Carducho – MORTE DE SÃO FRANCISCO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Barolomeo Carducci (1560–1619) era mais conhecido como Carducho. Estudou escultura e arquitetura com Bartolomeo Ammanati e pintura com Federico Zuccaro, com quem começou a trabalhar aos 18 anos de idade. Foi com seu mestre para a Espanha, onde foi nomeado pintor real por Filipe II, sendo muito importante na criação de um novo estilo de pintura religiosa na corte espanhola, ao usar seus conhecimentos de pintor e mercador de quadros.

A composição intitulada Morte de São Francisco é uma das maravilhosas obras do artista. Foi criada segundo os modelos de seus conterrâneos florentinos. Apresenta uma narrativa tocante e humanizada. A pintura praticamente simétrica apresenta figuras muito bem desenhadas, com traços físicos individualizados, cujos gestos e expressões exprimem um grande pesar interiorizado. Os franciscanos presentes no leito de morte de São Francisco mostram uma rude e ao mesmo tempo doce humanidade, dotando o quadro religioso de novo realismo – bem ao gosto espanhol.

O artista faz uso de uma forte iluminação que amplia e intensifica as figuras presentes na cena, além de incidir obliquamente sobre os objetos ali presentes, dando-lhes uma textura específica. Podem ser vistos na cena: o urinol de barro do santo, suas velhas sandálias, a tigela para tomar sopa, a caveira humana, o rosário e uma ampulheta com a areia – simbolizando o esvair-se da vida. Dois frades amparam seu corpo, enquanto um terceiro coloca em suas mãos um imenso lume. Outros frades apresentam-se ao fundo.

Ficha técnica
Ano: 1593
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 115 x 153 cm
Localização: Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.wga.hu/html_m/c/carducho/bartolom/death_sf.html

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OS BICHOS NA FALA DAS GENTES

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Autoria de Lu Dias Carvalho

bich

Sirvo-me dos animais para instruir os homens. (La Fontaine)

Os animais sempre serviram como fonte de aprendizagem para a humanidade, a começar pela presença desses nas fábulas de Esopo, Fedro, La Fontaine e Monteiro Lobato, entre. A natureza foi sempre um imenso laboratório para o conhecimento humano. E quanto mais observador for o indivíduo, mais aprenderá com os ensinamentos que ela lhe repassa inteiramente de graça. São inúmeras e preciosas as lições que ali se encontram à nossa disposição. Segundo o pesquisador Pe. Paschoal Rangel, “A vida dos animais são metáforas de nossa vida.”.

Eis alguns provérbios sobre animais:

  1. Filho de peixe, peixinho é.
  2. Boi sonso a marrada é certa.
  3. Cada macaco no seu galho
  4. Cão que ladra não morde.
  5. De noite todo gato é pardo.
  6. Desse mato não sai coelho.
  7. Ovo de cobra não gora.
  8. Uma cobra engole a outra.
  9. Um gambá cheira o outro.
  10. Tudo que vem na rede é peixe.
  11. Para quem é, bacalhau basta.
  12. Passarinho na muda não canta.
  13. Bode velho gosta de capim novo.
  14. Uma andorinha só não faz verão.
  15. Abelha que muito voa não faz mel.
  16. Quem não tem cão, caça como gato.
  17. Os cães ladram e a caravana passa.
  18. A cavalo dado não se olha os dentes.
  19. Camarão que fica parado a onda leva.
  20. Cobra que não anda, não engole sapo.
  21. Enquanto o gato dorme, o rato passeia.
  22. Galinha ciscadeira acaba achando cobra.
  23. Quem nasceu para tatu, morre cavando.
  24. Uma ovelha má põe o rebanho a perder.
  25. Caititu fora da manada é comida de onça.
  26. Todo galo valentão para a galinha é capão.
  27. Em terra de sapo mosquito não dá rasante.
  28. Xexéu e vira-bosta cada qual do outro gosta.
  29. Em terreiro de galinha barata não tem razão.
  30. Galinha que acompanha pato morre afogada.
  31. Macaco velho não mete a mão em cumbuca.
  32. Papagaio come milho e periquito leva a fama.
  33. Sapo não pula por boniteza, mas por precisão.
  34. Quando um burro fala, o outro baixa a orelha.
  35. Praga de urubu magro não mata cavalo gordo.
  36. Em casa de Gonçalo canta a galinha e cala o galo.
  37. Quem anda com perereca tem que aprender a pular.
  38. Antes burro que me leve, que cavalo que me derrube.
  39. Urubu quando está de azar, o de baixo suja no de cima.
  40. Deus te dê ao que deu ao bode: catinga, barba e bigode.
  41. Se tamanho fosse documento, elefante era dono de circo.

Fonte de pesquisa:
Provérbios e ditos populares/ Pe. Paschoal Rangel

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Kempeneer – A PURIFICAÇÃO DA VIRGEM NO TEMPLO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Completado o tempo da purificação da Mãe, segundo a Lei de Moisés, é preciso ir com o Menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor (Lc 2, 22).

 O pintor flamengo Pieter Kempeneer (1503-1586) que viveu no período do Renascimento, era conhecido na Espanha, onde trabalhou, como Pedro de Campaña. Foi possivelmente aluno de Jan van Hemessen na Antuérpia. O artista trabalhou em muitas encomendas modestas até ser considerado um excelente pintor. A criação da obra intitulada “A Descida da Cruz”, obra central de um retábulo encomendado para a capela fúnebre de certo magistrado, fez grande sucesso, alavancando seu prestígio. Alguns afirmam que ele viveu durante muitos anos na Itália, mas outros contestam, pois não existem registros que comprovem sua passagem por aquele país.

A composição intitulada A Purificação da Virgem no Templo é uma obra-prima do artista e uma das mais importantes pinturas renascentista criadas na Espanha. Trata-se da peça central do retábulo da Purificação – composto por dez painéis – que orna a capela fúnebre de Diego Caballero, na catedral de Sevilha, na Espanha. O artista tomou como influência uma gravura de Dürer.

A cena acontece na escadaria de um templo, entre colunas, iluminada por sete velas (os Sete Dons do Espírito Santo) ao fundo. Várias personificações das virtudes da Virgem Maria rodeiam a cena central. Dentre elas estão a Caridade, a Justiça, a Fortaleza, a Fé e a Esperança. A Caridade – com os dois seios de fora, sobre os quais encontram-se dois bebês – é vista ajudando um paralítico sentado no canto direito da tela, estendendo a mão para a criança que lhe oferece algo. Ao lado do homem encontra-se um cãozinho com o olhar voltado para o observador. Esta obra passou por um delicado processo de restauração.

Ficha técnica
Ano: 1555
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: x
Localização: Catedral de Sevilha, Sevilha, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://www.museodelprado.es/en/learn/research/studies-and-restorations/resource

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Magritte – O JÓQUEI PERDIDO (1940)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

A mente ama o desconhecido. Ela adora imagens cujo significado é desconhecido. (René Magritte)

O desenhista, ilustrador e pintor belga René François Ghislain Magritte (1898–1967) era filho de Léopold Magritte – alfaiate e comerciante têxtil – e Régina. Ingressou ainda muito novo na Académie Royale des Beaux-Arts/Bruxelas (1916 a 1918), ali permanecendo apenas dois anos, pois achava as aulas improdutivas e pouco inspiradoras. Começou a pintar aos 12 anos de idade. Suas primeiras pinturas – datadas de cerca de 1915 – eram de estilo impressionista. Já as que criou durante os anos de 1918 a 1924 receberam influência do Futurismo e do Cubismo figurativo de Metzinger. Era um homem agnóstico, taciturno e aparentemente tímido que cultivava opiniões políticas de esquerda. 

A composição intitulada O Jóquei Perdido é uma obra do artista. Trata-se de sua primeira obra à qual permitiu receber o rótulo de “surrealista”, embora obras anteriores já mostrassem características do estilo que viria a torná-lo reconhecido. Magritte tinha a corrida de cavalo, com o cavaleiro perdido numa paisagem ilógica, como um de seus temas prediletos. Fez muitas pinturas com essa mesma temática, apenas mudando ligeiramente suas versões.

A pintura apresenta um jóquei montado em seu cavalo, perdido num mundo totalmente irreal em que o tronco das cinco árvores (em formato de bilboquê) é feito de pauta musical. Seus galhos despidos de folhas parecem os chifres de um veado-galheiro. Ele se encontra num palco coberto de madeira, tendo como piso um pano branco riscado com finas linhas geométricas, e enquadrado por cortinas escuras – cenário de teatro comum às primeiras criações do artista. Imaginam alguns que a presença de pautas musicais é uma homenagem ao pianista e compositor Mesens e a seu irmão Paul – músico que estudou com Mesens.  

A árvore bilboquê à direita, próxima à cortina, encontra-se numa posição surreal, pois ao mesmo tempo em que se mostra atrás da cortina, também se apresenta à sua frente.

Ficha técnica
Ano: 1926
Técnica: colagem
Dimensões: não encontradas
Localização: coleção privada

Fontes de pesquisa
Magritte/ Editora Taschen
https://www.renemagritte.org/the-lost-jockey.jsp

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OS DITOS POPULARES E O TEMPO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Se o tempo é o senhor da razão, como se diz popularmente, é bom saber que ele às vezes passa a perna na humanidade. Esquece-se tal sábio senhor que ninguém é Matusalém – personagem bíblico que dizem ter vivido 969 anos. Se dificilmente a grande maioria dos pobres humanos, não passam dos míseros 100 anos, como irá se lembrar de coisas do arco da velha? Para que o meu leitor não ache que estou a enfiar pum na linha, eu enxoto a cobra e mostro o rastro, mostrando-lhe mudanças que ocorreram com os ditos populares através dos anos:

1.“Batatinha, quando nasce, esparrama-se pelo chão…”.

Minha mãe declamava esses versinhos para mim, assim que comecei a dar os primeiros passos. Eu me levantava e abaixava, pegando as supostas batatinhas. E do mesmo jeito eu os ensinei a todas as criancinhas com quem brinquei (e continuo brincando). Mas que mundo atroz, não mais querem que a batatinha esparrame-se pelo chão, mas que apenas espalhe suas ramas. Um menininho me disse que dói a língua dizer: “Batatinha quando nasce, espalha as ramas pelo chão…”.

2.“Hoje é domingo, pé de cachimbo!”.

Confesso que desde menininha achei meio estranho esse tipo de árvore que dava cachimbo. Com o tempo, passei a imaginar que o pé do cachimbo fosse o tubo, aquela parte ligada ao fornilho, e através da qual se aspira o fumo. Meu avô sempre pedia aos netos para não pegarem na parte onde ficava o fumo, pois podiam queimar a mão, mas somente no pé do cachimbo.  Eis que, já adulta, descubro que o correto seria falar: “Hoje é domingo, pede cachimbo!”, ou seja, no dia de descanso as pessoas podiam fumar tranquilamente. Certamente não tinham conhecimento dos males nefastos causados.

  1. “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho carpinteiro!”

Maneco sempre foi o mais desassossegado dos meus priminhos. Minha pobre tia Dudu não tinha um minuto de sossego. O menino era levado à breca. A todo momento ela bradava a expressão acima. E eu, na minha santa ingenuidade, achava que se referia ao bicho parecido com o cupim, que assolava os incautos carpinteiros no trato com a madeira. Mas já nos primeiros anos de estudo da língua portuguesa disseram-me que o correto seria dizer: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro!”. Assim, não existe o tal bicho carpinteiro.

4. “Cor de burro quando foge”.

Dias desses ganhei uma blusa com uma cor para lá de estrambótica, mas, como a cavalo dado não se olha os dentes, vesti-a uma vez, para que o doador visse, e deixei-a a dormitar no fundo da gaveta. Ao ser indagada sobre a cor da dita, veio-me à boca a expressão acima. E é claro que ninguém teve a menor noção de qual seria a sua tonalidade, ficando o dito por não dito. Mas não é que agora acabaram com essa cor fantasmal! O correto é dizer: “Corro do burro, quando foge!”.

  1. “Quem tem boca vai a Roma!”.

Eis aqui um dito que dá ao buscador uma grande dose de estímulo, quando procura obter uma informação. É até mais seguro do que o GPS, pois a instrução obtida é através do olho no olho. Já fui impulsionada por esse dizer vezes sem conta e jamais me dei mal. Mas, se algum inconformado achar que tudo deve ser “ipsis litteris”, mesmo que nunca tenha botado os pés na capital italiana, e seja chegado a vaias, que diga: “Quem tem boca, vaia Roma!”.

  1. “Cuspido e escarrado”

Sempre achei nojenta essa comparação. Se o fato de lançar saliva, onde quer que seja, já demonstra falta de educação, imagine expelir catarro. Nunca me aprouve comparar duas pessoas usando tais palavras, que para mim não passavam de um dito chulo, um xingamento mesmo. Já fiquei até mesmo sem falar com uma comadre de minha mãe,  quando essa assim me comparou à minha querida prima Zazá. Nós não merecíamos tal afronta, pois éramos menininhas muito gentis. Mas vale a pena ser: “Esculpido em Carrara!” que tem tudo a ver com arte.

  1. “Quem não tem cão, caça com gato!”.

Em minha casa sempre houve, pelo menos, dois gatinhos. Meu pai nutria um grande amor pelos bichanos, amor esse que também herdei. Embora sempre reprovasse o fato de ele e seus amigos caçarem, tirando a vida dos animaizinhos indefensos, ficava mais furiosa ainda quando mencionava tal ditado (abomino caçadores).  A verdade é que o tal ditado significa, na verdade, “Quem não tem cão, caça como gato!”.

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Magritte – A CHAVE DE VIDRO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Acho que o melhor título para um quadro é um título poético. (René Magritte)

A mente ama o desconhecido. Ela adora imagens cujo significado é desconhecido. (René Magritte)

O desenhista, ilustrador e pintor belga René François Ghislain Magritte (1898–1967) era filho de Léopold Magritte – alfaiate e comerciante têxtil – e Régina. Ingressou ainda muito novo na Académie Royale des Beaux-Arts/Bruxelas (1916 a 1918), ali permanecendo apenas dois anos, pois achava as aulas improdutivas e pouco inspiradoras. Começou a pintar aos 12 anos de idade. Suas primeiras pinturas – datadas de cerca de 1915 – eram de estilo impressionista. Já as que ele criou durante os anos de 1918 a 1924 receberam influência do Futurismo e do Cubismo figurativo de Metzinger. Era um homem agnóstico, taciturno e aparentemente tímido que cultivava opiniões políticas de esquerda. 

A composição intitulada A Chave de Vidro é uma obra do artista. Uma grande rocha de formato oval parece pairar imóvel no ar. Sua estranha posição leva o observador a repensar as propriedades das coisas ao seu redor. O artista achava que o pensamento poético era capaz de modificar a realidade cotidiana. Por essa razão, criou imagens monumentais, usando, muitas vezes objetos solitários, sem nenhum conteúdo simbólico.

A pedra aqui retratada – sugerindo que se encontra no cume de uma montanha – repassa uma sensação de leveza e equilíbrio, apesar de seu peso. O artista mais uma vez se distancia do conceito do objeto, dando-lhe outra realidade, ainda que se oponha à lei da física. O que lhe importava era divergir da realidade, ainda que isso só pudesse acontecer dentro da arte.

Ficha técnica
Ano: 1959
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 162 x 129,5
Localização: Menil Collection, Houston, Texas, EUA

Fontes de pesquisa
Magritte/ Editora Taschen
https://gerryco23.wordpress.com/2011/08/26/magritte-pleasure-or-not/

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