Arquivo do Autor: Lu Dias Carvalho

CENA DA VIDA CAMPESTRE

Autoria de Lu Dias Carvalho

A composição intitulada Cena da Vida Campestre mostra o cerimonial que acontecia todos os anos durante o plantio de arroz – grão muito importante para os asiáticos. São muitas as figuras humanas aqui presentes, trabalhando no campo irrigado. A pintura ornamenta um biombo de oito folhas, pintado a cores sobre papel, do período Momoyama (1586 – 1615).

Alguns homens carregam às costas os fardos de mudas que serão transplantadas pelas mulheres curvadas sobre a terra.  Camponeses são vistos removendo o barro e as ervas, usando enxadas ou arados puxados por bois.

O centro da tela (aqui se trata de um detalhe) é ocupado por carregadores de cestos e recipientes contendo alimentos. Ali também se encontram músicos e pessoas mascaradas dançando – ritual que propiciará uma boa colheita. Esta cerimônia é chamada de “dengaku” ou “música dos campos”.

Ficha técnica
Ano: início do séc. XVII
Autor: anônimo
Período Momoyama
Dimensões: 67,3 x 41,8 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

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Carriera – RETRATO DE UMA JOVEM

Autoria de Lu Dias Carvalho

A italiana Rosalba Giovanna Carriera (1675 – 1757) tornou-se famosa como pintora de retratos usando a técnica do pastel. Foi aluna de Giuseppe Diamantini e de Antonio Balestra, tendo sido influenciada por Giovanni Antonio Pellegrini, seu cunhado. Iniciou sua vida artística pintando retratos em miniatura, chegando depois aos grandes formatos. Embora não tenha criado a técnica do pastel, foi a primeira a aperfeiçoá-la, esgotando as possibilidades artísticas até então conhecidas. Trabalhou para várias cortes europeias, inclusive para o rei Augusto II da Polônia. Influenciou a pintura em pastel francesa, quando ali esteve, tendo retratado o rei Luís XV.

A composição intitulada Retrato de uma Jovem é obra da artista que era capaz de captar em seu trabalho os traços de caráter dos retratados. O pastel possibilitava-lhe agradar os modelos sem ter que idealizá-los, pois dava-lhes delicadeza e suavidade aos retratos, como é possível notar no retrato acima.

A retratada, com o corpo de perfil e o rosto voltado para o observador, possui um olhar terno, tem a pele em tom de madrepérola, obtido pela fusão do azul, cor-de-rosa e cinzento-claro – as cores clássicas do pastel. A pintura a pastel não faz uso de sombras.  O rosto da jovem traz um quê de infantilidade angelical. Seus lábios corados esboçam um tênue sorriso.

Obs.: A técnica do pastel ganhou força nos séculos XVI e XVII, principalmente entre os artistas italianos e os franceses. Rosalba Carriera foi responsável por seu ápice no século XVIII. Esta técnica tem sua origem no século XV, já tendo sido mencionado por Leonardo da Vinci.

Ficha técnica
Ano: 1708
Técnica: pastel
Dimensões: 36,3 x 30,3 cm
Localização: Museu Nacional do Louvre, Paris, França

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pastel_(arte)

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GURU DESMORALIZA OS GENERAIS DO REINO

 Autoria de Lu Dias Carvalho

As coisas não andam boas para os generais do reino desde que o soberano deu ao seu guru astrólogo a maior condecoração possível, munindo-o de poder e glória. O que se vê é justamente uma camisa de onze varas para os homens de farda, incapazes de usar uma camisa de força na língua do mentor real e na truculência do monarca. E para piorar o entrevero, o rei usou de todas as letras para dizer que apoia seu mentor, acima de tudo e de todos: Olavo, sozinho, rapidamente tornou-se um ícone, verdadeiro fã para muitos. […]. Sempre o terei nesse conceito, continuo admirando-o”. O fato é que a capitis diminutio dos generais é visível no embate com esse cavaleiro da triste figura e com a família real. Os ataques não se tratam de combustão espontânea, mas de uma bem armada orquestração no intuito de expeli-los da governança.

Dentre as baixarias lançadas pelo guru, nada mais triste que aquela endereçada a um dos generais que vivencia um sério problema de saúde: “… a quem me chama de desocupado, não posso nem responder que desocupado é o cu dele, já que não para de cagar o dia inteiro”.  É lamentável que os súditos fiquem expostos a tanta loucura e crueldade, assistindo a um flagrante desrespeito não apenas a um general, mas a uma pessoa com problemas reais de saúde (causa turpis). O guru ainda diz que Os vassalos votaram para ter um governo conservador, cristão”. O que há de cristão em tanta depravação, desregramento e sacanice? Onde fica o tal reino cristão? Se Cristo aqui viesse, haveria de meter o chicote nos hipócritas.

Numa fala de quem quer colocar panos quentes, o general e vice-rei mandou seu recado: “Esses ataque são totalmente sem nexo. Se nós ignorarmos, será muito melhor para todo mundo”. No que se engana o vice-rei, pois diz a sabedoria popular que quem muito se abaixa acaba mostrando a bunda, como comprova outra declaração do guru: Fracotes enfezadinhos como esse general, que não têm personalidade nenhuma e só sabem agir sob a proteção de grupos e corporações, imaginam que sou como eles e vivem tentando reduzir as MINHAS OPINIÕES…”.

Ignorar a desmoralização dos generais – como sugere o vice-rei – não é “melhor para todo mundo”. A omissão nada mais é do que um sinal de fraqueza ou cooptação, uma vez que o omisso toma um lado, sim – o do mais forte. E quando a contenda sai do campo das ideias para entrar no da obscenidade, indecência e falta de decoro significa que a corda dada já ultrapassou os seus limites, aproximando-se do abismo. É preciso romper este círculo vicioso de impropérios. Chega de ser cobra que morde o rabo. Com mil demônios! De tanto colocar uma pá de cal e pôr pedra em cima, o reino logo estará cercado pelas Muralhas da China.

É sabido que esta carga de explosivos disparada contra os homens das espadas objetiva derrubar o general ministro da Secretaria do Reino, mandando-o de mala e cuia para casa. Um dos mais beligerantes príncipes vem alardeando aos quatro ventos a armação, vangloriando-se de ter “explodido” o afrontado que ainda continua de pé, mas debaixo de um fogo cerrado de desmoralização, aviltado até mesmo por indivíduos desprezíveis que pululam pela mídia. O guru continua apontando sua artilharia para o ministro general: “Só conhece politiqueiros e fofoqueiros de merda como ele mesmo”. O que se vê neste reino tresloucado é mina por todo lado e um salve-se quem puder. O ex-comandante do exército do reino deixou claro que: “… pela importante presença dos militares em cargos de chefia, certamente uma parte da conta [se o governo real não der certo] será debitada aos militares”. Então, que eles zelem pelo reino antes que consumatum est.

O que mais intriga nesta imbróglio é o fato de o monarca e seus príncipes – em vez de agirem como mediadores – estarem a jogar bosta (com a licença do guru pelo uso da palavra) no ventilador. Ao invés de conterem a verbiagem do mentor, estão a insuflar seu ego aloprado, tanto é que, irritado, o rei respondeu àqueles que questionaram o entrevero de seu guru com os homens das espadas: “Ele [o guru] é dono do seu nariz, assim como eu sou do meu e você é do seu”. E complementou, mandando um recado indireto para os fardados, mostrando-lhes que não são melhores do que ele: “Eu recebo críticas muito graves e não reclamo. O pessoal fala muito em engolir sapo e eu engulo sapo pela fosseta lacrimal”. Trocando em miúdos, que os generais engulam seus sapos sem reclamar e fiquem “pianinho”.

O fato de ser tão louvaminhado pela realeza levou o mentor astrólogo a dar um tiro de misericórdia nos homens das espadas: Os generais, para voltar a merecer o respeito popular, só têm de fazer o seguinte: arrepender-se, pedir desculpas e passar a obedecer”. Os homens de farda receberem do guru a ordem de calar a boca e obedecerem é uma desmoralização total e irrestrita.  Portanto, a impressão dos vassalos é a de que no reino o mentor real continua dando as cartas. Placar: Estrelas (mentor real) 10 x Espadas (generais) 0.

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Klee – EM TORNO DO PEIXE

Autoria de Lu Dias Carvalho

O objeto cresce além de sua aparência através de nosso conhecimento de seu ser interior, através do conhecimento de que a coisa é mais do que seu aspecto externo sugere. (Klee)

O pintor, teórico da arte e educador Paul Klee (1879 – 1940) nasceu e cresceu numa família de músicos. Seu pai, o alemão Hans Klee, era um professor de música e sua mãe, a suíça Ida Frick, estudava canto, tendo o artista incialmente hesitado entre a escolha da música e a da pintura. Aos sete anos começou a aprender a tocar violino e aos onze já dominava muito bem tal instrumento. Lidava com a música, a escrita e o desenho. Portanto, nada mais do que normal a relação de sua pintura com a música, pois ele vivia em meio a uma e a outra. Contudo, a música tinha um peso inferior ao da pintura que lhe possibilitava criar mais.

A composição intitulada Em Torno do Peixe é um dos trabalhos do artista. Embora pareça ser uma de suas obras mais figurativas, basta olharmos em volta do peixe para depararmos com inúmeros objetos (uma cruz, luas cheias e crescente, um ponto de exclamação, uma seta, uma bandeirola, etc.) que trazem uma simbologia própria, embora o artista gostasse apenas da livre associação de ideias, sem se ater à representação.

O grande peixe – símbolo do cristianismo – dentro de um recipiente azul ocupa o centro da tela e, assim como os demais objetos, encontra-se em meio a um vazio escuro, como se flutuasse. Klee, um grande criador de mundos irreais onde convivem a fantasia e o paradoxo, dá asas à sua imaginação, mas sem perder o lirismo e o humor nesta pintura misteriosa. O que se encontra debaixo do grande peixe seria seu reflexo, ainda que invertido, ou outro peixe? O observador pode trabalhar apenas com conjeturas.

Os símbolos em primeiro plano, começando pelo círculo amarelo onde se encontram cinco sinais em vermelho, poderiam ser uma representação das cinco feridas de Jesus Cristo? O formato da estrela onde eles se inserem seria uma referência à Estrela de Davi?  O dado representaria o jogo feito pelos soldados romanos durante a crucificação, para decidir quem levaria as roupas de Cristo? A foice, na parte inferior esquerda, simbolizaria a morte. Na parte superior está uma cruz, outro símbolo da crucificação do Salvador. A seta vermelha apontada para uma cabeça estilizada seria uma referência à consciência humana? Abaixo da seta está um ponto de exclamação. A que ele alude? As duas luas abaixo da cabeça são para sugerir que se trata de uma imagem noturna? O que representariam as formas cilíndricas transparentes?

Ficha técnica
Ano: 1926
Técnica: tinta a óleo
Dimensões: 47 x 64 cm
Localização: Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA

Fontes de Pesquisa:
História da arte no ocidente/ Editora Rideel
https://translate.google.com.br/translate?hl=ptBR&sl=en&u=https://www.moma.org/au

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GURU DO REINO DESTRATA GENERAL

Autoria de Lu Dias Carvalho

Cá entre nós, respeito é coisa irreal neste desvairado reino – uma verdadeira casa de orates. Nem mesmo os generais estão a salvo da chacota. O que se vê é cada um  fazendo o que bem quer nestes domínios  delirantes da mãe joana – desde os príncipes aos astrólogos. Foi-se o tempo em que a norma vigente era cada qual com seu saraquá. A verdade que salta aos olhos e vem caindo no domínio público é que os donos das espadas andam tão inexpressivos e borocoxôs por estas terras que se pode caçar pulga em juba de leão. Enquanto isso, o guru despirocado manda e desmanda no pedaço, principalmente agora que se encontra todo empertigado e gabarola com a condecoração que lhe fez seu rei. O Diário Oficial da União do reino, em edição extra, oficializou-o no grau de Grã-Cruz da ordem. Isso é que é honraria, o resto é café pequeno. Há de trombetear vitórias o tal sujeito, sem jamais cantar a palinódia.

O guru real classificou determinado general do reino – ministro de certa pasta – como “uma bosta engomada” que “fofoca e difama pelas costas”. E ainda arrematou, ligando-o a um conhecido político: … são aqueles tipos de ‘bandidinhos’ que não podem receber um elogio sem respondê-lo com insultos, para mostrar que são gostosões. Gente sem caráter nem valor. Bostas em toda a extensão do termo”. O general – assim como o vice-rei já havia feito antes – limitou-se tão somente a dizer que o tal guru é um “desocupado esquizofrênico”. Desta maneira, a falta de uma postura mais enérgica por parte dos homens fardados vem fornecendo munição para que o destemperado mentor deite e role, sem haver absolutamente ninguém que coíba seus desvarios ou lhe aplique um cala a boca. Enquanto o guru astrólogo canta de galo, há a impressão entre os súditos de que os generais estão a cantar de galinha, quando deveriam chamar o bocudo à responsabilidade, quebrando a crista de sua empáfia.

O mais bizarro no reino é a postura do monarca que deixa visível para todos que seu guru “só” não é mais importante do que seus mimados pimpolhos, ou seja, todo o resto não possa de um cocô. Tanto é que, mesmo após seu astrólogo ter batido pesadamente no vice-rei e agora em um de seus ministros – ambos generais – concedeu ao guru a maior honraria do reino, ou seja, agraciou-o com o mais alto grau da Ordem de Rio Branco (E pasmem!)  por “distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas, estimular a prática de ações e feitos dignos de honrosa menção”. E é claro que tal honraria foi estendida – num gesto do mais vergonhoso nepotismo – aos dois príncipes mais velhos (O que os moçoilos fizeram de bem ao reino?), o que deve ter levado o Barão do Rio Branco a revirar-se em sua tumba mortuária. E os súditos? Ah, esses continuam com a cara de babaca. Ou seria cara de tacho?

Nota: A Ordem de Rio Branco foi idealizada em 1963 e homenageia o Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira. Ela tem cinco graus: Grã-Cruz (a mais alta), Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro, além de uma medalha anexa. Segundo a reportagem “O rei incluiu seu guru astrólogo num grau que, segundo o regulamento da ordem, é reservado apenas para determinadas autoridades. As normas, disponíveis no site do Itamaraty, estabelecem que a Grã-Cruz pode ser dada ao presidente da República e ao vice-presidente; aos presidentes da Câmara, do Senado e do STF (Supremo Tribunal Federal); a ministros, governadores e militares de alta patente, além de ‘embaixadores estrangeiros e outras personalidades de hierarquia equivalente’.”

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Watteau – FESTAS VENEZIANAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor e desenhista francês Jean-Antoine Watteau (1684 – 1721), filho de um artesão, nasceu em Valenciennes, tendo recebido treinamentos com os artistas de sua cidade. Em Paris ele trabalhou no ateliê do pintor decorativo Claude Gillot. Três anos depois  foi para o estúdio de Claude Audran III que também era um artista decorador e ornamental. Na capital parisiense o artista passou por dificuldades, tendo que fazer cópias nas oficinas de Notre Dame para sobreviver. Recebeu, aos 25 anos de idade, o prêmio de segundo lugar no Prix de Rome. Em Paris, ele foi apresentado ao rico colecionador de arte Pierre Crozat que tinha dentre as suas inúmeras obras, trabalhos de Peter Paul Rubens, Anthony van Dyck e de pintores venezianos.

A composição rococó intitulada Festas Venezianas é uma obra do artista. Trata-se de uma “fête galante” – o artista foi responsável por introduzir o gênero galante na pintura, uma vez que o seu trabalho “Embarque para Ciera” não se enquadrava em nenhum dos gêneros existentes até então.

Em sua tela, o artista não coloca nenhum dos personagens como centro das atenções. Ali se encontram: um casal dançando minuete; o tocador de gaita de foles; um cavaleiro, à direita, debruçado sobre uma mulher que se retrai; um casal, de pé, na frente de um chafariz; casais conversando animadamente, um casal sentado no chão, aos pés do músico, em primeiro plano, etc. Watteau encontra-se presente na pintura como o músico da gaita de foles.

Curiosidade:

  • Fête Galant – tipo específico de pintura rococó, que dá destaque às festas ao ar livre e a jovens elegantes; diversão dos ricos ociosos ao ar livre.
  • Rococó – estilo decorativo surgido na França no reinado de Luís XV.
  • Minuete – dança francesa, grave, elegante, composta de evoluções e reverências, introduzida na corte de Luís XIV em cerca de 1650.
  • Gaita de foles – instrumento campestre de música, formado por tubos adaptados a uma espécie de saco de couro cheio de ar.

Ficha técnica
Ano: 1718/19
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 55,9 x 45,7 cm        
Localização: Galeria Nacional, Edimburgo, Escócia

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen

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