HUMANOS – NOSSA COMPLEXIDADE

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Autoria de Lu Dias Carvalho

   A mente humana está sempre a fervilhar. Mesmo quando a pessoa dorme, lá vêm os sonhos e pesadelos resultantes de suas ações, quando desperto. São tantos os afazeres nos dias atuais, que muitos erros são cometidos. Além de avaliar a si mesmo, a pessoa ainda entra na seara alheia em meio a conflitos e mal-entendidos. Será que o cérebro humano está apto a comportar tudo isso, ou traz resquícios da vida humana em pequenos grupos, habitando as cavernas? A complexidade dos tempos atuais exige mais do que o cérebro dá conta. Daí a disparidade nos pareceres, pois pessoa traz uma bagagem diferente. A romancista Anaïs Nin cunhou uma expressão muito interessante, ao dizer que “Não vemos as coisas como elas verdadeiramente são; vemo-las como nós somos”. O modo como se entende o mundo vai depender de uma combinação de elementos que cada um traz, tais como cultura, personalidade, genética, religião, etc. Não se trata meramente de ponto de vista. Toda ação é fruto do olhar pessoal de cada um de nós sobre o mundo que nos envolve. Assim, cada um escolhe o que é bom ou ruim, segundo o seu modo de ver e sentir a vida. O preocupante é quando o faz sem qualquer embasamento real, munido apena de conjecturas.

   Entre os mais jovens é comum medir a popularidade aludindo ao número de seguidores nas redes sociais. Dias desses, a filha de uma amiga me disse que tinha mais de mil seguidores no Instagram. Eu me pus a pensar no “Número Dunbar”, formulado pelo antropólogo e psicólogo evolucionista inglês Robin Dubar. Ele descobriu que cerca de 150 pessoas é o número que o cérebro comporta, no que diz respeito aos relacionamentos estáveis e à sua significância. A partir daí, não passa de um entulhado de nomes, sem qualquer referência ou importância significativa. Está provado que, quando uma organização se torna grande demais, o vínculo entre seus participantes vai se esfriando, diluindo, assim como é difícil guardar o nome e a memória dos vários amigos que passam pela vida de cada um de nós. Como diz Hernando Dias Martins, um observador das peculiaridades humanas, “cada grupo de amigos vai se limitando ao contexto e tempo em que se vive”.

     Quando Anaïs Nin diz que não vemos as coisas como elas verdadeiramente são, mas como somos, está implícita a capacidade que cada um de nós possui de achar que a sua interpretação da realidade é a própria realidade. São sempre os outros, que não pensam como nós, que estão errados. Muitos atos de ódio, preconceito e desrespeito, no correr da história humana, nasceram desta visão equivocada. Segundo o psicólogo e escritor Elliote Aronson, temos a tendência de “recordar e aceitar informações que confirmam aquilo que já sabemos, e tendemos a ignorar, esquecer e rejeitar informações que contradizem aquilo em que acreditamos”. Talvez achemos que mudar de ideia dá um trabalho danado, sendo melhor continuar no mesmo caminho. Mas num mundo tão célere e complexo como o nosso, muitas vezes o não mudar de ideia pode nos levar a labirintos espinhosos. Outro ponto interessante é o fato de que as pessoas tendem sempre para a negatividade. Os acontecimentos ruins parecem ficar indeléveis em nossa mente, enquanto os bons evaporam-se. Daí a rapidez com que as notícias ruins ganham o mundo. Penso eu que tal proceder venha de nossa origem nas cavernas, quando era preciso estar atento aos perigos para sobreviver. Será mesmo?

Fonte de pesquisa: O Animal Social/ Elliot Aronson e Joshua Aronson

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