Vermeer – A ARTE DA PINTURA

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Autoria de LuDiasBH

clio

É uma virtuosa exibição do poder do artista de invenção e execução, encenada em uma versão imaginária de seu estúdio. (Walter Liedtke)

Nenhuma outra pintura integra, tão perfeitamente, técnica naturalista, espaço bem iluminado e uma composição integrada complexa. (Albert Blankert)

Poucas pinturas em toda a história da arte parecem tão perfeitas como esta. Maestria de Vermeer e extraordinária técnica. A luz cristalina que ilumina a cena, a pureza dos volumes e do distanciamento psicológico, exclusivo das figuras, são todas as características de seu trabalho que aqui atingem um nível extraordinário de refinamento. (Alejandro Vergara)

A composição alegórica, denominada A Arte da Pintura, obra do pintor holandês Jan Vermeer, um dos maiores artistas da pintura holandesa, é tida como uma das mais importantes obras-primas de todos os tempos. Encontra-se entre as 50 pinturas mais famosas do mundo. É também conhecida como O Ateliê do Artista, A alegoria da Pintura ou O Pintor no Seu Estúdio. O artista tinha tanta estima por esta obra que, mesmo endividado, recusou vendê-la, o mesmo acontecendo com sua família, após sua morte. Trata-se do trabalho mais complexo do grande mestre Vermeer.

Embora se trate de uma alegoria, a representação visual de A Arte da Pintura é realista, como mostram a luz que entra pela janela, à esquerda, o mapa da Holanda, a águia de duas cabeças que aparece no lustre central, que é o emblema da dinastia dos Habsburgos, da Áustria, etc. Nesta tela fica mais uma vez patente a pormenorizada observação da luz e a precisão no uso da cor por parte de Vermeer, que retrata um pintor  (possivelmente ele) e sua modelo, num ateliê.

O pintor, usando roupas do século XV, faz sua pintura num cavalete que aponta para o mapa, à sua frente, representando as 17 províncias dos Países Baixos. À esquerda, próxima ao pé do mapa e no nível da gola da modelo, está a assinatura do artista: “I. Ver-Meer”. Sobre a tela há um tento, instrumento usado para firmar a mão do artista, quando esse estiver pintando detalhes. A proteção almofadada das pontas do tento impede que a tela sofra qualquer dano. Uma imagem esboçada em giz é vista na tela, mas o artista inicia a pintura a partir da coroa de louro da retratada. A postura de sua mão direita, em relação a esse detalhe, indica que a mão do artista também está sendo coroada pela sua arte.

A modelo usada na pintura representa Clio, musa da História, que tem como atributo o livro e a corneta. No primeiro, são registrados os feitos heroicos da História, enquanto a trombeta simboliza a fama que um artista pode alcançar através de sua arte. Ela traz os olhos baixos, como se fitasse algo sobre a mesa. O pintor poderia estar relacionando a história com a pintura. Alguns estudiosos do assunto veem na modelo a representação da Poesia. São diferentes as leituras, sendo todas elas incertas, pois falta a verbalização do autor do trabalho. O importante mesmo é a fascinação que a obra transmite.

Uma cadeira, com o assento e recosto em couro, ornada com tachões e babados, encontra-se em primeiro plano, como se convidasse o observador para assentar-se ali, e observasse de longe o artista em seu trabalho, mas sem atrapalhá-lo. Próxima à cadeira está uma luxuosa cortina de tapeçaria, pintada com desenho de flores e folhas, puxada de tal maneira que o pintor possa ser visto, trabalhando. Trata-se também de um convite para que o observador adentre na sala. Atrás dela se esconde a fonte de luz que inunda o ateliê, vinda da esquerda para a direita.

Parte de uma mesa é vista entre a cadeira e a modelo. Sobre ela, tecidos drapeados caem em forma de cascata, banhados pela luz que entra no ambiente. Uma máscara de gesso encontra-se sobre a mesa, provavelmente simbolizando que a pintura é uma arte de imitação. Atrás do cavalete vê-se uma segunda cadeira semelhante à primeira.

O piso, composto por ladrilhos de mármore branco e preto, em diagonal, direcionam o olhar do observador de um lado para o outro. No teto, as vigas formam um desenho horizontal em harmonia com as barras do mapa. Um vistoso candelabro dourado, que traz a águia de duas cabeças dos Habsburgos, pende do teto, acima da cabeça do pintor. O candelabro não possui velas, talvez seja essa uma referência à diminuição do poder da família real espanhola.

Tudo chama a atenção nesta maravilhosa e complexa pintura, mas é impossível deixar de observar os pontos extremamente brilhantes que o artista, em seu perfeccionismo, transforma em contas de luz, que mais se parecem com pérolas vistas de longe. Podemos observá-los, sobretudo, na cortina, nos tachões das duas cadeiras e no candelabro.

Este quadro passou por uma longa história. Depois de passar por vários donos, acabou nas mãos de uma família austríaca. Tempos depois caiu em mãos do ditador nazista Adolf Hitler, que ornou seus aposentos particulares, em Berchtesgaden, com ele. Ainda bem que não o destruiu.

Segundo algumas fontes, o pintor, visto na composição, poderia ser um autorretrato de Vermeer e a modelo sua própria filha. Porém, tudo não passa de conjecturas.

Ficha técnica
Ano: c. 1665/1668
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 120 x 100 cm
Localização: Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Arte em detalhes/ Publifolha
http://www.essentialvermeer.com/cat_about/art.html#.

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