Arquivo do Autor: Lu Dias Carvalho

MARAVILHAS DO GENGIBRE

Autoria do Dr. Telmo Diniz

O gengibre (Zingiber officinale) é uma planta herbácea originária da Ásia e, de lá, foi difundida para o resto do mundo. No texto de hoje vamos ver os benefícios desta raiz que é, ao mesmo tempo, um tempero para comidas e um remédio com benefícios diversos à saúde.

As propriedades da planta se encontram no rizoma (raiz). É o local onde se encontram diversos benefícios terapêuticos:

  • ação bactericida,
  • desintoxicante
  • ótimo para os sistemas digestivo, respiratório e circulatório.

O gengibre também é, reconhecidamente, um alimento termogênico, ou seja, é capaz de acelerar o metabolismo e favorecer a queima de gordura corporal sendo, pois, coadjuvante na perda de peso. É importante considerar que o gengibre pode aumentar o gasto calórico em mais de 10%, porém, deve ser salientado que não existem milagres quando o assunto é perder peso. Mas para que o consumo de gengibre mostre resultados, é necessário que se alie a uma dieta mais hipocalórica e a exercícios físicos regulares.

O gengibre apresenta uma substância chamada “gingerol” que possui propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas que protegem o nosso organismo. É essa substância a responsável pelo sabor picante e tão peculiar do gengibre. Na medicina ayurvédica, a raiz tem reconhecida ação sobre o sistema digestivo, sendo indicada para aliviar náuseas e vômitos. Estudos indicam também que o gengibre provoca inibição no crescimento da bactéria Helicobacter pylori, causadora de gastrite e úlcera de estômago.

O gengibre pode ser usado de diversas formas, podendo agradar aos diferentes gostos pessoais. Utilizar as lascas da raiz para mastigar pode ser forte, entretanto, ajuda a aliviar a rouquidão e as irritações na garganta nos casos das viroses invernais. A infusão da raiz em chás pode também ser de grande utilidade nas gripes e resfriados em geral. De igual forma, o gengibre pode ser usado em conjunto no suco verde (couve e hortelã) como detoxificante. Lançar mão do gengibre como coadjuvante terapêutico pode ser uma ótima e deliciosa pedida.

Eis uma receita do xarope de gengibre, remédio caseiro com propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e expectorantes, que ajudam a combater os sintomas da gripe:

Ingredientes

25 g de gengibre fresco fatiado ou uma colher de gengibre em pó;
uma xícara de mel;
três colheres de sopa de água;
três colheres de sopa de suco do limão e
cinco gotas de extrato de própolis.

Preparo

Inicie por ferver a água. Após a fervura, desligue o fogo e acrescente o gengibre. Tampe e deixe na infusão por dez minutos. Logo após, acrescente o mel, a própolis e o suco do limão. Misture bem até obter uma mistura homogênea, com consistência viscosa, igual a um xarope. Vá tomando aos poucos.

As contraindicações para uso desta raiz são para hipertensos graves e pessoas que utilizam medicações anticoagulantes. Na dúvida, consulte seu médico. Nosso remédio está em nossa despensa e não na prateleira das farmácias. Pense nisso!

Nota:
NUNCA USE GENGIBRE SE VOCÊ TIVER UM DESTES PROBLEMAS DE SAÚDE …

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Munch – TREPADEIRA VERMELHA VIRGÍNIA

 Autoria de Lu Dias Carvalho

O norueguês Edvard Munch (1863 – 1944) nasceu na cidade de Löten, mas sua família mudou-se para Christiania (atual Oslo) no ano seguinte ao seu nascimento. Era o segundo filho do casal Christian Munch e Laura Catherine. Seu pai era um médico tradicional, muito devoto,  moralista e castrador. Edvard teve três irmãs: Sophie, Laura e Inger e um irmão, Andreas. Cinco anos após seu nascimento, ele perdeu sua mãe, aos 30 anos de idade, vitimada pela tuberculose, assumindo a tia Karen Bjolstad, irmã dela, o controle da família. E nove anos após a morte da mãe, sua irmã favorita Sophie faleceu, aos 15 anos de idade, também vítima da mesma enfermidade. O artista foi um pioneiro do Expressionismo.

A composição intitulada Trepadeira Vermelha Virgínia retrata um tipo de hera (trepadeira da Virgínia/ EUA) que crescia por toda a sua casa em Berlim. Embora se trate de algo comum para uma cena, sob o pincel do artista norueguês a hera apresenta uma tensão perturbadora, pois, assim como uma planta carnívora, ela parece abocanhar toda a casa, alastrando-se desordenadamente.  Suas raízes assemelham-se a veias e suas folhas a poças de sangue.

A figura de um homem com bigode e grandes olhos saltados aparece em primeiro plano. Apenas uma pequena parte de seu corpo é vista – o que torna sua cabeça ainda mais perceptível. A expressão de seu rosto denota medo. Um caminho formado por sulcos ligam-no à casa, indicando uma relação entre ambos. Já se encontrando de costas para o casarão, ele parece fugir rapidamente do lugar.

A perspectiva da casa de dois pavimentos e suas inúmeras janelas brancas também se mostram amedrontadoras, lembrando um velho casarão abandonado, palco de tragédias. Uma árvore seca com um ramo cortado, postada em frente à cerquinha branca, também sugere horror.

Ficha técnica
Ano: 1911
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 162 x 219 cm
Localização: Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA

Fontes de Pesquisa:
História da arte no ocidente/ Editora Rideel
https://www.edvardmunch.org/red-virginia-creeper.jsp

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CAPITALISMO SELVAGEM E INDIFERENÇA

Autoria de Lu Dias Carvalho


Segundo o Aurélio, a acídia, também conhecida por acedia, significa abatimento do corpo e do espírito, moleza, frouxidão. Traduzindo, para uma linguagem mais próxima de nosso tempo, é o “não se importar” com nada ou ninguém, é a indiferença. É o comportamento carregado de amargura ou cinismo em relação à vida. É o fastio, o enfado, a indolência, a passividade, a indiferença, a languidez proveniente do tédio, ou a omissão no tratar com o mundo.

O capitalismo selvagem – sistema econômico em que o consumismo abunda – tem sido um campo fértil para que a indiferença se propague. De certa forma, o tédio, a omissão e o niilismo (aniquilamento, descrença absoluta) estão impregnados de um desespero mudo. Muitos já nem possuem mais a percepção de que parte do mundo agoniza, tão voltados que estão para o  próprio umbigo. São incapazes de ver além de si mesmos. E por mais que tenham, sempre querem ter mais, indiferentes ao resto do mundo.

O conhecido psicólogo e escritor Erich Fromm acredita que a cultura contemporânea tem sido responsável pelo aumento do tédio que avassala a humanidade. Segundo ele, as pessoas entediadas são gélidas. Não sentem alegria, mas também não sentem tristeza ou dor. Perdem a capacidade de posicionarem-se diante de fatos importantes, pois carregam pela vida uma indiferença total e absoluta, como se dela não fizessem parte. E muitos são entediados por possuírem em excesso, de modo que nenhuma conquista traz-lhes prazer. Tudo leva a crer que o homem moderno vive uma epidemia de tédio, tão grande é o seu descompromisso para com o planeta como um todo. Ele passa por uma profunda crise de valores e de imaginação. Vem se tornando cada vez mais solitário e triste, porque está desaprendendo compartilhar e interferir no que passa ao seu redor. Não tem compromisso com o mundo à sua volta. É cada vez mais omisso.

A espécie humana tem vivido a cultura do “não estou nem aí”. Totalmente indiferente em relação ao destino da Terra, como se não houvesse nada que pudesse fazer, ou se não tivesse nenhum poder de interferência, ou  se vivesse numa outra dimensão, num outro planeta. Nem percebe mais que é parte integrante da natureza, de modo que não pode pilhá-la, explorá-la e violá-la sem que pague por isso até mesmo com  a vida, e isso sem levar em conta seus descendentes – correm o risco de viver num planeta totalmente exaurido.

A humanidade tem amargado um preço muito alto por sua postura de alienígena no planeta Terra. Este aniquilamento e desprazer de viver têm suas raízes fincadas no desdém pela natureza, ao envenenar rios e mares, desnudar montanhas, extinguir a vida selvagem, poluir a atmosfera, aumentar a temperatura do planeta, ignorando que é parte de um único corpo. Esquece-se de que aquilo que deixamos de fazer, muitas vezes, pode ser muito mais importante do que aquilo que fazemos. Parvo é quem pensa que, ao se omitir, fica com a consciência limpa, sem culpa no cartório. A não ação, também é um tipo de ação, ainda que ao contrário, como provou Ghandi. Só que, no caso do indiano, ela foi usada positivamente, enquanto agora floresce como uma erva daninha, um produto da inércia e da omissão.

A civilização atual está promovendo um ecocídio ao acabar com o equilíbrio entre o humano e o não humano. A ligação entre as duas partes, além de ser fator de bem-estar moral e espiritual, é imprescindível para a sobrevivência do planeta. O homem não pode ser autossuficiente a ponto de desprezar os outros seres que coabitam consigo. A ética é muito mais ampla de que se imagina. Ela deve estar não apenas nas relações entre os seres humanos, como na relação com o ambiente e as demais espécies. Somente o respeito às diferentes formas de vida poderá salvar a Terra.

A cultura atual vem levando ao pé da letra o conceito de antropocentrismo. O homem está imbuído do convencimento e da vaidade de que tudo na Terra foi criado para beneficiá-lo. Ironicamente, ao ignorar os direitos dos outros seres, ele está construindo o seu próprio caos. Engana-se ao pensar que não é interdependente com os outros elementos do planeta. Desconhece o sentido da palavra humanidade (húmus = terra, em latim). O planeta Terra é o nosso lar, é a nossa terra, ainda que finjamos não compreender isto. Subestimá-lo é transformá-lo, em curto prazo, num hospital de humanos doentes de corpo e de alma.

É bom que todos nós, diante do ecocídio perpetrado por governantes insanos e por humanos ignorantes e vis, afeitos apenas ao “ter”, saibamos que a complacência sem limites é tão nociva quanto a intolerância. A omissão contrapõe-se à justiça, quando cruzamos os braços, ao ver que nossa civilização está destruindo águas, solos, árvores nas cidades e florestas, e outras espécies, num ritmo nunca visto. Tenhamos a certeza de que pagaremos um grande preço, pois a toda ação corresponde uma reação. Não perdemos por esperar. Precisamos botar um freio no capitalismo selvagem que está destruindo o planeta, quando o lucro fácil passa a ser a parte mais importante de tudo, sem nenhuma forma de remorso.

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Kaiho Yusho – ALEGORIA DA PINTURA

Autoria de Lu Dias Carvalho

No Japão antigo, as artes tradicionais eram quatro: a harpa, o xadrez, a caligrafia e a pintura. Por serem parte essencial da educação dos jovens da nobreza, os artistas usavam-nas como motivo de seu trabalho.  As pinturas que chegaram até nossos dias foram apenas as dos nobres jogando xadrez ou tocando harpa.

Apesar de serem tidas como parte das artes tradicionais, a pintura e a caligrafia eram consideradas trabalhos manuais, ou seja, não gozavam da mesma reverência que a harpa e o xadrez. Os cavalheiros não se deixavam imortalizar exercendo uma delas. Em razão disso, as pinturas que representam a pintura e a caligrafia são normalmente alegóricas, ou seja são representadas simbolicamente através de objetos.

A caligrafia era representada por um pajem ou um servo preparando a tinta, enquanto a pintura era personificada por pessoas a admirar um quadro ou objeto de arte. A pintura acima é um detalhe de um biombo com seis painéis, pintado a cores sobre papel.

Ficha técnica
Ano: fim do séc. XVI
Autor: Kaiho Yusho
Período Momoyama
Dimensões: 153 x 364,2 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

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LEI DO CARMA – TUDO O QUE VOCÊ FAZ…

Autoria de Luis Pellegrini

Segundo uma afirmação budista, “se você quiser entender as causas do passado, observe os resultados que se manifestam no presente”. É uma boa apresentação, embora algo simplista, de um conceito complexo chamado de “lei do carma”.

Diz a “Lei do Carma” que tudo que você faz, um dia volta para você.

Como as outras pessoas te tratam é carma delas; como você responde é carma teu.

O Carma é uma lei que depende inteiramente de nós mesmos e das nossas escolhas, podendo mudar ao longo do tempo, se seguirmos o “dharma” – caminho e regras que permitem às pessoas livrar-se da tirania dos seus egos e da massa dos desejos acumulados. Carma, em sânscrito, significa ação. Seria o equivalente, na metafísica indiana, à terceira lei de Newton, que diz: “A toda ação corresponde uma reação de igual intensidade, que atua no sentido oposto”. A força é resultado da interação entre os corpos, ou seja, um corpo produz a força e outro corpo a recebe.

O carma não é unicamente individual. Esse é o mais comum, mas há também o carma familiar, o coletivo, o nacional e o mundial. O tipo familiar, por exemplo, diz respeito a toda a família: significa o “débito” espiritual (não entendido necessariamente como culpa) que recai sobre o núcleo familiar inteiro. Já o carma coletivo é o das pessoas que moram em um mesmo bairro, cidade ou país, e o mundial significa o “débito” internacional. Em todos os casos, deve-se observar que o papel de cada indivíduo permanece sempre ativo: nunca somos simples vítimas, mas de algum modo colaboramos para decidir nosso presente e futuro. Portanto, de algum modo somos sempre responsáveis por ambos.

Por volta de 1974, quando eu era um jovem repórter no jornal “Última Hora” do Rio de Janeiro, entrevistei o inglês John Coats, então presidente da Sociedade Teosófica Internacional que divulgava no Ocidente os conhecimentos filosóficos e esotéricos das tradições orientais. Coats viera ao Rio para uma série de conferências. Uma das minhas perguntas se referia à falada “lei do carma”. Após uma breve explanação da ideia, Coats deu um exemplo concreto.

“Tudo aquilo que existe tem carma, está submetido à lei da ação e da reação. Não apenas as pessoas, mas também as sociedades e os países. Meu país, a Inglaterra, enriqueceu e se tornou poderoso porque, durante séculos, colonizou e explorou dezenas de nações mais frágeis. Fomos lá com nossos soldados e nossas armas, nós nos instalamos na casa dos outros sem convite e tiramos proveito de tudo o que lá encontramos. Ao fazê-lo, criamos carma. Pois bem: passado o ciclo colonialista, o movimento da força se inverteu, como é natural e justo que aconteça. Agora são nossos ex-colonizados que migram em massa para a Inglaterra em busca de trabalho e de uma vida mais segura e confortável. E nós, ingleses, reclamamos que estamos sendo ‘invadidos’, que nosso território está sendo ocupado por ‘estrangeiros’… Sabe o que é isso? É a lei do retorno, a lei do carma em ação.”.

Ao tecer tais reflexões, Coats também profetizava algo que, nas décadas seguintes, envolveria todas as nações colonialistas europeias: a “invasão” de desvalidos dos países do Terceiro Mundo colonizados pelos europeus. Desvalidos que buscam na Europa refúgio, abrigo e proteção.

Quando pensamos, falamos ou agimos, desencadeamos uma força que gerará uma reação na forma de outra força que tenderá a voltar à sua origem. Durante a longa cadeia da nossa existência como seres conscientes e sencientes (que percebem as coisas pelos sentidos), homens e mulheres tentaram modificar, transformar ou suspender o poder da força que retorna. Talvez alguns tenham, em alguma medida, conseguido fazê-lo, mas a imensa maioria das pessoas não tem condições de erradicar ou desviar os efeitos das ações físicas, emocionais, mentais e espirituais que desencadeou. O que isso significa na prática? É simples: todos somos, em maior ou menor medida, escravos das nossas ações. Uma pessoa, portanto, não escapa das consequências dos seus atos. Mas ela só sofrerá esses efeitos quando, por sua iniciativa, tiver construído as condições que a deixam vulnerável a esse retorno que muitas vezes se traduz em sofrimento. A ignorância quanto à “lei do carma” não isenta a pessoa de sofrer as consequências de seus atos. Lei universal, o carma é posto automaticamente em movimento todas as vezes em que uma ação é desencadeada.

No Ocidente, o conceito de “lei do carma” surge quase sempre ligado à causalidade (ou seja, à causa e ao efeito das ações desencadeadas). Mas uma análise mais atenta dessa ideia mostra que o carma é regulado também por outros fatores. O principal deles é a intencionalidade. Exemplo: uma pessoa, quando criança, experimenta emoções fortes e positivas no alto de uma montanha coberta de neve. Se ela, já adulta, vive uma situação análoga, suas emoções ressurgem. Seu corpo e sua mente respondem ao estímulo com base na memória do vivido ou em princípios educativos. Essa é a causalidade, uma resposta destituída de livre-arbítrio que leva em conta o que foi vivido, as emoções e o próprio modo de pensar. Já na visão oriental, através da intencionalidade o carma age num nível mais profundo e sutil. No caso, ele não é apenas uma lei fria e mecânica, que responde de forma automática aos estímulos. A intenção subjacente aos nossos atos é entendida como uma força viva que pode, de vários modos, condicionar os efeitos que esses atos produzem. Portanto, não podemos desvincular lei do carma dos conceitos de consciência e moralidade.

Nestes tempos turbulentos que vivemos, em que tantos (inclusive nas mais altas esferas da socie­dade) parecem ter perdido a noção de conse­quência e de responsabilidade, é importante refletir sobre a sabedoria contida na noção de “lei do carma”. Sobretudo porque ela não se assenta apenas em uma visão­ espiritual do mundo e da nossa presença nele. A “lei do carma” nos fala de uma fenomenologia prá­tica, objetiva, tão conectada às leis do espírito quanto às da matéria.

 Nota: texto retirado de https://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/391668/Lei-do-carmaTudo-que-voc%C3%AA-faz-um-dia-volta-pra-voc%C3%AA.htm

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EM DEFESA DO VICE-REI

 Autoria de Lu Dias Carvalho

Se quando um não quer dois não brigam diz também outro sábio ditado popular que quem muito se abaixa, mostra o fundilho. Somando os dois ditos populares, há de convir o leitor que ambos podem ser postos em prática, mas desde que se respeitem as causas que levam ao exercício de um e de outro. Para certos casos, o primeiro calha como uma luva, mas também há fatos que exigem a observância do segundo, a fim de proteger a honra do ultrajado, caso contrário, poder-se-ia usar um segundo dito popular que diz: quem com os porcos anda, farelo come, ou ainda um provérbio com um teor ainda mais firme: quem cala, consente.

Deixando os ditos e não ditos de lado, tem sido vexamoso o modo como o vice-rei vem sendo tratado no reino pela família real e seu staff. Dentre os inconsequentes desacatos estão palavras como “traidor” e “golpista”. O rei finge de morto na defesa de seu vice, enquanto dá espaço para que seus bambinos – os príncipes 1, 2 e 3 – desçam o relho no general, num visível abuso de poder. Ainda que tais atitudes descabidas a princípio fortaleçam o vice-rei – ao mostrar que o soberano não tem pulso nem com seus filhos – em longo prazo tiram a admiração que os súditos vêm nutrindo por ele, pois não vivemos nos tempos de São Jerônimo quando sofrer humilhação era um degrau para a santidade. Como essa gente de ânimo buliçoso não alarga a consciência, está passando da hora de botar os pingos nos is.

Num reino totalmente despirocado em que a família real não demonstra um fanico de compostura para com seu povo, sendo dada a arroubos de grandeza e poder a ponto de ocupar a mídia com declarações imprudentes e temerárias – e sendo desprovida de qualquer ajustamento de conduta – qualquer indivíduo com um mínimo de bom senso foge à desarmonia vigente e, por isso, é malhado como um “Judas”, pois o grupelho exige a unicidade de todos os seus partícipes.  Qualquer um que emita um parecer próprio é visto como um desatinado, uma ovelha desgarrada que precisa ser contida em fortes correntes ou jogada às feras. Em assim sendo, a cordialidade e a civilidade excessivas por parte do ultrajado general funcionam como se ele estivesse apanhando água com a peneira.

Engana-se quem pensa que não há muito mais farinha debaixo do angu dos queixosos reais. O que eles tanto temem em relação à postura do vice-rei – “sombra que às vezes não se guia de acordo com o sol… – na corte? É elementar, meu caro leitor! Eles temem que o general continue ganhando a simpatia dos vassalos e obtenha poderes para se opor ao desmonte generalizado  que ora se vê, rechaçando os vendilhões das riquezas do reino. Eles temem que o apoio ao segundo homem mais poderoso da monarquia acabe com as asnices do guru da corte e membros do staff real. Eles temem que a aprovação popular ao vice-rei seja capaz de botar um freio na truculência verbal dos príncipes.  Eles têm medo de que a simpatia pelo vice-rei – com bom trânsito entre políticos da oposição, mídia e empresários – possa fazer tremer os alicerces do trono.

Todos os vassalos têm conhecimento de que o vice-rei tornou-se um saco de pancadas de uma monarquia que não mostrou ainda a que veio. Desviar a atenção para ele é uma forma de contabilizar em sua pessoa os fracassos estrondosos da política atual do reino. Na verdade, ele é um dos pouquíssimos tripulantes a demonstrar credibilidade nesta nave destrambelhada, sem um comandante confiável e capaz de levar todo o reino – nos seus mais diferentes campos – à bancarrota. Eles, porém, fingem não ver isso, pois lhes importa mais o poder totalitário próprio dos ditadores, como as expressas diariamente.

Ainda que no passado o vice-rei tenha se aproximado em sua retórica dos abilolados reinantes, pode-se dizer que hoje é a “voz da razão e moderação”, a voz do bom senso, um farol na escuridão das ideias anacrônicas, estapafúrdias e esdrúxulas que despencam sobre o reino como as sete pragas do Egito. Ideias essas baseadas num “bliblianismo” contrário a tudo o que Jesus Cristo ensinou, mas amalgamadas a interesses próprios e a sabujar as elites, sem qualquer compromisso com os pobres – os escolhidos do Mestre Jesus. Eles não passam de hipócritas que usam o nome de Deus a bel-prazer, posando de homens e mulheres tementes ao Mestre Jesus. Farisaicos… Isto é o que são!

Os súditos trazem o entendimento de que se o vice-rei não der seu grito de BASTA, os inconsequentes irão atingir o objetivo que tanto buscam – “resuma-se à função de poste, fique quieto, pois é apenas um representante da maçonaria e de parte do Exército”. Eles irão transformá-lo no poste que almejam. Nós, os vassalos, continuamos perguntando: Até quando, general, o senhor irá tolerar tanta humilhação, zombaria, rebaixamento e pulhice? Já estamos ficando incomodados com sua excessiva leniência. Essa gente não conhece a linguagem da moderação e do respeito. Chega de impunidade! A continuar assim, nem mesmo os lacaios do palácio irão respeitá-lo e outros zés-ninguém aparecerão para insultá-lo. Bote logo um fim nesta novela! Até mesmo o presidente da Câmara do reino diz que um dos príncipes (02) “age seguindo a estratégia definida pelo próprio rei nas redes sociais”. O que mais é preciso?

Nota: São Jerônimo, obra do pintor barroco Hendrick van Someren

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