PATRIMÔNIO E VANDALISMO

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Autoria de Luiz Cruz

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As grandes cidades brasileiras têm, cada vez mais, seus equipamentos urbanos e edificações poluídos por pichações. Com o passar do tempo, sem manutenção, superposições de pichações e partículas sedimentadas da poluição atmosférica resultam num aspecto sujo e desagradável, e refletem a falta de compromisso dos órgãos públicos com a vigilância e a manutenção dos equipamentos e das edificações, assim como o descaso em aplicar uma punição mais severa aos vândalos.

A ação dos pichadores com suas garatujas desconexas chegaram a inúmeras cidades brasileiras, infelizmente. Muitos monumentos históricos protegidos individualmente ou em conjunto, através do instrumento de tombamento, seja na instância municipal, estadual ou federal, estão vergonhosamente pichados. Pichar é o mesmo que depredar. Pichar é um ato de vandalismo. É considerado crime contra o patrimônio, sendo passível de responsabilização criminal.

Os pichadores atuam em condições de alto risco, inacreditáveis, e nesse sentido há um exemplo significativo: a Igreja de Nossa Senhora da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, um dos templos mais altos do país, sua cúpula, elemento arquitetônico em pedra, um dos mais ousados de nossos templos, está suja por pichações.

A prática de pichar monumentos, lastimavelmente chegou às cidades históricas, e até mesmo Ouro Preto teve seus monumentos pichados. Felizmente, no caso ouropretano, as autoridades agiram imediatamente e os autores foram identificados e punidos. Os casos de pichação em Tiradentes não tiveram a mesma sorte e, por isso, os monumentos estão sendo pichados com frequência. Recentemente, a bela estrada entre Tiradentes e Santa Cruz de Minas, margeada pelo Rio das Mortes e pela Serra de São José, vem sofrendo pichações. Até as placas, com informações sobre a APA – Área de Proteção Ambiental da Serra de São José, foram pichadas, numa triste e lamentável ironia.

Para surpresa dos turistas e moradores da região, no período de 5 a 7 de dezembro do presente ano, um grupo de artistas grafiteiros ocupou parte dessa estrada e executou um belíssimo projeto de arte (ver imagem 3). Os artistas grafiteiros trabalharam muitas horas consecutivas, à luz do dia, sob o olhar de todos que por ali passavam. Utilizaram recursos diversos, senso estético, muitas cores, domínio técnico e criatividade. Os muros grafitados artisticamente contrastam com as pichações realizadas na calada da noite, poluindo o patrimônio público e particular. As pichações clandestinas refletem o que seus autores têm na cabeça: falta de educação e respeito, expressas em garatujas pobres, feias e incompreensíveis.

Nota:  fotografias do autor

6 comentários sobre “PATRIMÔNIO E VANDALISMO

  1. Edward Chaddad

    Luiz
    Sempre acompanhei seus textos. E neles percebo seu amor à cultura mineira. E tem, é claro, grandes razões para isto, pois para mim, Minas é o celeiro da arte de nosso Brasil, não deixando, é claro, de valorizar todas as regiões deste País continental. Mas é como dizia meu saudoso pai: “todos os caminhos passam por Minas”. Todos os brasileiros cruzam em seus destinos – se lá não ficam e permanecem. E o reduto da arte brasileira – de todo o povo brasileiro – está incrustado, inserido neste maravilhoso Estado, que já tive a honra de visitar, ainda mais moço.

    É importante, pois enaltecer sua luta, agora pela preservação dos monumentos históricos de Minas, longe das pichações, atos de vândalos que, mesmo em sendo crime, é praticado como um hobby, um passatempo, uma diversão por esses ignorantes.

    Parabéns pelo seu texto e por sua luta em prol da cultura. Vale a pena: Minas é o berço de nossa cultura.

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    1. Luiz Cruz

      Caro Edward,
      É com grande satisfação que recebo seu retorno e informação que tem acompanhado os meu textos.
      Sempre fui envolvido com o tema Patrimônio, desde muito cedo. Não tem saída, este é o meu destino e já faz parte de minha existência. Defender o Patrimônio deveria ser rotina de todos, especialmente dos mineiros, afinal aqui está boa parte deles, especialmente os monumentos religiosos protegidos como Monumentos Nacionais.

      Estamos trabalhando, construindo o processo e como professor, acredito que a cada texto redigido e lido por alguém, torna-se uma contribuição para o “processo”.

      Muito bem colocado por você, o ato de pichar é ato de “vândalos”, ou seja deixa o Patrimônio público e privado sujo, depredado em um ato “praticado como um hobby”. Nesse sentido, fica mais triste ainda…
      Grato pela sua atenção.
      Abraço amigo,
      Luiz Cruz

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  2. Luiz Cruz

    Lu,
    Obrigado por sua atenção e reconhecimento.
    Esta semana estive em Belo Horizonte, fui visitar as exposições dos Carlos, o Bracher e o Drummond, que são emocionantes. E aproveitei para apreciar BH com o olhar de quem encontra as pichações e realmente elas estão por todos os lugares, alguns realmente inacreditáveis. E, infelizmente, o mesmo ocorre por tantas cidades brasileiras. Porém, muito triste mesmo é ver Tiradentes pichada. Aqui não tem gangue. Aqui não temos turistas pichando. Temos pessoas da própria cidade pichando. Uma pena! Pior é a questão do precedente. Pichar sem ter punição. Se um picha e não é punido, com certeza aparece outro para fazer o mesmo.

    Espero que as pichações sejam limpas e que isso não ocorra mais em nossa querida Tiradentes. E que breve alguém descubra e denuncie esse pichador.

    Aos grafiteiros, concordo plenamente com você, eles são artistas e merecedores de nosso reconhecimento.

    Abraço amigo, Luiz Cruz

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  3. LuDiasBH Autor do post

    Luiz

    Você nos dá um belo exemplo de cidadania ao cobrar do poder público uma maior atenção para com o patrimônio, quer seja público ou privado. Se todos tivessem atitudes como a sua, com certeza as autoridades comprometer-se-iam com seus reais deveres.

    Belo Horizonte está também pichada “da cabeça aos pés”, com as gangues travando uma verdadeira queda de braço para ver quem atinge o ponto mais impossível, coisa de malucos, mesmo.

    Encanta-me a sua preocupação com Tiradentes, essa cidade linda, que mais se parece com um presépio de Natal. Não resta dúvida de que é um dos que mais a amam. Mais uma vez meus cumprimentos. Continue assim! Tiradentes merece!

    Estendo os meus cumprimentos ao grupo de artistas de rua, os grafiteiros. Eles merecem todo o nosso respeito e admiração, por tornar o mundo mais belo.

    Abraços,

    Lu

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  4. Luiz Cruz

    Paulo,
    É um prazer ter você aqui e receber seu retorno.
    A ação dos pichadores não tem mais sentido, estão na contramão da História. Hoje precisamos nos mobilizar em torno da preservação do patrimônio cultural, que já sofre tantos descasos e falta de verbas para sua conservação e restauração.
    A ação dos artistas grafiteiros torna-se elementar para contrastar com a fealdade do que é feito pelos pichadores. Nada melhor do que arte e poesia para figurar em muros.
    Abraço,
    Luiz Cruz

    Responder
  5. Paulo S. Lima

    Luiz, isso é verdade quanto a pichações: uma vergonha. Mas é interessante notar contra-movimentos de arte de rua que vem decorando algumas partes das nossas cidades, usando de figuras a textos poéticos. A eles todo nosso apoio.

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