A ESPERTEZA QUANDO É GRANDE…

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Conta uma fábula que certa raposa chegou à conclusão de que algumas aves estavam sempre em busca de corpos sem vida para bicá-los, à procura dos insetos que neles pousavam. Espertalhona como sempre, achou que deveria tirar proveito de tal ladinagem. Não precisou matutar muito para saber o que fazer para levar vantagem. Quando a matreira sentia-se faminta, deitava de barriga para cima, abria a boca e ali ficava inerte, como se morta estivesse, pronta para abocanhar as ingênuas avezinhas.

De tanto persistir em seu comportamento interesseiro, a raposa nem mesmo se deu conta de que, uma vez com a pança cheia, acabava dormindo em tal posição, o que a deixava indefesa diante de seus predadores. As facilidades exageradas sempre apresentam um perigo, pois a capacidade de reflexão escafede-se.

De uma feita, a comilança da espertalhona raposa foi à beira do rio Amazonas, onde acabou toscanejando, pois o hábito de observar tudo em volta não mais lhe incutia cuidado algum. O receio há muito fora embora em razão da facilidade com que atingia seus objetivos. A velhaca estava cada vez mais senhora de si e de sua impunidade em relação ao meio em que vivia. E foi assim que a finória acabou esmagada sob o abraço efusivo de uma gigantesca jiboia, fazendo valer o ditado de que a esperteza quando é grande demais come o dono.

Neste nosso Brasil do salve-se quem puder, a esperteza tem sido uma finória raposa (que me perdoe o inocente animal) a transitar por todos os nossos  “podres poderes” federais, estaduais e municipais. É fato que tais  Vulpe vulpes em sua grande maioria continuam encasteladas em confortáveis poltronas, contabilizando o valor do saque feito à nação, enquanto o povo servil, subestimado e desdenhado paga a conta do butim, sem ter usufruído das benesses da vergonhosa, obscena e infame pilhagem. À gentaça resta apenas esperar que a “esperteza” coma REALMENTE os velhacos, astutos e finórios ladravazes da nação, pois somente assim haverá um país em que a decência seja a principal bandeira. Por enquanto, a lama está mais para porcos (peço desculpas aos inteligentes animais) do que para sucuri.

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Carracci – ADÔNIS DESCOBRINDO VÊNUS

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Annibale Carracci (1560–1609) era oriundo de uma família de artistas. Ele e seu irmão trabalharam inicialmente na oficina do primo Ludovico Carracci que se imagina tenha sido seu mestre. Ao viajar por Parma e Veneza, acabou se inspirando nas obras de Corregio, Ticiano, Rafael e Michelangelo. Aliado a isso, estudou intensamente a natureza e criou um estilo harmonioso, claro e direto. Sua criação reflete a arte da Antiguidade e do Alto Renascimento, livrando-se da influência do Maneirismo. Tornou-se um grande pintor de Roma, rivalizando-se com Caravaggio. É mais conhecido por seu trabalho no Farnese Gallery Ceiling, encomendado alguns anos depois deste trabalho, em que incorporou elementos de Vênus, Adônis e Cupido no teto, entre outros contos mitológicos.

A monumental composição intitulada Adônis Descobrindo Vênus e também Vênus, Adônis e Cupido ou simplesmente Adônis e Vênus, tema mitológico comum a muitos outros artistas, é uma obra do artista. Contudo, ao contrário de outros pintores que representam o momento em que Adônis despede-se de Vênus para ir caçar, Carracci mostra o primeiro encontro entre a deusa e o belo mortal numa pintura de aparência naturalista em que ele despreza os elementos dramáticos e narrativos, para focar-se nos emocionais, retratados no contato visual e gestos das duas figuras principais, de modo a aumentar a tensão emocional da cena.

Vênus, deusa da beleza e do amor, encontra-se brincando com seu filho Cupido, ambos com seus corpos torcidos, numa paisagem de floresta, quando se fere acidentalmente com a flecha que ele traz na mão, vista com a ponta cheia de sangue. Ela se encontra nua, sentada sobre um manto vermelho, com o corpo reclinado para trás, com o filho nos braços.

Ao feri-la, Cupido faz despertar o amor de Vênus pelo jovem e belo caçador que por ali
passava. Adônis fita a deusa com grande admiração e ela, já sob o efeito da seta da paixão, imediatamente cai de amores por ele. Sua cabeça volta-se fascinada para o musculoso Adônis com sua vestimenta de pele de animais, sandálias douradas e seu manto esvoaçante. Com a mão esquerda ele segura seu arco e com a direita remove um galho de árvore para enxergar melhor a deusa. Três cães acompanham o caçador, estando um deles parcialmente cortado.

O ferimento ocasionado pela flecha pode ser visto entre os seios da deusa. Cupido, por sua vez, olha meio zombeteiro para o observador, enquanto aponta o dedinho da mão
direita para sua mãe, como se mostrasse o que acabara de fazer. As figuras de Vênus, de Adônis e de Cupido, com seus cabelos dourados e cacheados, são bem elaboradas e possuem um elemento clássico. Dois pombinhos brancos, simbolizando o amor, estão presentes na tela.

A paisagem ao fundo, mostrando árvores, folhas, um riacho, rochas e o que parece ser ruínas, assim como a luz crepuscular, remete à obra de Ticiano. As pequenas aberturas mostradas na paisagem levam a visão para mais longe, trazendo a sensação de amplitude, de profundidade. O artista, para criar suas figuras, foi buscar inspiração na escultura greco-romana e na obra de Veronese, Corregio, Rafael e Michelangelo. Anibal Carraci recebeu inúmeras influências, mas sempre as reinterpretando à sua maneira.

Ficha técnica
Ano: c. 1590
Técnica: óleo sobre cobre
Dimensões: 217 x 245,5 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://en.wikipedia.org/wiki/Venus,_Adonis_and_Cupid

1000
obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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A ENCANTADORA DE SERPENTE (Aula nº 108 B)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Quando eu entro nas casas de vidro (jardins botânicos em Paris) e vejo as plantas estranhas de terras exóticas, parece-me que eu entro em um sonho. (Rousseau)

A composição A Encantadora de Serpente é uma obra-prima do pintor autodidata (naïf) francês Henri Rousseau, criada após ser descoberto pela vanguarda francesa. É tida como uma das mais famosas criações do artista. Foi encomendada pelo pintor Robert Delaunay, seu grande admirador, para sua mãe, Berthe Comtesse de Delaunay, uma influente mecenas que levou o pintor alemão e colecionador de arte Wilhelm Uhde, assim como Max Weber, a conhecer as obras de Rousseau. Tal publicidade contribuiu para que grandes nomes da arte adquirissem obras do artista francês. O mundo fantástico desta composição assimétrica, com cores brilhantes repassa a sensação de ser bidimensional. O pintor faz uso de inúmeros tons de verde e anuncia o Surrealismo — um novo estilo.

Uma personagem feminina curvilínea, vista contra a luz de uma lua cheia que desenha sua silhueta e intensifica o brilho de seus olhos, trazendo mais mistério à cena, posiciona-se de frente para o observador, numa selva exótica em meio a alguns animais, na mais perfeita harmonia. Seus olhos brilhantes intensificam o mistério do cenário. Ela se encontra nua, possui cabelos compridos, jogados para trás, que vão até a dobradura dos joelhos. Toca uma flauta de madeira. Em torno de seu pescoço, descendo pelo tronco, contornando os seios, está uma imensa cobra. Outro ofídio, enrolado num tronco de uma árvore, à direita, ergue seu corpo volumoso e paira sua cabeça acima da mulher. Um flamingo, próximo a duas cobras que dançam, também parece hipnotizado pela música que emana do instrumento musical.

A natureza exuberante — apesar de apresentar uma intensa harmonia com a encantadora de serpente — repassa uma atmosfera de tensão, sem qualquer vestígio de idílio. Três tufos de uma mesma planta em primeiro plano, à esquerda, parecem chamegar. Atrás da mulher está um rio e, mais adiante, ao fundo, a continuidade da mata. Uma lua esbranquiçada e redonda paira no céu claro, mas fosco, refletindo-se nas águas do rio que banha a selva. A lua é também responsável por permitir que o observador possa enxergar a cena, ainda que essa se mostre obscurecida pela noite.

O artista usou vários tons de verde com o objetivo de expressar profundidade e espaço na sua obra. A pintura é feita em camadas. Os padrões entrelaçados de folhas e flores também trazem profundidade, mesmo sem a presença de uma perspectiva linear tradicional. Ele pintou ondulações horizontais na água a fim de intensificar a sensação fantasiosa de imobilidade.

Os artistas acadêmicos Félix Auguste Clément e Jean-Léon Gérôme aconselharam Rousseau a permitir que sua única mestra fosse a natureza, tamanho era o encanto que sentiam por suas obras.

Ficha técnica
Ano: 1907
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 169 x 189,5 cm
Localização: Museu d’Orsay, Paris, França

Fontes de pesquisa
Rousseau/ Editora Taschen
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
http://www.rivagedeboheme.fr/pages/arts/oeuvres/rousseau-la-charmeuse-de-serpents-1907.html

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VÁ PROS QUINTOS DO INFERNO!

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Autoria de Lu Dias Carvalho

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É preciso estar com extremada raiva para mandar – normalmente aos berros – alguém partir para os quintos do inferno, lugar que ninguém sabe onde fica.  Quando se é brindado com um convite desse, o melhor é não perguntar pela passagem ou pelos gastos da viagem e ficar o mais longe possível do sujeito raivoso que fez a oferta, pois certamente se trata do atrevido comandante da viagem.

Como surgiu a expressão vá pros quintos do inferno, já que ninguém até agora conseguiu o roteiro da viagem? Voltemos ao tempo em que o Brasil era colonizado por Portugal, lá pelo século XVIII, quando o nosso ouro, principalmente, aguçava a cobiça dos portugueses da época, deixando sua Corte de olho grande no precioso metal. E ainda havia a cobrança de impostos: 20% (1/5 da produção) do ouro extraído, também conhecido como “Quinto”.

Todo o ouro retirado do solo brasileiro era encaminhado para as Casas de Fundição. Ali era derretido e transformado em barras, nas quais se colocava o selo da Coroa Portuguesa. Era quando se cobrava um imposto: o “quinto”, referindo-se à quinta parte de todo o ouro encontrado.

O ouro arrecadado em nossas terras era levado para Portugal através do mar. E como os portugueses consideravam o Brasil o “fim do mundo” – tamanha era a distância entre a colônia e a metrópole, resultando em meses e meses a fio de navegação –, assim que as naus portuguesas, levando as riquezas brasileiras, apontavam, os portugueses em terra comentavam festivamente:

– Lá vem a nau dos quintos do inferno!

Que inferno danado de bom era o nosso Brasil que enviava tamanha riqueza para além-mar! Mas outras fontes dizem que a expressão nasceu do ódio que o povo brasileiro sentia ao ter que pagar o malfadado “Quinto” e, por isso, apelidou-o de “O Quinto dos Infernos”. Os brasileiros suando, comendo o pão que o diabo amassou, revoltavam-se ao ver seu tesouro partindo para um lugar que nem conheciam.

Uma terceira versão é conhecida. É a de que a dona Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI, não morria de amores por nossa terra, cheia de pernilongos e silvícolas, além de morrer de raiva por viver distante da corte e de seus luxos. Por isso, a não tão bela referia-se ao Brasil como o “quinto dos infernos”.

Seja de uma forma ou de outra, o fato é que “o quinto dos infernos” não é um lugar nem um pouco apreciado desde aqueles tempos, não constando no roteiro de nenhuma companhia de turismo, embora esteja sempre em evidência na boca do povo. Se lhe oferecerem uma passagem de graça para tal lugar, o melhor mesmo é agradecer e pedir ao doador que faça tal viagem na companhia de sua família.

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A GUERRA (Aula nº 108 A)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Na Exposição dos Artistas Independentes, no ano de 1894, A Guerra, obra do Sr. Rousseau foi certamente a tela mais notável. Esta imagem representa uma tentativa corajosa de criar um símbolo. Por que a estranheza daria lugar à zombaria? Monsieur Rousseau encontrou o destino de todos os inovadores. Ele continua ao longo de seu próprio caminho e tem o mérito, raro hoje, de ser completamente ele mesmo, tendendo para uma nova arte. Seria desonesto sustentar que o homem, capaz de sugerir tais ideias para nós, não é um artista.  (Louis Roy)

A composição A Guerra é uma obra do pintor francês Henri Rousseau. Trata-se de um quadro de grandes proporções, no qual o artista expõe sua visão sobre a guerra, como deixa claro no subtítulo: “A guerra assustadora deixa um rastro de desespero, lágrimas e destruição.”. Esta obra foi exposta no Salão dos Independentes, no ano de 1894, granjeando sarcasmo em razão pela temática chocante, mas também entusiasmo, em razão da independência de estilo de seu criador.

No chão pedregoso e em meio a duas grandes árvores e a outras menores, algumas delas enegrecidas, como se estivessem carbonizadas, jazem inúmeros corpos deformados e outros moribundos. Ocupam as mais diferentes posições e possuem distintas tonalidades, amontoados uns sobre os outros. A árvore cinza, à direita, com o seu tronco aberto, parece ter tido um dos seus galhos destroçado por um raio apocalíptico. Ela se inclina para dentro da composição.

À esquerda escorre sangue de um coto de braço. A seu lado, sobre uma cabeça de cabeleira amarela, um corvo traz no bico um pedaço de carne vermelha que tanto pode ter sido retirada do coto quanto do corpo ensanguentado a seu lado. Na altura da cauda da ave vê-se um braço levantado, trazendo o punho cerrado. Ao fundo, à direita, a terra parece tragar um corpo, do qual ainda se pode ver duas pernas com botas. Quatro corvos famintos banqueteiam-se com os corpos, pois eles são os faxineiros da natureza.

A maioria das cabeças humanas está voltada para o centro da composição. Observando a pilha de corpos, seis rostos estão voltados para o observador. Um deles encontra-se, ocultamente, no triângulo formado pelas pernas do homem de calças escuras e torso nu em primeiro plano, na parte inferior, próximo ao centro da tela. O corpo quase translúcido de um homem, com densos bigodes e barba, está de barriga para cima, como se fitasse o céu. Uma gralha repousa sobre seu peito. Estranhamente um corpo à direita e em primeiro plano parece ter o rosto de perfil, embora nele não se encontrem traços fisionômicos. Um corvo nele repousa.

Acima da aniquilação paira uma figura humana, usando um vestido branco com franjas, montada em seu cavalo. Ela traz na mão direita uma espada, apontada para cima, e na esquerda segura uma tocha da qual parte um extenso canudo de fumaça. Seus cabelos são parecidos com a crina e o rabo do cavalo. Sua posição no animal é estranha, pois parece levitar ao lado dele, tendo as duas pernas à vista. Estaria ela tomando posse do território? Seria uma deusa romana da morte e da destruição ou um anjo vingador?

O cavalo é um ser bizarro, sem olhos, com a cabeça parecendo com a de uma cobra que se posta na tela horizontalmente, sem tocar o chão. Suas patas dianteiras e traseiras estão voltadas para fora, como se ele estivesse voando. Seus cascos cinzas com a base branca brilham. Sua crina e cauda eriçadas formam uma única linha com seu lombo. Em volta as árvores, com seus galhos nus, parecem formar uma trama diabólica. Densas nuvens cor-de-rosa num céu azul parecem sinalizar um incêndio.

Esta obra de Rousseau, na qual impera a violência e a morte, mais se parece com alucinações sobre o fim do mundo.

Ficha técnica
Ano: 1894
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 114 x 195 cm
Localização: Museu d’Orsay, Paris, França

Fontes de pesquisa
Rousseau/ Editora Taschen
http://www.theartstory.org/artist-rousseau-henri-artworks.htm
https://desperadophilosophy.net/tag/henri-rousseau-la-guerre/

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UM CONTRATO LEONINO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

leo

A nossa cultura é adepta da Lei de Gérson. Aqui as pessoas querem levar vantagem em tudo, o que significa, sem usar de rodeios, passar o outro para trás. Em se tratando de negócios, a verdade é que ninguém leva vantagem sem que essa seja retirada do balaio da outra parte. Deveria ser considerado um bom negócio, quando esse fosse satisfatório para ambas as partes, mas não quando apenas uma delas angariasse maiores ganhos. Mas não é assim que funciona o mundo capitalista.

O “contrato leonino” é ainda pior do que a Lei de Gérson, pois ludibria principalmente as camadas mais pobres e incultas, incapazes de ler nas entrelinhas ou de pagar por consultorias. Este tipo de contrato vem acontecendo muito nos dias de hoje, a começar pelas letras minúsculas, impossíveis de serem lidas, presentes nos contratos de empréstimos, adesão aos planos de saúde, TV a cabo, aluguéis e coisa e tal.

A expressão “contrato leonino” tem sua origem numa fábula de Esopo que depois foi recontada por Fedro, La Fontaine e outros, com algumas modificações, tendo como personagens a raposa, o leão, o chacal e o lobo (fábula presente no livro HISTORIANDO FÁBULAS de minha autoria).

Na fábula os quatro animais associam-se durante uma caçada. A presa que tal sociedade pegasse seria irmãmente dividida entre seus membros. Após matarem um inocente viadinho, puseram-se a fazer a partilha, tendo o leão no comando. E no parte e reparte, o rei da selva acabou ficando com o animal inteiro, enquanto os demais ficaram a ver navios?

Portanto, caro leitor, abra bem os olhos quando for fazer algum contrato, ou vender algo. Numa sociedade capitalista como a nossa, os leões andam cada vez mais vorazes, pouco lhes importando se a presa é frágil ou robusta, o importante é levar a melhor.

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