PERGAMINHO, SALTÉRIOS E MONGES COPISTAS

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Autoria do Prof. Pierre Santos

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O pergaminho substituiu o papiro no qual se registraram os primeiros códices, porque era mais duradouro. Sua designação deriva do nome de Pérgamo, cidade da Ásia Menor, onde foi melhorada a invenção do pergaminho, que logo se difundiu pelo mundo.

Nos saltérios eram também registrados cânticos do Novo e do Antigo Testamento, Ladainhas de Todos os Santos e Ladainhas gerais, músicas devocionais de reza coletiva, etc. Os monges copistas foram se especializando cada vez mais, a ponto de criarem, para valorização dos textos, riquíssimas iluminuras ornamentais e ilustrativas, a saber, que todas as páginas passaram a ser iluminadas até com sofisticação, havendo desenhos que atingiram o nível de sublimes obras de arte. Quando incluso numa bíblia, o saltério ocupava sempre a parte central, significando o momento de descanso, relaxamento e enlevo, tal a sutileza dos salmos, em face do caráter sisudo do texto bíblico.

O cântico dos salmos na Idade Média era acompanhado pelos sons dolentes e gentis tirados das cordas beliscadas ou batidas por um plectro de um instrumento musical homólogo, do qual o saltério (o livro) tirou o seu nome. Por conseguinte, o saltério (do grego: pali = psalterion) é um instrumento musical de madeira de forma triangular ou trapezoidal, tocado na horizontal (portanto apoiado num móvel), que serve de caixa de ressonância para os sons, em cuja madeira são fixadas várias cordas por cavilhas (também do grego: sali = psalmós, que significa cordas em grego), podendo ser beliscadas pelos dedos ou tocadas pelo plectro, espécie de varinha de marfim, com que se tangem as cordas dos instrumentos, sendo o saltério da ordem da harpa, da cítara, da lira e do violino. Os salmos desta forma cantados e acompanhados pelo instrumento estão na origem da missa cantada.

O saltério não era um instrumento fácil de ser manuseado, pois, por ser um tanto quanto primitivo em face da harpa, por exemplo, exigia do instrumentista um virtuosismo bem maior do que os outros instrumentos, para que o acompanhamento chegasse ao nível da música entoada. Assim, o tocador tinha o tempo todo que reinventar a música, tirando os sons com o plectro e, com a ponta dos dedos, abafando ou alteando a sonoridade, conforme a entonação do coro.

Havia saltérios em que as cavilhas eram dispostas em forma de arco, ou seja, de forma abaulada, e as cordas nelas fixadas tinham de ser tocadas, ou seja, tangidas por um arco do tipo daquele com que se toca violino. Os saltérios deste tipo, quando mais longos, permitiam que dois arcos fossem usados ao mesmo tempo, um na parte inferior e outro na superior. Claro que os sons assim emitidos eram diferentes: os da parte inferior saiam mais baixos e os da superior, mais altos; disto resultava uma espécie de dueto, em que um fazia a primeira pauta e o outro a segunda, como num dueto cantado, em que uma pessoa fazia a primeira voz e a outra a segunda. Os saltérios de cavilhas presas no mesmo nível eram mais comuns.

Fecho os olhos e fico imaginando o quanto a união entre vozes em coro e sons tirados do instrumento, seja com o plectro, seja com os dedos, devia resultar em algo divino e embevecedor, a reboar espaço afora.

Ilustrações
 1.Livro em pergaminho e em rolo, medieval.
2. Saltério medieval de 21 cordas, séc. X.

Um comentário sobre “PERGAMINHO, SALTÉRIOS E MONGES COPISTAS

  1. LuDiasBH Autor do post

    Prof. Pierre

    Eu também fico imaginando como deveria ser uma beleza tal união.
    As pessoas deveriam entrar em êxtase total.
    Ainda é possível ver em alguns filmes, que retratam a época, um pouquinho de tal embevecimento.

    Beijos,

    Lu

    Responder

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