Autoria de Lu Dias Carvalho
Conta uma fábula que certa raposa chegou à conclusão de que algumas aves estavam sempre em busca de corpos sem vida para bicá-los, à procura dos insetos que neles pousavam. Espertalhona como sempre, achou que deveria tirar proveito de tal ladinagem. Não precisou matutar muito para saber o que fazer para levar vantagem. Quando a matreira sentia-se faminta, deitava de barriga para cima, abria a boca e ali ficava inerte, como se morta estivesse, pronta para abocanhar as ingênuas avezinhas.
De tanto persistir em seu comportamento interesseiro, a raposa nem mesmo se deu conta de que, uma vez com a pança cheia, acabava dormindo em tal posição, o que a deixava indefesa diante de seus predadores. As facilidades exageradas sempre apresentam um perigo, pois a capacidade de reflexão escafede-se.
De uma feita, a comilança da espertalhona raposa foi à beira do rio Amazonas, onde acabou toscanejando, pois o hábito de observar tudo em volta não mais lhe incutia cuidado algum. O receio há muito fora embora em razão da facilidade com que atingia seus objetivos. A velhaca estava cada vez mais senhora de si e de sua impunidade em relação ao meio em que vivia. E foi assim que a finória acabou esmagada sob o abraço efusivo de uma gigantesca jiboia, fazendo valer o ditado de que a esperteza quando é grande demais come o dono.
Neste nosso Brasil do salve-se quem puder, a esperteza tem sido uma finória raposa (que me perdoe o inocente animal) a transitar por todos os nossos “podres poderes” federais, estaduais e municipais. É fato que tais Vulpe vulpes em sua grande maioria continuam encasteladas em confortáveis poltronas, contabilizando o valor do saque feito à nação, enquanto o povo servil, subestimado e desdenhado paga a conta do butim, sem ter usufruído das benesses da vergonhosa, obscena e infame pilhagem. À gentaça resta apenas esperar que a “esperteza” coma REALMENTE os velhacos, astutos e finórios ladravazes da nação, pois somente assim haverá um país em que a decência seja a principal bandeira. Por enquanto, a lama está mais para porcos (peço desculpas aos inteligentes animais) do que para sucuri.
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