Arquivo do Autor: Lu Dias Carvalho

Juni Shinso – GUARDIÃO DIVINO

Autoria de Lu Dias Carvalho

Yakushi Nyorai (Bhaisajyaguru em sânscrito) é uma divindade budista, ou seja, é o Buda da medicina. É o “doutor das almas e do corpo”, sendo muito clamado nas atribulações ocasionadas pelas doenças.

Os “Doze Guardiães Divinos” – possuidores da mesma graduação dos “reis do céu” – têm como tarefa proteger a fé budista tanto contra os maus espíritos capazes de fazer o mal quanto daqueles que descumprem a lei.

A estátua acima, esculpida em madeira de cipreste, retrata um desses permanentes vigias e protetores do Budismo. Sua figura gigantesca faz menção de desembainhar a espada para o ataque. Traz o nariz franzido, o cenho fechado e os lábios comprimidos. Seus olhos mostram-se ameaçadores e os cabelos se parecem com línguas de fogo. Tudo nele parece ameaçador, mas sua aparente maldade diz respeito ao zelo que ele tem por sua missão. Tanto a sua expressão de zanga quanto seu gesto ameaçador farão os espíritos ruins retroceder.

Ficha técnica
Ano: séc. XIII
Autor: Juni Shinso
Período Kamakura
Dimensões: 77,3 cm de altura
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

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A BELEZA ESTÁ NOS OLHOS…

Autoria de Lu Dias Carvalho

Durante muitos anos, sem pensar em custos / percorri muitos países / vi as mais altas montanhas e oceanos. / A única coisa que não soube ver / foi o brilho do orvalho / na grama diante da porta de minha casa. (Rabindranath Tagore)

Diz um provérbio grego que “a beleza está nos olhos de quem a vê”, o que é uma grande verdade, pois é preciso ter sensibilidade para apreciar o belo. Entretanto, insaciáveis que somos pelo inabitual, costumamos ficar cegos às coisas belas – quando simples – situadas em nosso entorno, como bem explica o poeta bengalês Rabindranath Tagore em seus versos acima. Por sua vez o biofísico Stefan Klein aconselha: “Precisamos treinar os sentidos para descobrir a novidade naquilo que já conhecemos”. E o cientista Robert Zajonc complementa: “Quanto maior a frequência e a intensidade com que percebemos determinado estímulo, melhor reagimos a ele”.

O consumismo doentio e a busca exacerbada pelo diferente têm privado os nossos sentidos de encontrar beleza nas coisas comuns que fazem parte de nosso dia a dia. Estamos condicionando os nossos sentidos a achar beleza apenas naquilo que é caro ou está distante, muitas vezes, de nossas possibilidades. Experiências mostram que a maioria de nós só enxerga aquilo que é de seu estrito interesse. E, como crianças birrentas, mal consegue algo pelo qual tanto anseia, já se mostra insatisfeita de novo. Vivendo num mundo de excessos e desequilíbrios em que a mídia passa a ser a grande mestra, não é fácil mudar a dinâmica de tal comportamento, contudo, para o nosso próprio bem, isso se faz necessário, antes que a busca insaciável pelo diferente transforme-se numa brutal ansiedade ou depressão.

Não resta dúvida de que os desejos por coisas novas foram, são e serão sempre de grande importância para o desenvolvimento humano, contudo, quando sem freio, interferem cruelmente na nossa saúde física e emocional e, neste caso, a palavrinha mágica leva o nome de “equilíbrio” ou sensatez. É possível buscar coisas diferentes e também valorizar aquilo que é comum. A moda é um bom exemplo de como se pode mudar uma roupa usada, modificando-a ligeiramente de modo a torná-la diferente. Os artesãos são também trabalhadores dedicados na arte da reciclagem, produzindo coisas belíssimas com o material já usado.

Se a beleza está nos olhos de quem vê, faz-se necessário aprender a olhar a vida com mais sensibilidade. Há pessoas que cortam as árvores do quintal – optando por cimentá-lo – para não ter que varrer as folhas que caem, ainda que essas amainem o calor do verão. Outras, no entanto, além do prazer com os frutos colhidos, encantam-se com o sussurrar das folhas dançando ao vento – ou mesmo caindo –, com o gorjeio dos pássaros em seus galhos e, até mesmo com o manto de folhagem que cobre o chão, produzindo um farfalhar agradável quando é pisado.

E, por falar em árvores, é lamentável como as prefeituras de quase todas as cidades – incluindo as das capitais – andam desleixadas com o replantio das árvores que são cortadas por motivo de velhice ou doenças. Deixam grandes buracos nas calçadas que, depois de certo tempo, são cobertos por cimento pelos moradores insensíveis. Como é possível apreciar a natureza num país em que as autoridades dão o mau exemplo? Há locais em que é possível encontrar dois a três buracos num só lado do quarteirão, sem falar nas ruas desumanizadas, totalmente despidas de árvores.

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Kano Hideyori – EXCURSÃO A TAKAO

Autoria de Lu Dias Carvalho

Esta obra que anuncia o realismo e a simplicidade das gravuras do século XVIII é muito importante, porque marca o advento da pura pintura de gênero na arte japonesa, cuja inspiração vem de cenas e momentos especiais da vida cotidiana. O assunto era totalmente inovador à época.

A cena mostra uma família em excursão a Takao, templo próximo à cidade de Kyoto, famoso pelos jardins cujas cores mudavam-se no outono. O parque encontra-se junto ao rio e a uma ponte arqueada unifica a composição.

Inúmeros e alegres personagens aparecem na cena: mulheres sentadas debaixo de uma árvore floridas – uma delas trazendo um bebê ao seio –, duas crianças brincando, guerreiros passeando e um vendedor de doces e bebidas.

Ficha técnica
Ano: meados do séc. XVI
Autor: Kano Hideyori
Período Muromachi
Dimensões: 148,1 x 362,9 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

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Ando Hiroshige – Vista de Shono

Autoria de Lu Dias Carvalho
  
A composição Vista de Shono é uma xilogravura sobre papel, obra do famoso pintor japonês Ando Hiroshige que era apaixonado pela chuva, como mostram muitos de seus trabalhos, incluindo este. Faz parte das “Cinquenta e Três Estações de Tokaido”, parte do famoso “Caminho do Mar do Oriente”.

Hiroshige apresenta seis personagens numa estrada, açoitados pela chuva que cai. As pessoas apressam o passo para chegarem à aldeia situada no no vale. A composição, apesar de simples, tem um belo colorido, pois o artista conseguiu criar uma atmosfera lírica.

Hiroshige (1797 – 1858) nasceu em Edo. Foi aluno de Utagawa Toyokuni e Utagawa Toyohiro. Atingiu a plenitude de sua arte quando começou a pintar imagens de flores e pássaros, obras que se tornaram muito apreciadas. Desenhou mais de 10.000 temas (sem contar as ilustrações de livros) durante a sua vida.

Ficha técnica
Ano: 1833
Autor: Ando Hiroshige
Período Edo
Dimensões: 27 x 39,5 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

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Pietro Bernini – SACRIFÍCIO DE MARCO CURZIO

Autoria de Lu Dias Carvalho

Esta estátua equestre, denominada Sacrifício de Marco Curzio e também conhecida como Marco Curzio a Cavalo, encontra-se na Galleria Borghese, em Roma/Itália. O crítico de arte e pintor C. Baglione define o local como “Jardim ou Villa, se quisermos assim chamá-la, na qual se encontra toda sorte de delícias que se possam desejar ou ter na vida, toda adornada de belíssimas estátuas antigas, de pinturas excelentes e de outras preciosidades…”.

A estátua acima se encontra numa das paredes do salão de entrada da galeria.  O cavalo visto em forte galope foi criado por um escultor anônimo que viveu no primeiro ou segundo século de nossa era. Veio depois a receber como adendo o cavaleiro, tarefa que coube ao florentino Pietro Bernini (1562 – 1629), pai do também escultor Gianlorenzo Bernini.

Agregar a uma obra de mais de mil anos uma segunda parte exigia muita criatividade e destreza, pois não se podia quebrar o ritmo da obra quando em sua totalidade, tampouco apagar a sugestão de movimento da peça original. O objetivo era corporificar a lenda de Marcus Curtius (general sabino) – uma alegoria mostrando que o amor à pátria, pode ser mais forte do que o próprio amor à vida.

O cavaleiro solta as rédeas de seu cavalo e faz um gesto de atirar-se com ele em direção ao vazio, conforme narra a lenda de Marcus Curtius, precipitando-se sobre uma depressão a fim de salvar Roma.

Ficha técnica
Arte romana
Ano: Séc. I/II d.C. (cavalo)
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fonte de Pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal

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O ANTIGO AMOR AOS ANIMAIS

Autoria de Marguerite Yourcenar

Durante milênios o homem tem considerado o animal como propriedade sua, só que subsistia um estreito contato entre ambos.

E dizer que o amor aos animais é tão antigo quanto a raça humana. Milhares de testemunhos escritos ou falados, de obras de arte e de gestos visíveis dão prova disso. O campo­nês marroquino, que acaba de saber seu asno condenado à morte, certamente amava sua alimária, pois havia, durante semanas inteiras, derramado óleo de automóvel em suas longas orelhas cobertas de chagas, por julgá-lo mais eficaz, porquanto mais caro, que o óleo de oliva existente em abundância em sua pequena propriedade. A horrível necrose das orelhas apo­drecera aos poucos todo o pobre animal, que já não tinha muito tempo de vida, mas que continuaria sua tarefa até o fim, pois o homem era pobre demais para admitir sacrificá-lo.

Também amava seu cavalo aquele rico avarento que levava a uma consulta grátis com famoso veterinário europeu o belo corcel de pelo grisalho, orgulho de seus dias de fausto, cujo mal se resumia enfim a uma alimentação inadequada. Amava seu cão o rústico português que levava nos braços todas as manhãs seu pastor alemão que partira a anca, para fazer-lhe companhia durante seu longo dia de jardinagem e que ele alimentava com restos de comida.

Amam os pássaros os ve­lhos que vemos nos parques parisienses, alimentando pombos, e a quem criticamos sem razão, pois é graças a esse farfalhar de asas ao seu redor q amava os animais o autor do Eclesiastes, ao perguntar para onde ia a alma dos bichos; 1 Leonardo, libertando os pássaros prisioneiros num mercado de Florença, ou ainda a chinesa que há mil anos, encontrando num canto do pátio uma gaiola enor­me com centenas de pardais (seu médico recomendara comer todos os dias miolos da ave ainda mornos), abre as grandes portas do viveiro, dizendo: “Quem sou eu para me preferir a esses bichinhos?” As opções que temos de tomar a cada ins­tante, outros já tomaram antes de nós.

Nota: texto extraído do livro “O Tempo, Esse Grande Escultor”/ Edit. Nova Fronteira

Imagem copiada de http://renatomanasses.com.br/

 

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