/ Só um dia/ E eu faço desatar/ A minha fantasia”. E juro que não mais cogito sobre isso!

 Eu sei que tal desejo é alucinação de minha mente extravagante, “Pois se jura, se esconjura/ Se ama e se tortura/ Se tritura, se atura e se cura/ A dor/ Na orgia/ Da luz do dia”, na câmara alta e no senado, na justiça e no executivo, que, ativo comanda a baixaria.

 Eu sei que o meu delírio não tem probabilidade de efetivação. Mesmo assim, não vou abrir mão do meu desejo: “É só/ O que eu pedia/ Um dia pra aplacar/ Minha agonia/ Toda a sangria/ Todo o veneno/ De um pequeno dia/ Só um/ Santo dia”.

 Eu sei que que minha ânsia será vã, uma vez que até parece coisa feita, o que acontece com a chefia “Pois se beija, se maltrata/ Se come e se mata/ Se arremata, se acata e se trata/ A dor/ Na orgia/ Da luz do dia”, enquanto esfola o povo e o país, na mais despudorada sangria.

 Obs.: Ouçam a música – BASTA UM DIA

 Nota: imagem copiada de www.semeandovida.org

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Heitor dos Prazeres – PORTA-BANDEIRA E MESTRE-SALA

Autoria de Lu Dias Carvalho

HEIPORBAN

A composição Porta-bandeira e Mestre-sala é uma obra do compositor, cantor e pintor brasileiro Heitor dos Prazeres. O artista optou pela arte naïf, também conhecida como arte primitiva ou ingênua. Ele gostava muito de retratar pessoas dançando. Muitos de seus trabalhos são muito parecidos,  possuindo apenas ligereiras variações.

O quadro apresenta um casal de porta-bandeira e mestre-sala ensaiando para o desfile. As roupas comuns, usadas pelo par, mostram que ainda não se encontra caracterizado para a folia. Eles se encontram numa rua aparentemente calma, onde são vistas duas casas em segundo plano, atrás de um muro, e também plantas com suas folhas verdes. Um poste com uma lâmpada acesa, à direita do casal, notifica que é noite.

A bandeira azul, contornada de branco está desfraldada. Um desenho muito simples retrata uma águia com as asas abertas e acima a palavra “Portela”. O casal de porta-bandeira e mestre-sala fita a bandeira com grande orgulho.

Ficha técnica
Ano: 1960
Dimensões: 41 x 33 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: coleção Otto Grunewalt Ferveira

Fonte de pesquisa
Heitor dos Prazeres/ Coleção Folha

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Historiando Julinho de Adelaide – MILAGRE BRASILEIRO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Cadê o meu?/ Cadê o meu, ó meu? (Julinho de Adelaide)

O rei assumiu o trono e, juntamente com a sua corte, prometeu uma dinheirama pra todo mundo: pros seus, pros meus, pros nossos e pros estrangeiros. Mas eu ainda não vi nada no meu bolso. Estou sendo esfolado vivo com o preço do almoço e tudo mais, por isso grito pelo meu naco: “Cadê o meu?/ Cadê o meu, ó meu?”.

Você, meu chapa, prometeu tem que cumprir, e não adianta ficar apoquentado com a pressa do povo brasileiro. “Dizem que você se defendeu”, pediu paciência explicando que não era tão apressado o tal “(É o) milagre brasileiro”. Mas que encheu os bolsos dos seus, isso lá encheu. Mas “Cadê o meu?/ Cadê o meu, ó meu?”.

Que vida mais desgraçada é a minha “Quanto mais trabalho/ Menos vejo dinheiro”. Você pede calma e diz que pra frente “É o verdadeiro boom”. Só que sua gente e “Tu tá no bem bom/ Mas eu vivo sem nenhum”. Usurpam todo o bagarote, destinado à gente brasileira. Escondem até nos paraísos fiscais, e dizem que a grana é normal, etc. e tal, ou, que por lá nunca tiveram nenhum. Mas “Cadê o meu?/ Cadê o meu, ó meu?”.

Não pense que sou apressado, que não dou tempo ao rei e sua corte pra preparar o traçado. Tampouco “Eu não falo por despeito”, mas é que sou gato escaldado. “Mas, também, se eu fosse eu/ Quebrava o teu/ Cobrava o meu/ Direito”,  astuto monarca. E falando nisto “Cadê o meu?/ Cadê o meu, ó meu?”.

Obs.: Ouça a música  – MILAGRE BRASILEIRO

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Historiando Chico Buarque – CONSTRUÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Amou daquela vez como se fosse a última/ Beijou sua mulher como se fosse a última/ E a cada filho seu como se fosse o único.” (Chico Buarque)

Os arranha-céus pipocando por todos os lados eram a marca mais visível do poderio do capitalismo. O dia ainda nem nascera e filas de operários sonolentos já aguardavam nos pontos escuros da distante periferia a condução para o trabalho. Eram milhares de Joãos, Joaquins, Manés e Josés, sendo impossível nominá-los. Todos eles frutos da mesma sina, irmãos do mesmíssimo amargor. A cada dia subiam mais alto na vida, engatados nos possantes andaimes a cruzar os ares. Embaixo, o vão da morte a rondá-los diariamente.

O operário acordou com um pressentimento ruim. Antes de levantar-se do catre, sentiu um imenso desejo de fazer amor com sua mulher. E “Amou daquela vez como se fosse a última”. Levantou-se apressado, com medo perder a hora, e “Beijou sua mulher como se fosse a última/ E a cada filho seu como se fosse o únic”. No outro lado da rua, alguns colegas de igual sorte já o esperavam: “E atravessou a rua com seu passo tímido”.

Chegou ao ainda esquelético arranha-céu, já cansado pelo esgotante trajeto e obsoleta condução. E sem perda de tempo “Subiu a construção como se fosse máquina/ Ergueu no patamar quatro paredes sólidas/ Tijolo com tijolo num desenho mágico”. Poucos repararam nos “Seus olhos embotados de cimento e lágrima”. Que vida danada de cruenta, meu Deus!

Uma sirene avisou ao operário que era hora do rango e ele “Sentou pra descansar como se fosse sábado/ Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe/ Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago”. Da altura em que se encontrava acreditou que poderia até tocar na mão de Deus. Por isso, “Dançou e gargalhou como se ouvisse música”. Mas desequilibrou-se “E tropeçou no céu como se fosse um bêbado/ E flutuou no ar como se fosse um pássaro/ E se acabou no chão feito um pacote flácido”.

Sem socorro, o operário “Agonizou no meio do passeio público.”, enquanto os condutores de luxuosos automóveis reclamavam que aquele traste “Morreu na contramão atrapalhando o tráfego”. Somente os companheiros apiedaram-se do irmão, cujos restos boiavam em meio a uma poça de sangue escuro. Rodearam-no. Mas o patrão obrigou-os a voltar ao trabalho, sob ameaça de demissão por justa causa. Manda quem pode e obedece quem precisa! É a vida!

Ainda bem que o operário “Amou daquela vez como se fosse o último/ Beijou sua mulher como se fosse a única/ E cada filho seu como se fosse o pródigo”. Não é difícil, portanto, entender porque “(E) atravessou a rua com seu passo bêbado” Seus colegas contam que ele “Subiu a construção como se fosse sólido/ Ergueu no patamar quatro paredes mágicas/ Tijolo com tijolo num desenho lógico”, e muitos viram seus “Seus olhos embotados de cimento e tráfego”. E que depois, ele se “Sentou pra descansar como se fosse um príncipe/ Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo/ Bebeu e soluçou como se fosse máquina/ Dançou e gargalhou como se fosse o próximo”.

Um dos Manés ou Josés observou quando “Ele tropeçou no céu como se ouvisse música/ E flutuou no ar como se fosse sábado/ E se acabou no chão feito um pacote tímido”. Mas também os Joãos e Joaquins viram quando ele “Agonizou no meio do passeio náufrago” E “Morreu na contramão atrapalhando o público”.

Durante dias não houve uma só construção em que não se comentasse que o operário “Amou daquela vez como se fosse máquina/ Beijou sua mulher como se fosse lógico/ Ergueu no patamar quatro paredes flácidas/ Sentou pra descansar como se fosse um pássaro/ E flutuou no ar como se fosse um príncipe/ E se acabou no chão feito um pacote bêbado/ Morreu na contramão atrapalhando o sábado”. Até que uma nova  desgraça aconteceu e essa foi esquecida. E depois mais outra, e outra, e outra…

Obs.: Ouça a música  CONSTRUÇÃO

Nota: imagem recebida via e-mail

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Heitor dos Prazeres – FREVO

Autoria de Lu Dias Carvalho

HEIFREVO

A composição Frevo é uma obra do compositor, cantor e pintor brasileiro Heitor dos Prazeres. O artista optou pela arte naïf, também conhecida como arte primitiva ou ingênua. Ele gostava muito de retratar pessoas dançando. Muitos de seus quadros são bastante parecidos,  possuindo apenas ligereiras variações.

O artista tanto era ligado ao samba quanto ao frevo, temáticas que podem ser observadas em grande parte de sua obra. Ao contrário de suas outras telas, em que destaca tais danças, aqui ele elimina a presença de instrumentos musicais, provavelmente para dar mais ênfase aos passistas que se exibem na rua.

Cinco personagens compoem o quadro, sendo dois homens e três mulheres. Dessa vez são as garotoas que usam vestidos listrados, enquanto eles vestem camisas lisas. Todos os passisitas portam sombrinhas, que têm a função de ajudar no equilíbrio, excetuando o de calça morrom-claro e camisa aul, o único também a olhar para a direita. Os demais dirigem a cabeça para a esquerda. As sombrinhas e os sapatos das mulheres combinam com seus vestido. Os homens usam calças compridas, meias brancas e sapatos pretos ornamentados de branco.

As poses das garotas são similares: mão direita na cintura e esquerda segurando a sombrinha, pé esquerdo na frente e direito atrás, e o rosto voltado para cima. O homem à esquerda tem as pernas bem abertas, num passo de difícil equilíbrio.  O da lateral esquerda, com suas calças escuras, quase toca o chão com as nádegas. As sombrinha estão direcionadas para trás, como se houvesse um vento a empurrá-las.

Atrás do grupo está um muro de arrimo. O chão é feito de quadrados de cor cinza, contornados por preto. E o fundo neutro da tela destaca ainda mais o colorido dos passistas e suas sombrinhas.

Ficha técnica
Ano: sem data
Dimensões: 36,5 x 45 cm
Técnica: óleo sobre tela colaca em eucatex
Localização: Acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Brasil.

Fonte de pesquisa
Heitor dos Prazeres/ Coleção Folha

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COMO EVITAR A INSÔNIA

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Você já teve insônia? Já ficou “fritando” na cama a noite toda, rolando de um lado para o outro? Terrível, não é? Pois bem! O texto de hoje destina-se a falar um pouco sobre o tema e especialmente sobre o que fazer para ter uma boa noite de sono.

Pessoas com insônia têm dificuldade de iniciar ou manter o sono ou ainda têm a percepção de um sono não reparador, com prejuízo na atividade social e/ou profissional. Em outras palavras, quem não dorme bem vai arrastar corrente o dia inteiro. O problema é tão sério e atinge um número tão grande de pessoas que deve ser visto como um problema de saúde pública.

O tempo necessário para um sono reparador varia de pessoa a pessoa. A maioria, porém, precisa dormir de sete a oito horas para acordar bem disposta. Pesquisas recentes sugerem que aqueles que consideram suficientes quatro ou cinco horas de sono por noite, na realidade, necessitariam dormir mais. Localizar as causas da insônia pode ser facilitado pela poli sonografia, um exame que monitora a pessoa enquanto dorme.

A insônia pode ter causas orgânicas e/ou psíquicas. Pesquisas apontam para uma produção inadequada de serotonina pelo organismo e o estresse provocado pelo desgaste do dia a dia. A insônia crônica pode resultar em vários problemas como distúrbios da memória e concentração, ansiedade, depressão, irritabilidade, sentimento de insatisfação constante, baixo rendimento profissional, prejuízo do convívio social e aumento do risco de acidentes no trabalho. Daí a importância do tratamento.

Em tempos em que várias pessoas já estão dependentes do Rivotril e outras medicações de “tarja preta”, tenho a informar que podemos, com pequenas alterações nos hábitos, melhorar nosso sono. Primeiramente, limite o consumo de cafeína presente no café, chás, refrigerantes do tipo colas, chocolates etc. De igual forma é importante observar que alguns medicamentos podem prejudicar o sono, como os descongestionantes nasais (dê uma olhada nos efeitos colaterais das medicações que você usa).

A prática de exercícios físicos estimula a produção de serotonina e reduz os quadros de estresse. Entretanto, não o faça próximo de dormir, pois pode ter efeito estimulante. Estabeleça uma rotina para seu horário de dormir e de despertar. O relógio biológico agradece. Procure relaxar antes de ir para cama. Tome um banho morno perto do horário de dormir. Isso relaxa a musculatura do corpo. Tome um copo de leite morno. O leite contém o aminoácido triptofano, substância precursora da serotonina. Vá de chás que ajudam no relaxamento, como camomila, erva-doce, erva-cidreira etc. Certifique-se de que não há claridade no quarto e de que a temperatura esteja agradável. Mesmo uma pequena claridade pode atrapalhar o sono de algumas pessoas. Valide o seu colchão, pois os muito macios ou muito duros estão contraindicados. Ouça música ou leia um pouco. Lembre-se de que, depois de uma boa noite de sono, as soluções para os problemas podem fluir melhor. Todas estas dicas fazem parte da “higiene do sono”. Se nada resolver, procure ajuda médica.

Nota: ilustração copiada de cadeiranteemprimeirasviagens.wordpress.com

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