A LINGUAGEM HERMÉTICA DE SÃO JOÃO

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Autoria do Prof. Pierre Santos

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“Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá resistir?” (São João, Apocalipse, 2:28)

O livro de São João vem provocando confusões na humanidade, desde então e até hoje. Certamente, antes mesmo de ser mandado para o exílio, o santo já pensava em escrever as suas Revelações e já havia matutado um bocado a respeito das mesmas, quando sua prisão retardou o projeto. Por conseguinte, só depois de ‘instalado’ em sua gruta num dos montes de Patmos, pôde se entregar – e o fez encarniçadamente – à realização daquele plano, porquanto, envelhecido como já se encontrava, tinha necessidade de se apressar, pois temia que a vida não lhe desse tempo de concluir o planejado.

Dadas às conjunturas políticas da época, entendeu que devia recorrer a uma linguagem profundamente simbólica, afundada em intrincado hermetismo, que só iniciados poderiam compreender, pois antes de chegarem a um destino seguro, como foi para eles o arcano do Canon, poderiam os textos cair em mãos erradas, como as da polícia imperial, e todo seu esforço e até sua vida iriam por água abaixo, ou, melhor dizendo, por azeite fervilhante adentro (não foi assim que ele quase já a havia perdido?).

Acontece, porém, que o santo exagerou na dose, atravessou todas as barreiras da lógica e nadou de braçada no mar do mistério, tornando-se complexo até mesmo para os iniciados. Os dirigentes da Igreja, na época, certamente discutiram sobre o aspecto confuso e hermético do texto, mas optaram mesmo assim pela inclusão do Livro do Apocalipse no Canon, em face da encantadora carga poética nele contida, embasada na inabalável fé do autor, na esperança de que os pósteros viessem a compreender melhor aquele conteúdo.

São João, em toda a simbologia usada e o tempo todo só se referia a aspectos do Estado Romano. O escritor Dale Smelser, em seu texto intitulado Armagedom, assim explica e sintetiza os símbolos usados pelo apóstolo:

 “A Besta do Mar é a Roma Imperial; a Besta da Terra é a idolatria pagã praticada pelos romanos; e a Grande Meretriz representa a imoralidade e a devassidão de Roma”.

Por outro lado, a Batalha Final – aquela em que Satanás, figurado por um dragão de sete cabeças, pretende através de Roma destruir Cristo e seu reino – se daria no Har Meggido, já citado. Ora, a região de Meggido fica bem longe de Roma, lá no Oriente Médio, na parte extrema do território de Israel, exatamente na ponta sul da grande enseada onde acaba o Mediterrâneo, enquanto a Itália situa-se ali na ponta da Europa, portanto um bocado afastada de lá. Hoje temos embarcações tão velozes, que fazem o trajeto Itália – Israel em menos de um dia. Mas, naquele tempo, não. Levar um exército respeitável, de pelo menos quatrocentos ou quinhentos guerreiros, em quatro ou cinco galares com suas galés abarrotadas de remadores, alimentando o tempo todo esse pessoal, era uma aventura no mínimo absurda. Demoraria perto de um mês, se tudo corresse bem, saindo do porto ocidental de Roma, descendo o Mar Tirreno paralelamente ao cano da bota, para atravessar o Estreito de Messina a fim de encurtar caminho, navegando uma boa parte do Mar Jônico, atravessando o sul do Mar Adriático e chegando afinal no Mar Mediterrâneo, para singrar por sua parte mais extensa, até chegar a algum local, onde pudessem desembarcar, mais perto de Meggido. Ufa! Não. Os romanos não fariam isto.

Então, como se pode explicar a referência de São João àquela planície? É simples: usou-a como um mero símbolo e nada melhor do que ela para simbolizar o local da derrocada do soberbo Império Romano, já que a Planície de Meggido foi outrora palco de dezenas de batalhas e nenhuma outra região do planeta viu tanto sangue derramado nessas lutas, quanto aquela e, Roma, afinal, acabou sendo a Har Meggido, ou seja, o Armagedom citado pelo apóstolo.

Em 476, portanto quase quatro séculos depois da morte de João Evangelista, os hérulos (povo germânico originário da Escandinávia, que já havia aparecido na história algumas vezes), comandados por Odoacro, após submeterem, em sua descida pela península desde o norte, várias regiões italianas, saquearam Roma, destruindo impiedosa e barbaramente o que encontravam pela frente e matando todos quantos lhes atravessavam o caminho.  Invadiram o palácio de Rômulo Augusto – o último soberano do Império Romano do Ocidente – que foi feito prisioneiro, pondo fim àquele Império, antes tão extenso.

Afinal, a Batalha do Armagedom foi realizada e o   Apocalipse, cumprido, naturalmente sem ultrapassar, por mais brutal que tenha sido, os limites da lógica verista do ser humano, ou seja, sem aquelas imaginações hiperbólicas do Evangelista.

Nota: Pat Marvenko Smith, ilustração de Apocalipse 8:1 e 2. 1. E, havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora. 2. E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas.

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