VENCENDO A DEPRESSÃO: UM TOCANTE DEPOIMENTO

Autoria de Larissa Fernandes

lari

Há cerca de um mês atrás, eu escrevi aqui neste blog, em uma situação parecida com a de muitos companheiros com problemas mentais, que ora vivem momentos difíceis. Tinha muitas dúvidas e inseguranças quanto ao medicamento. Acabara de começar o tratamento, encontrando-me no início da segunda semana, mas receosa de não ver resultados positivos, e de que os efeitos colaterais não passassem. Hoje estou no 36º dia de tratamento e, se pudesse, ajudaria de alguma forma os que estão começando o tratamento, ainda receosos e inseguros, sofrendo com aqueles difíceis primeiros dias. O que posso fazer é repetir as palavras da Lu, que me ajudaram muito: sejam persistentes, otimistas e pacientes. Os resultados bons virão!

As duas primeiras semanas foram realmente difíceis. Iniciei meu tratamento por conta de depressão, embora, há alguns meses atrás, tivesse tido pânico também. Já havia passado pela Síndrome do Pânico, mas nada foi tão terrível quanto a depressão. Quando dei início ao tratamento com remédios, já mal saía da cama pra comer ou fazer qualquer outra coisa. Minha vida era dormir e desejar não estar viva. Tive muito medo de suicídio, ideia que esteve na minha cabeça por alguns dias, e foi completamente apavorante. Na ocasião busquei amigos de confiança e me abri com eles, pedindo ajuda. Um deles, em especial, foi muito acolhedor e recomendou-me tentar os remédios. Mas sempre tive muita resistência a eles, pois não gostava da ideia de ter meu estado de humor regulado por uma substância química, que não saberia precisar em que outros aspectos do meu sistema nervoso atuariam. Tinha pavor de depender de medicamentos, mas vi que, na situação em que me encontrava, ou me entregava a eles, ou não saberia dizer o que seria de mim. Poderia nem estar viva hoje.

Uma semana antes de iniciar o tratamento com o antidepressivo, iniciei também análise. Iniciei o tratamento com a dose de 10 mg, que é a dosagem que mantenho até agora. Os seis primeiros dias foram, de fato, difíceis. Tive a ansiedade e os sintomas da depressão acentuados, mas nada que não pudesse suportar com um pouco de esforço. Já tinha começado tratamento, em outra ocasião, com sertralina, mas não suportei os efeitos adversos do remédio. A reação do oxalato de escitalopram, para mim, foi muito mais leve. Nessa primeira semana também tive náuseas e diarreia, além de um sono monstruoso, chegando a dormir 18 horas por dia, na primeira semana.

Os efeitos colaterais duraram até por volta do 14º dia. A partir daí as náuseas desapareceram, o sono e a ansiedade paradoxal diminuíram bastante. Os primeiros efeitos bons (uma calma e a volta do sentimento de bem-estar, de alegria), apareceram por volta do décimo dia. Eu não sentia nenhum sentimento bom havia alguns meses. Só sentia pesar, medo, tristeza, muita angústia e uma sensação ruim de enxergar o mundo de um jeito estranho, como se estivesse vivendo em um filme. Por volta do décimo dia, eu me peguei sentindo bem em alguns momentos do dia. Acho que os efeitos bons foram se estabelecer mesmo por volta do 20º dia.

Eu me tornei outra pessoa nesses vinte dias de tratamento. Voltei a ser uns 70% do que era antes dessa doença, que nos transforma em outra pessoa e torna o mundo uma coisa horrível, insuportável, modificando nossos sentimentos e pensamentos. A depressão transforma-nos naquilo que não somos. E hoje posso dizer que, embora não me sinta ainda 100% como era antes, eu me sinto muitíssimo melhor, “normal”. Claro que a tristeza ainda existe, ainda sinto raiva, angústia, ansiedade, mas isso, na medida certa, são coisas normais que acontecem a qualquer pessoa. Sinto que estava em um buraco escuro e que o remédio foi fundamental pra me dar forças pra chegar até a sua saída. Compreendi que o medicamento não muda a vida da gente, sozinho. Ele faz um trabalho importantíssimo, e que realmente faz muita diferença pra quem sente os efeitos da depressão, da ansiedade, da Síndrome do Pânico, da TAG, ou do TOC, etc. Ele nos estabiliza emocionalmente para podermos conseguir pensar sobre as coisas da nossa vida, nossos conflitos, e podermos mudar objetivamente as coisas que nos causam mal.

Quanto aos efeitos colaterais, sobre os quais vejo muitos relatos no blog, compartilho com todos, que também aconteceram comigo. Não tive diminuição da libido, acho que até aumentou um pouco. Acredito que a baixa da libido estivesse muito ligada também à depressão. Mas tenho mais dificuldade de chegar ao orgasmo, não chega a ser anorgasmia, mas está um pouco mais difícil. Ainda sinto um sono meio incômodo no decorrer do dia, o que talvez me leve a mudar o horário do remédio para a noite, e uma dor de cabeça leve, que começa no pescoço, quase diariamente, mas nada muito incômodo. De resto, só tenho a dizer para os que estão sofrendo com essa coisa horrível, que nos trazem os transtornos mentais, é que busquem ajuda, pois o tratamento existe. É fundamental operar mudanças de hábitos em nossa vida, uma terapia ou a análise também é importante. E para aqueles que temem os antidepressivos, como era o meu caso, o que posso dizer é não tenham medo. Sejam pacientes e confiem, pois os resultados virão. Dias bons voltarão, acompanhados de alegria e vontade de viver.

Muito obrigada, Lu, pelas palavras, quando estive aqui no início do tratamento. E parabéns por este espaço de acolhimento para tanta gente vítima desse sofrimento terrível e desumano que é a depressão, o pânico, etc. Um beijo a todos, e acreditem que dias melhores virão! Levem o tratamento a sério!

Nota: Melancolia, obra do pintor francês Louis Jean-Fraçois Lagrenée

52 comentários sobre “VENCENDO A DEPRESSÃO: UM TOCANTE DEPOIMENTO

  1. Cristina

    Lu
    Hoje faz 12 dias que estou a tomar o escitalopram e graças a Deus parece que os efeitos ruins estão sumindo, pois apenas nao sinto apetite, mas de resto posso dizer que quase consigo ver um céu azulinho 🙂 Espero que a partir de agora seja sempre a melhorar eheheh.

    Muito obrigado pelo empurrãozinho

    Beijinhos

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Cris

      Que maravilha!Estou feliz com tão boas novas. Daqui para frente será cada vez melhor, com o seu organismo em equilíbrio. Logo, logo estará vendo o arco-íris por todo lado… risos.

      Beijos,

      Lu

      Responder
        1. LuDiasBH Autor do post

          Cris

          Estarei aguardando. Não suma como faz a maioria, assim que melhora, deixando-me sozinha… buaá!

          Beijos,

          Lu

        2. Cristina

          Lu, assim como tu me deste força pra não desistir e ser POP, também eu quero poder transmitir isso aos que ainda sofrem.

          Grande abraço

        3. LuDiasBH Autor do post

          Cris

          Você é duplamente POP. Obrigada por seu carinho com todos.

          Beijos,

          Lu

        4. Cristina

          Lu
          Cá estou eu novamente pra relatar o meu estado desde que passei a tomar o escitalopram (faz dia 9 um mês). Estou muitissimo bem e mais uma vez o oxa não me desiludiu! No entanto, hoje não estive assim tão bem, pois comecei por me sentir um pouco indisposta, um tipo de queimação no peito, aquela sensação de início de ansiedade… Porém, depois de muito pensar na causa sendo que até agora estive muito bem, descobri que como vem acontecendo durante os últimos meses coincide com TPM (isto desde que deixei de tomar anticoncepcional).

          Lu, isto é tão confuso pra mim porque penso que a minha ansiedade deveu-se mesmo ao abandono do uso do anticoncepcional. Se assim for por que é que o escitalopram não está a dar conta do recado? Será porque ainda estou no início do tratamento? Tenho visto que algumas pessoas que sofrem de TPM fazem uso de antidepressivo. Será que tenho que voltar ao anticoncepcional? Desculpe toda essa confusão, mas é que também não sei mais em que pensar… Porque tudo isto começou assim que abandonei o AC.

          Grande abraço

        5. LuDiasBH Autor do post

          Cristina

          Nosso mal é achar que o antidepressivo é a pílula da felicidade. Para o bem da humanidade, eu espero que ela nunca seja criada, pois é nas dificuldades, nas tristezas, nos aborrecimentos, nos trantornos do dia a dia que o ser humano realmente cresce. Fora disso seríamos todos transformados em robôs. E sendo assim, todos teremos, tomando antidepressivos ou não, dias bons e outros nem tanto. O que faz parte de nosso viver no mundo real.

          Cris, a mulher foi e será sempre mais sensível do que o homem por várias razões, dentre elas pela carga hormonal que recebe durante certo período do mês, que age como se fosse um vulcão em atividade, revolvendo nossas emoções, deixando nossa sensibilidade à flor da pele. Temos que nos acostumarmos e, principalmente, aceitarmos isso. E se tem TPM, o sofrimento ainda é mais severo.

          Lindinha, o ideal é que você marque um ginecologista e converse com ele sobre a melhor forma de amenizar esse período tão difícil. Questione-lhe sobre a relação entre o anticoncepcional e a ansiedade, pois, confesso-lhe que nunca soube de alguém que o tomasse para resolvê-la. Sei de gente que toma antidepressivo para conter a TPM, quando é insuportável.

          Em relação ao escitalopram, pode ser porque esteja no início do tratamento (nem completou um mês ainda), ou porque a dosagem está baixa, ou se trate apenas de um descontrole hormonal… Mas não há nada com que se preocupar. Vá ao ginecologista e exponha seu caso para ele. Poderá também conversar com seu psiquiatra. Gostaria que depois retornasse aqui para dizer-me como foi, pois a informação de uma pessoa serve também para outras que vivem o mesmo problema. E não suma, danadinha!

          Abraços,

          Lu

        6. Cristina

          Lu
          Mais uma vez obrigado pelas palavras. Eu é que sou uma cagadinha, que todos os sintomas que tenho já fico nervosa. Mas nesta questão da TPM, os efeitos foram, sem dúvida mais leves, nem dor de cabeça tive. Se calhar, o bom mesmo é tirar essas minhocas da cabeça.

          Beijinhos, minha querida.

        7. LuDiasBH Autor do post

          Cris

          É isso mesmo! Não podemos deixar os grilos tomarem conta de nossa mente. O melhor é trocá-los por vagalumes… risos, pois esses trazem luz.

          Abraços,

          Lu

        8. Cristina

          Lu
          É isso mesmo! Sou tão cagadinha com tudo, que até me irrita. Mas pra frente é que é o caminho.

        9. LuDiasBH Autor do post

          Cris

          É isto mesmo, pois viver supõe movimento. E quanto mais positivo ele for, melhores serão as respostas recebidas.

          Beijos,

          Lu

        10. Cristina

          Lu
          Obrigada mais uma vez! Suas palavras são mágicas. No entanto, esqueci de mencionar que também estou a fazer uso de alprazolam 1 mg, ao deitar (sendo que comecei com 0,5 mg). A psiquiatra disse que assim que o escitalopram fizesse efeito, o alprazolam seria retirado. Comecei há 3 dias a reduzir pra 0.5 mg, e hoje comecei a ter tremedeira, dor de cabeça e um pouco de tonturas. São os efeitos de abstinência? É que fui começando a ler por aí que os benzodiazepinicos são um perigo, e que podemos sofrer com abstinência por meses até. Fiquei assustada! Tomo há uns 4 meses no máximo… Será que ja fiquei agarrada? 🙁

          Obrigado mais uma vez, você tem sido incansável.

        11. LuDiasBH Autor do post

          Cristina

          Normalmente o alprazolam é usado no início do tratamento como coadjuvante do antidepressivo, sendo retirado aos poucos, como você vem fazendo. Tais sintomas podem estar ligados à retirada do tranquilizante, mas não demorarão a passar. Fique tranquila. Em caso de necessidade de um ansiolítico, peça a sua médica para lhe passar um que seja fitoterápico. Não se preocupe com tudo que lê na internet, pois cada organismo reage de um jeito. E quatro meses são um tempo bem pequeno para ficar agarrada, portanto, pode melhorar essa carinha triste. Aproveite para tomar chá de camomila, 4 xícaras ao dia. A melhor camomila é a comprada ainda com as florezinhas. Bata no liquidificador, coloque o pó num vidro, e use uma colher de sopa na água fervente para cada vez.

          Beijos,

          Lu

        12. Cristina

          Lu
          Obrigada. Tem razão, pois cada organismo reage de modo diferente. Como exemplo tenho minha irmã que tomou por anos 5 mg de diazepam ao deitar-se, e retirou de um dia pro outro e não teve nenhum efeito adverso… Desejava o mesmo pra mim também.

          Beijinhos

        13. Cristina

          Oi Lu.
          Faz exatamente 2 meses que iniciei o escitalopram, e o que posso dizer é que me sinto bem… Mas chega aquela altura do mês pronto… Fico ali uma semana com ansiedade, mal-estar, falta de apetite dor de cabeça…. A partir do último dia o céu fica azulinho novamente… Tenho consulta com a médica dia 20, vou lhe informar de tudo. Desculpe a falta de tempo pra vir cá dar um oi, mas tenho andado atarefada. Depois volto com novidades.

          Beijo enorme,
          Cris

        14. LuDiasBH Autor do post

          Cris

          Fico feliz ao saber que está se sentindo bem com a medicação. Esse período de que fala é o menstrual? Caso seja, não deixe de ir ao ginecologista. Aguardo suas notícias.

          Abraços,

          Lu

        15. Cristina

          Olá Lu,
          Sim, é do menstrual mesmo. Desde que parei com o anticoncepcional, que tenho estado assim, mas passado esse período fico até muito bem.
          Sim vou marcar consulta 🙂

          Beijinhos
          Cris

        16. LuDiasBH Autor do post

          Cristina

          Uma consulta ao ginecologista irá resolver o seu problema. Lidar com a TPM sozinha não é fácil. Depois nos conte o que foi resolvido.

          Abraços,

          Lu

      1. Rebeca Lima

        Lu
        Hoje venho novamente pedir-lhe ajuda, pois já estou há 1 ano e 5 meses em tratamento com Exodus, está tudo bem, porém enfrento uma separação do meu namorado, que aparentemente não segurou a barra, penso que ninguém é obrigado. Enfim, você teria algum texto falando sobre isso? Pra eu procurar sair dessa fossa sabe, no momento nada me interessa, sair, amigos, família, nada… Quero ficar só, tentar digerir. Se alguém puder me dar umas dicas também…

        Obrigada mais uma vez, querida amiga! Abraços fortes!

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        1. LuDiasBH Autor do post

          Rebeca

          Todas as separações são traumáticas e levam um tempo até que sejam digeridas. Mas tudo passa! Amanhã a gente ri de muitas coisas pelas quais chora hoje, pois a vida flui. Não há como pular esta etapa. Imagino que você tenha falado com ele sobre seu transtorno mental, sobre o medicamento que toma e seus efeitos adversos. Penso que o companheiro (ou companheira) deve sempre estar a par do que ocorre na vida do outro. É uma prova de honestidade no relacionamento. Se, ainda assim, ele (ou ela) não se mostra compreensivo, significa que não é um companheiro para as horas boas e ruins. E o melhor seria deixar o caminho livre para poder encontrar alguém que realmente valha a pena. É normal que esteja vivendo um momento de fossa. Faça uma lista com os pontos positivos e negativos da relação de vocês, se os negativos suplantarem os bons, procure dizer para si mesma que o melhor foi acabarem. Se os pontos bons suplantarem os ruins, engula o orgulho e peça uma conversa com ele e ponha todas as cartas na mesa, peça desculpas, se o problema partiu de você.

          Sugiro a leitura dos texto: (pesquise no site ou no Google)

          A DEPRESSÃO NÃO ACEITA OU DÁ AMOR e
          NA VIDA TUDO PASSA! TUDO MUDA!

          Beijos,

          Lu

  2. Marcel

    Parabéns pelo texto, Larissa!

    No início do ano descobri o blog da Lu, e quando cheguei aqui, eu me senti muito melhor pelo fato de estar rodeado de pessoas que vivem e entendem este problema. Cometi um erro grave, pois aos 90 dias tomando exodus e bup, interrompi o tratamento! Eu me senti de bem com a vida e com pouquíssimos e raros momentos de tristeza, tinha me tornado outra pessoa, ou melhor dizendo, voltei a ser eu mesmo. Infelizmente veio a recaída e retomei meu tratamento, que segundo o médico, tem que ser no mínimo de 1 ano. Hoje estou no vigésimo nono dia de tratamento e passei a me sentir melhor de novo, sendo que o aperto no coração ainda permanece, porém os efeitos colaterais foram quase nulos desta vez, menos o sono. Colocando-me como exemplo, gostaria de falar para quem está no começo, ou mais avançado no tratamento, que não desista por nada! O começo é um pouco difícil, porém o depois é muito melhor, só não pode parar como eu fiz.

    Um grande abraço a Larissa e um beijão pra Lu! Obrigado pelo espaço!

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    1. Larissa

      Oi, Marcel!
      Que bom que você já está se sentindo melhor novamente. Mas é isso, não devemos deixar o medicamento tão logo estejamos nos sentindo bem. Pois ele estabiliza nossas emoções, o orgânico do problema. Mas a gente tem que ir atrás para resolver os problemas, os conflitos da nossa vida, nem sempre tão óbvios pra gente, que são o fundo de toda essa dor e sofrimento nossos. Quanto aos efeitos colaterais, hoje também já não sinto nenhum, exceto o sono, que ainda assim está pouco, e uma tremedeira nas quatro horas seguintes à tomada do remédio.

      E é isso, ser paciente com esses primeiros dias. Depois deles é até inacreditável como a gente consegue ir vendo, pouco a pouco, a vida novamente.

      Abraços!

      Responder
  3. Cristina

    Lu
    Realmente és um anjo caído do céu. Nem imaginas como este blog nos ajuda a arrebitar ao ver teu exemplo e de outros que por cá passam.
    Um bem haja e que tenhas sempre esta força e otimismo pra nos ajudar, nós que estamos desnorteados e sem ânimo.

    Beijinhos

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Cristina

      Viver é uma ato de coragem, doce amiguinha. E não serão umas coisinhas à toa que irão tirar a nossa vontade de curtir a vida. Afinal, somos todos POPs (pacientes, otimistas e persistentes). Também gostei muito do depoimento da Larissa, pois mostra que não estamos sós nesta caminhada e que há um baita sol esperando por nós, a cada dia (excetuando os nublados… risos)

      Um grande abraço,

      Lu

      Responder
  4. Cristina

    Lu, muito obrigada pelo apoio e atenção. Vou tentar ter mais calma e esperar que tudo passe, pois, afinal de contas, já passei por isso uma vez e sobrevivi. Vou dando noticias.

    Beijinhos

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Cristina

      É exatamente esta atitude que deve ter. Ficar ansiosa só atrapalha. Logo estará ótima. Continue sendo POP (paciente, otimista e persistente).

      Abraços,

      Lu

      Responder
      1. Cristina

        Lu
        Hoje estou ja no 8° dia do tratamento. Amanhã começo com 10 mg. Só que ha 2 dias não tenho dormido bem (penso que o alprazolam me abandonou). Será insônia relacionada com a toma do escitalopram? Alguém aqui ja passou por isso na fase ruim e depois melhorou? Estou com tanto medo de sofrer de insônia pra sempre 🙁

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        1. LuDiasBH Autor do post

          Cristina

          Pode consertar essa sua carinha de tristeza, pois ainda se encontra na fase de turbulência, mas da terceira semana em diante começará a ver a luz maravilhosa do sol. O oxalato de escitalopram tanto pode ocasionar excesso de sonolência como insônia, mas depois o organismo vai se adaptando e tudo volta ao normal. Eu já passei por isso, pois também caí no grupo dos insones. Tomei bromazepam para ajudar a dormir. Hoje já está regularizado. Seja POP e tira esta palavra muito feia de sua vida: “medo”. Viver é um ato de coragem e a gente tem sempre que olhar a vida com otimismo. Da próxima vez, quero uma carinha bem feliz… risos.

          Um grande abraço,

          Lu

  5. Cristina

    Lu
    Muitos parabéns por este incrível site. Eu, infelizmente, há 2 anos sofri de ansiedade e ataques de pânico. Fazendo tratamento com escitalopram, melhorei muito, tanto que o deixei por iniciativa própria. Resultado: Tive recaida, o que me obrigou a voltar ao escitalopram novamente… Estou no 5° dia e como deve calcular, está sendo ruim… Tomo de manhã, acordo pra tomar e adormeço novamente, só que depois que acordo sinto dores de estômago. Não sei se é por não comer quando tomo a medicaçao, ou se é mesmo efeito secundário 🙁

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Cristina

      Seja bem-vinda a este cantinho. Sinta-se em casa.

      Amiguinha, você jamais poderia ter abandonado o tratamento, sem a supervisão médica, pois quando isso acontece, as crises voltam mais intensas, assim como os efeitos adversos, ao retomar o antidepressivo. Mas não se preocupe, pois tudo isso logo passará. O importante é que você voltou a ser medicada.

      Cris, muitas pessoas acham que, por já ter tomado um determinado antidepressivo, ao retornar ao mesmo não terá mais os efeitos adversos. Mas não é bem assim. Uma vez que o organismo elimina a substância totalmente, ao voltar a ela, é como se fosse nova para ele, tendo assim que arcar com os efeitos adversos, muitas vezes piores do que antes. Portanto, deverá ser POP (paciente, otimista e persistente) para passar por esse período.

      Eu também o tomo na parte da manhã, com um frasco de leite fermentado ou um iogurte líquido. Também volto a dormir. Mas não sinto efeito colateral, pois já o tomo há muitos anos. No seu caso, tanto pode ser efeito adverso do remédio ou estômago vazio. Se depois de duas semanas isso não passar, sugira a seu médico que passe o medicamento para você tomar à noite. Não faça isso sem antes conversar com ele. Muitas vezes a mera mudança de horário faz toda a diferença.

      Muito obrigada pela sua visita e comentário. Volte sempre!

      Abraços,

      Lu

      Responder
      1. Cristina

        Muito obrigada, Lu, pela sua atenção. E quero ainda dar, mais uma vez, os parabéns por essa sua iniciativa na criação deste espaço que me tem ajudado bastante desde ontem 🙂

        Em relação aos efeitos adversos da medicação, eu não me recordo deste mal-estar geral e desta dorzinha de cabeça que teima em aparecer. Recordo, sim, que dá uma moleza no corpo que não consigo fazer nada. Mas após umas 3 semanas já me sentia outra! Espero que desta vez tenha os mesmos resultados, o que me está a deixar ansiosa.

        Beijinhos

        Responder
        1. LuDiasBH Autor do post

          Cristina

          O mal-estar que você está sentindo, assim como a dorzinha de cabeça, são sintomas adversos da medicação. Muitas vezes, o recomeço costuma ser pior do que da primeira vez. Portanto, terá que esperar entre duas a três semanas para que desapareçam e venham os bons efeitos. Procure ficar o mais calma possível, pois está comprovado que as pessoas otimistas tendem a ter resultados positivos mais rapidamente. Amiguinha, procure relaxar, preencher sua vida com coisas de que goste, fazer algum exercício físico (caminhada, por exemplo) e dar tempo ao medicamento para agir em conformidade com seu organismo.

          Cris, aproveite para conhecer as 32 categorias deste site. E conte sempre conosco.

          Abraços,

          Lu

  6. Dina

    Gostei do depoimento da Larissa. Só quem tem depressão e pânico sabe que não é questão só de força de vontade, pois, quando o problema é grave, a pessoa só melhora com medicamentos. Evidentemente manter a fé e o otimismo ajudam muito, porém não bastam. Tinha muito preconceito com medicamentos até precisar deles, hoje recomendo para quem está gravemente doente.

    Responder
    1. Larissa

      Oi Dina, é isso mesmo. Muitas vezes é difícil pras pessoas próximas a nós entenderem que não se trata de falta de força de vontade de sair dessa, até porque, a gente que já esteve nessa situação, sabe o quanto a vontade de sair dela é desesperadoramente grande. Depois dessa experiência também deixei de lado o preconceito com a medicação, e vou sempre recomendar pra quem está passando pelo mesmo.

      Abraços

      Responder
  7. Clara

    Lu, agradeço pela publicação do texto da Larissa. Atitudes como a tua e a dela, são uma bênção, um caminho, uma luz.
    Obrigada! Sigo com o meu “dinamarquês” (Lexapro)!!

    Beijos

    Responder
    1. Larissa

      Oi Clara!
      Fico feliz em ler isso. Ler os comentários no blog foi um alento pra mim também nos dias em que ainda não via uma luz no caminho. Às vezes poder ouvir sobre a experiência de outros, que estão passando pela mesma situação, a experiência com os remédios dá força e segurança pra gente continuar.

      Abraços

      Responder
  8. Tina

    Querida Larissa,

    Parabéns pelo seu belo depoimento e clareza, pois lendo seu texto, eu me sinto menos “ET”… (Adoro este espaço da Lu. Valeu amiga!). Eu tenho vergonha de dizer para as pessoas que tenho depressão e que faço uso de antidepressivos. Faz alguns anos que tomo e, se paro, fico bem somente uns 4, 5 meses, daí a ansiedade volta e com ela os sentimentos ruins, e eu me torno uma pessoa ruim! O meu maior desejo é que um dia, eu não precise mais tomar antidepressivo, para que volte a ser como bem antes… Mas não vou parar de lutar e buscar uma cura para essa terrível doença.

    Abraços,

    Tina

    Responder
    1. Larissa

      Oi Tina!
      Eu acho que te entendo quanto a se sentir meio ET. Eu também sempre tive bastante receio de dizer que sofria de algum transtorno mental. Sofro de ansiedade há mais ou menos dez anos. Há cinco anos tive minhas primeiras crises de pânico, mas me abri com pouquissimas pessoas. Durante a depressão me senti tão desesperada, que acabei conversando com mais amigos, até como forma de pedir ajuda. Tinha muita vergonha de me reconhecer como uma pessoa deprimida. Mas se tem uma coisa que aprendi nesses dias foi o quanto podemos nos surpreender com as pessoas e com os resultados da gente se abrir com amigos. E com o quanto não temos nada de ET num mundo em que a depressão, o pânico, o TOC, etc, são muito, mas muito mais comuns do que se imagina.

      Descobri que convivo com muita gente que passou por situações parecidas, com muita gente que toma antidepressivos e que convive ali comigo, diariamente, e eu nunca soube. Acho que o modo de vida em nossa sociedade é adoecedor. Ele nos adoece e nos cobra o enfrentamento da nossa dor individualmente, nos faz nos sentirmos culpados pela nossa dor, culpados por um suposto fracasso num mundo em que todo mundo parece adaptado, feliz. Pura ilusão. Tem muita, mas muita gente aí sofrendo o mesmo que a gente e calado, com vergonha.

      Eu sou das pessoas que acreditam, sim, que a medicação, na maioria dos casos não é necessária pro resto da vida. Em alguns momentos, ela é muito importante, mas não precisa ser pro resto da vida, porque acredito que os transtornos de humor são muito mais um trasbordamento de angústia que nossa estrutura psíquica não dá conta num determinado momento. Uma angústia própria da nossa existência mesmo, mas com a qual não aprendemos direito a lidar, desde a nossa infância. Por isso, acho que fundamental, junto com a medicação, é o trabalho que fazemos com os nossos conflitos, a elaboração disso que a gente não consegue nomear mas que transborda, explode na depressão, no pânico, nos medos. A medicação dá uma ajuda gigantesca quando nosso orgânico está desregulado. Acho que só podemos considerar a possibilidade de deixarmos a medicação quando estivermos trabalhando as raízes desse sofrimento, indo lá nos nossos conflitos e construindo uma estrutura psíquica que dê conta de enfrentar a vida sem nos colocar desamparados.

      Beijos e pode acreditar que a cura existe sim 😉

      Responder
  9. Rogerio Gouveia

    Olá, Larissa!
    É muito bom o seu relato. O mais importante para quem pretende aderir a um tratamento com antidepressivo é procurar um médico de confiança e evitar ao máximo a automedicação ou o inverso, que é interromper um tratamento por conta própria, pois, ao invés de minimizar um problema, vai arranjar um outro muito maior. O ideal é não precisar de remédio algum, mas se for o caso, utilizar da maneira correta e se cuidar.
    Amor próprio acima de tudo, mesmo com medicação, a solução vem de dentro pra fora. 😉

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    1. Larissa

      Oi, Rogério!

      Isso mesmo, um bom médico nessas horas é fundamental. Sempre fui meio insatisfeita com a escuta dos médicos pelos quais passei na minha vida, dos médicos psiquiatras. O meu atual me surpreendeu muito, pela escuta diferenciada e atenta aos aspectos pra além do orgânico. Ele me passou muita confiança pra iniciar o tratamento. E é isso, evitar a auto-medicação e a retirada por conta própria. Acredito que a grande maioria de nós vai poder fazer essa retirada tranquilamente dentro de algum tempo, mas desde que acompanhada por nosso médico e por mudanças no nosso modo de vida. Por isso, acredito que a psicoterapia ou a análise sejam bem interessantes, somadas a outras coisas como exercícios físicos, práticas como a meditação, que nos reconectem com a gente mesmo, com nossos sentimentos.

      Abraços

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  10. Terezinha Pereira

    Larissa,

    Muito bom. Estou divulgando seu depoimento. Pessoas em estado de depressão precisam de um alento como este.
    Existe esperança. Importante é o paciente resolver tomar alguma iniciativa.
    Abraço,

    Terezinha

    Responder
    1. Larissa

      Sim! Existe esperança, Terezinha. Muitas vezes enquanto estamos lá, no meio do furacão que é a dor, o desamparo, a desorganização mental que é a depressão, a gente se convence de que não existe esperança, não existe cura, pois não consegue vislumbrar uma saída. Mas isso acontece porque a depressão faz-nos ver o mundo com uma cortina de pessimismo. Ela nos engana. A gente só precisa de um pouco de força pra dar os primeiros passos. E se não tem essa força, poder contar com a força das pessoas próximas a nós pra nos sustentar nesse início, o que é muito importante.

      Beijos, e obrigada por divulgar 🙂

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  11. Matê

    Parabéns, minha querida Larissa!
    O mais importante de tudo, o remédio comprovadamente mais eficaz, é a pessoa querer melhorar e fazer o tratamento direitinho.Estou torcendo para que todos sintam esperançosos ao ler o seu texto.
    Um abraço
    Matê

    Responder
    1. Larissa

      Isso mesmo, Matê. E, embora pra quem olhe de fora muitas vezes não pareça, a gente quer sim, e quer muito melhorar. As vezes sente-se pessimista quanto a ter esperanças, quanto aos tratamentos. E, pelo menos pra mim, ler sobre os resultados positivos do tratamento pra algumas pessoas, que os relataram por aqui, foi muito importante.

      Um abraço!

      Responder
  12. LuDiasBH Autor do post

    Larissa

    O seu texto é brilhante, sobretudo pela verdade com que o sedimenta. Você se mostrou por inteira, sem dourar a pílula. Deu um estímulo aos que exitam em fazer o tratamento. E um apoio para os que passam pelos efeitos adversos iniciais, achando que não vão dar conta. É uma esperança para os que ainda trazem dúvidas e indagações quanto à eficiência da medicação. Em suma, é uma lição de vida para todos nós que trilhamos por este mesmo caminho. É a certeza de que devemos ser POPs (pacientes, otimistas e persistentes), pois há sempre luz na curva do caminho.

    Parabéns, minha amiguinha, sobretudo por seu carinho e preocupação com todos nós. Isto se chama generosidade e AMOR.

    Beijos,

    Lu

    Responder
    1. Danilo Rangel

      Larissa, agradeço do fundo do coração pela oportunidade e pelo maravilhoso texto. É certo que ajudará muitas pessoas!

      Abraços fraternais

      Responder
      1. Larissa

        Espero que sim, Danilo! É o que mais gostaria com esse relato, dar força pra quem está nesta luta! 🙂

        Beijos

        Responder
    2. Larissa

      Eu é que tenho que te parabenizar, Lu, e agradecer por ter criado este espaço, que cumpre esta função tão importante, mas tão pouco usada por nós que é a de compartilhar o nosso sofrimento. De falar e escutar, de trocar experiências, medos, receios, angústias e vitórias também. Esse nosso modo de vida nessa sociedade nos adoece e nos responsabiliza individualmente por nosso sofrimento. Nos faz acreditar que sofremos porque somos fracos, nos faz sentir envergonhados da nossa condição e nos leva a ficarmos fechados em nossa dor, sozinhos no nosso pessimismo.

      Um espaço como o seu blog permite-nos furar um pouco essa lógica. Permite-nos ver que não estamos sozinhos, que tem gente demais por aí passando pelas mesmas coisas e, principalmente, que existe saída!

      Beijos e mais uma vez obrigada por este espaço 🙂

      Responder

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