OS PROVÉRBIOS E AS MULHERES

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Autoria de LuDiasBH

mulher

Teme a mulher e brinca com as víboras.
Mulher é como bolacha, em todo lugar se acha.

Os provérbios são o mais sintético dos estilos literários e trazem no seu bojo parte de nossa história. Possuem cunho moral, ensinando qual é a maneira correta de pensar ou agir em determinadas ocasiões. Também fantasiam, exageram e debocham. Mostram as dessemelhanças entre homens e mulheres, defendendo a superioridade e o privilégio dos primeiros.

Ao remeterem à história da humanidade, os provérbios deixam clara a posição do homem e da mulher, através dos tempos, dentro das diversas sociedades, principalmente naquelas em que predomina a oralidade. Retratam os pontos de vista de uma determinada cultura e, por sua vez, reforçam-nos. E, como a mulher é malvista desde o surgimento de Eva, não seria de esperar que fossem generosos para com ela, na imensa maioria das vezes.

Revendo a história da fêmea humana através dos tempos, é possível certificar-se de que o homem sempre esteve no comando, quer no âmbito familiar, do trabalho, político ou religioso, enquanto à mulher coube a tarefa de cuidar dos filhos e da casa. São poucas as culturas que, mesmo nos dias de hoje, fogem a tais ditames.

É interessante notar que a diferenciação entre o homem e a mulher, que vem desde as culturas mais remotas, originou-se em razão da forma que possui o corpo feminino, de modo que, inconscientemente, acabou por definir a posição social que um e outro deveriam ter dentro da sociedade. Mesmo em países, onde se prega a igualdade entre os sexos, é possível notar vestígios da submissão feminina.

Será que a mulher vem fazendo uma releitura de sua posição dentro da sociedade, ou continua seguindo o comportamento que seus antepassados preconizaram para ela? Para responder tal pergunta, teríamos que dar um giro pelo planeta. Mas já sabemos que, quanto maior for o acesso à educação, mais os papéis executados pelo homem e pela mulher tornam-se mais coincidentes, partilhando os mesmos deveres e as mesmas obrigações.

O provérbio ruandês que reza “Um mau lar, obriga-te a buscar água e lenha.”, mostra o quanto a mulher ainda é discriminada em certas culturas. Lenha e água simbolizam o trabalho doméstico, tido como serviço inferior em tais sociedades, e que cabe à mulher fazer e jamais ao homem.

Exemplos de provérbios sobre mulheres:

  • Um mau marido às vezes é um bom pai, mas uma má esposa nunca é uma boa mãe. (Provérbio espanhol)
  • As mulheres são como sapatos, sempre podem ser trocadas. (Provérbio indiano)
  • As mulheres são como ônibus: quando um parte, outro chega. (Provérbio venezuelano)
  • Sabedoria de mulher, sabedoria de macaco. (Provérbio japonês)
  • O barco segue o leme, a mulher segue o homem. (Provérbio vietnamita)
  • As mulheres e os bifes, quanto mais batidos, melhores. (Provérbio alemão)
  • Mulher é como cabra: amarra-a onde crescem os espinhos. (Provérbio ruandês)
  • Nunca confies numa mulher, mesmo que tenha te dado sete filhos. (Provérbio japonês)
  • Ter uma única esposa é viver com um único olho. (Provérbio congolês)
  • A galinha sabe quando é manhã, mas olha para o bico do galo. (Provérbio ganês)

Fontes de pesquisa:
Nunca se case com uma mulher de pés grandes/ Mineke Schipper
Livro dos provérbios, ditados, ditos populares e anexins/ Ciça Alves Pinto
Provérbios e ditos populares/ Pe. Paschoal Rangel

Nota: Artesanato do Vale do Jequitinhonha

4 comentários sobre “OS PROVÉRBIOS E AS MULHERES

  1. Teresa Silva

    Prezada Lu Dias

    Republicaram esse post no blog do Luís Nassif e vim aqui te recomendar um livro que trata justamente sobre provérbios e mulheres. Parece interessante:

    O livro “Nunca Se Case Com Uma Mulher de Pés Grandes: a Representação da Mulher No Dito Popular” fala sobre como os provérbios no mundo todo, da Europa às mais distantes aldeias, falam das mulheres. Um resumo:

    “Quase todo mundo é capaz de citar um provérbio de cor. Concisos e eloquentes, dotados de rima, ritmo e imagens, sintetizam uma realidade, uma regra social ou moral e a transmitem de geração em geração. Nunca se case com uma mulher de pés grandes, de Mineke Schipper, é o resultado da análise feita durante anos pela autora a respeito de provérbios que representem as mulheres de todo o planeta e de todas as épocas. Nas mais diversas culturas, as questões de gênero têm sido expressas em provérbios, o menor dos gêneros textuais. Este livro fornece ao leitor insights reveladores sobre a condição feminina através dos séculos e continentes. Para surpresa de todos, Mineke descobriu mais semelhanças que diferenças em milhares de provérbios sobre as mulheres oriundos de mais de 150 países. Eles refletem diversas fases da vida da mulher: de menina a noiva, de esposa a coesposa, de mãe a sogra, viúva e avó; as alegrias e tristezas do amor, do sexo e da maternidade; a mulher no trabalho, seus talentos e poder. ”

    http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/4052637/nunca-se-case-com-uma-mulher-de-pes-grandes-a-representacao-da-mulher-no-dito-popular/

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Teresa

      Quando resolvi escrever uma série sobre Provérbios, andei procurando livros que tratassem do tema.
      E este foi um dos que encontrei.
      Fiquei apaixonada logo de cara.
      Achei sensacional a abordagem da escritora.

      Quando o Assis Ribeiro publicou o meu texto no blog do Nassif (blog que amo), ele se esqueceu de copiar a fonte de pesquisa.

      Ando garimpando livros sobre provérbios, mas são muito poucos no mercado.
      Os que encontrei, excetuando o citado por você, foram encontrados em sebo, já bem velhinhos.
      Caso tenha conhecimento sobre outros, gostaria que indicasse para mim.

      Será um prazer contar com a sua presença no VÍRUS DA ARTE.

      Muito obrigada pela atenção, ao me comunicar a presença de meu texto no blog do Nassif, e também por me indicar o livro, ainda que eu já o tenha.

      Beijos,

      Lu

      Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Cris

      Fico cá imaginando a vida das mulheres antigamente.

      O provérbio alemão é mesmo um horror.
      Mas, pelo que sei, as alemãs de hoje não aceitam ser submissas.
      Ainda bem!

      Beijos,

      Lu

      Responder

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