DURA LEX SED LEX, NO CABELO SÓ GUMEX

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

sed

Muitas pessoas afirmam que o homem era muito mais vaidoso antigamente do que nos dias de hoje, pois há suspeitas de que múmias, no antigo Egito, 3,5 anos atrás, já tinham as madeixas embelezadas para causarem uma boa aparência no outro mundo. Retornando a uma época mais atual, citam como referência o uso da famosa brilhantina. Pode até ser que sim, e que depois tenha havido uma queda na afetação masculina. Porém, nos dias de hoje, é cada vez maior o número de homens usando xampus, filtros-solares, cremes corporais, botox e outras coisas tais. No que fazem muito bem, pois, como dizia a minha avó: “Quem não se enfeita por si se enjeita.”.

Uma história interessante da vaidade humana está relacionada com as madeixas masculinas. Como o homem não podia recorrer ao truque do rabo de cavalo, para impedir que os cabelos lisos despencassem pela testa, trazendo incômodo, o jeito era besuntá-los, deixando todos os fios bem acomodados, onde foram postos. Para tanto, numa época em que a cosmetologia e os produtos de cabalo engatinhavam, restava aos moçoilos mais vaidosos, buscar novas descobertas, muitas vezes oriundas do disse me disse, sem nenhum anteparo científico. E foi assim que surgiram inúmeros tipos de gorduras vegetais, com destaque para o azeite de oliva e o óleo de palma, que deixavam os cachos com uma aparência molhada. No interior do país também grassava a banha de galinha, que além de manter os rebelados no lugar, ainda os tratava, dando-lhes brilho e conservando-lhes a cor. E o cheiro? Isso aí é outra coisa! Muitas pessoas misturavam as gorduras com alfazema, madeira do oriente e a outros perfumes baratos.

Mas se alguém pensa que as receitas para manter a compostura das cabeleiras paravam por aí, está muito enganado. Algumas delas cheiravam a bruxaria. Na Europa, lá pelos idos de 1300, havia uma fórmula considerada infalível, que talvez algum leitor queira experimentar em seus cabelos rebeldes, tamanha é a sua simplicidade: misturava-se à gordura de lagarto (o coitadinho nem possui cabelo) fezes de pombos (sempre existiram aos montões). Uma vez pronta a pasta, essa deveria ser aplicada diretamente na juba humana. Na Ásia, a receita era mais apreciável: gordura animal com mel ou ocre. Se escorresse pela cara ainda daria para lamber. E ainda dava cor aos cabelos. Na Ásia, um arsenal de pentes e uma pomada que tinha como base a cera, davam conta dos penteados mirabolantes da nobreza. Na América do Norte, mais pomposa, usava-se óleo de urso, refinado. Coitado do animal, que nada tinha a ver com o requinte humano.

Para o bem dos moçoilos e moçoilas, que pegavam carona no envaidecimento dos machos, em 1800, as pomadas começaram a ganhar o mercado. E no século XX, os apetrechos embelezadores deram um passo maior ainda, no sentindo de diminuir o sofrimento olfativo, tanto de quem usava produtos animais, não lá muito agradáveis ao nariz, quanto de quem era obrigado a conviver com figuras tais. Nasciam assim a goma de petróleo e a cera de abelhas. Mas com o andar da carruagem, e, com o olho num mercado tão auspicioso, certo perfumista francês criou, em 1900, a salvação, não a eterna, mas temporária, para as madeixas masculinas: a brilhantina. Tratava-se de um óleo perfumado que não só apaziguava a cabeleira, como lhe dava, juntamente com os bigodes, um ar umedecido. Era a glória!

E a Grã-Bretanha era lá maluca de ficar longe desse filão da cabelama? Never! Em 1929 lançou no mercado o Brylcreem, que jogou por terra a popularidade da Brillantine. E aí veio a febre, e junto com ela os topetes, cada um mais altos e sofisticados. Eram a vez dos engordurados (greasers). Que o digam Elvis Presley, James Dean, John Travolta e a turma do rock`n`roll e seguidores.

E como as coisas andavam no Brasil? Será que a vaidade passava longe destas terras? De jeito nenhum. Nós tínhamos o Gumex, certo tipo de pó solúvel em água. O vaidoso tinha que ser rápido no gatilho, pois se demorasse na aplicação, a mistura virava uma sola. A propaganda em latim era uma pérola: “Dura lex sed lex, no cabelo só Gumex” (A lei é dura, mas é a lei, no cabelo só Gumex). Foi criada pelo nosso saudoso Ary Barroso. O melhor era o apelido que recebiam os usuários do Gumex: “engomadinho”, “lambido”, “cabelo que boi lambeu”, “alisadinho”, e muitos outros. E assim foi até os anos 60.

Como tudo que é usado em demasia acaba cansando, os topetes agigantados caíram do trono, ou melhor, da cabeça. Produtos à base de água e gel vieram botar os cabelos nos devidos lugares. Mas isso não durou muito tempo. Basta dar uma andada pelas ruas para ver os jovens com seus topetes a “la moicanos”, cheios de gel. E assim é a moda, num vai e vem contínuo.

Fontes de pesquisa
Aventuras na História/ Editora Abril
http://www.ufrgs.br/napead/repositorio/objetos/fases-da-publicidade/index.php?p=arquivos

8 comentários sobre “DURA LEX SED LEX, NO CABELO SÓ GUMEX

  1. Matê

    Lembro quando besuntei meus cabelos com babosa.Cruzes! Só mais tarde chegou a moda dos produtos com “aloe vera”, que era a mesmíssima coisa, mas mais cara, naturalmente.

    Abraços

    Matê

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Matê

      Estou me lembrando do famoso “henê”, qua ainda existe no mercado. Escurecia o cabelo e fazia cair a metade… risos. Era um horror!

      Beijos,

      Lu

      Responder
  2. Helena

    Lu querida, eu já usei banha de galinha, óleo de mocotó frito com babosa, para dar brilho ao cabelo, você conhece o meu cabelo! Mas usar cocô de pombo! O cheiro não deveria ser agradável. Parabéns pela pesquisa.

    Que saudades!

    Beijos!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Helena

      É por isso que você tem cabelos tão lindos… Que mistura desgraçada! E o cheiro horroroso! Pois é menina, você não sabe o que está perdendo com o cocô de pombo. Dizem que é a última novidade para cabelos… risos.

      Amiga, muito obrigada por seu comentário. Espero que seja o primeiro de muitos.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  3. Moacyr Praxedes

    Lu
    Eu sempre fui adepto dos cabelos ao vento, nada de cocô de pombo, mel, cera, brilhantina ou Gumex. Para contê-los, pois tenho cabelo de índio, usava uma cordinha, como se fosse uma tiara. E dava um charme danado.

    Abraços,

    Moacyr

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Moá

      Diga a verdade somente a verdade… risos.
      Estou aqui a imaginar a mistura de gordura de lagarto com cocô de pombo. Vixe Maria! Devia ser um fedor dos diabos. E por falar em pombos, deviam mesmo descobrir algo para fazer com o excremento dessas aves. O descobridor ficaria trelardário. Será que não faz bem à pele feminina? Aí estaria um filão mais rico do que o ouro.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  4. Adevaldo Rodrigues

    Lu,
    Realmente o bicho humano gosta de inventar. Tempos bons eram aqueles quando era necessário colocar meias finas no cabelo para ficar um pouco alisado. Lá pelas Oropas, uma sobrinha inventou mesmo e suas filhas se deram mal. Para conquistar os rapazes ela colocou bastante Grecim ou coisa parecida no cabelo das pobres meninas. Foram para um baile no local e começaram a dançar. Depois de algum tempo, o cheiro de enxofre do produto começou a exalar e os rapazes pensavam que elas estavam soltando gases. Tiveram que voltar para casa com vergonha da situação. Atualmente elas contam esse caso e caem em gargalhadas.

    Abraço,

    Devas

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Devas

      Aposto que você já usou muita brilhantina Glostora e Quina petróleo nos cachos… risos.
      Conte a verdade, mocinho!

      Abraços,

      Lu

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *